SINOPSE: Mia (Camille Sullivan) é uma mulher obcecada por encontrar sua irmã, que desapareceu sem deixar rastros, enquanto gravava seu programa na cidade abandonada de Shelby Oakes. Quando recebe uma fita misteriosa com indícios de que ela ainda possa estar viva, a protagonista mergulha em uma perigosa investigação que a colocará no centro de uma verdadeira espiral de horror e revelações perturbadoras.

Um sonho e um financiamento coletivo. E foi assim que Chris Stuckman produziu e dirigiu “Terror em Shelby Oaks”. A história foi escrita por Stuckmann e sua esposa Samantha e o dinheiro para produção veio via Kirkstarter, se tornado o filme de terror mais financiado da plataforma.

“Terror em Shelby Oaks” teve sua estreia mundial no 28º Fantasia International Film Festival. Foi lá que ganhou o apoio de Mike Flanagan, diretor de “Doutor Sono” e de séries como “A Missa da meia-Noite”, se tornando produtor executivo posteriormente do filme.

Terror de Shelby Oaks” me pareceu possuir três estilos narrativos. O primeiro e que aparece logo no começo do filme é uma espécie de documentário, explicando o início, a ascensão e o final trágico do “Paranormal Paranoids”, um canal de YouTube que investigava locais assombrados dos Estados Unidos. Ao investigarem a cidade fantasma de Shelby Oaks, considerada o local mais assombrado do país, os integrantes somem. Logo depois, os corpos mutilados deles são encontrados com exceção de Riley Brennan (Sarah Durn), que continua desaparecida.

O legal desse início do filme é que me pareceu mesmo aqueles programas de investigação paranormal que passam no A&E. Essa sensação ficou ainda mais forte por ter assistido “Terror em Shelby Oaks (isso porque o cinema que gosto de ir não disponibilizou nenhuma sessão legendada), onde os dubladores se preocupam somente com a sincronização dos movimentos labiais. E apesar desse começo querer passar o sentimento de uma “história real” e assim causar calafrios nos espectadores, achei divertido e até engraçado.

Mas devo dizer, que essa diversão e graça que senti foi mais percepção minha e não a intenção real de “Terror em Shelby Oaks”.

O segundo estilo narrativo foi o que mais me atraiu em assistir “Terror em Shelby Oaks”: o found footage. Doze anos se passaram do desaparecimento de Riley e Mia não perdeu as esperanças em encontrar sua irmã mais nova. Durante a gravação de um documentário sobre os eventos em Shelby Oaks, um estranho aparece na porta de Mia, diz que “ela finalmente me deixou ir” antes de atirar na própria cabeça. Nas mãos do suicida, uma fita mostrando os integrantes do Paranormal Paranoid sendo atacados e mortos e Riley sendo capturada.

Foi legal ver um filme, mesmo que somente um parte dele, no estilo found footage passando no cinema. Nos últimos tempos, esse tipo de produção não tem ganhado a atenção das grandes distribuidoras, indo parar direto nas plataformas de streaming. Com um tom que lembra um pouco “A Bruxa de Blair”, esses pedaços de “filmagens encontradas” servem para inserir aquela camada de “veracidade” à narrativa.

Após a introdução que engloba o documentário e boa parte do found footage, “Terror em Shelby Oaks” entra no estilo convencional de um filme de terror. E a palavra é essa mesma, pois a narrativa segue preceitos e clichês comuns a produções desse gênero, mas isso não o desmerece. Pelo contrário, é nesse ponto que o longa-metragem convence.

Chris Stuckman não tem vergonha nenhuma em seguir uma narrativa com elementos comuns de terror, mas ele faz isso de forma bem amarrada, conectando todos os pontos. É interessante ver como um evento mostrado desencadeia outro e assim sucessivamente, quase como jogos eletrônicos lineares, onde um puzzle ou uma pista nos fazer progredir para a próxima etapa que apresentará um novo gatilho.

Dessa forma, Mia descobre que o suicida se chamava Miles e que foi ele quem sequestrou Riley. Logo depois, Mia fica sabendo que ele foi recolhido por um tempo no presídio de Shelby Oakes, Investigando a cela de Miles, Mia encontra um livro com símbolos demoníacos, que a leva pesquisar e aprender sobre o Incubo, um demônio parasita que leva as pessoas e o local infestado à ruína. Dessa forma, sabemos o que houve com a antes vibrante e linda e agora decrépita e abandonada cidade de Shelby Oaks.

O parágrafo acima é para exemplificar como Chris Stuckman construiu uma trama de terror simples, mas bem conectada, criando coesão narrativa. Essa simplicidade e coesão, fazem com que a atenção do espectador se volte para acompanhar o desenrolar da história, sem ter que pensar em coisas complicadas. A ideia é apreciar a história de “Terror em Shelby Oaks”.

“Terror em Shelby Oaks” se utiliza de elementos de outros filmes de terror de sucesso para embasar sua boa história assustadora. Além de referências a filmes found footage como “A Bruxa de Blair”, podemos notar referências a “Invocação do Mal” nos closes de cantos escuros que parecem esconder alguma coisa e nos bons jump scares existentes, como também situações que nos remetem a “Hereditário”, como o ritual de invocação do Incubo.

Com a utilização de elementos de terror de outras produções de sucesso do gênero e um roteiro bem amarrado, “Terror em Shelby Oaks” conduz com segurança e mantém o interesse do espectador durante a exibição e constrói com competência o mistério central do longa-metragem. Admito que por possuir um história tão bem amarrada, desconfiei pela metade do filme qual seria o plot twist final. Mas mesmo já meio que sabendo como a história terminaria, não estragou minha experiência.

Custando cerca de US$ 1 milhão, valor arrecadado via financiamento coletivo, “Terror em Shelby Oakes” arrecadou cerca de US$ 5 milhões e recebeu notas medianas no Rotten Tomatoes (54%) e IMDb (5,8/10). Esses números refletem a opinião dos aficionados por terror, com metade desse público não gostando do convencionalismo da produção e a outra metade que se divertiu indo aos cinemas. Eu me encaixo no segundo grupo.

Teremos que aguardar para ver se veremos uma nova produção de Chris Stuckman, mas o que vi no cinema é um filme de estreia muito bem amarrado e que não se arrisca, ficando dentro da cartilha das produções de terror, mas que prende a atenção e diverte aos aficionados do gênero. Por esses motivos, digo que vale a pena assistir “Terror em Shelby Oakes”.

Ficha Técnica:

Título Original: Shelby Oaks

Título no Brasil: Terror em Shelby Oaks

Gênero: Terror

Duração: 91 minutos

Diretor: Chris Stuckmann

Produção: Aaron B. Koontz, Cameron Burns, Ashleigh Snead, Chris Stuckmann, Mike Flanagan

Roteiro: Chris Stuckmann

Elenco: Camille Sullivan, Brendan Sexton III, Keith David, Sarah Durn, Derek Mears, Emily Bennett, Charlie Talbert, Robin Bartlett, Michael Beach

Companhias Produtoras: Paper Street Pictures, Intrepid Pictures

Distribuição: NEON (EUA) / Diamond Films (Brasil)

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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