SINOPSE: Enquanto o mundo se recupera de catástrofes anteriores, um Mark Grayson (Steven Yeun) mais maduro e marcado pelas lutas protege a Terra e seus entes queridos. No entanto, isso o coloca em rota de colisão direta com Thragg (Lee Pace), o imperador Viltrumita mais poderoso, desencadeando uma guerra que pode mudar o destino da humanidade para sempre.

A quarta temporada de “Invencível” estreou com a promessa de grandes confrontos e a chegada do mais poderoso oponente da série: Thragg, o Grande Regente do Império Viltrumita. Robert Kirkman, criador da hq homônima e da série animada, declarou que ela entregaria tudo que os fãs queriam e de certa forma “Invencível” fez isso.

A quarta temporada começa como as outras, com Mark e Cia. lidando com as consequências físicas e emocionais do confronto devastador contra Conquista, o segundo viltrumita mais poderoso. Novamente vemos Mark se lamentando sobre o que houve e em dúvidas em relação se está realmente praticando o bem, diante de tanta destruição e morte. Essa ladainha tem como objetivo reforçar o lado humano do protagonista, mas torna-se  bastante cansativa porque vem acontecendo desde o primeiro ano da série animada e encobre o desenvolvimento do lado brutal de Mark, que está disposto a matar todos que ameaçarem seu planeta e principalmente, as pessoas que ama.

A quarta temporada tenta explorar o dilema vivido por Mark, que além de tristeza e incredulidade, sente certo prazer a cada nova morte executada por ele, o aproximando mais de seu sangue e raízes viltrumitas (não que nós humanos sejamos tão diferentes). O problema é que esse remorso do protagonista se parece muito com o chororô de outros problemas dele das temporadas anteriores. E quanto ao seu lado mais agressivo, que tem sede de sangue? Bom ele é eclipsado em importância devido a esses dilemas morais de Mark. Gostaria de ver a série animada explorando apropriadamente esse lado que o deixa mais semelhante aos seus inimigos, criando uma jornada como a de Nolan (JK Simmons), seu pai.

A quarta temporada de “Invencível” mantém a estrutura narrativa dos anos anteriores, com episódios mais mornos, apresentando personagens que existem nos quadrinhos homônimos mas sem muito desenvolvimento, como Dinosaurus e Universa ou trazendo de volta a ameaça dos Flaxans. Nesse último caso, devemos ter o retorno deles na próxima temporada e desdobramentos interessantes já que nesse último confronto, Rudy, o Robô (Zachary Quinto) e a Garota Monstro (Gray Griffin) acabam presos na dimensão dessa raça alienígena, onde o tempo anda mais rápido que na Terra. Já com relação a Dinosaurus, acredito que ele deva aparecer novamente, até porque pelo que fiquei sabendo ele possui um arco narrativo interessante com Mark Grayson.

Agora nada foi mais decepcionante (para não dizer broxante), que o desenrolar da cena pós-crédito da terceira temporada mostrando Damien Darkblood (Clancy Brown) e seu mestre, Satanás (Bruce Campbell), no inferno. Tirando o fato dos demônios protegerem a humanidade, temos um episódio bem fraco, não justificando a expectativa que criaram.

Porém, à partir do quinto episódio, a atual temporada de “Invencível” ganha força narrativa e cada novo episódio é mais empolgante que o anterior. Para não estragar a surpresa e a experiência de quem vai assistir, vou passar rapidamente pelos principais pontos sem entrar muito nos detalhes deles.

Nolan retorna à Terra para convencer Mark e Oliver (Max Burkholder) a entrar na guerra contra os viltrumitas, mas antes eles precisam lidar com as feridas abertas causadas pelo Omni-Man na primeira temporada. Por falar em Nolan, vemos um pouco do seu passado e do seu planeta, onde é revelado o que causou a morte de bilhões de viltrumitas.

À caminho de Talescria, planeta onde fica a sede da Coalizão de Planetas, Nolan, Mark, Oliver, Allen (Seth Rogen) e Zoe Thompson (Zoey Deutch) são interceptados por uma nave viltrumita e precisam lutar contra alguns deles. Mark enfrenta novamente Conquista (Jeffrey Dean Morgan) em um combate extremamente violento, onde só um sairá vivo dessa vez.

Após um ataque dos viltrumitas, Thaedus (Peter Cullen) organiza um movimento arriscado, mas que pode pôr fim á guerra: ir até o planeta Viltrum e matar o Grande Regente Thragg (Lee Peace).

Thragg já vinha aparecendo durante a quarta temporada, mas é nesse episódio onde Nolan, Mark, Oliver, Thaedus, Allen, Zoe, Battle Beast (Michael Dorn) e o Corredor Espacial (Winston Duke) resolvem enfrentá-lo e o que sobrou do viltrumitas puros-sangues, que descobrimos o quanto ele é forte. O que quero dizer é que Thragg é quem realmente pode receber o título de invencível da série animada.

