Quem me conhece sabe o quanto sou fã e admirador de Stephen King. essa admiração começou quando comprei “O Pistoleiro”, primeiro volume da saga literária “A Torre Negra” e o primeiro livro que li do autor.

Vinte cinco anos depois que li “A Torre Negra”, resolvi revisitar essa saga literária de fantasia. Então, vamos livro a livro acompanhar a busca Roland Deschain e seu ka-tet pela Torre Negra, ponto central de todo o multiverso de Stephen King.

Uma observação: estou lendo as novas edições lançadas pela editora Suma, mas não entrarei em detalhes sobre elas, pois o que me interessa compartilhar com vocês são minhas impressões sobre a obra máxima de Stephen King.

A Torre Negra: A Torre Negra de Stephen King

SINOPSE: Roland Deschain sacrificou tudo para alcançar a Torre Negra: amigos, amores, família e partes de si mesmo. Agora, com o ka-tet do Dezenove separado e ameaçado, a missão de sua vida entra em sua fase mais cruel. Perdidos entre os mundos, Roland e Eddie lutam para proteger a Rosa, enquanto Jake e o padre Callahan seguem rumo a um covil mortal na tentativa de salvar Susannah. À medida que uma antiga profecia se aproxima de sua concretização, os planos do Rei Rubro ameaçam derrubar a Torre e romper o equilíbrio entre todos os universos. Mordred veio ao mundo e sua fome anuncia a catástrofe. Se a Torre cair, tudo o que existe será arrastado para o caos.

Começamos a parte final da busca pela Torre Negra na cidade de Fedic, onde Mia, separada fisicamente de Susannah, dá à luz seu “carinha”: Mordred Deschain, filho de duas mães: Mia e Susannah, e filho de dois pais: Roland e o Rei Rubro. Porém, Mordred possui uma fome incontrolável e quando sua mãe física lhe dá o seio para amamentá-lo, se transforma em uma aranha e a devora. Sua aparência aracnídea é assustadora, não só pelo tamanho (a proporção é igual a dele quando bebê recém-nascido), mas por sua cabeça humana ficar posicionada nas costas da criatura. Além disso, o herdeiro do Rei Rubro e filho do Pistoleiro possui uma marca de nascença em formato de ampulheta (semelhante a uma viúva-negra), que simboliza sua herança ligada ao sangue de Arthur Eld.

Susannah consegue se soltar e atira em Mordred, arrancando-lhe uma de suas patas, que ferido, foge. A pistoleira então encontra um robô que a ajuda a chegar a porta que ela atravessou para chegar em Fedic, onde espera seu ka-tet.

Na Nova York do Mundo-Chave, em 1999, Jake e Padre Callahan invadem o Dixie Pig e enfrentam um exército de criaturas à serviço do Rei Rubro. Com a ajuda da Sköldpadda, uma pequena escultura de Maturin, os dois pistoleiros hipnotizam os Can-tois e os Taheens presentes; porém os vampiros presentes no restaurante são os Avós, talvez os mais horripilantes e poderosos sobreviventes do recuo do Prim, muito tempo atrás; e contra eles o poder emanado pela pequena tartaruga de marfim é inútil.

Dessa forma, Callahan pede que Jake siga em frente e ache a passagem para um dogan, uma instalação criada pela North Central Positronics, na cidade fanstama de Fedic. O Padre enfrenta os Avós, e nesse momento a sua fé, perdida durante o embate contra Barlow, retorna e ele consegue impedir os vampiros ancestrais por algum tempo. Porém acaba cercado e antes de ser devorado vivo, comete suicídio. Jake é perseguido, mas consegue chegar a porta que leva a Fedic e com ajuda de sua iluminação, faz contato com Susannah do outro lado, que lhe passa a palavra para abrí-la: chassit (que significa dezenove).

O ka-tet se reúne e enquanto descansam são observados por Mordred, através das câmeras de segurança da dogan, nutrindo seu ódio por Roland, por ele existir, por ele amar seus amigos e não o amar. Nesse momento Randall Flag entra no recinto e descobrimos que ele sempre fingiu ser um servo leal do Rei Rubro para alcançar seu maior objetivo: entrar antes de todos na Torre Negra, se instalar no último andar dela e se tornar o Deus de Tudo. Para isso ele pretende assassinar a criança-aranha e cortar o pé que possui a marca do Eld e usar o membro decepado para entrar na Torre Negra.

