SINOPSE: O ex-policial James Lasombra (James Badge Dale) inicia uma investigação sobre o desaparecimento misterioso de adolescentes de uma pequena cidade e que podem estar conectados a uma lenda assustadora. Mas logo ele se vê envolvido em algo maior e mais assustador, colocando sua vida e das pessoas próximas a ele em perigo.

De vez em quando, esbarrava com alguns canais de YouTube e contas do Instagram especializados em cinema de terror que colocava “O Mensageiro do Último Dia” como um filme que precisava ser assistido. Porém, devido às avaliações não tão positivas (no Rotten Tomatoes o longa-metragem possui 73% de aprovação da crítica e somente 39% do público; e no IMDb alcançou uma note de 6,2/10), sempre desistia de vê-lo.

Porém, ontem à noite, aproveitando que estava à toa, comecei a navegar pelo meu Disney+, e acabei assistindo “O Mensageiro do Último Dia” sem muita expectativa; e acabei surpreso com o que vi.

O filme começa em 1995, com quatro amigos: Paul, Greg, Fiona e Ruthie fazendo excursão no Vale de Ura, no Butão. De repente, Paul ouve um som estranho e cai em uma caverna profunda. Greg desce para resgatá-lo, e o encontra sentado em posição de meditação de frente para um esqueleto antigo e de formato não humano. Paul alerta que se for tocado, todos morrerão, mas Greg ignora o aviso e o leva à uma cabana abandonada para se protegerem de uma tempestade de neve.

Na primeira noite, Paul sussurra algo no ouvido de Ruthie, que passa a alucinar com um homem do lado de fora da cabana. Então no terceiro dia, quando os amigos tentam sair das montanhas, Ruthie surta, matando Greg e Fiona e jogando os corpos deles em um penhasco, para em seguida, cometer suicídio pulando no precipício; sobrando somente Paul, sentado em posição de meditação, soprando uma espécie de flauta.

O filme corta então para Webster Mills, no Missouri, em 2020. Vemos o protagonista, James Lasombra, um ex-policial que tem uma loja de material de vigilância e de segurança, comemorando seu aniversário sozinho até encontrar Amanda (Sasha Frolova) no quintal da sua casa, onde conversam. No dia seguinte, Nora (Marin Ireland), mãe de Amanda liga para James, dizendo que sua filha desapareceu. James diz que vai investigar e encontrá-la.

James encontra no quarto de Amanda algo sobre o Mensageiro do Último Dia e um panfleto da Instituição Pontifex. Ao conversar com Davara (Samantha Logan), uma amiga de Amanda, fica sabendo que elas e mais alguns amigos fizeram uma brincadeira de assoprar uma garrafa em uma ponte para chamar o Mensageiro do Último Dia. Ela explica que na primeira noite após a “brincadeira”, eles passaram a ouví-lo; que na segunda noite, ele veio até os amigos; e que na terceira noite eles o sentiriam.

Horas depois, James descobre que Davara se matou, enquanto pernoitava em um hotel. Ao investigar a ponte onde os amigos fizeram a brincadeira, James assopra uma garrafa vazia e ouve sons vindos de um acesso que dá para a parte debaixo da estrutura. Descendo até lá, ele encontra os demais integrantes do grupo, pendurados por cordas em volta do pescoço. Duas coisas chamam a atenção de James: a primeira é que muito provavelmente os adolescentes cometeram suicídio e em um horário próximo à da morte de Davara; e a segunda coisa é que Amanda não está entre os corpos pendurados.

“O Mensageiro do Último Dia”, até a sua metade, me lembrou “O Chamado”, por sua estrutura de tempo: três noites até que a entidade invocada se manifestar; e o Slenderman, mas não as adaptações cinematográficas ruins da creepypasta, mas algo que vi no documentário “Cuidado com o Slenderman”, disponível na HBO Max.

Antes do documentário entrar no crime real que ocorreu por influência dessa criatura; estudiosos e especialistas foram entrevistados, dizendo que a história fictícia do Slenderman se alastrou como um vírus altamente contagioso entre as pessoas que usam a internet e levantaram a teoria de que se muitas pessoas acreditam em tal figura, ela não poderia ter se tornado real para esses “contaminados”. Aliás tem um live-action de baixo orçamento do Slenderman, onde é colocado que o ser alto, de membros longos e que usa um terno escuro era somente uma história digital, até que de tanto acreditarem nele, se tornou real.

Em “O Mensageiro do Último Dia”, no verso do panfleto do Instituto Pontifex está escrito a palavra tulpa, que ao ser pesquisada por James na internet encontra que o termo se refere a uma entidade física viva no mundo real (carne), criada a partir do foco intenso de uma ideia (pensamento) de forma coletiva e prolongada (tempo). Dessa forma, por muitos fazerem a brincadeira de assoprar a garrafa em uma ponte e pelo que parece, há bastante tempo, o Mensageiro do Último Dia se manifestou em carne e osso.

Em “O Mensageiro do Último Dia”, no verso do panfleto do Instituto Pontifex está escrito a palavra tulpa, que ao ser pesquisada por James na internet encontra que o termo se refere a uma entidade física viva no mundo real (carne), criada a partir do foco intenso de uma ideia (pensamento) de forma coletiva e prolongada (tempo). Dessa forma, ao que parece, por muitos fazerem a brincadeira de assoprar a garrafa em uma ponte e há bastante tempo, o Mensageiro do Último Dia se manifestou em carne e osso.

