SINOPSE: Os X-Men estão dispersos no tempo. Divididos entre o passado remoto, o presente e o futuro distante, os mutantes precisam se reunir e navegar por diferentes eras para enfrentar a maior ameaça de seu antigo universo: o vilão Apocalipse.

Em 1992, a Fox Kids lançava “X-Men”, série animada do grupo de mutantes que se tornou um sucesso de crítica, sendo considerada até hoje, uma das melhores adaptações dos X-Men de todos os tempos. Aqui no Brasil, “X-Men” chegou em 1994, dentro do programa infantil TV Colosso, da Rede Globo.

Após os direitos cinematográficos dos X-Men voltarem para a Marvel Studios em 2019, com a conclusão da compra da 20th Century Fox pela The Walt Disney Company, começaram as discussões de um revival da série animada dos mutantes. Graças a algumas reformulações dentro de casa, essas discussões evoluíram, e em 2024, chegava ao Disney+, “X-Men ’97”, série animada que dá continuidade à história de “X-Men: A Série Animada”.

O sucesso da primeira temporada de “X-Men ‘97” foi estrondoso, alcançando no Rotten Tomatoes 98% e 93% de aprovação por parte da crítica e do público, respectivamente; média de 8,7/10 no IMDb; e sendo escolhida como uma das melhores séries de 2024, com o Cinemaníacos a elegendo para a segunda melhor produção seriada desse ano (perdendo somente para “Shogun”). Essa enxurrada de críticas e números positivos só serviram para validar a decisão e renovar “X-Men ‘97” para uma segunda temporada antes de sua estreia em 2024.

A espera durou dois anos, e em 2026, a segunda temporada de “X-Men ‘97” finalmente estreou.

A segunda temporada de “X-Men ‘97” começa com Forge terminando uma máquina do tempo para resgatar os X-Men. Ele usa o aparelho para ir ao ano 3960 d.C., no auge do poder do Primeiro Mutante; enquanto Bishop viaja até o Egito Antigo de 3000 a.C., período em que En Sabah Nur se transformará em Apocalipse.

Ao longo dos quatro primeiros episódios, “X-Men ‘97” traz a resolução dessas duas tramas que tem um objetivo em comum: deter o Apocalipse, o maior e mais perigoso vilão que o grupo de mutantes já enfrentou.

O primeiro e um pedaço do segundo episódio mostram os eventos que levam ao surgimento de Cable, onde vemos Ciclope e Jean treinando Nathan a controlar seus poderes telepáticos, enquanto Forge chega a esse futuro, onde o planeta foi destruído e escravizado pelo Apocalipse, para levar os X-Men presos em 3960 d.C. de volta ao final do século XX. No meio dessa história, o segundo capítulo apresenta o X-Force de Cable, Psilocke, Arcanjo, Mancha Solar e Jubileu enfrentando o X-Factor de Alex Summers, Polaris, Homem-Múltiplo, Guido e Lupina; enquanto caçam o Apocalipse na década de 1990.

Apesar de apresentar dois dos grupos de mutantes mais queridos dentro da mitologia dos X-Men, o objetivo do segundo episódio dessa temporada é dar o protagonismo a Jubileu. Acredito que esse protagonismo dado à mutante serve para atrair um público mais jovem e próximo à idade dela na série animada. Na minha opinião, mesmo que a trama envolvendo Jubileu nesse episódio seja mais madura e relevante do que a mostrada no episódio da temporada passada, ainda assim acho um tempo de exibição jogado fora.

Com quase todo o segundo episódio da segunda temporada de “X-Men ‘97” dedicado à Jubileu, toda a trama que se passa no ano de 3960 d.C. foi espremida no primeiro capítulo: Forge reencontra os X-Men e descobre que Ciclope e Jean estão cuidando de Nathan, mas sem revelar a ele que eram seus pais. Relutantes em retornar a sua linha temporal sem seu filho, os três fogem do acampamento da Mãe Askani, mas são capturados pelos Cavaleiros do Apocalipse, que pretendem usar Nathan como um novo receptáculo para o vilão. Mãe Askani (que na verdade é Rachel Summers) revela que transportou os X-Men através do tempo: um grupo para o futuro, para treinar Nathan; e o outro para o passado, para impedir que o mutante En Sabah Nur se tornasse Apocalipse. Após Ciclope e Jean revelarem a Nathan que são seus pais, ele os liberta, e eles escapam com a ajuda dos outros X-Men. Apocalipse foge para a década de 1990 para enfrentar os X-Men em seu momento de maior vulnerabilidade, enquanto Nathan se funde ao computador da nave de Askani. O desfecho dessa história acontece no final do segundo episódio, com Nathan enviando seus pais e os outros X-Men de volta para sua linha temporal.

