Quem me conhece sabe o quanto sou fã e admirador de Stephen King. essa admiração começou quando comprei “O Pistoleiro”, primeiro volume da saga literária “A Torre Negra” e o primeiro livro que li do autor.
Vinte cinco anos depois que li “A Torre Negra”, resolvi revisitar essa saga literária de fantasia. Então, vamos livro a livro acompanhar a busca Roland Deschain e seu ka-tet pela Torre Negra, ponto central de todo o multiverso de Stephen King.
Uma observação: estou lendo as novas edições lançadas pela editora Suma, mas não entrarei em detalhes sobre elas, pois o que me interessa compartilhar com vocês são minhas impressões sobre a obra máxima de Stephen King.
A Torre Negra: Canção de Susannah de Stephen King
SINOPSE: Após a batalha contra os Lobos de Calla, o ka-tet de Roland Deschain se vê separado pela primeira vez. Susannah Dean desaparece, levada por Mia, Filha de Ninguém, Mãe de Alguém, que deseja a qualquer custo dar à luz uma criança profetizada para destruir ou salvar a Torre Negra. Presa a um destino que não escolheu, Susannah precisa recorrer à própria astúcia e força para sobreviver. Enquanto ela é conduzida ao covil dos servos do Rei Rubro, Roland, Eddie, Jake, Oi e o padre Callahan iniciam uma corrida desesperada contra o tempo. Entre portas que ligam mundos, passado e futuro se entrelaçam, e a ameaça da Corporação Sombra cresce à medida que o cerco à Rosa se fecha.
“Canção de Susannah” inicia o desfecho da jornada de Roland e seu ka-tet para achar a Torre Negra e protegê-la do Rei Rubro que quer derrubá-la e jogar todas as realidades de volta ao Todash.
Mia, que divide o corpo com Susannah, foge para a Nova York de 1999 do Mundo-Chave para ter seu “carinha”. Em uma das muitas confabulações entre elas, descobrimos que Mia era uma súcubo que se envolvia com os homens da cidade de Fedic, localizada na região do Trovão. Em determinado momento, ela é abordada por Walter O’Dim (Ou Randall Flag, se preferir) para realizar seu maior desejo: torná-la humana para que possa ter um filho do Rei Rubro e de Roland Deschain.
Essa revelação choca Susannah, que descobre que o sêmen de Roland foi inseminado nela durante a batalha sexual contra o demônio ocorrida em “Terras Devastadas” e que foi coletado por essa mesma entidade durante seu embate carnal contra seu Dihn em “O Pistoleiro”. Não fica claro como Susannah recebeu o esperma do Rei Rubro, mas provavelmente foi coletado e ejaculado pelo mesmo ser demoníaco. O nome dessa criança, filho de dois pais e duas mães será Mordred.
Aqui vemos o sadismo do Rei Rubro ao usar Susannah, integrante do ka-tet e irmã de armas de Roland, para gerar um filho dele; um filho que está destinado a matá-lo. E o nome escolhido para a criança, Mordred, é uma piada sombria às custas da linhagem do Pistoleiro, descendente de Arthur Eld, primeiro Rei do Mundo-Médio (na Lenda Arturiana, Mordred é filho da relação incestuosa entre o Rei Arthur e sua meia-irmã, Morgana le Fay).
Nessas confabulações Mia explica a Susannah como surgiu o Macroverso: antes de tudo existir, havia apenas o Prim, um vórtice primordial de puro caos e vazio. Das profundezas do Prim surgiu Gan, a força criadora por trás de toda a existência. Do umbigo dessa Entidade, emergiram seis Feixes que se cruzam, se autoalimentam e sustentam a Torre Negra, o centro e o pilar de tudo que existe. A Torre mantém o equilíbrio de infinitos universos (descrito por Stephen King como grãos de areia em um vasto deserto).
O Prim recuou e Gan se recolheu no topo da Torre Negra. Então uma ameaça ao Macroverso surgiu do Todash: o vazio caótico e extradimensional que fica entre os mundos, habitados por monstros e seres aterrorizantes. Do Todash, veio o Rei Rubro que deseja derrubar a Torre Negra e assim destruir todo o Macroverso, devolvendo a existência ao caos primordial.
