SINOPSE: Baseada no livro homônimo de Stephen King, “The Stand” é ambientada num cenário pós-apocalíptico, quando um vírus letal destrói a Terra. Os poucos sobreviventes se dividem em duas facções: uma democrática, liderada pela Mãe Abigail (Whoopi Goldberg), uma senhora de 108 anos; e outra marcada pela brutalidade de Randall Flagg (Alexander Skarsgård), dono de poderes inexplicáveis. Uma batalha entre o bem e o mal se inicia – e vai determinar o futuro da humanidade.
Com mais de 400 milhões de cópias de seus livros vendidos mundialmente, Stephen King é um dos escritores mais conhecidos mundialmente, e com certeza, o autor com mais adaptações para as TVs e cinema (e logo, logo, para o streaming).
Desde a adaptação de “Carrie: A Estranha” para o cinema em 1976, todo anúncio de um novo livro ou uma nova adaptação de uma obra de Stephen King é cercado de muita expectativa, comoção, hype, frisson (ou como quiser chamar) mundo afora. Eu gosto de dizer que é a Kingmania!
“The Stand” (“A Dança da Morte”) é o maior livro de Stephen King (1248 páginas na edição brasileira) e um dos livros mais cultuados pela sua legião mundial de fãs. Logo, quando foi anunciado pela CBS que a obra seria adaptada novamente no formato de série, a Kingmania voltou com força total. Mas em qual categoria “The Stand” ficaria: na de adaptações ruins e péssimas (que são a grande maioria) ou na de boas e ótimas?
Vale lembrar que o livro “A Dança da Morte” já foi adaptado como um telefilme de aproximadamente 6 horas de duação em 1994. Ao final dessa resenha lhe direi qual das duas adaptações, a da década de 1990 ou de 2020, é a melhor.
A primeira coisa que chama a atenção em “The Stand” é o elenco, como nomes bastante conhecidos como James Marsden (“X-Men” e “Westwolrd”), Amber Heard (“Aquaman”) e Henry Zaga (“Os Novos Mutantes”) nos papéis principais. Temos também Alexander Skarsgård (“True Blood”) e Whoopi Goldberg (“Mudança de Hábito”) interpretando os personagens-chave Randall Flagg e Mãe Abigail, respectivamente. As participações especiais contam também com grandes nomes como Ezra Miller, J. K. Simmons, Bryan Cranston.
Com um dos livros mais cultuados de Stephen King servindo como base para a história e com tantos atores e atrizes conhecidos, “The Stand” tinha tudo para ser uma das melhores adaptações do Mestre do Terror, não é mesmo? A resposta para essa pergunta pode ser respondida pelo bordão do Poderoso Castiga interpretado pelo humorista Eduardo Sterblitch: “Ééééééé, maaaais ou meeeenos, maaaaiss ou meeenos.”
Vou cometer uma blasfêmia perante os fãs mais encardidos de Stephen King, mas preciso confessar que apesar de ter um plot muito interessante (a questão da pandemia e da luta escancarada entre o Bem e o Mal) e explorar mais a fundo o maior antagonista criado pelo Mestre do Terror, “A Dança da Morte” não é um livro tão bom quando comparado a outro escritos por ele.
O grande problema de “A Dança da Morte” é a gigantesca barriga narrativa existente. No prefácio da edição brasileira tem uma declaração de Stephen King que diz que a primeira versão da obra foi lançada com 400 páginas a menos! Esse monte de “encheção de linguiça” que o livro possui torna a leitura muito morosa e cansativa. Essa capacidade narrativa que o escritor possui é uma das melhores características de sua escrita, mas que em determinados momentos se torna o ponto negativo de suas histórias, como é caso aqui.
O motivo de estar falando sobre essa característica da escrita de Stephen King é que sem ela, suas histórias se tornam genéricas. E é isso que “The Stand” é: uma série genérica, justamente por não adaptar esse aspecto narrativo do escritor.
“The Stand” se compromete em mostrar os principais eventos do livro de forma bastante fiel mas não dá o tempo necessário para desenvolvê-los. A pandemia causada pelo Capitão Viajante, por exemplo, é mostrada em forma de flashbacks, enquanto na obra literária ocupa todo o primeiro terço da história.
