SINOPSE: No presente, Juliette Nichols (Ferguson) lida com a perda de memória após sobreviver à sua “limpeza” forçada enquanto o silo se recupera da rebelião e enfrenta uma nova e perigosa ameaça. No passado, a jornalista Helen Drew (Jessica Henwick) e o congressista Daniel Keene (Ashley Zukerman) descobrem uma conspiração que os arrasta para uma sequência de acontecimentos com consequências catastróficas e irreversíveis.
A Apple TV tem trazido ótimas produções originais, principalmente no gênero de ficção-científica. E entre essas produções, “Silo” tem se destacado. A série baseada na obra literária escrita por Hugh Howey, chega a sua terceira e mais controversa temporada, devido mudanças, algumas bem profundas, em relação à “Ordem”, segundo e melhor volume da trilogia de livros.
O primeiro episódio da terceira temporada mostra Juliette como prefeita, sem memória de nada, ao lado de Camille (Alexandria Rilley), a nova Chefa da TI e contato direto com o Silo 01. Fica claro que houve uma passagem de tempo desde o final do segundo ano, que mostrou Juliette presa no incinerador do Silo 18 com Bernard (Tim Robbins) e ambos sendo engolidos pelo fogo, mas nenhuma explicação é apresentada para o que vemos no começo da terceira temporada. E esse lapso entre os eventos me deixou confuso e perdido.
E se a ideia era fazer com que o espectador sentisse a confusão de Juliette, então ela funcionou; pois apesar de saber que Camille e a voz do Silo 01 fizeram algo com ela, não saber o que exatamente o quê e simplesmente começar uma nova temporada dessa forma alcançou o objetivo de nos deixar desorientados como a protagonista.
A situação de amnésia de Juliette segue até o quinto episódio da temporada quando finalmente ficamos sabendo o que houve com Juliette após seu retorno ao Silo 18, bem como o destino de Bernard, que foi declarado morto devido às graves queimaduras que sofreu quando ficou preso no incinerador do silo. Nesse flashback, descobrimos que Robert Sims (Common) se voltou contra a voz do Silo 01 e contra Camille, sua esposa, depois de descobrir sobre o mecanismo que pode matar todos no Silo 18. Ele então simula a morte de Bernard e incentiva a veneração da população por Juliette, a transformando em prefeita; e assim impedindo que os dois sejam mortos.
Cria-se então uma dinâmica de conflito entre Robert e Camille bastante interessante. A série começa mostrando os dois mais que marido e mulher, mas com aliados em busca de controlar o Silo 18. E então na terceira temporada os vemos em lados opostos, mesmo que ambos queiram salvar o filho. Robert vê na rebelião uma chance de liberdade, enquanto Camille vê na submissão às ordens do Silo 01 como a única opção de sobrevivência do Silo 18.
Robert e Camille ganham bastante destaque nessa temporada e o desenvolvimento dos dois personagens me agradou muito. Primeiro, porque Robert utiliza todas suas habilidades e contatos quando era a sombra de Bernard para minar os planos na esposa e ajudar a rebelião. Do outro lado, temos em Camille uma vilã que gosta da sensação de poder que a chefia da TI e contato com Silo 01 lhe traz, mas ao mesmo tempo vive na corda bamba, pois sabe que suas decisões e ordens seguidas vão salvar o Silo 18, mas a um custo muito alto: o afastamento do marido e a perda da memória de seu filho.
E aqui temos a primeira grande mudança que a terceira temporada faz em relação à “Ordem”, livro que serviu de base para os segundo e terceiro anos de “Silo”. A memória é uma ferramenta importante para o controle do Silo 01 aos dos demais silos, ao confiscar qualquer resquício do passado que remete à vida antes deles, pois faz com que os habitantes dessas estruturas só conheçam a atual realidade me que vivem. Ao inserir a droga do esquecimento, os responsáveis pela série quiseram fazer do Silo 01 um sistema controlador mais ativo, mais intrusivo que nos livros.
Mas o acréscimo da droga do esquecimento é uma mudança até que bem-vinda à trama de “Silo” e acho que só causou estranheza nos fãs mais fiéis aos livros de Hugh Howey que reclamaram de coisas como a mudança do nome do personagem Donald Keene para Daniel Keene (Ashley Zukerman) ou a alternância entre linhas temporais.
A mudança de Donald Keene para Daniel Keene, segundo o criador da série, Graham Yost, é para evitar paralelos políticos. Já a alternância de linhas temporais é para que a atriz Rebecca Ferguson pudesse continuar trabalhando em “Silo”; já que “Ordem” é um prequel, focado em explicar a origem dos silos, o que causou a quase extinção da humanidade e o funcionamento do Silo 01; só voltando com Juliette no epílogo do livro.