Após várias confabulações, Mia chega ao Dixie Pig, um restaurante de Nova York, que funciona como base do exército do rei Rubro. Lacaios humanos, taheens, homens nefastos e criaturas mais antigas (que direi quem são na resenha do último livro), estão no local para garantir o nascimento do “carinha”.
Enquanto isso, em Calla Bryn Sturgis, o ka-tet do Eld pede ajuda aos Mannis para poderem atravessar a Porta dos Encontrados, que fica na Gruta das Vozes. Eles se dividem para cumprir duas missões: Roland e Eddie vão a Nova York de 1999 para salvar Susannah, que corre risco de morte devido ao nascimento do “carinha”; enquanto Jake Callahan e Oi vão à Stoneham de 1977, para garantir que Calvin Tower transfira o terreno onde se localiza a Rosa para a Corporação Tet, e assim protegerem a manifestação física da Torre negra no Mundo-Chave.
Mas o Ka tem seus próprios desígnios e envia Roland e Eddie para o Maine de 1977, enquanto Jake, Oi e Callahan vão para a Nova York de 1999.
Jake, Oi e Callahan ao chegarem a Nova York de 1999, seguem os rastros de Susannah até o hotel onde ela e Mia se hospedaram para aguardar a ligação dos lacaios do Rei Rubro. Lá eles encontram o Treze Preto, que Mia usou para atravessar a Porta na Gruta das Vozes, e quase sucumbem aos poderes nefastos dele. Logo, percebem o perigo caso o pedaço mais poderoso do Arco-Íris de Maerlyn acorde novamente e que antes de seguir na busca por Susannah, precisam guardá-lo em algum local seguro. Callahan decide guardar o Treze Preto em um armário no subsolo do World Trade Center, para que ficasse trancada até o ano de 2002.
Aqui ficam duas teorias: sabendo do poder do Treze Negro e de sua influência maléfica, será que os ataques terroristas ao World Trade Center tem relação de alguma forma com o artefato mágico? E será que o pedaço mais poderoso do Arco-Íris de Maerlyn foi destruído com a queda das Torres?
Com ajuda de um bilhete deixado por Stephen King na recepção do hotel, Jake, Oi e Callahan descobrem que Susannah e Mia foram para o Dixie Pig. Chegando lá, eles encontram no meio fio em frente ao restaurante a Sköldpadda, uma tartaruga mágica esculpida em marfim e que possui poderes místicos. O artefato mágico se mostra útil, pois quando o trio entra no Dixie Pig encontram dezenas de homens nefastos e taheens, que ficam hipnotizados ao vê-lo. Isso permite que Jake e Oi sigam atrás de Susannah, deixando Callahan para enfrentar os Avós, encontrando seu destino e a redenção perante Deus.
Em Stoneham de 1977, Roland e Eddie caem em uma emboscada armada pelos homens de Enrico Balazar em um posto de gasolina. Depois de um intenso tiroteio, eles conseguem fugir graças a John Cullum, que os ajuda a localizar Calvin Tower e informa que Stephen King mora na cidade vizinha de Lovell. Dessa forma, Roland e Eddie passam a ter duas missões, tão urgentes quanto encontrar Susannah.
A primeira parada é fazer com que Calvin Tower assine um documento vendendo o terreno para a Corporação Tet e assim proteger a Rosa no Mundo-Chave. Para isso eles tem a ajuda de Aaron Deepneau, já que Tower se mostra relutante em se desfazer do terreno. Após um confabulação tensa, Roland e Eddie finalmente saem com um papel em que Calvin vende o terreno, iniciando assim, o plano de impedir a Corporação Sombra, uma empresa poderosa criada pelo Rei Rubro com o único objetivo de destruir a Torre Negra nessa realidade.