Essa dinâmica em mostrar quase todos os eventos importantes do livro prossegue quando vemos as duas comunidades formadas após o fim do mundo: Bolder e New Vegas. Na obra de Stephen King essa é parte da gigantesca barriga narrativa, mas em “The Stand” não existe espaço nenhum para o desenvolvimento do cotidiano e dos personagens, de forma que o que pode vir a acontecer com eles não tem importância nenhuma
Essa falta de espaço e tempo para o desenvolvimento dos personagens acaba diminuindo a importância dos personagens-chave de “The Stand”: Randall Flagg e Mãe Abigail. Principais representantes de “The Stand” da eterna luta entre o Bem e o Mal, aqui eles me pareceram bem caricatos e só estão na série porque eles existem no livro. Inclusive Randall Flagg é completamente desprovido da aura de perigo que o principal antagonista criado por Stephen King possui. O Homem de Preto na série é cafona e se assemelha mais a um cafetão do que a personificação do mal que conhecemos.
Esse descuido também se estende a Trashcan Man interpretado por Ezra Miller. Um dos personagens mais interessantes do livro, na série aparece bem pouco e muitos dos eventos desencadeados por ele não aparecem ou são mostrados de forma bem rápida.
Para não falar que “The Stand” peca nesse ponto como todos os personagens, vale destacar Harold Lauder. A jornada do personagem ganha o devido tempo e conseguimos acompanhar o desenvolvimento dele. Além disso o ator Owen Teague faz um ótimo trabalho ao trazer um sociopata adormecido.
“The Stand” só assemelha à dinâmica narrativa existentes no livro, no último episódio. Com a velocidade certa para contar a história, conseguimos ver a relação entre Stu Redman e Frannie Goldsmith e um vislumbre da aura de perigo e maldade existente em Randall Flagg. Mas o que deveria ser o ritmo de toda a série, acontece tarde demais e não salva a produção como um todo.
Com disse, “ A Dança da Morte” tem a mão de Stephen King pesando muito em uma das maiores características de sua escrita: sua capacidade em desenvolver o cotidiano dos personagens. Mas se o excesso nesse aspecto causa as famosas “encheções de linguiça” nas obras do escritor, sua falta descaracteriza completamente suas histórias.
E é isso que “The Stand” é: uma história apressada que se compromete em mostrar com bastante fidelidade os eventos principais existentes no livro, mas que esquece completamente em dar tempo para o desenvolvimento dos personagens. Talvez isso tenha acontecido porque ficou evidente que “The Stand” só teria uma temporada. Porém, nesse caso, os produtores e a CBS poderiam ter pensado em mais que 9 episódios para contar tudo o que acontece na obra literária.
Se eu fosse aconselhar qual adaptação de “A Dança da Morte” você deveria assistir, eu diria para ficar com o telefilme de 1994. “The Stand” é apressada e só empolga no seu episódio final, e por isso não vale a pena assisti-la.
Ficha Técnica:
Título Original: The Stand
Título no Brasil: The Stand
Gênero: Terror Pós-Apocalíptico
Temporada: 1ª
Episódios: 9
Criador: Josh Boone, Benjamin Cavell
Produtores: Benjamin Cavell, Taylor Elmore, Josh Boone, Will Weiske, Jimmy Miller, Roy Lee, Richard P. Rubinstein, Stephen Which, Jill Killington, Knate Lee, Owen King
Elenco: James Marsden, Odessa Young, Owen Teague, Alexander Skarsgård, Whoopi Goldberg, Amber Heard, Jovan Adepo, Henry Zaga, Nat Wolff, Irene Bedard, Brad William Henke, Greg Kinnear, Eion Bailey, Gabrielle Rose, Gordon Cormier, Katherine McNamara, Ezra Miller, Fiona Dourif, Hamish Linklater, Daniel Sunjata, J. K. Simmons, Bryan Cranston, Heather Graham, Natalie Martinez, Clifton Collins Jr., Kendall Joy Hall, Stephen King, Mick Garris
Companhias Produtoras: Vertigo Entertainment, Mosaic Media Group, CBS Studios
Transmissão: CBS All Access (EUA), StarzPlay (Brasil)