Confiando demais em suas próprias habilidades e feitiçaria, Flagg tenta subjugar e acalmar a criança-aranha. No entanto, acaba subjugado pelos poderes de Mordred, que se transforma e o faz arrancar seus olhos e sua língua, antes de ser devorado vivo. E assim, após  1500 anos de vida, morre o Homem de Preto, o maior vilão que Stephen King já criou.

“Ele se lançou sobre Randall Flagg, Walter o’ Dim, Walter Padick, para ser mais preciso. Houve mais gritos, mas apenas alguns. E então o antigo inimigo de Roland não existia mais.”

Roland e seu ka-tet são abordados por Ted Brautigan, Dinky Earnshaw e um antigo amigo do Pistoleiro: Stanley “Sheemie” Ruiz. Eles são quebradores: pessoas dotadas de iluminação e usadas pelo Rei Rubro para quebrar o Feixe Shardik-Maturin (Urso-Tartaruga), um dos dois últimos que existem e que quando for destruído, levará a Torre Negra junto e jogará o multiverso na Discórdia: o colapso de tudo que existe, o caos absoluto de onde o Rei Rubro reinará.

Porém Ted Brautigan disse que previu a chegada do ka-tet de Roland e quer ajudá-los a deter a destruição do multiverso. Para isso, ele diz que Roland e seus pistoleiros precisam destruir Algul Siento: um local onde o Rei Rubro mantém centenas de quebradores, que usam sua iluminação para destruir o Feixe que sustenta a Torre Negra, algo que está muito próximo de acontecer.

Roland e seus amigos planejam o ataque a Algul Siento, mas então o Pistoleiro sente a morte do Homem de Preto e nesse momento é acometido pelo Ka-Shume: a sensação sombria do rompimento de um ka-tet; no caso, o seu.

Roland e seus amigos matam os Can-Toi e Taheens de Algul Siento, libertam os quebradores e interrompem a destruição do Feixe do Urso-Tartaruga, salvando a Torre Negra. Mas o Ka em seu estranho entendimento cobra um preço alto pela salvamento de toda existência: durante a batalha, Eddie leva um tiro na cabeça, que não morre de imediato. Horas depois, Eddie em seu último momento de lucidez, cochicha algo para Jake e falece nos braços de Susannah.

Com a morte de Eddie; Roland, Susannah, Jake e Oi não são mais um ka-tet e apesar de se amarem como uma família, a união entre eles se dá somente pela busca do Pistoleiro à Torre Negra.

Ted Brautigan diz que teve uma visão onde Stephen King morrerá após ser atropelado por uma van no Mundo-Chave, em 19 de junho de 1999. Deixando Susannah para enterrar Eddie; Roland, Jake e Oi viajam, graças aos poderes de Sheemie Ruiz, à realidade de King para salvá-lo da morte, pois se isso acontecer, o autor não terminará de escrever a história da Torre Negra, destruindo a Estrutura e tudo que existe.

Chegando ao local, momentos antes do acidente acontecer, Jake vê a van em rota de colisão com Stephen King e, sem hesitar, empurra o escritor, impedindo que ele seja atingido de forma fatal. Porém, nesse ato heroico, Jake é atropelado e esmagado pelo veículo. Roland segura o menino nos braços que diz que o Pistoleiro foi seu verdadeiro pai e que ele precisa garantir que King termine a história da Torre Negra.

E enquanto Roland vai a contra-gosto confabular com Stephen King, Jake sussurra no ouvido de Oi para proteger seu pai e morre. Quando o Pistoleiro retorna, encontra somente o corpo do menino a quem ele amou como seu verdadeiro filho. Roland o enterra ali mesmo na Terra, quebrando seu coração de forma definitiva.

Antes de retornar para sua realidade, Roland encontra os responsáveis pela Corporação Tet, empresa criada no Mundo-Chave com o propósito de proteger a Rosa em Nova York; proteger Stephen King a partir de agora e garantir que termine a história da Torre Negra; e impedir o avanço da Sombra Corporation, que atua para destruir o Feixe nessa realidade. Antes de partir, ele recebe dois presentes: um relógio que o avisará quando tiver chegado à Torre Negra e uma edição de “Insônia” de Stephen King, dizendo que o livro pode ajudá-lo em sua busca.

