SINOPSE: Quando um míssil com uma ogiva nuclear não identificado é lançado contra os Estados Unidos, uma corrida contra o tempo se inicia para identificar a autoria e definir uma resposta.
Kathryn Bigelow é uma cineasta norte-americana que se tornou a primeira mulher a ganhar um Oscar de melhor direção por “Guerra ao Terror”. Em entrevista ao “The Guardian”, Bigelow falou que sua predileção sempre foram pelas ações e bastidores militares. Dessa forma, outros filmes como “A Hora Mais Escura” surgiram.
Esse ano, estreou na Netflix, “Casa de Dinamite”, filme dirigido por Kathryn Bigelow, que mostra os bastidores políticos e militares quando um míssil com uma ogiva nuclear é disparado contra os Estados Unidos.
O nome do filme é uma metáfora a um mundo extremamente tenso e instável, como uma casa cheia de dinamites, onde uma pequena ação pode desencadear uma explosão catastrófica e imediata. Ou seja, na iminência de um ataque nuclear a um país possuidor desse tipo de arma, o único resultado seria uma retaliação na mesma moeda. Ou parafraseando a terceira lei de Newton: para cada ação aplicada haverá sempre uma força de reação.
Com isso em mente, “Casa de Dinamite” conta um ataque com uma ogiva nuclear ao Estados Unidos de várias perspectivas, mostrando as reações dos envolvidos em identificar, interceptar e responder a essa ameaça apocalíptica.
Assistindo ao filme, me lembrei bastante de “Maré Vermelha”, com Gene Hackman e Denzel Washington, tanto pela trama, que envolve um “ataque nuclear” e uma possível resposta, mas pela tensão criada. Contada em “tempo real”, “Casa de Dinamite” vai narrando os fatos, as ações tomadas e as consequências como se estivéssemos realmente vivenciando toda a situação. Dessa forma, cada minuto de espera e indecisão, cada decisão e ação tomada, vai criando um poço de ansiedade, que me deixou inquieto enquanto assistia ao filme.
Kathryn Bigelow trabalhou com consultores de segurança nacional e ex-funcionários da Casa Branca para recriar procedimentos e cenários que existem de verdade, explicando assim a sensação de autenticidade, e dessa forma, gerando a ansiedade e a tensão que sentimos assistindo “Casa de Dinamite”.
Alguns eventos mostrados, foram criticados pelo Pentágono e especialistas como um ataque nuclear súbito (sem um conflito armado já em andamento) e o lançamento de um único míssil (já que em um confronto desse porte, envolveria múltiplos mísseis). Em outras palavras, ninguém em sã consciência dispararia apenas uma ogiva nuclear contra os Estados Unidos, sendo o mais certo, várias armas nucleares para enfraquecer ou destruir uma pronta-resposta do país.
A ideia de um disparo de uma arma nuclear sem saber qual nação lançou, visa aumentar a tensão no espectador, nos dizendo que qualquer país com uma arsenal desses, pode ser o responsável.
Porém, os protocolos e centros de comando, bem como os procedimentos de crise mostrados, foram inspirados na programação real nesse tipo de ataque aos Estados Unidos. E dentre todos os eventos mostrados, o que mais assusta é a falha dos sistemas de defesa do país estadunidense em abater um míssil nuclear.
O roteirista Noah Oppenheim disse que suas pesquisas e conversas com consultores e ex-funcionários da Casa Branca, confirmaram que o índice de 61% de acerto das armas de interceptação se baseia em dados de testes controlados, bem como a quantidade de menos de cinquenta desse interceptores. Esses números são contestados pela Agência de Defesa de Mísseis (MDA), afirmando que a taxa de acerto se baseia em sistemas antigos e que os interceptores atuais têm precisão de 100%.
Mas independentemente do quanto a pesquisa para “Casa de Dinamite” se aproxima da realidade ou não, a falha do sistema de interceptação é um ponto de virada no filme, pois nesse momento os Estados Unidos mostram que está vulnerável e que uma ogiva nuclear vaporizará uma cidade com milhões de habitantes. Descrença, impotência, medo passam a andar juntos com a incerteza dos políticos em retaliar e dos militares em responder rapidamente com força igual ou maior.
