Quem me conhece sabe o quanto sou fã e admirador de Stephen King. essa admiração começou quando comprei “O Pistoleiro”, primeiro volume da saga literária “A Torre Negra” e o primeiro livro que li do autor.

Vinte cinco anos depois que li “A Torre Negra”, resolvi revisitar essa saga literária de fantasia. Então, vamos livro a livro acompanhar a busca Roland Deschain e seu ka-tet pela Torre Negra, ponto central de todo o multiverso de Stephen King.

Uma observação: estou lendo as novas edições lançadas pela editora Suma, mas não entrarei em detalhes sobre elas, pois o que me interessa compartilhar com vocês são minhas impressões sobre a obra máxima de Stephen King.

A Torre Negra: Lobos de Calla de Stephen King

SINOPSE: Roland e seu ka-tet vão parar na cidade de Calla, que está prestes a ser atacada pelos Lobos: cavaleiros mascarados que surgem uma vez a cada 23 anos para roubar metade das crianças do local e devolvê-las semanas depois, física e mentalmente incapacitadas. Enquanto isso, na Nova York de 1977, a Corporação Sombra planeja atacar o terreno baldio onde floresce a Rosa, manifestação da Torre Negra no nosso mundo. Para enfrentar esses desafios eles ganham um aliado inesperado: Donald Callahan, outrora padre da cidadezinha de Jerusalem`s Lot, na Nova Inglaterra.

Após a confabulação sobre o passado de Roland e o confronto dele e seus amigos contra o Homem do Tique taque e Randall Flag no Castelo de Vidro, o ka-tet segue viagem até chegar a Calla Bryn Sturgis, cidadezinha que faz fronteira com o Trovão, uma região sombria onde habitam criaturas que obedecem ao Rei Rubro.

Do Trovão, a cada 23 anos, também vem os Lobos:criaturas que usam máscaras com aparência de lobos, capuzes e capas verdes e vêm montados em cavalos cinzentos; para levar metade dos gêmeos da cidade e que são devolvidas após algum tempo como roonts: crianças que perdem quase toda capacidade cognitiva e que crescem de forma descomunal.

Enquanto se preparam para a batalha contra os Lobos, os pistoleiros conhecem a história de Callahan e que ele está de posse do Treze Preto, o mais poderoso e perigoso dos pedaços do Arco-Íris de Maerlyn. Esse artefato insidioso juntamente com uma porta encontrada em uma gruta da cidade, podem ser o que Roland e seus amigos precisam para salvar a Rosa, manifestação física e reflexo da própria Torre Negra na Terra de Eddie, Jake e Susannah.

Uma terceira trama se desenrola em paralelo às missões do ka-tet do Eld: Mia, Filha de Ninguém, está grávida do carinha. Mia é uma personalidade que surge e domina Susannah e que tem como único objetivo dar à luz a seu filho, fruto do embate sexual entre um demônio e nossa pistoleira.

Não lembro como foi na primeira vez que li “Lobos de Calla”, mas achei bastante difícil manter a concentração na leitura do quinto volume de “A Torre Negra”. Mesmo incluindo peças importantes para a continuidade da trama principal, só consegui realmente engrenar no terço final do livro. Tentando entender o motivo para isso, acho que simplesmente a parte que mostra Roland e seus amigos vivendo entre os habitantes de Calla Bryn Sturgis não me conquistou.

Um dos grandes diferenciais de Stephen King é sua capacidade de nos integrar descrevendo o cotidiano e o cenário onde suas histórias se passam, tornando-os muitos críveis para os leitores. Mas Calla Bryn Sturgis e sua população não me conquistaram e essa pode ter sido a causa da minha dificuldade em ler “Lobos de Calla”.

Mas tirando esse fato, que se deve muito provavelmente a algo pessoal, “Lobos De Calla” acrescenta elementos que serão de suma importância para a parte final da busca de Roland pela Torre Negra. Aliás, posso dizer que esse livro marca o início do trecho final da jornada do Pistoleiro.

A Rosa que tinha sido mostrada em “Terras Devastadas” é a manifestação física da Torre Negra no nosso mundo. O terreno baldio onde a flor mais especial do Universo se encontra pertence a Calvin Tower, que mesmo não tendo noção, é o protetor dela. A Corporação Sombra, uma fachada para os lacaios do Rei Rubro poderem agir em nosso mundo sem chamar atenção, possuem um acordo com Tower para que ele venda o terreno onde a Rosa se encontra e assim poderem destruir a Rosa e o Universo. Aqui temos um ponto interessante, pois o Rei Rubro não pode simplesmente destruir a Rosa, precisando que seu protetor no nosso mundo renuncie a ela, a deixando vulnerável.

