Elencar os melhores animes já feitos é uma tarefa bastante difícil, tanto pela quantidade absurda de produções feitas como pelos critérios utilizados. Mas se eu fizer um corte de tempo e pegar somente as animações japonesas feitas nesse século, minha escolha é bastante óbvia: “Attack on Titans”.

“Attack on Titans” é baseado no mangá homônimo escrito e ilustrado por Hajime Isayama. Publicado na revista mensal Bessatsu Shōnen Magazine, recebeu o selo Shounen, por ser voltado para o público jovem masculino; mas possui elementos de um Seinen, como violência gráfica, temas complexos e o tom que começa com a clássica “jornada do herói” otimista e entra em um terreno sombrio de dark fantasy.

O primeiro capítulo do mangá de “Attack on Titans” foi lançado em 09 de setembro de 2009, na revista mensal Bessatsu Shōnen Magazine da editora Kodansha. Desde então, são mais de 140 milhões de cópias em circulação mundialmente, se tornando uma das séries de mangá mais vendidas da história do Japão e do mundo. A popularidade de “Attack on Titans” foi tão grande que em 2014, chegou a vender mais que “One Piece” em território japonês.

Em 2013, a Wit Studio produziu o anime baseado no mangá e o sucesso foi estrondoso, fazendo com que “Attack on Titans” ultrapassasse as fronteiras japonesas definitivamente. A popularidade do anime é tão grande que ele foi referenciado em “Os Simpsons”.

“Attack on Titans” está entre os melhores animes já feitos, figurando ao lado de “One Piece”, “Dragon Ball” e outros ícones. No IMDb, ele tem uma nota 9,1/10, sendo o segundo mais bem avaliado no agregador; e na Crunchyroll tem 4,9/5,0 estrelas, ficando na quinta posição dentro da plataforma.

O sucesso tanto do mangá quanto do anime, fez com que a Associação de Aniversários do Japão registrasse oficialmente a data de 9 de setembro como o “Dia de Attack on Titan” no país, devido à data da publicação do primeiro capítulo do mangá, em 09 de setembro de 2009.

Esse especial já vinha sendo planejado pelo Cinemaníacos, e que data melhor para começar a trazê-lo que no “Dia de Attack on Titans”. Então para quem não assistiu o anime, vai ter a chance de conhecer, sem muitos spoilers, um pouco dessa história incrível; e para quem já conhece, vai poder relembrar e comentar sobre o melhor anime do século XXI.

Attack on Titans (1ª Temporada)

SINOPSE: Há muito tempo atrás, os Titãs, seres humanoides gigantescos com um apetite insaciável por humanos, quase os levando à beira da extinção. Quase exterminada, a humanidade se protegeu atrás de três enormes muros: Maria, Rose e Sina. Sem ver um titã há mais de 100 anos, a cidade é surpreendida por um titã colossal e um titã blindado, que destroem as grandes barreiras, permitindo a entrada das criaturas que matam e devoram todos os humanos pelo caminho. Eren e sua irmã adotiva Mikasa acabam sendo alvos dessa horrível situação ao verem sua mãe ser mastigada por um titã. Jurando vingança, e alimentando o ódio pelos titãs, Eren, juntamente com Mikasa e Armin, se juntam à Divisão de Reconhecimento, um grupo de soldados que luta contra os Titãs, para destruir os Titãs ao mesmo tempo em que investigam a origem deles.

O ano é 845. Eren estava dormindo e acorda chorando, devido a um sonho que não se recorda. Mikasa o avisa para terminarem de pegar lenha e irem para casa pois seus pais estão esperando. A partir daí acompanhamos um dia típico dessas duas crianças e seu amigo, Armin. A cidade vive em paz a mais de cem anos, pois nenhum cidadão avistou um titã. Dessa forma, vemos pessoas acomodadas e felizes. Então, um titã muito mais alto que a Muralha Maria, que tem 50 metros de altura, aparece e chuta o portão do distrito de Shigashima, o destruindo e permitindo assim que os titâs entrem, iniciando uma verdadeira carnificina.

É nesse momento que “Attack on Titans” simplesmente esbofeteia a sua cara, pois não estava preparado para a primeira vez que vi o que acontece quando os titâs invadem Shigashima. E admito que mesmo revendo pela terceira vez, ainda é chocante algumas cenas.

Na verdade, o choque não é somente pelaa violência gráfica apresentada ao mostrar os titâs devorando os humanos vivos, mas a aparência e a forma como essas criaturas se comportam. O visual do Titã Colossal e do Titã Blindado são estranhos; mas ver criaturas de vários metros de altura, com sorrisos e feições abobalhadas e que se movem de formas bizarras, são muitos mais assustadoras, porque como seres com essa aparência infantil e até mesmo inofensiva, podem mastigar ou até mesmo engolir uma pessoa inteira.

A inspiração de Hajime Isayama para criar esse tipo de titã veio de uma imagem da Mona Lisa comendo pessoas existente no mangá “Jigoku Sensei Nūbē”, vindo daí, acredito eu, tanto a ideia do canibalismo, quanto o sorriso ou a feição blazê das criaturas; e do encontro com um cliente bêbado que o agarrou pela camisa em um cyber café que o autor trabalhou, dando a inspiração para o medo que é encontrar uma pessoa que o ataca e que não consegue se comunicar. A pintura “Saturno Devorando um Filho”, do pintor espanhol Francisco de Goya, costuma ser associada ao anime, pois apesar de não haver confirmação oficial como inspiração direta para o mangaká, possui uma semelhança visual e emana o clima de horror.

