SINOPSE: O lutador Cole Young (Lewis Tan), não faz ideia da herança que carrega ou porque Shang Tsung (Chin Han), mago poderoso e braço-direito do Imperador da Exoterra, enviou seu melhor guerreiro, Sub-Zero (Joe Taslim) para exterminá-lo. Temendo pela segurança de sua família, ele sai em busca de Sonya Blade (Jessica McNamee) por recomendação de Jax (Mehcad Brooks), um major das Forças Especiais que tem a mesma estranha marca de nascença na forma de dragão que Cole. Logo, ele se encontra no templo do Lorde Raiden (Tadanobu Asano), um Deus Ancião e protetor do reino da Terra, que acolhe aqueles que ostentam a marca. Lá, Cole treina com os experientes guerreiros Liu Kang(Ludi Lin), Kung Lao (Max Huang) e o mercenário Kano (Josh Lawson) para enfrentar os inimigos oriundos da Exoterra em uma arriscada batalha pelo universo.

“Mortal Kombat” (ou simplesmente e carinhosamente conhecido como “MK”) é uma franquia de jogos de luta iniciada em 1992. Diferentemente dos demais games da época, a extrema violência e a história mais soturna e fantasiosa, conquistaram os frequentadores de fliperamas (sendo esse que vos fala, um deles) e posteriormente os consoles. O sucesso foi tão grande que “MK” rivaliza até hoje com “Street Fighter” pelo título de melhor game de luta de todos os tempos.

Com o sucesso estrondoso, Hollywood em 1995 levou para as telonas a adaptação de “MK”. E ao contrário do longa-metragem de “Street Fighter” (que tinha o astro das artes marciais Jean-Claude Van Damme), foi muito bem avaliado e tem até hoje um lugar especial no coração dos fãs da franquia, trazendo boas cenas de luta (principalmente a de Liu Kang contra Reptile e do campeão da Terra contra Shang Tsung) e a icônica canção-tema do filme.

Mas apesar desse carinho, o filme que narra a batalha entre os lutadores da Terra e deOutworld, foi duramente criticado por não trazer a violência gráfica e o momento que todo jogador de “Mortal Kombat” esperava: os fatalities. Além disso, uma sequência mal-feita e relaxada afundou a franquia nos cinemas.

Mas com a ressureição da franquia nos consoles, graças ao excelente “Mortal Kombat X”, e sua posterior sequência, Hollywood olhou mais uma vez com seus olhos ávidos e gananciosos para o game e trouxe esse ano “MK” para os cinemas.

Com um trabalho excepcional de propaganda e publicidade, o filme foi criando uma expectativa gigantesca a cada novo material promocional liberado, tanto para os que não jogam a franquia e principalmente entre os fãs e gamers de “Mk”. Eu ficava alucinado a cada novo pôster, imagem, vídeo ou trailer mostrado.

Mas “Mortal Kombat” vale todo esse hype? “MK” atende a gigantesca expectativa criada nos cinéfilos e fãs do jogo?

Vou começar minha análise pelo que não funciona, pelos motivos e elementos que não gostei no filme. E logo de cara digo que não me agradou o protagonismo de Cole Young, personagem criado para o longa-metragem. O ator Lewis Tan é esforçado e competente e agarra essa oportunidade de brilhar em Hollywood, já que foi preterido para o papel principal de “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”, que será interpretado por Simu Liu.

Uma observação e uma opinião minha: a perda do papel de protagonista no filme da Marvel pode ter a ver com sua fisionomia mais ocidental, apesar de ser chinês, o que poderia causar a encheção de saco dos “socialmente corretos” sobre a etnia do ator para Shang-Chi.

Bom voltando à questão do protagonismo de Cole Young em “Mortal Kombat”, o que me incomoda é que apesar de uma boa construção do personagem e sua ligação com Hanzo Hasashi / Scorpion (algo que não é spoiler, pois a menos que você seja lerdinho, fica evidente logo no começo do filme), outros personagens importantíssimos da franquia acabam sendo relegados a papéis secundários, sendo mal aproveitados e desenvolvidos.

E quem mais sofre com essa mudança de protagonismo é Liu Kang. Tudo bem que a ideia do diretor Simon McQuoid, dos produtores e dos roteiristas era mudar um pouco os rumos da história de “MK” que sempre o traz como o campeão da Terra, mas no filme ele se torna só mais um integrante para que tenha número suficiente de pessoas para que tenhamos os kombates entre mocinhos e vilões. Caricato em suas falas e movimentos, é o pior e mais irritante personagem do filme.

Outro ponto negativo em “Mortal Kombat” é a “encheção de linguiça” que ele possui. Para que o filme chegasse no corte final de 110 minutos foi necessário que o diretor e a equipe técnica criassem uma jornada do heróis para Cole Young, o que se torna um anticlímax para a narrativa. Depois de um começo frenético que mostra o kombat sangrento entre Bi-Han e Hanzo  Hasashi, somos obrigados a ver mais de uma hora de diálogos insossos, situações clichês como o treinamento dos campeões da Terra e pouquíssima ação.

Aqui preciso dizer que não esperava um “Transformers” de Michael Bay, com mais de duas horas de tiros, explosões e porradas incessantes. Esse tipo de narrativa é cansativo. Porém você ser obrigado a ficar mais de uma hora vendo diálogos, piadinhas em uma história que envolve muita porradaria e violência não é nada legal.