Thragg tem milhares de anos, sendo muito mais velho que Nolan (com aproximadamente dois mil anos). Sua idade (os viltrumitas tendem a ficar mais poderosos com a idade) e  tendo sido treinado desde seu nascimento em todos os tipos de combate, fazem com que seus poderes estejam em uma escala muito superior que qualquer outro de sua raça. Para se ter um ideia, o próprio Conquista, que todos os viltrumitas temem, tem medo de Thragg.

Com um nível de poder assim, Thragg está para os demais viltrumitas como Freeza está para Goku tendo treinado a uma gravidade 100 vezes a da Terra e usando o Kaioken aumentado 20 vezes. A diferença é que o Grande Regente não brinca com seus oponentes, apresentando uma postura de indiferença, até de tédio, para com eles, pois sabe que ninguém está à sua altura. Porém, Thragg resolve testar Mark e o resultado é uma das cenas mais fodas dessa e de outras séries animadas do mesmo gênero.

Todos os finais de temporada de “Invencível” envolveram grandes combates, porém a quarta temporada quebra essa regra e traz um desfecho que é mais impactante que uma destruição em larga escala e milhares de mortes. O desfecho desse ano revela que Thragg é invencível e que nada e nem ninguém pode fazer nada, como Mark sabe que é verdade.

Com a quinta temporada já confirmada para o ano que vem, devemos ver as consequências da decisão e Mark diante do ultimato de Thragg., além dos dramas pessoais que envolvem a família Grayson.

Antes de encerrar a resenha, é preciso destacar duas grandes reclamações por parte dos fãs e dos espectadores. A primeira tem a ver com a qualidade da animação, onde muitos questionaram o alto valor investido na série animada, que foi reforçada por vários vídeos gerados por IA. A minha opinião é que o traço e a técnica de animação não mudaram e que o alto custo de “Invencível” se deve ao elenco de vozes por trás dos personagens. Com relação as versões melhoradas da animação, digo que é muito fácil pegar algo que já foi feito e pedir para o ChatGPT, Gemini ou outra IA renderizar e vir com o discurso que “fizeram mais com menos”.

A outra grande reclamação é que no confronto que se desenrola no sétimo episódio, Battle Beast parece “nerfado”. Acredito que pode ter tido sim uma “nerfada” no personagem, já que o foco nesse episódio era mostrar a diferença de poder Thragg para Mark e Nolan. Mas acredito fortemente que quando chegar a hora do pau comer entre Battle Beast e Thragg, Robert Kirkman vai trazer uma das melhores porradaria da série animada. Mas isso só deve acontecer lá pela sétima ou oitava temporada, já que até agora “Invencível” adaptou cerca de 70 edições de um total de 144 e o combate entre esses dois personagens acontece na edição 119.

E se você está conosco até agora, você leu certo, pois Robert Kirkman disse que “Invencível” deve ter entre oito ou nove temporadas. E se depender do sucesso de público e crítica, essa afirmação dele deve se concretizar, o que é ótimo para nós!

Apesar do chororô do nosso protagonista, fomos apresentados ao verdadeiro Invencível da série; a um vilão que impõe respeito pelo medo absoluto de estar muito acima de qualquer personagem apresentado até agora. Some a isso, um dos finais mais originais e impactantes da série animada e de muitas outras produções que já vi, e o resultado é  que vale muito a pena assistir a quarta temporada de “Invencível”!

Ficha Técnica:

Título Original: Invincible

Título no Brasil: Invencível

Gênero: Animação, Ação, Drama, Super-Herói

Temporadas:

Episódios: 8

Criador: Robert Kirkman

Produtores: Robert Kirkman, Simon Racioppa, Cory Walker, David Alpert, Margaret M. Dean, Catherine Winder, Seth Rogen, Evan Goldberg

Diretores: Sol Choi, Jason Zurek, Stephanie Gonzaga, Ian Abando

Roteiro: Helen Leigh, Simon Racioppa, Ross Stracke, Robert Kirkman, Adria Lang, Amber Dupre

Elenco: Steven Yeun, Sandra Oh, JK Simmons, Lee Pace, Danai Gurira, Lauren Cohan, Sonequa Martin-Green, Chad L. Coleman, Michael Cudlitz, Lennie James, Ross Marquand, Zachary Quinto, Gillian Jacobs, Jason Mantzoukas, Malese Jow, Gray Griffin, Walton Goggins, Chris Diamantopoulos, Seth Rogen, Andrew Rannells, Zazie Beetz, Clancy Brown, Kevin Michael Richardson, Mark Hamill, Mahershala Ali, Mae Whitman, Max Burkholder, Michael Dorn, Ezra Miller, Nicole Byer, Jeffrey Donovan, Jonathan Groff, Jon Hamm, Djimon Hounsou, Justin Roiland, Reginald VelJohnson

Companhias Produtoras: Skybound North, Wind Sun Sky Entertainment, Skybound Animation, Point Grey Pictures, Amazon MGM Studios

Transmissão: Amazon Prime Video

Please follow and like us:

Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *