SINOPSE: Um jovem Predador (Dimitrius Schuster-Koloamatangi) banido de seu clã se une a Thia (Elle Fanning), um androide da Weyland-Yutani, em uma perigosa jornada em um planeta remoto. Juntos, eles buscam um adversário à altura e precisam aperfeiçoar suas habilidades para sobreviver e, quem sabe, restaurar o respeito do Predador perante sua raça.

Em 2022, a franquia dos yautjas ressuscitou com “O Predador: A Caçada”. Com isso, dois novos projetos foram lançados esse ano: “Predador: Assassino de Assassinos”, filme de animação que alcançou impressionantes 45 milhões de usuários e com ótimas críticas (95% no Rotten Tomatoes e 7,5/10 no IMDb). A segunda produção é “Predador: Terras Selvagens”.

Duas coisas são importantes destacar em “Predador: Terras Selvagens”. A primeira é que esse novo filme da franquia é ambientado depois de todas as produções das franquias “Alien” e “Predador”. O outro fato é que “Predador: Terras Selvagens” tem como protagonista um yautja, algo inédito até então.

O salto temporal em “Predador: Terra Selvagem”, que se passa 300 anos depois de “Alien: A Ressurreição” (ambientado em 2381), permitindo uma liberdade narrativa maior, sem precisar tanto de vínculos com os filmes anteriores das franquias “Alien” e “Predador”. A conexão mais próxima é com “Predador: Assassino de Assassinos”, ao mostrar um pouco mais de Yautja Prime, planeta natal dessa raça alienígena.

São nas sequências no planeta natal do yautjas que conhecemos mais sobre a sociedade deles, que remete muito à forma de viver dos espartanos, mostrando os alienígenas treinando desde muito novo e precisando trazer troféus para provar seu valor perante os demais. Mas a maior referência à Esparta é o sacrifício dos menos aptos para guerrear e caçar, segundo a sociedade yautja. E é nesse ponto que temos Dek.

Dek é relegado pela sua sociedade, pois ele nasceu menor e mais fraco que os outros yautjas, ou seja, ele é defeituoso e deveria ter sido morto ao nascer. E com essa premissa se inicia uma história de vingança e uma clássica jornada do herói para o protagonista do filme.

Dek precisa se provar como guerreiro e por isso vai para o planeta mais perigoso que se conhece: Genna, onde pretende caçar e abater o predador alfa do universo, o Kalisk. Nessa jornada ele vai colocar sua força, honra e princípios à prova.

Essa decisão de colocar um yautja como protagonista foi ousada. Essa virada brusca na franquia poderia ser um verdadeiro fiasco, mas não é o caso em “Predador: Terras Selvagens”. Dek não se apresenta como os predadores dos filmes anteriores, mas ainda assim, se mostra um guerreiro altamente treinado, inteligente e letal.

Acho que o ponto que tem gerado discórdia é a relação de Dek com Thia e o humor presente em “Predador: Terras Selvagens”, escanteando aquele alienígena que agia nas sombras, caçando e de poucas ideias sumisse. Isso criou descontentamento por parte de alguns fãs mais puristas da franquia. Na minha opinião, essa mudança de abordagem do yautja não comprometeu em nada “Predador: Terras Selvagens”.

Depois do sucesso do MCU e de filmes como “Guardiões da Galáxia”, muitas produções fizeram o famoso e descarado “copia mas não faz igual”, na tentativa de lucrar uns milhões e quem sabe, o sonhado bilhão de dólares, sendo que a própria franquia “Predador” tentou isso e falhou miseravelmente, com o péssimo “O Predador”. “Predador: Tetras Selvagens” surfa por muitas ideias existentes na fórmula Marvel, porém faz isso de forma acertada. O humor existente no longa-metragem funciona, nos divertindo e servindo como conector entre os personagens.

