Quem me conhece sabe o quanto sou fã e admirador de Stephen King. essa admiração começou quando comprei “O Pistoleiro”, primeiro volume da saga literária “A Torre Negra” e o primeiro livro que li do autor.
Vinte cinco anos depois que li “A Torre Negra”, resolvi revisitar essa saga literária de fantasia. Então, vamos livro a livro acompanhar a busca Roland Deschaim e seu ka-tet pela Torre Negra, ponto central de todo o multiverso de Stephen King.
Uma observação: estou lendo as novas edições lançadas pela editora Suma, mas não entrarei em detalhes sobre elas, pois o que me interessa compartilhar com vocês são minhas impressões sobre a obra máxima de Stephen King.
A Torre Negra: Mago e Vidro de Stephen King
SINOPSE: Depois de enfrentar a terrível ameaça do monotrilho Blaine, o último pistoleiro e seus seguidores desembarcam na cidade de Topeka, no Kansas, e retomam o caminho do Feixe de Luz que conduz à Torre Negra. Roland revela então aos companheiros a história de seu passado, e a trágica perda de seu grande amor de juventude, a bela Susan Delgado.
Finalmente terminei “Mago e Vidro”, considerado por muitos fãs, o melhor de “A Torre Negra”. Particularmente, continuo achando “As Terras Devastadas” e o último volume, os melhores dessa epopeia de fantasia.
Mas ao reler “Mago e Vidro”, acho que entendi por que tantos gostam tanto desse volume de “A Torre Negra”. O primeiro motivo é que conhecemos mais sobre o passado de Roland, mais especificamente sua primeira missão como pistoleiro. Ainda adolescente, vemos o personagem muito diferente de sua versão mais velha: inexperiente tanto na arte de matar, para qual foi treinado, quanto em se apaixonar.
Porém, mesmo adolescente, Roland já demonstra algumas características que sua versão adulta possui, como sua inteligência, pensamento estratégico e seu espírito assassino que assusta inclusive seus amigos pistoleiros: Alain e Cuthbert.
Mas o que mais gostei sobre o passado de Roland é o Arco-Íris de Maerlyn. Em um total de12 globos de vidros coloridos, um para cada ponta dos Feixes; e um negro que corresponde a Torre Negra, podem mostrar o passado, o presente e o futuro, revelar portas entre as dimensões e até ser uma janela onde podemos vislumbra o Todash. O que aparece em “Mago e Vidro” é rosa e o que ele revela ao Pistoleiro define sua busca obsessiva pela Torre Negra.
O Arco-Íris de Maerlyn é um inspirado fortemente nos palantiri e principalmente no Um Anel criados por J.R.R. Tolkien, pois ao usar o globo de vidro, as pessoas ficam obcecadas por ela, não o querendo largar. E enquanto mais usam, mais tem sua vida drenada pelo artefato mágico.
Mas qual a importância desse objeto mágico em “Mago e Vidro” e para toda a jornada de Roland? O Arco-Íris de Maerlyn mostra o futuro para o Pistoleiro onde a Torre Negra pode ser a salvação do Mundo Médio, que seguiu e continua seguindo adiante. Mas para salvar sua terra, Roland precisará abandonar tudo e todos.
O outro fator que me faz acreditar que torna “Mago e Vidro” tão querido pelos fãs é a referência direta a outra obra de Stephen King. Assim que Roland é seu ka-tet derrotam Blaine, eles chegam a Topeka e percebem que a cidade é uma variante da que Eddie, Susannah e Jake conhecem. Mas o que choca os novos companheiros de Roland e o leitor é que essa Topeka é a que existe em “A Dança da Morte”, ao descobrirem que o mundo foi dizimado por um vírus chamado de Capitão Viajante. Além disso o ka-tet acha um bilhete que diz que o Homem Mal mora no Oeste e Mulher Velha no Leste.
E assim de forma orgânica, Stephen King interconecta suas obras e acaba criando o Kingverso, o universo compartilhado do escritor, tendo o Mundo Médio como ponto central, já que é nele que se encontra a Torre Negra.
Além disso, outra importante conexão é feita no “Mago e Vidro”, quando Roland e seu ka-tet encontram Randall Flag, vilão de “A Dança da Morte”, e que vamos descobrir ser uma das personas do Homem de Preto. Ou seja, nosso Pistoleiro tem motivos de sobra para odiar esse pestilento safado.
E se você quiser outra ligação entre obras, Jake, com sua capacidade de saber das cosias antes delas acontecerem; e Alain, com seu “toque”, são outras formas de mostrar que eles são iluminados.
Outras coisas importantes são mostradas, como a presença cada vez maior do Rei Rubro em tudo que tem acontecido ao Mundo Médio. Seja o que estiver acontecendo à Torre Negra fez com que o mundo de Roland seguisse adiante, que acaba se revelando como uma degradação espaço-temporal. Isso fica evidente não só como o tempo “anda” de forma diferente mas também ao evidenciamos as lúminas, que são uma espécie de rachadura na realidade e que parece possuir uma consciência bastante maligna.
O livro termina com Roland e seu ka-tet achando o caminho do Feixe novamente e seguindo a jornada em busca da Torre Negra. Porém, se ainda existiam dúvidas da obsessão do Pistoleiro, em “Mago e Vidro” elas caem de vez por terra ao revelar que ele vai sacrificar tudo para alcançá-la, inclusive quem mais ama: Eddie, Susannah e Jake.
A primeira vez que li “Mago e Vidro” o achei arrastado e o livro com mais “encheção de linguiça” da série literária. Essa releitura me fez rever essas impressões, pois o quarto volume de “A Torre Negra” possui um bom ritmo narrativo e a parte que mostra a adolescência de Roland é longa propositalmente, pois o objetivo é mostrar como o tempo no Mundo Médio está zuado.
“Mago e Vidro” coloca muitas cartas na mesa e prepara o leitor para o desfecho trágico dessa jornada, afinal os finais de Stephen King costumam ser agridoces e por tudo que ele mostrou nesse livro, o destino de Roland e ka-tet não será o “felizes para sempre”, mesmo que eles alcancem a Torre Negra.
Ficha Técnica:
Título Original: The Dark Tower IV: Wizard and Glass
Título no Brasil: A Torre Negra: Mago e Vidro
Autor: Stephen King
Tradutor: Mário Molina
Capa: Comum
Número de páginas: 696
Editora: Suma
Idioma: Português
