Há 45 anos, em 15 de outubro de 1981, Sam Raimi e Bruce Campbell lançaram “Evil Dead”, que no Brasil ganhou dois títulos: “A Morte do Demônio” e “Uma Noite Alucinante” (esse último, abandonado após a continuação).

Sam Raimi e Bruce Campbell se tornaram amigos em 1975 no ensino médio, enquanto estudavam na Wylie E. Groves High School em Beverly Hills, Michigan. Foi nessa época que começaram a gravar curtas caseiros com câmeras Super 8, sendo em sua maioria comédias, como “Clockwork” e ‘It’s Murder!”.

Embora tenham frequentado universidades diferentes: Sam Raimi foi para a Michigan State University para cursar literatura inglesa e Bruce Campbell matriculou-se na Western Michigan University; eles se viam com frequência, e juntamente com Robert Tapert, um amigo de quarto do irmão de Sam Raimi, deram início ao projeto que viraria “Evil Dead”.

Uma filmagem de uma cena de suspense em “It’s Murder!’ inspirou os três amigos, fazendo Sam Raimi dirigir um filme de terror. Para captar recursos, Raimi filmou e apresentou o curta-metragem “Within The Woods” para possíveis financiadores. Além disso ele e Bruce Campbell pediram doações e dinheiro a familiares. Segundo declarações do diretor, foram arrecadados US$ 375 mil.

Com dinheiro suficiente para produzir o filme, Raimi, e Campbell, com 20 e 21 anos respectivamente; começaram a filmar “Book of the Dead”, título inspirado pelo interesse de Raimi na ficção de H.P. Lovecraft, que seria um remake de “Within the Woods”, com valores de produção mais altos e uma duração maior.

Sam Raimi pediu ajuda e assistência a vários de seus amigos e antigos colaboradores para fazer “Book of the Dead”. Bruce Campbell se ofereceu para produzir o filme ao lado de Tapert e, posteriormente, foi escalado como Ash Williams , o personagem principal, já que suas responsabilidades como produtor o tornaram o único ator disposto a permanecer durante toda a produção.

Um anúncio no jornal “The Detroit News” foi colocado para recrutar o elenco e a equipe técnica, mas em sua grande maioria, a equipe era composta por amigos e familiares de Raimi e Campbell. Betsy Baker foi uma das atrizes que responderam ao anúncio; e Ellen Sandweiss, que participou de “Within the Woods” foi escalada. O artista de efeitos especiais de maquiagem do curta-metragem que serviu de base, Tom Sullivan, foi contratado, ajudando a criar muitos dos efeitos de látex de espuma e sangue falso do filme. 

Sem olheiros profissionais, a equipe escolheu uma cabana isolada em Morristown, Tennessee; após Michigan ser descartado. Durante a pré-produção, os 13 membros da equipe tiveram que ficar no local, fazendo com que as pessoas dormissem no mesmo quarto. As condições de vida eram notoriamente difíceis, como a falta de encanamento, levando a várias discussões.

Bruce Campbell descreveu o processo de filmagem como um exercício de agonia sem alegria, embora tenha admitido que conseguiu se divertir. As filmagens levaram doze semanas, com Raimi e Campbell ficando na cabana para mais 4 dias de produção de cenas adicionais.

A primeira edição do filme tinha 117 minutos, o que Raimi e Campbell consideraram uma conquista impressionante, tendo em vista os 65 minutos do roteiro . O corte final ficou com 85 minutos.

Um dos momentos mais complexos durante a edição foi a sequência de animação stop-motion em que os cadáveres derretem, que levou horas para ser editada corretamente. O filme tinha sons únicos que exigiram extensa gravação por parte da equipe, sendo que muito precisaram ser regravados em estúdio por não terem saído corretamente.

Com o filme concluído, Sam Raimi fizeram uma grande estreia exibindo o filme no Redford Theatre de Detroit, que Campbell costumava frequentar quando criança; e a tornaram a mais teatral possível, usando ingressos personalizados, trilhas de vento instaladas no teatro e colocando ambulâncias do lado de fora. A presença local na estreia superou as expectativas do elenco, com mil espectadores comparecendo. O público respondeu com entusiasmo à estreia, o que levou à ideia de Raimi de “fazer uma turnê” com o filme para gerar expectativa.

Sam Raimi encontrou Irvin Shapiro, responsável pela distribuição de “A Noite dos Mortos-Vivos,” de George A. Romero , e outros filmes de terror famosos; que assistiu ao filme pela primeira vez e disse que tinha potencial comercial e expressou interesse em distribuí-lo. Foi ideia dele não usar o título “Book of the Dead”, pois o achava entediante. Raimi fez um brainstorming e optou por “The Evil Dead “.

Irvin Shapiro aconselhou a distribuição mundial do filme para obter uma receita maior, embora isso exigisse um investimento financeiro adicional de Raimi, que conseguiu juntar o pouco dinheiro que tinha. Shapiro que foi um dos fundadores do Festival de Cannes o exibiu no festival de 1982, fora de competição. Stephen King estava presente na exibição e fez uma crítica muito positiva, o colocando como seu quinto longa-metragem favorito do gênero. Os comentários de King atraíram o interesse dos críticos, que de outra forma provavelmente teriam rejeitado o thriller de baixo orçamento.

À partir daí “Evil Dead” só ganhou mais destaque, o que tornou Sam Raimi um dos diretores mais proeminentes do terror. Isso acabou resultando em mais filmes, tornando “Evil Dead” em uma das frnquias de terror mais famosas e icônicas do cinema.

E após essa longa, mas necessária introdução, o Cinemaníacos resolveu ranquear os seis filmes lançados até o momento da franquia “Evil Dead”, do pior para o melhor.

6ª Colocação: Army of Darkness (1992)

SINOPSE: Ash (Bruce Campbell) é enviado para o ano 1300 A.C.,  onde acaba capturado, por ser considerado um espião de um reino rival. Após se libertar, Ash parte em busca do Necronomicon Ex-Mortis, para que possa ser mandado de volta para o presente. Mas algo sai errado, despertando o exército dos mortos.

Com o sucesso financeiro de “Darkman”, Sam Raimi ganhou total liberdade para fazer um terceiro “Evil Dead”, que ganhou o título de “Army of Darkness”. No Brasil, o filme ficou conhecido como “Uma Noite Alucinante 3”.

Após um hiato de cinco anos após o lançamento de “Evil Dead 2”, lançado em 1987, finalmente saberíamos o que aconteceu com Ash Williams após ser mandado para a Idade Média. Será que ele cumpriria seu destino contra as forças do mal?

E de certa forma foi o que “Army of Darkness” contou, mas não da forma que muitos esperavam. Sam Raimi transformou o terceiro filme da franquia “Evil Dead” em um terrir completo.

Pesquisando, descobri que Raimi na adolescência fez diversos curtas-metragens de comédia e é fã dos “Três Patetas”. “Evil Dead 2” já tinha dado sinais que Sam Raimi tinha um veia cômica muito forte, e depois do que passei a saber a mais respeito dele, fez mais sentindo ainda o tom galhofa de “Army of Darkness”.

“Army of Darkness” é a declaração de amor de Sam Raimi à comédia; mas todo o terror visto, principalmente no primeiro filme da franquia, sumiu. E essa ausência do terror incomoda, porque os deadites se resumem a aparições apagadas, se assemelhando a palhaços de circo bem ruinzinhos.

Além disso, tudo em “Army of Darkness” parece de segunda mão; o que não faz sentido já que Sam Raimi conseguiu US$ 21 milhões para produzir esse filme. Nada convence, sendo os esqueletos a pior coisa de todo o filme. A única coisa que salva, até um certo tempo, é a atuação de Bruce Campbell, que se descobriu como ator de comédia muito bom.

“Evil Dead” sempre me atraiu pela história sombria e pelo terror apresentado. “Army of Darkness” não tem nenhum dos dois, e associado à produção tosca e a comédia que é excessiva e cansativa depois de um certo tempo, faz com que seja considerado o pior filme da franquia não só por mim.

5ª Colocação: Evil Dead 2 (1987)

SINOPSE: Ash (Bruce Campbell) leva sua namorada Linda (Denise Bixler) até uma casa abandonada, onde encontra uma fita de áudio abandonada por um professor. Ash coloca a fita para tocar, ouvindo citações do Necronomicon Ex-Mortis. Os encantamentos despertam as forças do mal na floresta, que transformam Linda em um monstruoso Deadite. O objetivo é fazer o mesmo com Ash, mas ele recebe a ajuda da filha do professor.

A ideia de uma sequência de “Evil Dead” já tinha sido discutida durante as filmagens do do primeiro filme. Irvin Shaprio, publicitário do filme, pressionou Sam Raimi para que criasse uma premissa para tal filme, mas o projeto foi engavetado em 1984 após a Universal Pictures e a 20th Century Fox recusaram o projeto. O projeto só ganharia atenção novamente em 1985, após o fracasso de “Crimewave”, dirigido e escrito por Sam Raimi.

Então, em 1987, foi lançado “Evil Dead 2” que ganhou o título de “Uma Noite Alucinante 2” no Brasil; mas pode muito bem ser chamado de “Evil Dead 1.5”.

