SINOPSE: Os campeões do Plano Terreno unem-se contra o regime tirânico de Shao Kahn (Martyn Ford), que ameaça a existência dos reinos. A trama traz lutas sangrentas e intensas, forçando rivais a se aliarem para sobreviver.

“Mortal Kombat” ou “MK”, como é carinhosamente conhecido, é uma franquia de jogos de luta iniciada em 1992. Diferentemente dos demais games da época, a extrema violência e a história mais soturna e fantasiosa, conquistaram os frequentadores de fliperamas (sendo esse que vos fala, um deles) e posteriormente os consoles. O sucesso foi tão grande que “MK” rivaliza até hoje com “Street Fighter” pelo título de melhor game de luta de todos os tempos.

Com o sucesso estrondoso, Hollywood mirou seus holofotes para “MK”, e em 1995, lançou a adaptação do game de luta, que é muito bem avaliado e até hoje possui um lugar especial no coração dos fãs da franquia, graças às boas cenas de luta e a icônica canção-tema do filme. Mas “Mortal Kombat”, de 1995, também é criticado por não trazer a violência e os fatalities, que fizeram do game um dos mais populares de todos os tempos.

Mas o bom retorno financeiro: US$ 127 milhões nas bilheterias mundiais para um orçamento de US$ 20 milhões, garantiram “Mortal Kombat: Aniquilação”, a horrorosa sequência do filme de 1995, que jogou “MK” no limbo da Sétima Arte e ajudou a criar a fama de que adaptações cinematográficas de games nunca são boas.

Com o sucesso recente da franquia de games, a Warner Bros. d

eu sinal verde para uma nova adaptação cinematográfica que reiniciasse “MK” nos cinemas. Então, em 2021, chegava às telonas “Mortal Kombat”, que dividiu opiniões, que acabaram refletindo nas bilheterias: US$ 84 milhões (para um orçamento de US$ 55 milhões). Porém a Warner viu potencial no filme dirigido por Simon McQuoid, ainda mais depois da boa recepção nas plataformas digitais, e dessa forma manteve o diretor e deu sinal verde para uma sequência.

E finalmente chegamos “Mortal Kombat 2”, filme que chegou aos cinemas esse mês.

O primeiro filme dessa nova franquia foi bastante criticado  pelas liberdades criativas tomadas, como o foco em um personagem não existente na lore de “MK” e a famigerada Arcana. Mesmo Cole Young (Lewis Tan) sendo um descendente de Hanzo Hasashi, o Scorpion, não conseguiu a simpatia do público ou dos fãs do game; e a Arcana: força interior que faz os lutadores da Terra liberar habilidades especiais (como as chamas de Liu Kang), foi um invenção broxante.

Essas liberdades criativas desagradam profundamente fãs de games, que rechaçam toda alteração em relação à lore dos jogos eletrônicos; e quando os novos elementos narrativos também não agradam os novos espectadores, o palco para o fracasso está armado. Porém, Simon McQuoid se prontificou logo que as queixas e reclamações surgiram em relação ao “Mortal Kombat” de 2021, dizendo que faria um segundo filme melhor, levando em consideração todas as críticas, tanto as positivas, quanto as negativas. E o diretor conseguiu, pois “Mortal Kombat 2” é melhor que o primeiro longa-metragem da franquia.

A primeira grande correção de “Mortal Kombat 2” em relação ao primeiro filme foi o fim do protagonismo de Cole Young. No segundo longa-metragem da franquia ele aparece pouco, sendo que seu principal objetivo é ser morto por Shao Kahn (Martyn Ford), dando um desfecho, aparentemente, definitivo ao personagem na franquia. Esse “descarte” de Cole Young além de parecer atender os fãs que nunca gostaram dele, serve para dar peso ao torneio que decidirá o destino de nossa realidade, para dar sentindo ao “Mortal” em “MK”.

Outro correção foi não mencionar a porcaria da “Arcana”; e dessa forma Simon McQuoid elimina esse termo que nunca existiu na lore de “MK” e devolve a origem dos poderes dos lutadores à magia, genética, ciência, divindade ou puro treino.