Na minha opinião, a parte mais controversa da terceira temporada de “Silo” está justamente nas mudanças feitas em relação aos eventos apresentados no livro “Ordem”.
A primeira grande mudança é em relação a Daniel Keene (Ashley Zukerman). Nos livros, ele é convocado pelo senador Paul Thurman para desenhar os silos devido a sua formação e talento em arquitetura, tendo dessa forma, uma participação maior a mais ativa na criação desses complexos. Na série, o envolvimento do personagem é zero, dando uma sugestão a Per Stensen (Colin Hanks), a pessoa mais rica do mundo, para construir 50 brocas para construir 50 silos.
Não tendo relação com a construção dos silos, Daniel fica sabendo sobre o projeto através do acidente aéreo de Charlotte (Jessica Brown Findlay), sua irmã e pilota da Aeronáutica dos EUA, durante uma missão em espaço aéreo iraniano. É através desse acontecimento com o personagem também fica sabendo sobre a droga do esquecimento e sobre a nanotecnologia.
Aliás, outra mudança em relação á personagens é o senador Paul Thurman no livro, virar Rosalind Thurman (Laura Innes). Mas essa mudança pouco importou para a trama da terceira temporada, já que a narrativa se manteve e que deva se manter para a quarta temporada, onde a senadora deve revelar as reais intenções em salvar a humanidade.
Houve um aumento da presença de Charlotte, que serve de conexão de Daniel com o projeto dos silos; e de Helen (Jessica Henwick), uma jornalista que trabalhava escondida com Charlotte para descobrir mais sobre o projeto da senadora Thurman e de Per Stensen, financiador de todo o plano de salvação da humanidade, e que não existe nos livros.
Sem revelar muito, a maior mudança que a série faz em relação ao material original é o que causou a quase extinção da humanidade, que aparece na terceira temporada, mas se entendi certo, não é o agente de destruição da raça humana.
Mas independentemente do agente causador da quase extinção da humanidade, se mantiverem o motivo para a utilização dele, a essência maligna será mantida e entenderemos o que os vilões de “Silo” são capazes de fazer para alcançarem seus objetivos.
Porém, mesmo com todas essas mudanças em relação ao material original, a atual temporada de “Silo” é a melhor dentre as três que foram exibidas. O clima de confusão do início; o jogo de xadrez que se desenha, com ambos os lados tentando dar o xeque-mate no adversário; e as memórias do passado pré-queda da humanidade deixaram a narrativa bastante ágil e instigante, como nenhuma das temporadas anteriores conseguiu.
As avaliações da terceira temporada de “Silo” no IMDb mostram isso, em uma ascendente, com cada novo episódio, à exceção do sexto, ganhando notas cada vez melhores; com o último capítulo desse ano alcançando nota 9,6/10, se tornando o segundo episódio mais bem avaliado de uma série da Apple TV na plataforma, ficando atrás somente do final da primeira temporada de “Ruptura”.
A quarta e última temporada de “Silo” está confirmada para estrear em 09 de julho de 2027 a vai mostrar Juliette liderando o confronto contra o Silo 01. Se a crescente narrativa se manter, a expectativa é de que teremos a melhor temporada da série, com uma trama com ainda mais ação, devido à guerra entre o Silo 18 e o Silo 01; e a resposta para a mais importante pergunta: por que?
Bom, dito tudo isso, é claro que vale muito a pena assistir a terceira temporada de “Silo”!
Ficha Técnica:
Título Original: SIlo
Título no Brasil: SIlo
Gênero: Drama, Ficção Científica
Temporadas: 3ª
Episódios: 10
Criadores: Graham Yost
Produtores: Graham Yost, Cassie Pappas, Jessica Blaire, Aric Avelino
Diretores: Michael Dinner, Aric Avelino, Amber Templemore
Roteiro: Graham Yost, Shelley Birse, Jessica Blaire, Aric Avelino, Katherine DiSavino, Sal Calleros, Remi Aubuchon, Fred Golan, Jenny DeArmitt-Stran, Jeffery Wang
Elenco: Rebecca Ferguson, Tim Robbins, Harriet Walter, Avi Nash, Rick Gomez, Chinaza Uche, Shane McRae, Remmie Milner, Alexandria Riley, Clare Perkins, Billy Postlethwaite, Steve Zahn, Ashley Zukerman, Jessica Henwick, Reed Birney, Laura Innes, Jessica Brown Findlay, Morven Christie, Matt Craven, Sonita Henry, Will Merrick, George Robinson, Ned Dennehy, Colin Hanks, Ross McCall, Georgina Sadler, Orlando Norman, Sara Hazemi, Quelin Sepulveda, Chris Fulton, Gemma Acosta, William Hope, Peter Gabriel, Shane Taylor
Companhias Produtoras: Mímir Films, Nemo Films, AMC Studios
Transmissão: Apple TV