Embora Sam Raimi e Bruce Campbell afirmem que “Evil Dead 2” foi concebido como uma sequência direta, é perceptível que muitas ideias do primeiro filme foram recicladas em um esforço para economizar tempo e dinheiro. Um exemplo disso é o longa-metragem mostrar somente Ash e Linda indo para a cabana, ao contrário do grupo de amigos no filme original.

Mas utilizar uma versão reciclada do roteiro do filme original para fazer a abertura de “Evil Dead 2” é passável. O que realmente incomoda é a mudança na essência da sequência em relação ao filme original.

Stephen King elogiou o primeiro filme, o colocando como seu quinto filme de terror favorito na época de seu lançamento, além de dizer que viu coisas relacionadas ao terror nunca antes feitas para um longa-metragem do gênero.

Sam Raimi convidou Scott Spiegel para ajudá-lo no roteiro. Spiegel que tinha feito muitos curtas-metragens de comédia com Sam Raimi, achava que “Evil Dead 2” deveria ter menos terror do que o primeiro filme; que foi que aconteceu.

“Evil Dead 2” até tem cenas de terror, mas elas foram suavizadas graças a efeitos e maquiagens que não fossem tão repugnantes como no filme original. Além disso, várias piadas foram inseridas, como Ash lutando com sua mão possuída. A própria atuação de Bruce Campbell trazia um tom mais cômico.

Muitos consideram “Evil Dead 2” melhor que o primeiro filme, onde a fórmula original foi aprimorada. Na minha opinião, transformar o terror em uma comédia de horrores, tirou toda a essência do que é “Evil Dead”.

E é por isso que “Evil Dead 2” está nessa posição.

4ª Colocação: A Morte do Demônio: A Ascensão (2023)

SINOPSE: Beth (Lily Sullivan) visita sua irmã (Alyssa Sutherland) e seus 3 filhos em Los Angeles. De repente, esse encontro é interrompido quando encontram o Necronomicon Ex-Mortis. Agora, elas precisam lutar pela sobrevivência contra os demônios que foram despertados.

“A Morte do Demônio”, de 2013, atiçou novamente o desejo dos fãs pela franquia. Então, em 2023, nossas “preces” foram atendidas e a Warner anunciou “A Morte do Demônio: A Ascensão”, que inicialmente iria direto para a HBO Max, mas teve sua estreia alterada, e foi lançado nos cinemas, em uma clara aposta do estúdio no potencial da franquia.

Lee Cronin foi escolhido por Sam Raimi para escolhido para escrever e dirigir “A Morte do Demônio: A Ascensão”, que você pode saber mais, lendo nossa resenha. Mas o resultado é o filme mais lucrativo de toda a franquia “Evil Dead”.

“A Morte do Demônio: A Ascensão” tem a seu favor Deadites maliciosos, que parecem gatos brincando com ratos, antes de comê-los; algo que não é tão tem ou não é tão presente nos outros filmes da franquia.

Além disso, o filme trabalha muito bem a tensão. Admito que ver Ellie possuída pelo olho mágico me deixa desconfortável. E a cena em que Beth ouve o disco e não percebe Ellie saindo da tubulação do teto e andando pela parede como uma aranha me deixa nervosos até hoje.

Lee Cronin também consegue canonizar uma piada existente em “Army of Darkness”: que existem três livros, explicando assim porque temos Deadites diferentes. E por falar em Deadite, “A Morte do demônio: A Ascensão” apresenta uma criatura nunca vista na franquia.

“A Morte do Demônio: A Ascensão” é um dos melhores filmes da franquia e só não está mais acima nesse ranking porque os demais longas-metragens tem algo a mais.

3ª Colocação: A Morte do Demônio: Em Chamas (2026)

SINOPSE: Após a morte do marido, uma mulher busca refúgio na casa isolada dos sogros. À medida que, um a um, eles são transformados em Deadites, transformando o encontro em uma reunião familiar saída do inferno, ela descobre que os votos que fez em vida continuam… mesmo na morte.

“A Morte do Demônio: Em Chamas” é o mais recente filme da franquia.  Desde “A Morte do Demônio”, de 2013, novos diretores têm sido contratados para dirigirem novos filmes de “Evil Dead”. O nome da vez é o francês Sébastien Vaniček, que é mais conhecido por assinar a direção e o roteiro de “Infestação”, de 2023. Essa decisão garante visões diferentes para os conceitos já estabelecidos além de acrescentar novos elementos à mitologia da franquia, tudo supervisionado e autorizado por Sam Raimi.

Caso queria saber mais sobre “A Morte do Demônio: Em Chamas”, leia nossa resenha.

“A Morte do Demônio: Em Chamas” é continuação direta de “A Morte do Demônio: A Ascensão” e mostra que os Deadites são inteligentes. Nesse filme eles estão em busca de um artefato e montam um plano para encontrá-la.