Vendo que tudo está como planejou, o Pistoleiro segue para o Mundo-Médio, onde encontra Susannah e conta sobre o salvamento do escritor e a morte de Jake. A morte de Eddie e Jake devasta Susannah completamente, porém, diz a Roland que vai com ele até Torre Negra, pois precisa provar a si mesmo que o objeto da obsessão do Pistoleiro valeu a morte de duas pessoas que amava. Mas ela própria tem dúvidas, pois sempre sentiu que somente Roland chegaria ao final da jornada. Junto a esse sentimento, sonhos com Eddie e Jake, vivos em Nova York, começam a quebrar sua convicção em seguir viagem até a Torre Negra. Antes de partirem, Roland resolve queimar “Insônia”, livro que ele ganhou na Corporação Tet.

A jornada é difícil, com Roland, Susannah e Oi andado por terras geladas, com poucos suprimentos e locais para se protegerem do frio. Em determinado momento, o trio chega ao Le Casse Roi Russe, o Castelo do Rei Rubro, onde desarticulam uma armadilha, matam as pessoas envolvidas e ficam sabendo que o Rei Rubro enlouqueceu, matou todos no Castelo, inclusive a si mesmo e seguiu sozinho até a Torre Negra. Roland descobre que o objetivo de seu maior inimigo tirar a própria vida, é alcançar a “imortalidade”, afinal não pode se matar o que está morto.

O trio segue viagem até encontrarem um casa, onde são recebidos por Joe Collins, um senhor bastante idoso, que diz ser comediante e ter vindo de uma das Terras paralelas a de Susannah, e oferece abrigo e comida. Roland, Susannah e Oi aceitam e em determinado momento, Joe Collins faz seu antigo número de comédia, fazendo todos rirem. Susannah vai ao banheiro no meio da apresentação e descobre um bilhete, colocado lá por Stephen King, que lhe avisa da verdadeira natureza do homem idoso. Quando retorna à sala, Roland e Oi estão sufocando de tanto rir, e Joe se metamorfoseia em um inseto-vampiro, com olhos ocos e pele podre. Ela interrompe o transe do Pistoleiro e os dois matam a criatura. Esse inseto-vampiro que se alimenta de alegria e das risadas das vítimas é Dandelo, o qual Eddie teve um vislumbre antes de morrer e alertou Jake.

No porão da casa o trio encontra Patrick Danville, um jovem que teve a língua cortada por Dandelo e foi drenado emocionalmente durante anos pela criatura, causando graves problemas psicológicos. Antes de partir Roland e Susannah descobrem que Patrick adora desenhar e que todas as borrachas dos lápis utilizados pelo jovem foram arrancadas por Dandelo. Agora o trio de pistoleiros e o Patrick seguem rumo a Torre Negra, que está a apenas 120 rodas de distância, cerca de 160 quilômetros.

Roland diz à Susannah que Mordred vem vigiando e esperando para matá-lo desde seu nascimento e que seu ataque derradeiro vai acontecer antes de chegarem na Torre Negra. O ódio da criança-aranha pelo seu Pai Branco é gigantesco, ficando ainda maior após ter absorvido o conhecimento e as memórias de Randall Flagg. Esse ódio é na mesma medida que o remorso por querer fazer parte do ka-tet do Pistoleiro.

Mas Mordred está doente, pois passou frio enquanto perseguia Roland pelas terras  geladas e sua fome seguia lado a lado com seu crescimento acelerado (passaram poucos meses desde seu nascimento e ele tem o tamanho de uma criança de quase 10 anos). A causa de sua enfermidade é por ter comido a carne do cavalo de Dandelo, sem saber que a carne do animal era tóxica.

Em uma das noites, Susannah reclama mais uma vez de uma ferida em sua boca e que dói e sangra constantemente. Nesse momento. Patrick Danville a desenha e com uma borracha apaga pústula na arte feita por ele, a fazendo desaparecer dos lábios de Susannah. Nesse momento, a pistoleira entende o que precisa fazer.

Susannah fala para Roland de seus sonhos com Eddie e Jake, vivos em Nova York, e diz que na verdade está tendo visões de uma mundo paralelo. Dessa forma, ela vai pedir para que Patrick desenhe uma porta (igual a que a trouxe em “A Escolha dos Três”) para levá-la a esse mundo. Susannah também diz que sempre soube que Roland chegaria sozinho à Torre Negra e dessa forma, se ela não tentar encontrar a felicidade em outra realidade, morrerá. Roland ainda tenta argumentar, mas acaba entendendo e a deixa partir. Antes de atravessar a porta criada por Patrick, Susannah pede que Oi vá com ela, pois poderá estar com Jake novamente. Mas o billy-malhado decide ficar ao lado do Pistoleiro.

Nos quilômetros finais de sua jornada, Roland encontra-se completamente exausto, mas sabe que Mordred atacará assim que estiver dormindo. Não tendo escolha, ele pede a Patrick para ficar de vigia enquanto descansa; mas o jovem também adormece e é nesse momento que a criança-aranha ataca. Oi surge e luta ferozmente contra Mordred, dando tempo para Roland acordar e disparar seu revólver, matando a criatura.

Roland sobrevive, mas Oi gravemente ferido, diz seu nome: “Oland”, e morre. O Pistoleiro chora e amaldiçoa sua sina de perder todos que ama. As imagens de seus amigos de infância e membros de seu primeiro ka-tet lhe veem a cabeça e de como morreram. A lembrança mais vívida nesse momento é do sorridente Cuthbert Allgood e da batalha na Colina de Jericó: encurralados pelas forças da rebelião, Allgood toca o Berrante de Eld e juntamente com Roland e o restante dos pistoleiros daquela época avançam contra a esmagadora força rebelde. Todos são mortos, inclusive Cuthbert, que é alvejado no olho por Randall Flagg disfarçado e cai morto. Roland, por causa de sua obsessão pela Torre, deixa o corpo do seu amigo e o Berrante de Eld.

O agora Último Pistoleiro do Mundo-Médio, chega ao Can’-Ka No Rey, o campo de rosas que cerca a Torre Negra. Roland vê as centenas de milhares, talvez milhões de flores, que representam centenas de milhares, talvez milhões de universo; e no centro o alvo de sua obsessão: uma estrutura escura como o céu sem Lua e estrelas, com centenas de metros de altura.

Mas para entrar na Torre Negra, Roland precisará enfrentar o Rei Rubro, que se encontra preso na sacada do segundo andar do Centro de Tudo. Furioso pela Torre prendê-lo dessa forma, sem poder subir seus andares, e pela morte de Mordred, ele jura que matará o Último Pistoleiro antes que ele alcance seu objetivo.

Exausto física e emocionante, Roland praticamente não resiste à canção inebriante das rosas. E  quando o anoitecer chegar, essa música se tornará irresistível, fazendo com que Roland fique completamente à mercê dos Pomos de Ouro, objetos voadores explosivos lançados pelo Rei Rubro.

Vendo a hora derradeira chegar, Roland pede para que Patrick desenhe aquele que está preso na sacada da Torre Negra e depois o apague, fazendo dessa forma com que o verdadeiro Rei Rubro desapareça. O jovem iluminado faz o que é lhe pedido, mas sua arte está incompleta, pois ele não consegue reproduzir o olhos vermelhos da criatura. O Último Pistoleiro colhe uma rosa do Can’-Ka No Rey, e assim Patrick consegue a coloração que precisa.

Patrick então usa sua borracha e começa a apagar o desenho. E à medida que apaga o retrato falado, o Rei Rubro vai desaparecendo. Roland o faz parar, deixando somente o olhos  vermelhos da criatura que quase destruíu o multiverso, flutuando na sacada da Torre Negra.

Roland pede que Patrick retorne pelo caminho que vieram e segue em direção à Torre. Cruzando o Can’-Ka No Rey, o Último Pistoleiro grita os nomes de todas as pessoas que amou. Ao chegar na porta da Torre Negra, ele usa seus revólveres, que possuem a marca de Eld, para abrí-la.

O Último Pistoleiro coloca suas armas no chão e entra na Torre Negra. As portas se fecham atrás dele para “não se abrirem mais”.

Então, vemos Susannah sentada em um banco do Central Park. É Natal e começa a nevar. Ela está nervosa ao avistar Eddie, que também a vê. Ele se aproxima e oferece um copo de chocolate quente e diz que tem sonhado com Susannah. Ele e seu irmão, Jake. Os três se apresentam e saem juntos em busca de um começo ou um recomeço.

E todos viveram felizes para sempre.

Considerações Desse que Vos Escreve

O sétimo e último volume  de “A Torre Negra” é de longe o livro mais intenso. Stephen King guardou para o final as resoluções para as pergunta ainda abertas e os destinos daqueles que ainda estão de pé até agora. Mas as respostas e o desfecho de quase todos os personagens são amargos.

Foi surpreendente como a releitura do último volume da Torre Negra me trouxe os mesmos sentimentos da primeira vez que o li, há 25 anos atrás. Senti medo e fascínio ao reencontrar os Avós, chorei com as mortes de Eddie, Jake e Oi; e claro, fiquei muito irritado e ao mesmo tempo admirado com o final que Stephen King deu para a jornada do Pistoleiro.

A parte dos Avós foi algo que ficou gravado na minha cabeça desde a minha primeira leitura desse volume de “A Torre Negra” há 25 anos. Pela descrição percebi que esse tipo de vampiro é uma criatura ancestral e que talvez o próprio Roland tivesse medo de enfrentar, pois a fé que Callahan redescobriu, o poder advindo da conexão com Deus ou Gan, parece ser a única arma capaz de derrotá-los. E aqui levanto duas questões: será que Barlow realmente era um Avó? E será que veremos essas criaturas novamente?

Toda a sequência envolvendo o Homem de Preto abordando Mordred foi surpreendente, quando o “mais fiel servo do Rei Rubro” revelou seu verdadeiro plano; e assustadora, devido a resolução brutal dela. Mas dentro das maquinações de Randall Flagg, me pergunto: se a marca do Eld é a chave para abrir as portas da Torre Negra, então por que ele não roubou uma das armas de Roland, quando fez o Pistoleiro dormir por 300 anos em “O Pistoleiro”? Será que os revólveres de sândalo do Pistoleiro possuíam alguma contra-medida contra o Homem de Preto? Ou Stephen King só pensou nesse argumento enquanto escrevia o último volume de sua saga fantástica?

Já a morte do Homem de Preto é brutal, mas justa devido a tudo o que ele causou não só em toda série “A Torre Negra” como em outros título de Stephen King, seja qual alcunha ele usasse. A tortura empregada por Mordred e a agonia de ser devorado vivo é a forma do Ka e do próprio autor equilibrar as coisas. E apesar de justo, me peguei sentindo compaixão por Randall Flagg e que de alguma forma ele conseguisse escapar da dor e do terrível destino imposto pela criança-demônio.

As mortes dos integrantres do ka-tet de Roland foram verdadeiros baques, novamente. Pensei que por ser uma releitura, a intensidade do que sentiria seria menor; pois me enganei. No momento em quem Roland olha para Algul Siento e percebe que o Ka-Shume se instaurou nele; a expectativa, a ansiedade e a tristeza pelo que estava para acontecer se instalaram em mim. E quando acontece, foi impossível não chorar com a morte de Eddie; mas foram as perdas de Jake e Oi que mais me impactaram, a ponto de precisar parar a leitura e só retornar a ela no dia seguinte.

É interessante como os sentimentos existentes nas páginas do último volume de “A Torre Negra” são transmitidos claramente durante a leitura e como eles se instauraram, se impregnaram em mim. A tragédia anunciada, a tristeza, o luto; tudo está ali e todos são sentidos enquanto lia “A Torre Negra”; mas duas sensações ficaram marcadas: o distanciamento dos integrantes do ka-tet quando Eddie morre e antipatia carinhosa por Roland.

No momento que Eddie morre, o ka-tet se quebra e Roland, Susannah e Jake começam a se distanciar uns dos outros. Ainda existe o amor entre eles, mas fica escancarado que a obsessão do Pistoleiro é a causadora dessa tragédia e das próximas que podem acontecer. Sim, Roland e seus amigos salvam o Feixe da destruição e dessa forma, a Torre e o multiverso; mas não foi movida somente pela nobreza e altruísmo de Roland, mas pelo egoísmo dele também.

E é o escancaramento desse lado de Roland que me fez começar a antipatizar de vez por ele. O personagem possui sim valores e sentimentos nobres, mas não conseguia mais vê-los e por isso chorei junto com ele, principalmente pelas mortes de Jake e Oi, mas minha frustração e raiva por ele se tornaram maiores, por ver que estava disposto a renunciar a tudo, até mesmo de um filho, para realizar sua compulsão.

O final do livro, quando Roland chega ao Can’-Ka No Rey, o campo de rosas que cerca a Torre Negra, me fez refletir sobre algumas questões, sendo a primeira ver o Rei Rubro preso em uma sacada de um dos andares da Estrutura que segura o multiverso. O rei Rubro é descendente direto de Arthur Eld, e por isso nasceu com o sinal de seu pai, que se encontrava nas costas, mas o destruiu ou o corrompeu de alguma forma. Isso pode explicar como conseguiu entrar, mas não subir os andares da Torre Negra.