A ideia de concentrar a resolução da trama de 3960 d.C. em um único episódio se mostra uma decisão ruim quando vi a história de Em Sabah Nur se transformando em Apocalipse contada nos episódios 3 e 4, intitulados “A Ascensão do Apocalipse: Parte 1” e “A Ascensão do Apocalipse: Parte 2”, respectivamente. Com tempo suficiente, acompanhamos a guerra entre En Sabah Nur e o Faraó Rama-Tut, enquanto os X-Men presos nessa linha temporal tentam voltar a década de 1990. Mas Magneto tem um plano audacioso: transmitir a filosofia de Xavier a Nur, visando torná-lo o primeiro X-Man e assim reescrever a história em prol da coexistência pacífica entre humanos e mutantes.

Assim, vemos a narrativa do surgimento do Apocalipse de forma bem construída, mostrando eventos de sua vida: o abandono ainda bebê pela mãe por causa de sua natureza, o isolamento imposto pelos outros escravos, entre outros; que construíram sua personalidade agressiva e definiram sua ideologia que que o amor é fraqueza e somente o mais forte importa. Além disso, existe tempo para desenvolver tramas importantes dessa história de origem, como Rama-Tut, que se mostra um viajante do tempo e que tem tantos nomes que até se confunde: Victor, Nathaniel, Kang; e a relação do celestial Eson, o Buscador, no surgimento do Apocalipse.

O episódio duplo não dá tempo suficiente só para o desenvolvimento da trama da ascensão do Apocalipse, mas dá tempo suficiente também para a ação e os inevitáveis combates quando temos personagens antagônicos em rota de colisão. Dessa forma, vemos o quanto En Sabah Nur já era poderoso antes de sua transformação e o quanto Rama-Tut era perigoso graças a sua tecnologia vinda do futuro. Também vemos Magneto em ação e porque ele é um mutante nível Ômega, ao destruir um buraco negro com seu controle sobre o magnetismo.

O desfecho dessa trama é brutal e chocante, assim como foi no a resolução de “Lembre-se Disso”, quinto episódio da primeira temporada. No final de “A Ascensão do Apocalipse: Parte 2” temos um impotente professor X vendo o Apocalipse pegando Magneto, exausto e ferido, e o desintegrando. Nesse momento Charles Xavier, enfurecido, diz que a mãe do Apocalipse sabia que ele era um monstro desde que nasceu e por isso foi abandonado; no que o Primeiro Mutante desdenha, dizendo que somente um covarde se sente poderoso ao pisar em formigas, uma frase dita por Magneto, afirmando assim, que o fundador dos X-Men não é uma ameaça para ele.

Penso que se os responsáveis pela segunda temporada de “X-Men ‘97” tivessem contado a trama que se passa em 3960 d.C. em dois episódios, teríamos visto algo tão incrível quanto a história que se passou no Egito Antigo. Haveria tempo para explicar por que o Apocalipse se encontrava em uma espécie de câmera regenerativa; haveria espaço para desenvolver melhor a revelação de que Mãe Askani é Rachel Summers, que só quem leu os quadrinhos dos X-Men vai saber; poderia tratar melhor os dilemas que Nathan precisa enfrentar por causa dos eu destino, bem como sua relação com Ciclope e Jean; e até mesmo mostrar melhor as consequências da retirada em Wolverine. Mas a pressa é inimiga da perfeição, e nada disso foi mostrado ou foi mostrado de forma bem apressada.

Inclusive essa pressa simplesmente ignora praticamente tudo o que acontece devido a retirada do adamantium do Wolverine: ele tendo que lidar com o colapso do seu fator de cura, sua transformação em uma criatura mais animalesca e selvagem e as tentativas de reimplante fracassadas. De todas as consequências do ato radical de Magneto, somente a aparição das garras de ossos e o retorno do metal indestrutível ao organismo do Carcajú de bate e pronto.

A primeira temporada de “X-Men ‘97”, tirando o episódio da Jubileu, mostra os episódios mais conectados, servindo para construir a trama principal, a encorpando, dando peso a contundência; e então quando revelada causa principal de todos os problemas, somos transportados para um clímax que possui impacto.

A segunda temporada começa com a mesma estrutura narrativa, até o nascimento do do Apocalipse e a morte de Magneto pelas mãos dele. Vemos até esse ponto, episódios conectados e o peso e a contundência das decisões e ações dos personagens, sendo o maior exemplo disso o desfecho trágico do Mestre do Magnetismo pelas mãos do Primeiro Mutante.