Roland e Eddie se encaminham para uma propriedade rural localizada na rota 5, na cidade de Lovell, onde encontram Stephen King. A surpresa é imensa de ambos os lados: Roland e Eddie acham que o escritor é o próprio Gan, e King chega a desmaiar tamanho é seu espanto ao encontrar dois de seus personagens, em carne e osso.
Após a confabulação entre os três, descobre-se que Stephen King é um receptor, um profeta que canaliza o espírito de Gan, recebendo a história sobre a Torre Negra e sobre Roland. No ano de 1977, “A Torre Negra” está parada no quarto volume: “Mago e Vidro”, isso porque King tem medo de continuar escrevendo sobre ela e o Pistoleiro, que descobre que o Rei Rubro tentou matar Stephen King algumas vezes, sendo a primeira vez quando era criança. Então, o escritor abandonou “A Torre Negra”, pois dessa forma as ameaças contra sua vida pararam.
O Pistoleiro hipnotiza o escritor e diz que não deve ignorar a Canção da Tartaruga e terminar de escrever “A Torre Negra”, pois de alguma forma, o sucesso da missão do ka-tet do Eld está ligado a conclusão da obra. Roland também pede que King esqueça o encontro deles, e que a Torre Negra e a busca por ela sejam referenciadas de alguma forma nas outras histórias que ele escrever.
Depois disso, Roland e Eddie partem em busca de John Cullum e da travessa da Tartaruga para poderem atravessar para a Nova York de 1999, onde poderão finalmente encontrar Susannah e os demais integrantes do ka-tet do Eld
“A Canção de Susannah” é o segundo volume mais curto em número de páginas dos sete de “A Torre Negra”, porém é o livro que finalmente entra a fundo na mitologia da saga fantástica escrita por Stephen King.
Em “A Canção de Susannah”, King fala sobre a origem do Macroverso, do papel do Prim e de Gan na criação dele, do papel dos Antigos depois que o Prim recuou, e das entidades que atuam para manter e destruir todas as realidades.
Uma das revelações interessantes é que da mesma forma que existem doze Guardiões do Feixe, existem seis demônios ancestrais, que são masculinos e femininos, dando a entender que o Rei Rubro equilibrou a guerra sempre que necessário. Aliás, foi graças a dualidade de um desses demônios ancestrais que permitiu coletar o sêmen de Roland, assumindo seu gênero feminino, e depois inseminando em Susannah, quando se apresentou no gênero masculino.
Outra coisa bastante interessante é quando Mia diz que a Torre Negra vai cair de qualquer forma, independentemente dos planos do Rei Rubro. Dessa forma, King introduz a teoria da entropia, onde o universo tende a se autodestruir. Logo se Gan é o agente da ordem e da criação, o Rei Rubro é o do caos e da destruição.
Temos aqui também a introdução do próprio Stephen King em sua maior obra. Muitos outros romances de sua autoria possuem um personagem que é escritor, uma referência indireta a sua pessoa; mas em “A Torre Negra”, King coloca uma versão sua, existente no Mundo-Chave, onde o tempo só anda em uma direção. E o que pode parecer arrogância e prepotência, na verdade é quase uma inclusão autobiográfica, ao falar de seu alcoolismo e da dificuldade que ele teve em continuar escrevendo sua epopéia fantástica.
“A Canção de Susannah” apesar de mais curto em relação aos demais livros de “A Torre Negra”, possui momentos bastante cansativos, como as várias discussões entre Mia e Susannah e a tentativa tosca de King em criar uma espécie música, referenciando o título desse volume.
“A Canção de Susannah” acaba de forma explosiva e escancara as portas para o volume final dessa saga, onde teremos o Ka-Shume: o rompimento do ka-tet do Eld; resultado da missão em proteger a Torre Negra e da obsessão de Roland em encontrá-la.
Ficha Técnica:
Título Original: The Dark Tower VI: Song of Susannah
Título no Brasil: A Torre Negra: Canção de Susannah
Autor: Stephen King
Tradutor: Mário Molina
Capa: Comum
Número de páginas: 408
Editora: Suma
Idioma: Português