“Casa de Dinamite” mostra o ataque nuclear do ponto de vista dos políticos, representantes das várias agências e dos militares, debatendo sobre como agir nessa situação. No caso do militares a visão que é passada é até crível, pois eles são a força da ação, executando ordens sem questionar, mesmo que elas sejam drásticas. Agora, achei um pouco forçado mostrar assessores, diretores de agências e até mesmo o presidente hesitando tanto. Entendo até que eles precisam ser o lado da equação que debate, mas na iminência de um explosão atômica em solo estadunidense, ver o líder máximo dos Estados Unidos procrastinar da forma que é mostrado no filme, me pareceu forçada demais.
Uma das coisas que incomodou muitas pessoas, mas que me pareceu bem dosado, são os dramas humanos mostrados em “Casa de Dinamite”. Algumas situações são bastante pertinentes como a preocupação do secretário de segurança Reid Baker (Jared Harris) com sua filha Caroline (Kaitlyn Dever) que mora na cidade em que o míssil nuclear vai cair. Porém, alguns dramas que parecem não acrescentar nada, como a do Major Daniel Gonzalez (Anthony Ramos) que descobre que sua esposa o largou.
Porém, algo que tem gerado incomodo e reclamação é em relação ao final de “Casa de Dinamite”. Como disse, o filme é contado por várias perspectivas, sendo que elas se encerram faltando cerca de dois minutos para o impacto do míssil nuclear em solo americano. A última parte do filme é mostrada do ponto de vista do presidente dos EUA (Idris Elba), que ao saber que os interceptores falharam em destruir o artefato nuclear, precisa tomar uma decisão se e como retaliar.
Kathryn Bigelow disse que a ideia para o final de a “Casa de Dinamite” sempre foi a que vemos nos minutos finais. E apesar de achar o conceito interessante, foi broxante ver como o o filme termina, depois de tanta tensão. Então com base nas várias informações não confirmadas que são mostradas e se fosse o jogo de tabuleiro “Detetive”, meu palpite seria a Coréia do Norte com um submarino.
“Casa de Dinamite” possui um roteiro afiado e bastante instigante, prendendo a atenção do espectador, mesmo mostrando várias perspectivas e situações que se repetem ao longo do filme. A trilha sonora composta por violinos que ajudam a manter e elevar o nível de tensão de acordo com o que a história pede.
O elenco de “Casa de Dinamite” é recheado de nomes talentosos, mas a história do filme é tão boa e tão interessante, que faz com que esses atores e atrizes consagrados sirvam ao seu propósito: a de movimentar a trama que estamos vendo.
Vou destacar positivamente as interpretações de Gabriel Basso e Tracy Letts. Enquanto o primeiro ator interpreta com maestria o vice-assessor da NSA, preocupado em confirmar as informações sobre o ataque nuclear e tentar impedir um retaliação sem fatos concretos, o segundo nome dá vida ao General Anthony Brody. o oficial responsável por convencer o presidente dos Estados Unidos a dar uma resposta à altura e o mais rápido possível.
O destaque negativo vai para Idris Elba, que interpreta um presidente dos Estados Unidos meio clichê, mas que convence em alguns momentos ao transmitir a insegurança e o despreparo do personagem em lidar com essa situação.
O filme possui um roteiro ágil, direto e sem enrolação, mostrando um cenário assustador, que seria ótimo se fosse apenas na telinha da nossa TV, computador ou smartphone. Para quem gosta de roer as unhas, sentar-se na beira da poltrona, esse longa-metragem é um thriller tenso no mesmo nível de “Maré Vermelha”. Por tudo que disse até agora, é claro que vale assistir “Casa de Dinamite”.
E nos diga o que achou do final de a “Casa de Dinamite”.
Ficha Técnica:
Título Original: A House of Dynamite
Título no Brasil: Casa de Dinamite
Gênero: Supense
Duração: 112 minutos
Diretor: Kathryn Bigelow
Produção: Greg Shapiro, Kathryn Bigelow, Noah Oppenheim
Roteiro: Noah Oppenheim
Elenco:
Idris Elba, Rebecca Ferguson, Gabriel Basso, Jared Harris, Tracy Letts, Anthony Ramos, Moses Ingram, Jonah Hauer-King, Greta Lee, Jason Clarke, Malachi Beasley, Brian Tee, Brittany O’Grady, Gbenga Akinnagbe, Willa Fitzgerald, Renée Elise Goldsberry, Kyle Allen, Kaitlyn Dever, Francesca Carpanini, Abubakr Ali, Angel Reese
Companhias Produtoras: First Light, Prologue Entertainment, Kingsgate Films
Distribuição: Netflix