Mas a partir do quinto capítulo da segunda temporada, a minha impressão é que as coisas ficaram soltas, com capítulos mais procedurais. Não falar em momento algum sobre as consequências da falta do adamantium no organismo do Wolverine, tira bastante a importância da busca e recuperação do metal indestrutível por ele. Temos a resolução do que começou no final do primeiro ano de “X-Men ‘97”, mas sem agregar nada à trama principal do segundo ano da série animada.

Vejo ainda mais dois problemas no quinto episódio que são vermos Dentes de Sabre trabalhando junto com Wolverine e o ajudando; e utilizar a Ninhada de forma tão desleixada. Até entendo a união de dois dos inimigos mais mortais da Marvel como liberdade criativa; mas é sacanagem usar uma das raças alienígenas mais perigosas do universo da Marvel só para ter alguma ação. Espero que essas criaturas, inspiradas nos xenormorfos da franquia “Alien”, não se tornem vilões descartáveis, pois podem render uma boa história caso os responsáveis por “X-Men ‘97” queiram explorar as aventuras espaciais existentes no cânone do grupo mutante.

O sexto episódio traz a adaptação do evento dos quadrinhos que mostra a Sala de Perigo ganhando consciência e se tornando Perigo. A conexão se dá por Charles Xavier querer tornar seus X-Men mais fortes após a morte de Magneto. A inteligência artificial que treina os mutantes entende que precisa forçar os mutantes à situações de risco de morte para que eles evoluam, e só conseguirá isso se tornando consciente e independente da filosofia de seu criador.

O sétimo episódio mostra um mutante Exodus sequestrando Graydon Creed, fundador dos “Amigos da Humanidade”, um grupo extremista antimutante, que concorre às eleições presidenciais estadunidenses. Graydon é filho de Mística e Dentes de Sabre e recebe a ajuda dos X-Men, liderados por Notunro, seu meio-irmão. Dos três capítulos mencionados, esse é o que tem mais importância para o que pode vir na terceira temporada.

A segunda temporada de “X-Men ‘97” traz uma construção de clímax e um desfecho fracos e que deveria ser tão ou mais impactante em comparação ao que vimos ano anterior, afinal nas palavras do próprio Charles Xavier: os X-Men estão enfrentando o seu inimigo mais perigoso. Muito dessa falta de contundência e peso da resolução do problema que Apocalipse representa se deve a descontinuidade da trama criada pelos episódios intermediários. O desenvolvimento do final de temporada que começa no sétimo episódio e termina no oitavo, apesar de não ser o que eu gostaria ver, não me incomodou tanto. A própria batalha decisiva contra o Apocalipse se mostrou bem abaixo do que foi desenhado no começo da temporada e do nível de ameaça que o vilão representa. Os melhores momentos do desfecho da temporada ficam por conta dos encontros do celestial Eson com Vampira e Noturno; sendo esse último um ato de sacrifício e fé por dias melhores.

Na cena pós-crédito, ficamos sabendo que Graydon Creed se elegeu presidente e vemos o retorno de Mística, disfarçada de Valerie Cooper. A terceira temporada de “X-Men ‘97” deve trazer dias escuros para os X-Men e a raça mutante, já que o fundador dos Amigos da Humanidade se tornou o comandante-chefe dos EUA. Podemos ter até adaptação da Graphic novel “X-Men: Deus Ama, O Homem Mata”, já que vimos os purificadores e a menção do Reverendo William Stryker.

A animação de “X-Men ‘97” manteve a qualidade apresentada na primeira temporada e me pareceu até mais bonita nesse segundo ano E quanto a esse quesito preciso parabenizar o trabalho da Red Dog Culture House, que graças aos avanços nas técnicas de animação, manteve o estilo da série animada original, mas deu mais fluidez aos movimentos, conferindo principalmente às sequências de ação. Quanto ao visual, além da apresentação da X-Force e do X-Factor, a segunda temporada trouxe a Corporação-X, com os integrantes usando uniformes baseados nos quadrinhos “New X-Men”, de Grant Morrison, e assim manter os laços com Genosha e o arco “E de Extinção”, adaptado no quinto capítulo do primeiro ano.

E quanto ao surgimento de Massacre? Com a demissão do roteirista principal e produtor executivo, Beau DeMayo, o plano inicial de trazer o personagem para essa temporada foi adiado, chegando muito provavelmente no terceiro ano de “X-Men ‘97”. E de certa forma esse adiamento faz sentido se o arco “X-Men: Deus Ama, O Homem Mata” for adaptado de alguma forma; já que no material original, o vilão que é a fusão dos sentimentos mais sombrios de Magneto e Charles Xavier surge quando um jovem mutante é morto próximo à Escola Xavier para Jovens Superdotados, por extremistas antimutantes.