Como disse agora a pouco, esse “Mortal Kombat” tenta mudar um pouco os rumos da história já conhecida. Essa decisão é comum em Hollywood que fazem filmes tanto para os fãs como para atrair um público novo. Isso chama “maximização dos lucros” e não adianta os “puristas” e os gamers mais apaixonados reclamarem, pois a única vez que um estúdio foi fiel 100% a um jogo, sofreu um prejuízo imenso. Estou falando de “Warcraft”.

Mas agora inventar uma espécie de poder interior, um ki, um chakra ou sei lá o quê é esculhambação No treino dos campeões da Terra, eles precisam desabrochar sua “arcana”, uma força interior que os permitirá lutar em igualdade com os lutadores da Exoterra.

O que dizer dessa tal de “arcana”? “Arcana” de orifício corrugado é membro fálico (para não ser literal na expressão, heheheheehe). Se Ed Boon, criador de “MK” e um dos produtores do filme, aprovou essa porcaria, então deveria ter fumado algo muito pesado. Simplesmente não vai essa porra de “arcana”.

Mas “Mortal Kombat” tem ótimos momentos que compensam todos esses desvios e decisões erradas na narrativa.

A começar pela origem da rivalidade mais conhecida de “MK”: Scorpion vs. Sub-Zero. Os minutos iniciais do filme mostram o massacre da vila dos Liu Kuei pelas mãos de Bi-Han. Toda a pancadaria que envolve esse extermínio é brutal e muito bem conduzida e o kombat entre Hanzo e Bi-Han é muito massa.

Aliás, apesar de achar que os kombates precisavam de uma plástica visual, uma coreografia mais rápida, todos sem exceção são muito bons. Todos os atores e atrizes que se envolvem nas lutas mortais, treinaram exaustivamente para trazer o maior senso de realismo para as telonas. Alguns mais que outros se destacam, como Lewis Tan que interpreta Cole e Young e Joe Taslim que dá vida ao Sub-Zero. Ambos são artistas marciais de longa data e seus movimentos e coreografias se mostram muito mais naturais.

E se estou falando em kombates, é claro que preciso dizer que o diretor Simon McQuoid faz um tremendo fã-service ao mostrar àquilo que o povo gosta (parafraseando Januário de Oliveira): os fatalities.

Algo que foi uma ausência muito sentida no filme de 1995, nesse “Mortal Kombat” vemos os fatalities acontecendo. E por ser um filme classificado para maiores de 18 anos nos EUA, a execução dos oponentes derrotados é sangrenta e brutal. E nesse ponto é válido destacar o fatality executado por Kung Lao, que corta uma dos campeões da Exoterra ao meio, com direito a muito sangue, tripas e barulho de ossos sendo serrados.

Todos os fatalities são muito fiéis ao jogo na brutalidade e violência gráfica apresentada no jogo, com exceção de um dos personagens mais clássicos. Apesar da fala muito legal (“eu controlei as chamas do inferno”), Scorpion não chega a mostrar sua cabeça em caveira e nem seu oponente grita em agonia e explode.

Mas se o fatality de Scoprion não é fiel ao jogo, seu surgimento para o segundo round contra o Sub-Zero é algo muito massa. Mesmo tendo a participação de Cole Young (e mais uma vez vi um exagero no protagonismo do personagem) o kombat entre os eternos rivais é incrível. E é claro que o momento mais esperado nesse confronto acontece: quando Scorpion lança se arpão e diz sua frase icônica. FODA DEMAIS!

Para terminar vou dizer que visualmente “Mortal Kombat” é muito bom, principalmente na caracterização dos personagens, Tirando Liu Kang, que é ruim em todos os aspectos, todos enchem os olhos. Destaque para Shang Tsung, que aparenta ser um ser extremamente poderoso e maligno (parabéns também a atuação de Chin Han que dá esse senso de perigo), Sub-Zero, Scorpion e Goro.

Segundo declarações do diretor Simon McQuoid, o plano é um tetralogia para “Mortal Kombat” nos cinemas. E para que os outros três filmes aconteçam só é preciso que esse vá bem nas bilheterias, algo que vem acontecendo, pois até o momento ele já faturou próximo aos US$ 100 milhões (para um orçamento de US$ 55 milhões). Esses números devem ainda melhorar e com a ida da película para a HBO Max. Que venham novos filmes, mais focados na mitologia do jogo e sem invencionices.

O longa-metragem poderia ser melhor, mas por decisões erradas acaba tendo uma parte ruim e uma parte muito boa. Porém essa parte muito boa compensa a história como um todo. O filme acaba tirando 7 e passando de ano, e por isso digo que vale a pena assistir “Mortal Kombat”.

Ficha Técnica:

Título Original: Mortal Kombat

Título no Brasil: Mortal Kombat

Gênero: Ação, Luta

Duração: 110 minutos

Direção: Simon McQuoid

Produção: James Wan, Todd Garner, Simon McQuoid, E. Bennett Walsh

Roteiro: Greg Russo, David Callaham

Elenco: Lewis Tan, Jessica McNamee, Josh Lawson, Tadanobu Asano, Mehcad Brooks, Ludi Lin, Chin Han, Joe Taslim, Hiroyuki Sanada, Max Huang, Sisi Stringer, Matilda Kimber, Laura Brent, Elissa Cadwell, Daniel Nelson, Angus Sampson

Companhias Produtoras: New Line Cinema, NetherRealm Studios, Atomic Monster Productions, Broken Road Productions

Distribuição: Warner Bros. Pictures

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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