Outro fator que torna os titâs comuns assustadores é o fato que eles comem humanos por pura compulsão, pois não somos necessários para a nutrição deles. Essas criaturas nos devoram e por não ter órgãos excretores, depois regurgitam os pedaços nos chamados Vômitos de Titãs. É esse impulso que torna os titâs mais que nossos predadores, mas nossos exterminadores, mesmo que eles não tenham consciência disso, pois irão devorar até o último humano existente e depois continuar vivendo.

Criaturas humanoides gigantes grotescas que nos devoram pela simples necessidade de devorar. Só isso, já tornaria os titãs assustadores e uma ameaça à existência humana. Porém, Hajime Isayama acrescentou uma espécie de fator de cura que faz com que os titâs regenerem membros e outras parte do corpo, inclusive a cabeça, sendo a única forma de matá-los, cortando um ponto específico da nuca deles.

Cinco anos se passam desde os eventos em Shigashima, e Eren, Mikasa, Armin e outros jovens passam pelo treinamento para entrar em um dos três regimentos que compõem as forças armadas das Muralhas: a Divisão de Reconhecimento, que explora as terras fora das muralhas, pesquisa os Titãs e busca recuperar o território da humanidade; a Tropa de Guarnição, que protege e mantém a segurança das muralhas e das cidades internas; e a Brigada da Polícia Militar, que mantém a ordem dentro da Muralha Sina e protege o rei, onde somente os dez os melhores cadetes do treinamento entram.

A esperança começava a retornar aos pensamentos de Eren, quando o Titã Colossal reaparece e destrói o portão da cidade de Trost, que se localiza na Muralha Rose, fazendo com que os titâs entrem. Com medo que o Titã Blindado apareça e destrua o outro portão e assim fazendo com que a humanidade perca todo o território entre as Muralhas Rose e Sina, a 104ª Tropa de Cadetes entra em ação juntamente com a Tropa de Guarnição.

Mas a esperança logo vira desespero e terror, quando os titãs matam e devoram cadetes, soldados e civis. Eren, que já tinha perdido uma perna em um encontro com as criaturas, acaba perdendo um braço e engolido vivo ao salvar Armin.

É então que uma reviravolta acontece em “Attack on Titans”, ao mostrar um Titã de cabelos compridos lutando e matando outras criaturas. Ao final de um combate intenso, vemos Eren saindo da nuca do Titã cabeludo.

Dessa forma, “Attack on Titans” que já apresentava os mistérios envolvendo a origem dos titãs, acrescenta a questão que existem criaturas que são humanos. E se são humanos, porque o Titã Blindado e o Titã Colossal querem destruir as muralhas, permitindo que os titãs entrem e exterminem o que sobrou da humanidade?

A resposta para essas perguntas pode estar escondida no porão que Grisha, pai de Eren, mantinha fechado. Em sonhos que parecem ser lembranças confusas, Eren vê seu pai entregando a chave que abre o recinto, dizendo que as respostas para tudo que aconteceu com a humanidade encontram-se lá; além de ter a recordação de ser inoculado com algum líquido por seu pai.

A chance para terem algumas respostas surgem com a aparição da Titã Fêmea, que quer capturar Eren. Por duas vezes, a Divisão de Reconhecimento tenta capturá-la, sendo que na segunda tentativa, em um combate violento Eren, transformado no Titã de Ataque vence a Titã Fêmea, mas a humana que a controla cria uma cápsula cristalina inquebrável, impedindo assim qualquer tentativa de interrogatório.

E como se já não houvessem mistérios suficientes, na cena pós-crédito do último episódio da primeira temporada de “Attack on Titans”, vemos os estragos feitos na Muralha Sina que a Titã Fêmea causou ao tentar escalá-la. Em dos buracos, vemos o que existe dentro dessas imensas barreiras que servem para proteger a humanidade da extinção.

“Attack on Titans” me surpreendeu com uma primeira temporada bastante movimentada, pela complexidade da trama e pela carga emocional presente.

O grafismo da violência exibida e a fluidez das cenas de ação, principalmente quando os humanos utilizam o Dispositivo de Manobra Tridimensional e suas espadas para enfrentar os titãs, são fruto do belíssimo trabalho de animação da Wit Studios. Ao contrário de outros animes, “Attack on Titans” mantém a qualidade e beleza mesmo em cenas mais complexas e cheias de movimentos e coisas acontecendo.

A animação empregada pela Wit Studios confere a dualidade antagônica de terror e beleza à “Attack on Titans”, principalmente quando vemos a Divisão de Reconhecimento cavalgando por terras verdes e arborizadas, céu azul e ensolarado; mas que é onde estão os titãs, que são o grande nêmesis da humanidade.

O próprio traço da Wit Studios confere a estranheza dos titãs comuns e a beleza aterrorizante das criaturas especiais apresentadas: o Titã Colossal, o Titã Blindado, o Titã de Ataque e a Titã Fêmea.

Dessa forma, posso dizer que “Attack on Titans” tem uma das animações mais bem executadas de todos os animes que já assisti, e isso é fruto do excelente trabalho do Wit Studios.

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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