SINOPSE: O ano é 1935. No corredor da morte de uma prisão sulista conhecido com a “Milha Verde”, Paul Edgecomb (Tom Hanks) é o chefe da guarda. Tudo transcorre dentro da rotina até a chegada do prisioneiro John Coffey (Michael Clarke Duncan). Aos poucos, desenvolve-se entre eles uma relação incomum, baseada na descoberta de que o prisioneiro possui um dom mágico que é, ao mesmo tempo, misterioso e milagroso.

Os meus primeiros contatos com as histórias de Stephen King se deram através de filmes e séries, sendo “A Torre Negra” meu primeiro livro lido do escritor, por volta de 1999 ou 2000. Foi só a partir daí que comecei a ligar as adaptações cinematográficas e televisivas ao Mestre do Terror e a me preocupar com a fidelidade com material original usado.

Acredito que o primeiro contato de muitas pessoas com Stephen King foi parecido com o meu.

Outra coincidência entre os fãs de Stephen King são o amor e a revolta que as adaptações de suas obras causam. Mas de todas as produções cinematográficas e televisivas das obras do escritor, com certeza “À Espera de Um Milagre” ocupa um lugar especial no coração não somente dos fãs do Mestre do Terror, mas por cinéfilos mundo afora.

Nessa resenha vou tentar dizer, na minha opinião, o que torna “À Espera de Um Milagre” uma das melhores (com certeza figura no meu TOP 5) adaptações de uma obra de Stephen King e um dos melhores filmes de todos os tempos.

Acho que o primeiro fator que chama a atenção em “À Espera de Um Milagre” é a história. O filme possui uma carga dramática muito forte, mas consegue mesclar momentos de pura emoção com comédia, como por exemplo quando o problemático e perigoso Wild Bill (Sam Rockwell) é levado para uma espécie de solitária acolchoada.

Felicidade, tristeza, raiva, revolta e outras emoções estão muito bem equilibradas e são mostradas e transmitidas ao espectador de forma orgânica e fluída, criando uma conexão que é quase inexplicável. Posso dizer que lendo à obra não senti nem 10% do que experimentei vendo “À Espera de Um Milagre”.

Apesar de “À Espera de Um Milagre” possuir um elemento além da compreensão humana, a maldade impregnada nessa história vem das pessoas, mostrando que somos capazes de atos tão ou mais ímpios que qualquer criatura, entidade ou força sobrenatural oriunda da imaginação mais fértil e doentia que possamos conhecer. “Wild Bill” Wharton e Percy Wetmore (Doug Hutchison), cada um ao seu jeito, são repugnantes e são os maiores representantes dessa maldade presente no filme.

De nada adianta um roteiro bem escrito se o elenco não for bom e estiver comprometido com a história. E não basta termos atores e atrizes talentosos e enredados com a trama se script for ruim.

Esse difícil equilíbrio entre casting e roteiro capaz de criar um evento cinematográfico é alcançado em “À Espera de Um Milagre”. Mesmo com os pequenos exageros poéticos por parte de Stephen King, os personagens se apresentam de uma forma muito natural, criando uma forte empatia ou antipatia por eles. É impossível dizer qual se destaca mais: se é o elenco ou a história. O equilíbrio perfeito entre esses dois aspectos técnicos gera um encantamento no espectador que cresce exponencialmente a cada minuto assistido.

Paul Edgecomb, John Coffey, Brutus Howell, Jan Edgecomb, Warden Hal Moores, Harry Terwilliger, Dean Stanton, Eduard Delacroix, Arlen Bitterbuck, Percy Wetmore, ‘Wild Bill’ Wharton, Melinda Moores, Toot-Toot. Não importa se o personagem aparece pouco ou muito, se é um papel principal ou secundário; todas essas pessoas criadas por Stephen King no filme têm suas características e personalidades desenvolvidas e com isso todos tem seu espaço e importância para a história de “À Espera de Um Milagre”.

Duas curiosidades interessantes a respeito do elenco são a escalação de Tom Hanks e Michael Clarke Duncan, que interpretam Paul Edgecomb e John Coffey respectivamente. A princípio, o chefe da guarda de Milha Verde seria vivido por John Tavolta, mas o ator de “Embalos de Sábado à Noite” recusou o papel, para noooooooossa alegriaaaaaaaaa! Tom Hanks interpreta magistralmente e consegue dar vida a uma pessoa extremamente justa e honrada, que confere dignidade e humanidade ao seu trabalho de executar os detentos.