Nesse ponto vemos a extensão da influência e do poder do Rei Rubro, pois além de tentar destruir a Torre Negra no Mundo-Médio, também manda seus agentes para atacar a personificação do Centro do Universo em outros mundos. Aliás, os principais e mais fiéis agentes do antagonista de “A Torre Negra” finalmente aparecem. Os homens nefastos usam máscaras de pele humana, mas podem ser identificados pelos seus olhos vermelhos animalescos e roupas e carros extravagantes. Essas criaturas só têm um objetivo: atuar nas realidades para destruir a Torre Negra e os Feixes que a sustentam.

Outro ponto interessante é que finalmente o Rei Rubro é nomeado como o arquiteto pelo plano para destruir a Torre Negra. Nos volumes anteriores, tínhamos indícios aqui e ali, como a “sigul” de um olho vermelho pintado em determinado lugar. Em “Lobos de Calla” sua presença é finalmente revelada, quando Callalan olha dentro do Treze Preto e vê um olho vermelho o mirando de volta.

As grandes bases para Stephen King escrever “A Torre Negra” foram os faroestes spaghetti, com Clint Eastwood sendo a principal inspiração do visual e postura de Roland Deschain; e “O Senhor dos Anéis”, de J. R. R. Tolkien. Ao longo dos volumes da obra de King temos várias referências à trilogia de Tolkien, mas as partes do Arco-Íris de Maerlyn e principalmente o Treze Preto, é uma referência direta dos Palantíri.

Os poderes do Arco-Íris de Maerlyn e das Palantíri são semelhantes, mas o Treze Preto além de mostrar passado, presente e futuro, pode transportar quem o estiver manipulando para qualquer quando e onde que desejar. Porém, o custo é a corrupção, a loucura e a perda da vida. Além disso, um destino pior pode acontecer: o viajante pode ser jogado no Todash: a escuridão entre os universos que é ou foi habitada por monstros inimagináveis, como Pennywise e o próprio Rei Rubro.

A referência do Treze Preto às Palantíri mostradas em “O Senhor dos Aneís” é tão direta que quando Callahan olha diretamente para o artefato, ele vê um olho vermelho o observando de volta, muito parecido com o Olho Flamejante de Sauron.

A gravidez de Susasnnah, traz problemas para seu ka-tet, pois além dela poder entrar em trabalho de parto durante a batalha contra os Lobos, tem Mia, uma nova personalidade que surge e que fará de tudo para dar à luz ao carinha. Mia é poderosa, muito pela natureza da criança que está sendo gerada e pelo interesse do Rei Rubro nela, a ponto de subjugar até mesmo a irascível Detta.

Então diante de tudo isso, Roland e seus amigos enfrentam os Lobos. O quinto volume de “A Torre Negra” gasta um bom tempo criando expectativa e tensão, porém quando o combate finalmente acontece, decepcionou. Entendo que Stephen King queira que Roland, Eddie, Jake e Susannah por serem pistoleiros, pareçam quase que possuidores de superpoderes, mas a forma como foi fácil derrotar os Lobos, tornou toda a preparação e até mesmos os receios do ka-tet do Eld, sem sentido, vazios. Aliás, o embate em “Mago e Vidro”, que ocorre na adolescência de Roland, também me pareceu muito fácil para o lado dele e seus amigos.

Mas existe algo muito legal em relação aos Lobos que são armas que eles usam e que lembram sabres de luz; e suas máscaras, capas e capuzes que os fazem parecer com o maior vilão da Marvel.

O final do livro vai precisar dividir o ka-tet do Eld, agora acrescido de Callalan, pois além de precisarem salvar a Rosa no nosso mundo, precisam ir atrás de Susannah, controlada por Mia para finalmente dar à luz ao carinha que está com muita fome à ponto de comer sua própria progenitora quando nascer. Será que os sentimentos que Roland sente por Susannah e seus amigos são fortes o suficiente para sobrepujar seu dever e sua obsessão pela Torre Negra?

“Lobos de Calla” se mostrou uma leitura difícil, pois justo o evento que o nomeia não foi tão empolgante como imaginei que seria. Até mesmo a inserção de um personagem de um dos romances de Stephen King mais amados pelos fãs teve seus momentos enfadonhos, diminuindo um pouco minha empolgação para saber o que aconteceu com ele após seu confronto com Barlow. Mas o quinto volume dessa saga literária de fantasia apresenta elementos importantes para o início da parte final da jornada pela busca pela Torre Negra e a salvação de toda existência.

Ficha Técnica:

Título Original: The Dark Tower V: Wolves of the Calla

Título no Brasil: A Torre Negra: Lobos de Calla

Autor: Stephen King

Tradutor: Alda Porto

Capa: Comum

Número de páginas: 648

Editora: Suma

Idioma: Português

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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