As Sombras do Mal: As Fitas de Blackwood Vol. 1 de Guillermo del Toro e Chuck Hogan
SINOPSE: Ao testemunhar um crime brutal e inexplicável e se ver forçada a tirar a vida do companheiro de trabalho, Odessa Hardwicke passa a questionar sua sanidade e seu futuro. Ela não consegue entender o que de fato aconteceu, mas tem uma única certeza: viu um vulto saindo do corpo do amigo, uma presença aterrorizante e maligna que jamais se apagará de sua mente. Obrigada a realizar serviços burocráticos após o episódio, ela encontra fitas antigas ao organizar os pertences de um agente aposentado, e são essas fitas que a levarão até Hugo Blackwood. Fascinante e traiçoeiro, o homem pode ser a chave para desvendar o que aconteceu com o parceiro de Odessa e, mais ainda, a chance de defender a humanidade de uma ameaça sem rosto: os incorpóreos.
O diretor, produtor e roteirista Guilhermo del Toro retorna a parceria com Chuck Hogan para trazer sua nova trilogia literária: “As Fitas de Blackwood”. Digo retorno da parceria, pois os dois autores escreveram a “Trilogia da Escuridão”.
Li “As Sombras do Mal”, o primeiro volume da nova trilogia de Guilhermo del Toro e Chuck Hogan, e vou comentar brevemente sobre a história e fazer, pois, para mim é inevitável, uma comparação com “Noturno”. Primeiro livro da “Trilogia da Escuridão”.
Pela sinopse e pelo que li em “Noturno”, criei uma expectativa totalmente diferente do que experimentei à medida que lia “As Sombras do Mal”, pois achei que a história teria uma escala maior e uma estrutura com ares apocalípticos.
Apesar do que a sinopse possa dar a entender e por situações e diálogos existentes em “A Sombra do Mal”, a história é mais contida, se mantendo mais como uma trama policial. A ameaça sobrenatural, que são os incorpóreos, pode até causar estragos em grandes níveis, mas eles não são abordados da forma como os vampiros e o Grande Mestre de “Noturno”.
Mas se muda a escala e o tom da trama, “As Sombras do Mal” tem a mesma narrativa ágil e fácil que vi em “Noturno”. E como no primeiro volume da “Trilogia da Escuridão”, devorei o livro em 3 dias, sem perder o prazer da leitura. Nesse ponto, Guilhermo del Toro e Chuck Hogan se provam, mais uma vez, ótimos contadores de histórias literárias
Outro ponto de destaque é a imaginação e a capacidade de Guilhermo del Toro em criar monstros assustadores. Como os vampiros de “Noturno”, gostei demais da aparência dos incorpóreos (quando conseguimos vê-los). Para não dar muito spoilers, esses seres elementais me lembraram muito a bailarina do filme “O Segredo da Cabana”.
Porém se “As Sombras do Mal” possui um ritmo de leitura muito bom e criaturas de aparência original e assustadora, os protagonistas são um pouco rasos demais, o que os torna um pouco sem graça.
Odessa Hardwicke é a personagem mais fraca de toda o livro, e mesmo quando é revelado seus traumas de infância e adolescência, que a levaram a se tornar uma agente do FBI, continua sendo uma personagem rasa e de pouca empatia. Na minha opinião, ela foi introduzida na trama para servir como possível par romântico de Hugo Blackwood e criar o embate entre o racional e o irracional. Dois clichês que para mim não funcionaram.
Já Hugo Blackwood é um pouco mais interessante com seus maneirismos e avesso às tecnologias, a ponto de gravar suas aventuras com um gravador antigo de fita e chamar lanternas de “tochas elétricas”. O personagem é um exemplo do cidadão inglês do século XVI: educado e um verdadeiro cavalheiro, mas devido às fatalidades pessoais, se mostra um pouco arredio e sem jeito para lidar com outras pessoas. Por ser caçador de criaturas sobrenaturais e ser altamente versado nas artes místicas, foi inevitável não achar Hugo Blackwood, a versão de Constantine de Guilhermo del Toro e Chuck Hogan.
Comparando “As Sombras do Mal” com “Noturno”, gosto mais do primeiro volume da Trilogia da Escuridão por possuir uma história mais robusta e densa, e personagens mais bem desenvolvidos.
Mas mesmo preferindo “Noturno”, não quer dizer que “As Sombras do Mal” seja ruim. Pelo contrário, o primeiro volume de “As Fitas de Blackwood” demonstra que o objetivo de Guilhermo del Toro e Chuck Hogan era realmente trazer uma história diferente do que vimos na primeira trilogia literária da dupla.
Leitura rápida e divertida, “As Sombras do Mal” traz um final onde vemos uma figura que não tem sombra depositando uma carta na caixa de correio localizada na Stone Street, número 13 e meio, que pode ou não ter conexão com os eventos deflagrados pelos incorpóreos. O jeito é esperar o lançamento dos demais livros.
“As Sombras do Mal” deixam um leque de opções que podem ser explorados, o que pode ser um fator positivo para quando for a hora de encerrar “As Fitas de Blackwood”. Algo que a “trilogia da Escuridão”, por ser uma trama mais amarrada, acabou sofrendo com os rumos tomados pela dupla de escritores.
Divertido, rápido e bem escrito. Vale a pena ler “As Sombras do Mal”!
Ficha Técnica:
Título Original: The Hollow Ones (Blackwood Tapes Book 1)
Título no Brasil: As Sombras do Mal: As fitas de Blackwood Vol. 1
Autor: Guillermo del Toro e Chuck Hogan
Tradutor: Stephanie Fernandes
Capa: Comum
Número de páginas: 320
Editora: Intrínseca
Idioma: Português
