SINOPSE: Há uma nova loja na cidade. ARTIGOS INDISPENSÁVEIS, diz a placa. Um nome curioso, que se torna tema de rumores e especulações entre os moradores de Castle Rock. Para cada cliente que entra na loja, Leland Gaunt tem algo perfeito: um objeto há muito sonhado, desesperadamente desejado. O preço parece sempre razoável, mas vem acompanhado de pedidos estranhos. O que começa como brincadeiras e pegadinhas inocentes aos poucos sai do controle, transformando a cidade em palco de disputas caóticas e brutais. Mas, quando você encontra um artigo indispensável, como saber se o custo para obtê-lo é alto demais?
Nunca um livro de Stephen King foi tão pedido para ser relançado no Brasil como “Trocas Macabras”. Mesmo “Metade Sombria” (lançado em 2020 também) teve tanto apelo como o romance de Stephen King, lançado em 1991.
“Trocas Macabras” é fortemente influenciado por “Fausto”, poema do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe. Leland Gaunt lembra muito o demônio Mefistófeles, pois em troca de “pequenos favores”, os habitantes de Castle Rock podem adquirir objetos que são indispensáveis a eles (por isso o nome da loja).
O sr. Gaunt se apresenta como um senhor idoso simpático e sempre bem vestido que possui algumas peculiaridades, como olhos que mudam de cor de acordo com o cliente e dedos das mãos do mesmo tamanho. Mas por baixo desse disfarce, se esconde um ser mais antigo que a humanidade e dono de uma malignidade tão grande que um simples toque causa repulsa nas pessoas. E quando Leland Gaunt revela sua verdadeira aparência, fica muito claro que Mefistófeles foi uma das grandes inspirações para Stephen King criar o personagem.
Lendo alguns artigos sobre as obras de Stephen King e seu “Kingverso”, muito se fala que Leland Gaunt é uma das personas do mais conhecido antagonista criado pelo Mestre do Terror: O Homem de Preto (ou Randall Flagg, ou Àquele que Caminha por Trás das Fileiras, etc.). E essa relação talvez aconteça por causa das motivações por trás das ações do proprietário da Artigos Indispensáveis: além da “coleta” que ele está praticando, as “peças” pedidas aos habitantes como forma de pagamento possuem o objetivo de espalhar a destruição e a morte por Castle Rock. Ou seja, Leland Gaunt é um agente do caos, como o Homem de Preto.
Outro personagem importante em “Trocas Macabras” é Alan Pangborn, xerife de Castle Rock, e que após sua experiência sobrenatural no caso da família Beaumont, passa a ser uma ameaça aos planos de Leland Gaunt (que percebe que possui alguma coisa que o diferencia dos outros).
Já que todos os habitantes acabam envolvidos no plano maior de Leland Gaunt e por fazermos um verdadeiro tour por toda a cidade, é válido dizer Castle Rock é o personagem que completa o tripé do protagonismo em “Trocas Macabras”.
Algo que deixa os fãs de Stephen King muito felizes em “Trocas Macabras” é que são mencionados fatos ocorridos em Castle Rock, como o ataque do São Bernardo raivoso (“Cujo”) ou o estranho caso policial na casa dos Beaumont (“Metade Sombria”, ou localidades famosas como a penitenciária de Shawshank.
O objetivo de Stephen King em “Trocas Macabras” era contar a última história de Castle Rock, que juntamente com Jerusalem’s Lot e Derry, formam a trindade de cidades fictícias estranhas e amaldiçoadas do Maine. Mas com o passar do tempo vimos que o local foi revisitado, tantos em livros (“A Pequena Caixa de Gwendy”, como em outras mídias (série homônima do canal Hulu).
Algo que deixa os fãs de Stephen King muito felizes em “Trocas Macabras” é que são mencionados fatos ocorridos em Castle Rock, como o ataque do São Bernardo raivoso (“Cujo”) ou o estranho caso policial na casa dos Beaumont (“Metade Sombria”), ou localidades famosas como a penitenciária de Shawshank.
O objetivo de Stephen King em “Trocas Macabras” era contar a última história de Castle Rock, que juntamente com Jerusalem’s Lot e Derry, formam a trindade de cidades fictícias estranhas e amaldiçoadas do Maine. Mas com o passar do tempo vimos que o local foi revisitado, tantos em livros (“A Pequena Caixa de Gwendy”, como em outras mídias (série homônima do canal Hulu).
Uma coisa que gostei bastante em “Trocas Macabras” é que o livro possui pouquíssimas “barrigas”, e mesmo essas “encheções de liguinça” são curtas. E estou falando de um livro com quase 700 laudas, com uma diagramação feita para caber mais palavras por página. Quando comparada a outras obras de Stephen King desse porte, esse livro é enxuto e com uma narrativa direta.
“Trocas Macabras” segue a fórmula narrativa já conhecida de Stephen King, mas com algumas variações, sendo a principal a descrição de personagens e localidades. Como Castle Rock pode ser considerada uma personagem na história, e não só um cenário, essa exposição dos habitantes e dos lugares da cidade é feita durante todo o livro, e não na primeira parte, como estamos acostumados a ver em outras obras do escritor.
Mas se Stephen King fez uma variação muito boa e interessante em sua forma de desenvolver “Trocas Macabras”, o final dessa história deixa muito a desejar. Achei o desfecho encontrado pelo escritor para o embate entre Alan Pangborn e Leland Gaunt pouco criativo (ou criativo demais) e um tanto forçado. Mas os finais ruins de Stephen King já são de praxe, e é algo que o próprio escritor tira sarro.
Falando agora um pouco da edição da Suma, preciso dizer que o resultado é muito bom e traz algo bem legal: um mapa que mostra de Castle Rock nas páginas finais. Porém, por ser lançado pela “Biblioteca Stephen King”, “Trocas Macabras” tem uma capa horrorosa. Dessa linha editorial da Suma, somente “Cujo” apresenta uma capa belíssima.
Devido à quantidade de páginas, estava com muito medo de “Trocas Macabaras” possuir várias “barrigas”, algo bastante presente nas obras desse porte de Stephen King. Mas tive uma grande e grata surpresa ao me deparar com uma narrativa dinâmica e rápida. E ao terminar a leitura, entendi todo o apelo e o hype pelo relançamento desse livro.
Dito tudo isso, a única forma de terminar essa resenha é que vale muito a pena ler “Trocas Macabras”!
Ficha Técnica:
Título Original: Needful Things
Título no Brasil: Trocas Macabras
Autor: Stephen King
Tradutor: Regiane Winarski
Capa: Dura
Número de páginas: 656
Editora: Suma
Idioma: Português