Quanto a saída de Beau DeMayo e a contratação de Matthew Chauncey, roteirista de “What If…?”, como roteirista principal afetou a estrutura narrativa de “X-Men ’97”? Falar qualquer coisa é mera especulação, mas foi confirmado que Beau DeMayo havia escrito a história das duas primeiras temporadas de “X-Men ‘97”, antes da série animada estrear. Sabe-se também que “What If…?” é bastante criticada justamente por seus roteiros.

O quanto os roteiros de Beau DeMayo foram aproveitados? O quanto Matthew Chauncey reescreveu a história da segunda temporada?  E o quanto os executivos da Marvel Television interferiram nas decisões criativas?

Essas perguntas devem ser respondidas à partir das terceira temporada, já que Matthew Chauncey será o único roteirista principal de “X-Men ‘97”.

A segunda temporada dessa série animada possui dois momentos distintos, duas estruturas narrativas diferentes. Mas pela qualidade da animação e pelas referências de arcos icônicos dos quadrinhos, pelo hype da série animada de 1992, pelo hype criado pela primeira temporada e por um início avassalador do segundo ano, digo que ainda vale muito a pena assistir “X-Men ‘97”!

Ficha Técnica:

Título Original: X-Men ‘97

Título no Brasil: X-Men ‘97

Gênero: Super-Herói

Temporada:

Episódios: 9

Criadores: Beau DeMayo

Diretores: Jake Castorena, Chase Conley, Emmett Yonemura

Roteiro: Beau DeMayo, Brian Ford Sullivan, Anthony Sellitti, Mariah Wilson, JB Ballard, Bailey Moore

Elenco EUA:

Ray Chase (Ciclope), Jennifer Hale (Jean Grey), Alison Sealy-Smith (Tempestade), Cal (Wolverine), J. P. Karliak (Morfo), Chris Potter (Nathan Summers / Cable), Holly Chou (Jubileu), Gui Agustini (Mancha Solar), Naoko Mori (Psylocke), Christopher Barger (Arcanjo), Matthew Waterson (Magneto / Eson), Lenore Zann (Vampira), George Buza (Fera), Adrian Hough (Noturno / Guido), Ross Marquand (Professor Charles Xavier / Apocalipse), Isaac Robinson-Smith (Bishop), Gil Birmingham (Forge), Carolina Ravassa (Polaris), Rachel Kimsey (Nave / Cubo / Perigo), Catherine Disher (Valerie Cooper), Teddy Sears (Alex Summers), Debra Wilson (Candra / X-Terna), Gates McFadden (Mãe Askani), Michael Johnston (Nathan Summers jovem), Zehra Fazal (Emma Frost), John de Lancie (Rama-Tut / Kang),Todd Haberkon (Dr. Cornelius), Bem Pronsky (Graydon Creed), Erka Ishii (Lady Letal), Darin De Paul (Dentes de Sabre / Ômega Red), Robert Cait (Colossus), A. J. LoCascio (Gambit), Randall Carpenter (Mística).

Elenco Brasil: Fernando Lopes (Ciclope), Sylvia Salustti (Jean Grey), Ângela Couto (Tempestade), Luiz Feier Motta (Wolverine), Fernando Mendonça (Morfo), Priscilla Concepcion (Vampira), Jorge Vasconcellos (Fera), Raphael Rossatto (Gambit), Carol Murai (Jubileu), Vanderlan Mendes (Bishop), Charles Dalla (Magneto), Márcio Simões (Charles Xavier), Sérgio Cantú (Noturno), Nill Marcondes (Forge), Cadu Paschoal (Roberto da Costa), Guilherme Lopes (Cable), Hélio Ribeiro (Colossus), Rodrigo Ribeiro (Nathan Summers jovem), Daniel Müller (Arcanjo), Angélica Borges (Psylocke), Márcia Morelli (Valerie Cooper), Gabriela Medeiros (Polaris), Marcos Souza (Alex Summers), Rodrigo Oliveira (Guido), Milton Parisi (Apocalipse), Luíz Carlos Persy (Rama-Tut / Kang), Miriam Ficher (Emma Frost), Marlene Costa (Mãe Askani), Viviane Netto (Cubo), Bruno Rocha (Eson), Carla Pompillo (Candra), Alexandre Maguolo (Dr. Cornelius), Larissa de Lara (Lady Letal), Maurício Berger (Dentes de Sabre), Márcio Dondi (Ômega Red), Fegab (Perigo), Alê Gomes (Graydon Creed), Sheila Dorfman (Mística).

Companhias Produtoras: Marvel Animation

Transmissão: Disney+

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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