Mas “Predador: Terras Selvagens” é um filme de ficção científica e ação e nesse ponto ele não decepciona. Os combates envolvendo Dek estão bem coreografados, os tornando em sua grande maioria, empolgantes e demonstrando que os yautjas são uma raça guerreira e umas das mais perigosas do universo.

O orçamento de US$ 100 milhões, permitiu a Dan Trachtenberg trazer um CGI muito melhor do que o apresentado em “O Predador: A Caçada”. E esse salto de qualidade ajuda a construir e mostrar de forma convincente o planeta Genna e as criaturas mortais que o habitam.

Mas os efeitos práticos também são muito bem utilizados em “Predador: Terras Selvagens”. Em vídeos de bastidores vemos o ator Dimitrius Schuster-Koloamatangi coberto por maquiagem, próteses e uma máscara mecatrônica com o objetivo de dar vida da forma mais real possível ao caçador alienígena.

Algo que me chamou a atenção foi a mobilidade fluída de Dek. Geralmente esse tipo de técnica envolvendo maquiagem pesada e próteses limitam o movimento dos atores e dublês. Mas não foi o caso em “Predador: Terras Selvagens”, apresentando um yautja bastante ágil e realista, graças à utilização de efeitos práticos.

Mas existem algumas coisas em “Predador: Terras Selvagens” que me incomodaram um pouco, sejam cenas escuras demais como no confronto entre Dek e seu irmão yautja (e não é desculpa dizer que se passava em uma caverna), sejam os cortes bruscos demais em determinados momentos, que ao invés de tornar essas sequências mais ágeis, as deixaram confusas

Os vilões de “Predador: Terras Selvagens” poderiam ter sido mais, na minha opinião. Tessa é ruinzinha mas tinha potencial para ser maligna. Já o líder do clã dos yautjas, que se apresentou no começo do filme como o maior guerreiro entre eles, foi nerfado na revanche de Dek.

Os dramas apresentados no filme são rasos e não acrescentam muito à trama: a busca de Thia por Tessa e os dilemas que as duas vão enfrentar por suas decisões, a dor e a raiva de Dek ao ver seu irmão ser morto por seu pai. Eles são citados em alguns momentos, mas da mesma forma que surgem, somem e não sentimos falta.

Esses detalhes incomodam um pouco, mas não estragam a experiência ao assistir “Predador: Terras Selvagens”. Pensando enquanto via o filme, me veio na cabeça que esse novo capítulo da franquia é um “Guardiões da Galáxia” com ótimas cenas de ação.

“Predador: Terras Selvagens” se tornou o maior lançamento da história da franquia, arrecadando US$ 80 milhões mundialmente. E com esse potencial de arrecadação nas bilheterias, devemos ter o anúncio de uma sequência muito em breve, que deve explorar o final do filme: Dek e seu novo clã tendo que lidar com verdadeira liderança dos yautjas.

Divertido de cheio de ação, “Predador: Terra Selvagens” mostra que a franquia tem espaço para histórias que exploram tanto o lado “clássico” como tramas que visam expandir para novos horizontes.

Dessa forma, só posso terminar essa resenha dizendo que vale muito a pena assistir “Predador: Terras Selvagens”.

Ficha Técnica:

Título Original: Predator: Badlands

Título no Brasil: Predador: Terras Selvagens

Gênero: Terror

Duração: 107 minutos

Diretor: Dan Trachtenberg

Produção: John Davis, Brent O’Connor, Marc Toberoff, Dan Trachtenberg, Ben Rosenblatt

Roteiro: Dan Trachtenberg, Patrick Aison

Elenco: Elle Fanning, Dimitrius Schuster-Koloamatangi, Reuben De Jong, Dimitrius Schuster-Koloamatangi, Mike Homik, Stefan Grube, Rohinal Narayan, Cameron Brown, Alison Wright, Matt Duffer, Ross Duffer

Companhias Produtoras: Lawrence Gordon Productions, Davis Entertainment, Toberoff Entertainment

Distribuição: 20th Century Studios

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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