Nas tradições inspiradas pelo budismo tibetano, uma tulpa é um ser materializado ou forma-pensamento, em forma humana, criado através da prática espiritual e intensa concentração; que a Teosofia pegou emprestado para se referir a um tipo de amigo imaginário voluntário que os praticantes consideram sapiente e relativamente independente.

Dessa forma, quer dizer que o Mensageiro do Último Dia ganhou vida, se tornando um ser de carne e osso sapiente, de tantos desavisados e adolescentes idiotas assoprarem a garrafa vazia em uma ponte? Sim, mas não da forma como o começo do filme nos conduz.

Apesar da introdução do conceito da tulpa e do período de três noites, até certo momento achei que “O Mensageiro do Último Dia” se assemelhava bastante a outros filmes como “Nunca Diga seu Nome” e “Slenderman”, porém, melhor desenvolvido, trabalhando melhor o clima de paranoia e subjetivismo. E fiquei pensando onde o Instituto Pontifex entrava na história? Qual a importância dela para a trama?

Tentando não dar muito spoilers, o Instituto Pontifex visa repassar para o mundo a mensagem transmitida pelo Mensageiro do Último Dia. Um dos integrantes da Pontifex explica a James que a noosfera é a soma de todas as consciências, não só humanas, mas de outras mentes mais antigas; e que de vez em quando nasce um homem, que se tornará o profeta que fará a ponte entre a Terra e o Outro, reduzindo nosso mundo a um caos sombrio e sem fim.

Aqui ao inserir o conceito da noosfera, que é a camada do planeta Terra formada pela mente, pelo pensamento e pela consciência coletiva da humanidade; “O Mensageiro do Último Dia” volta sua narrativa para o Horror Cósmico, ao introduzir Outro. Para os conhecedores das obras de Lovecraft, a associação mais próxima dessa entidade ancestral é com Nyarlathotep, O Caos Rastejante; o único Deus Exterior que possui consciência e tem algum interesse nos humanos, que geralmente é ver o circo pegar fogo.

Então, quando analisamos “O Mensageiro do Último Dia” como um todo, faz sentido achar que se trata de um filme de Horror Cósmico no terço final. E essa conclusão não se deve exclusivamente por causa do Outro; mas pela forma como a história é contada, que se encaixa na estrutura narrativa dos contos de H.P. Lovecraft, Clark Ashton Smith, Algernon Blackwood, Arthur Machen e outros: devagar; construindo o cenário; mostrando a decadência física e mental do narrador; a inserção de que muitas vezes entramos em contato com outros mundos e entidades (que não deveriam serem contactadas para nossa própria segurança), através de sonhos e febre.

Mas essa mudança de um terror mais clássico, com uma criatura sobrenatural matando pessoas; para uma história de Horror Cósmico nem a maior reviravolta do filme. O plot twist de verdade acontece quando descobrimos o que aconteceu com Paul depois da morte dos amigos no Vale de Ura e como o destino dele está entrelaçado com o de James. “O Mensageiro do Último Dia” foi o título que o longa-metragem ganhou no Brasil, mas a tradução exata seria “O Homem Vazio”. E quando as revelações são feitas, entendemos perfeitamente o que o título quer dizer, bem como as pistas deixadas ao longo da trama. E entre tantos filmes que apresentam esse recurso narrativo, devo dizer que o plot twist de “O Mensageiro do Último Dia” é bom.

Porém, “O Mensageiro do Último Dia” tem momentos confusos, principalmente quando entra de cabeça no Horror Cósmico, como o discurso de Arthur Parsons (Stephen Root) e as cenas finais do filme. Acredito que o diretor e roteirista David Prior fez isso propositalmente; porém algumas coisas precisam fazer algum sentido ou conexão lógica; e muitas vezes não vi acontecer.

“O Mensageiro do Último Dia” foi um filme que a própria 20th Century Studios não tinha fé em suas perspectivas comerciais, pois originalmente filmado em 2017, ficou engavetado até 2020, devido as pontuações baixas nas exibições-teste. Quando foi lançado, em outubro de 2020, sofreu com a baixa ida das pessoas devido ao COVID; e quem assistitu criticou negativamente o longa-metragem. O resultado: US$ 4,6 milhões arrecadados nas bilheterias mundiais para um orçamento de produção de US$ 16 milhões. Porém, ganhou certa visibilidade quando foi para o aluguel digital e para o Disney+.

Entendo que se “O Mensageiro do Último Dia” fosse lançado após o COVID, que foi um dos motivos para seu fracasso comercial, ainda sim sofreria nas bilheterias, pois o filme não possui a estrutura narrativa de “Invocação do Mal”, por exemplo, que lotam as salas do cinema.

Esse é um filme mais lento, que constrói o mistério devagar e que surpreende o espectador à medida que avança. Para quem gosta desse tipo de estrutura narrativa e de Horror Cósmico, então digo que vale a pena assistir “O Mensageiro do Último Dia”!

Ficha Técnica:

Título Original: The Empty Man

Título no Brasil: O Mensageiro do Último Dia

Gênero: Super-Herói

Duração: 137 minutos

Diretor: David Prior

Produção: Ross Richie, Stephen Christy

Roteiro: David Prior

Elenco: James Badge Dale, Marin Ireland, Stephen Root, Ron Canada, Robert Aramayo, Joel Courtney, Sasha Frolova, Evan Jonigkeit, Virginia Kull, Samantha Logan, Jessica Matten, Phoebe Nicholls, Aaron Poole, Owen Teague

Companhias Produtoras: 20th Century Fox, Boom! Studios, Out of Africa Entertainment

Distribuição: 20th Century Fox

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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