Mas algo que me chamou a atenção nesses Deadites é a fúria que eles possuem, atacando suas vítimas com as mãos nuas e se engalfinhando com elas. Nesses momentos, tudo vira um caos.

“A Morte do Demônio: Em Chamas” ângulos de filmagem inéditos até então na franquia e até traz um plano sequência. O roteiro faz até certo ponto, algo que é bastante criticado na franquia: o desenvolvimento do personagens.

Continuando as referências aos filmes originais, “A Morte do Demônio: Em Chamas” traz de volta um certo artefato que é mostrado no primeiro e no segundo filmes de “Evil Dead” e que parece ser a arma definitiva contra os Deadites. Além disso, ele se conecta com “A Morte do Demônio, de 2013, ao mostrar um recorte de jornal com a manchete “Quatro corpos encontrados no incêndio da cabana”.

O final do filme traz de volta um personagem de “A Morte do Demônio: A Ascensão”, mostrando que tudo parece levar a uma história maior.

2ª Colocação: A Morte do Demônio (2013)

SINOPSE: Mia (Jane Levy) é uma viciada em drogas que, para vencer seus demônios pessoais, vai com seu irmão David (Shiloh Fernandez) e amigos de infância até uma cabana rústica, que pertence à família. Assim que chegam, descobrem que a cabana foi invadida e que o porão parece uma espécie de altar, rodeado por animais mumificados, onde encontram um livro antigo. Após lerem em voz alta suas páginas, eles invocam uma força demoníaca que se apodera de Mia e quer possuir todos dentro da cabana para liberar um mal antigo.

“Army of Darkness” foi um fracasso de crítica e de bilheteria, levando “Evil Dead” para a geladeira. Sam Raimi e Bruce Campbell tentaram por muitas vezes fazer um novo filme, mas os estúdios não viam a franquia como um ativo comercial.

Então em 2011, um reboot foi oficializado e anunciado, com Fede Alvarez dirigindo e coescrevendo o roteiro com Rodo Sayagues. Porém, Alvarez só aceitou o projeto se fosse retirado o tom de comédia dos filmes anteriores e pudesse voltar as raízes do terror do longa-metragem original.

E assim, em 2013, a franquia voltava após 11 anos no limbo, com “A Morte do Demônio”, que ganhou resenha do Cinemaníacos.

Com o retorno do terror visceral e tenso, “A Morte do Demônio” acordou os fãs e trouxe o interesse de volta para a franquia. Além disso, o reboot é uma espécie de spin-off e faz parte da linah temporal de “Evil Dead”. Em novembro de 2018, Álvarez confirmou a relação do filme com o original:

“Continua (a história) do primeiro. As coincidências nos eventos entre o primeiro filme e o meu não são coincidências, mas sim um destino sombrio criado pelo livro maligno. Basta ver que o carro de Ash  ainda está lá enferrujando.”

“A Morte do Demônio” tem seus problemas, principalmente no roteiro, que apresenta alguns furos; mas está na segunda colocação porque foi ele que trouxe de volta à vida cinematográfica a franquia e os Deadites.

1ª Colocação: Evil Dead (1981)

SINOPSE: Cinco jovens estudantes vão passar um fim de semana em uma cabana isolada nos bosques do Tennessee. Lá eles encontram o “Naturon Demonto”, o Livro dos Mortos da antiga Suméria, que é encadernado em pele humana e escrito em sangue. Juntamente com o Livro dos Mortos, os jovens se deparam com uma gravação feita por um arqueólogo, contendo a tradução de algumas passagens do livro. Ao reproduzir essa gravação, os estudantes despertam os demônios que estavam adormecidos e que habitam o bosque, que começam a possuir os jovens um por um.

A primeira colocação só podia ser do primeiro filme, lançado em 1981.

Não sou daqueles que acha que os primeiros filmes ou os originais são intocáveis, mas no caso de “Evil Dead”, que no Brasil teve dois títulos: “A Morte do Demônio” e “Uma Noite Alucinante”, não consigo colocar outro longa-metragem da franquia à frente.

Um dos motivos é afetivo, afinal foi meu primeiro filme de terror que assisti em videocassete e sem meus pais. O outro motivo é que mesmo “Evil Dead” tendo envelhecido mal, porém revolucionou as produções de terror nos anos 1980, com seus efeitos práticos, sua câmera inquieta e edição esperta. Esses elementos de produção associados ao gore extremo e referências à H.P. Lovecraft, fizeram do filme um ícone da cultura pop e do terror, ditando tendências nas décadas que viriam.

Se quiser saber mais, então leia nossa resenha especial sobre “Evil Dead”.

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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