Falando da lore de “Mortal Kombat 2”, ela é muito mais simples e direta em relação ao primeiro longa-metragem e mais parecida com o que conheço do segundo game da franquia “MK”. O filme começa com o Shao Kahn matando o Rei Jerrod (Desmond Chiam) no décimo Mortal Kombat. Como vencedor do desafio derradeiro, o Imperador de Outworld assume o controle de Edênia, toma a Rainha Sindel (Ana Thu Nguyen) como sua mulher e a Princesa Kitana (Adeline Rudolph) como filha.

Então o filme corta para a Terra, onde vemos Johnny Cage (Karl Urban), um ator marcial decadente sendo recrutado por Lorde Raiden (Adeline Rudolph) e Sonya Balde (Jessica McNamee) para lutar no décimo Mortal Kombat, onde a derrota dos lutadores terrenos culminará na anexação do nossa planeta ao Outworld. Para garantir sua vitória, Shao Kahn ordena ao necromante Quan Chi (Damon Herrigan) que ache o Amuleto de Shinnok para se tornar imortal.

Existe uma mudança entre o tempo transcorrido da queda de Edênia para o décimo Mortal Kombat da Terra. No game, cerca de dez mil anos se passaram entre a morte do Rei Jerrod por Shao kahn para o torneio que definirá o destino do Plano Terreno. Em “Mortal Komabt 2” esses eventos estão separados por 20 anos. Minha opinião é que essa alteração é tornar relevante a imortalidade concedida pelo Amuleto de Shinnok, já que nos jogos eletrônicos, o Imperador de Outworld não é imortal, mas é descendente de uma raça que vive milhares de anos.

Como no primeiro filme, alguns personagens aparecem somente para serem mortos. O maior exemplo disso é Sindel, que está no filme para tomar um Fatality da Sonya e ser objeto de chantagem contra Kitana. Pelo Plano Terreno temos Cole Young, como já disse, e Jax Briggs (Mehcad Brooks),  que acabam tendo a mesma importância da Rainha de Edênia. No caso do lutador de braços biônicos, ele até tem um tempo maior em tela, mas não mudou minha impressão à respeito de seu papel na trama do longa-metragem.

Shang Tsung (Chi Han) teve sua relevância reduzida novamente, já que o primeiro filme focou na rivalidade entre Sub-Zero (Joe Taslim) e Scorpion (Hiroyuki Sanada), além de Cole Young; e em “Mortal Kombat 2” seguiu a lore do game, onde Shao Kahn é a grande ameaça.

Agora nenhum personagem tem sua presença mais nerfada em ambos os longas-metragens que Raiden. O Deus do Trovão e Protetor do Plano Terreno se resume a poucas falas e truques de mágico de festa de criança. Se houver um “Mortal Kombat 3”, espero que Simon McQuoid corrija isso, pois a fraca participação de um dos personagens mais relevantes e poderosos de “MK” é um grande erro de “Mortal Kombat”; erro esse que foi repetido no segundo filme.

Kano (Josh Lawson) foi um dos melhores no primeiro filme e continua tendo uma participação muito boa e engraçada em “Mortal Kombat 2”, mas fazer com ele o mesmo que o MCU fez com Loki (Tom Hiddleston) e trsnformá-lo em um dos “mocinhos”, me incomodou um pouco.

Agora algumas correções foram bem-vindas como a importância de Kung Lao (Max Huang) e Liu Kang (Ludi Lin) dentro da lore de “Mortal Kombat 2”, principalmente em relação a esse último. Se no primeiro filme o monge shaolin passou quase despercebido, agora ele é o maior guerreiro e a maior esperança do Plano Terreno contra a investida de Shao Kahn. Porém, o personagem continua um pouco caricato, seja no gestual, seja na sua forma de falar.

Quanto aos novos personagens, Quan Chi tem uma participação decepcionante, ainda mais quando se conhece a história e o que o ele já fez em “MK”. Talvez essa participação discreta e serviente do necromante seja proposital para esconder suas reais intenções, ainda mais com o aparecimento do nome de Shinnok à trama da franquia cinematográfica. A presença de Baraka (CJ Bloomfield) também poderia ser melhor, e não ficar resumida ao que vemos no filme, até porque o personagem é um dos mais queridos dos games.

Mas se por um lado, tivemos novos personagens decepcionando em “Mortal Kombat 2”, outros brilharam como são os casos de Johnny Cage, Kitana e Shao Kahn. O decadente ator marcial entrega carisma e humor na medida certa, sem perder a seriedade que algumas situações precisam; e muito do vemos do personagem é fruto da interpretação de Karl Urban, que se mostrou uma escolha certeira.