Michael Clarke Duncan foi uma indicação de Bruce Willis para interpretar John Coffey, já que os produtores estavam com problemas para achar um ator que combinasse com o personagem. Porém no livro, o “milagre de Deus” pesa mais de 180 kg de puro músculo e mede 2,30 metros. Forte, Michael Clarke Duncan é, mas sua altura é mais ou menos a mesma de David Morse (Brutus Howell) e é um pouco menor do que James Cromwell (Warden Hal Moores). A saída para apresentar o gigantesco John Coffey foi filmar o ator em ângulos que passassem a impressão um homem gigantesco ou colocá-lo para caminhar em plataformas quando estivesse ao lado dos demais atores.

Mas o grande sucesso de “À Espera de Um Milagre” responde pela pessoa que fica atrás das câmeras: Frank Darabont, que dirigiu, produziu e escreveu o filme. A sua capacidade em captar a essência da história escrita por Stephen King, o permitiu alterar algumas narrativas sem descaracterizar a trama, como a do velho e o novo Paul Edgecomb (que no livro ocorrem de forma simultânea). Mas Darabont também respeita o material original de tal forma que quando li o livro fiquei impressionado com a verossimilhança entre as obras.

“À Espera de Um Milagre” é a segunda adaptação de Stephen King pelas mãos de Frank Darabont. A primeira é nada menos que “Um Sonho de Liberdade”. Lembra que eu disse que tenho um Top 5 de adaptações cinematográficas do Mestre do Terror? Então, Darabont ocupa as três primeiras posições pois também dirigiu, produziu e roteirizou “O Nevoeiro”.

Dessa forma, posso afirmar sem sombra de dúvidas que Frank Darabont é o melhor adaptador das obras de Stephen King que existe.

Vale dizer que esse talento que Frank Darabont possui em captar a essência das histórias e criar produções originais e fiéis ao material original ao mesmo tempo, as tornado em sucessos de audiência, não se resume somente às obras de Stephen King. “The Walking Dead” só se tornou o que é hoje graças a Darabont, que produziu a primeira deixou escrito e pavimentado o segundo ano, que considero a melhor temporada da série.

E para terminar essa resenha é claro que preciso falar do final de “À Espera de Um Milagre” que coroa o filme como um dos mais emocionantes de todos os tempos. Toda a sequência da execução de John Coffey é uma verdadeira bomba emocional e não importa quantas vezes eu assista ao longa-metragem, sempre choro muito com o desfecho da história. Sei que não existe um final alternativo filmado, mas sempre que chega o momento de executar John Coffey, torço para Paul Edgecomb não dizer “Ligar a dois”.

Essa resenha é só uma tentativa de falar sobre o quanto “À Espera de Um Milagre” é incrível. Se você já assistiu ao longa-metragem, reveja. Se você nunca viu, primeiro preciso dizer: “COMO NÃO ASSISTIU? TÁ LOKO?” Uma rádio britânica disse que “À Espera de um Milagre” é um dos cinco filmes que você deve assistir antes de morrer. Concordo em gênero, número e grau.

Fantástico! Incrível! Emocionante! Sensacional! Inesquecível! Essencial! “À Espera de Um Milagre” é um daqueles filmes que são o exemplo máximo da magia que o cinema possui.

Dessa forma, nem preciso terminar minha resenha dizendo se vale a pena assistir “À Espera de Um Milagre” não é mesmo.

Ficha Técnica:

Título Original: The Green Mile

Título no Brasil: À Espera de Um Milagre

Gênero: Drama

Duração: 189 minutos

Direção: Frank Darabont

Produção: Frank Darabont, David Valdes

Roteiro: Frank Darabont

Elenco: Tom Hanks, Michael Clarke Duncan, Dabbs Greer, David Morse, Bonnie Hunt, James Cromwell, Jeffrey DeMunn, Barry Pepper, Michael Jeter, Graham Greene, Doug Hutchison, Sam Rockwell, Patricia Clarkson, Harry Dean Stanton, Bill McKinney, Brent Briscoe, Eve Brent, William Sadler, Paula Malcomson, Gary Sinise

Companhias Produtoras: Castle Rock Entertainment, Darkwoods Productions, PolyGram Filmed Entertainment

Distribuição: Warner Bros. Pictures

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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