Kitana sai das sombras de outros heróis de “MK” para surgir como a protagonista que luta contra a insaciável fome de conquista de Shao Kahn. Adeline Rudolph dentro das possibilidades que um filme como “Mortal Kombat 2” possui, entrega uma personagem densa e bem construída e entre todos os demais apresentados no filme, o que possui um desenvolvimento mais profundo.

Agora Shao Kahn é a representação máxima do perigo que Outworld representa não só para a Terra, mas para todos os planos existentes. E muito disso vem de Martyn Ford, fisiculturista e ator que com seus 2,03 m e 145 kg de músculos dão ao Imperador de Outworld uma presença intimidadora, violenta e mortal.

E quanto a Sub-Zero e Scorpion? Em “Mortal Kombat 2”, os dois personagens têm uma aparição menor, mas não menos empolgante; com o ex-ninja do gelo sendo transformado em Noob Saibot, e Hanzo Hasashi mostrando em pouco tempo de tela porque ainda é o preferido de “MK”.

Visualmente, “Mortal Kombat 2” está ainda mais fiel e impressionante que o primeiro filme, ainda mais depois de Simon McQuoid levar em consideração o que as pessoas queriam ver na adaptação cinematográfica. A caracterização dos personagens impressiona, com destaque para Baraka e sua boca cheia de dentes afiados. Os cenários estão muito bonitos, com a aparição de arenas clássicas do game, como o fosso de The Pit. E os kombates continuam quase todos muito empolgantes e com aquela violência tão amada pelos fãs de “MK”.

E quando falamos dos kombates, dou destaque a de King Lao x Liu Kang; Scorpion x Noob Saibot e todos os combates envolvendo Shao Kahn; pois apresentam ótimas coreografias de luta e entregam toda a violência e a morte iminente que o torneio possui.

“Mortal Kombat 2” termina com os lutadores do Plano Terreno partindo para trazer de volta seus amigos mortos. A aparição do amuleto de Shinnok, dá brecha para o deus ancião caído aparecer, até porque Quan Chi ficou vivo ao final do filme, e ele tem papel fundamental no surgimento desse antagonista. Outra ameaça possível é Shang Tsung que fugiu e pode voltar para atazanar novamente. E o sacrifício de Liu Kang pode também trazê-lo como vilão de uma possível sequência, já que em “MK” isso já aconteceu.

Apesar do desempenho morno nas bilheterias mundiais: US$ 120 milhões para um orçamento de US$ 80 milhões (sem contar os custos de marketing); o aluguel digital e a boa procura para assisti-lo na HBO Max, juntamente com boas críticas de veículos especializados e notas favoráveis no Rotten Tomatoes (86%) e IMDb (6,3/10), devem garantir um “Mortal Kombat 3”, que já tem roteiro sendo desenvolvido. E então devemos saber para onde a franquia cinematográfica de “MK” vai seguir.

O segundo filme da franquia é a tradução de diversão e violência que fez de “MK”, juntamente som “Street Fighter”, o melhor game de luta de todos os tempos, corrigindo erros passados, mas apresentando novos deslizes. A boa notícia é que o diretor Simon McQuoid está disposto a ouvir os fãs e trazer a melhor experiência possível cinematográfica possível.

Sendo assim, só posso dizer que vale a pena assistir “Mortal Kombat 2”!

Ficha Técnica:

Título Original: Mortal Kombat 2

Título no Brasil: Mortal Kombat 2

Gênero: Videogame

Duração: 116 minutos

Diretor: Simon McQuoid

Produção: Todd Garner, James Wan, Toby Emmerich, E. Bennett Walsh, Simon McQuoid

Roteiro: Jeremy Slater

Elenco: Karl Urban, Adeline Rudolph, Sophia Xu, Jessica McNamee, Josh Lawson, Ludi Lin, Mehcad Brooks, Tati Gabrielle, Lewis Tan, Max Huang, Damon Herriman, Chin Han, Tadanobu Asano, Joe Taslim, Hiroyuki Sanada, Desmond Chiam, Ana Thu Nguyen, CJ Bloomfield, Martyn Ford

Companhias Produtoras: New Line Cinema, Atomic Monster, Broken Road Productions, Fireside Films

Distribuição: Warner Bros. Pictures

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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