Dessa forma, fico pensando se o sinal do Eld no pé de Mordred lhe daria livre acesso à Torre Negra, pois apesar de ser filho de Roland, é descendente direto do Rei Rubro. E essa descendência pode ter corrompido a pureza da marca que serve de passe-livre à Torre Negra.

Outra questão é o quanto a iluminação de Patrick Danville é poderosa? Com a capacidade de apagar qualquer coisa real que ele tenha desenhado, será que ele poderia apagar a Torre Negra? E se o seu nível é esse, será que o Ka de alguma forma, fez o jovem iluminado ser encarcerado por Dandelo por anos, como forma de não se tornar a arma definitiva contra a Torre Negra? Mas essa é uma teoria bem fraca, pois em “Insônia”, o Rei Rubro tem conhecimento de Patrick e ao invés de usá-lo para seus propósitos, prefere matá-lo.

O final feliz de Susannah pode parecer estranho quando se fala de uma história de Stephen King, mas para mim quis mostrar que as pessoas que amamos são os maiores prêmios da vida.

Já o desfecho de Roland é um tanto anticlimático depois de tudo o que aconteceu, porém a verdade é a antítese da felicidade que Stephen King quis dar para sua maior obra. E como ele mesmo disse: não continue em frente, aceite esse final feliz, por mais que não seja o que realmente aconteceu.

Mas se quiser saber a verdade, então pegue os revolveres do Último Pistoleiro do Mundo-Médio, os que tem o sinal do Eld, abra as portas da Torre Negra que se encontram após a ficha técnica dessa resenha, e saiba o que a obsessão de Roland, e a sua também, lhe reserva.

Ficha Técnica:

Título Original: The Dark Tower VII: The Dark Tower

Título no Brasil: A Torre Negra: A Torre Negra

Autor: Stephen King

Tradutor: Mário Molina

Capa: Comum

Número de páginas: 752

Editora: Suma

Idioma: Português

Ainda está aqui?

Se você continuar, ficará certamente desapontado, talvez de coração partido,.

Muito bem, então vamos. Aí está a Torre Negra, no final do Fim do Mundo. Olhe-a, eu te peço.

Olhe-a muito bem.

Aí está Torre Negra ao pôr do sol.

Roland entra na Torre Negra com um sensação de recordação.

Ele se lembra da Trombeta do Eld e como a perdeu quando deu para Cuthberth na Colina de Jericó. Nesse momento uma voz murmura que não levaria mais que três segundos se abaixar e pegá-la; pois o tempo sempre volta a isso.

Roland percebe que a Torre Negra não é feita de pedra, embora se pareça com pedra; pois Ela parece viva, talvez o próprio corpo de Gan. E a pulsação que ele sentia desde o início da jornada, era o pulsar da força vital de Gan.

Ele percebe degraus de pedra, uma passagem estreita que só dava para uma pessoa. Então subiu dezenove degraus até o primeiro patamar. Nesse momento Rolanda sabia que cada nível seria separado sempre por dezenove degraus.

Roland reconhecia a decoração de cada nível que visitava pois cada um deles contava um pedaço de sua vida, desde seu nascimento. Então em determinado momento, o Último Pistoleiro passou a subir depressa, pois sabia o que viria: morte, pois era a morte sua fiel companheira na sua jornada pela Torre Negra.

Quando parou do lado de fora, antes de entrar, julgou que a Torre Negra deveria ter uns 200 metros de altura, mas percebeu que já devia ter subido mais de oito vezes duzentos metros, e achou por um momento que ainda teria muitos níveis acima e que nunca chegaria no topo.

Então Roland sentiu a luz do sol, e percebeu que subiu à noite toda. Então passou a correr sem olhar mais nenhum nível, até chegar em um onde encontrou um bloco de desenho, com uma figura apagada, sobrando apenas olhos vermelhos . Nesse momento o Último Pistolleiro soube que tinha chegado ao topo. Sabia que haveria somente mais dezenove degraus até chegar na sala no Topo da Torre Negra.

“Estou chegando!”, gritou Roland e avançou os últimos dezenove degraus até encontrar a única sala com a porta fechada. Na porta, uma única palavra gravada. Essa palavra era:

Ao agarrar a maçaneta , que tinha uma rosa silvestre enroscada em um revólver, Roland percebe que se parecia muito com um de seus revólveres, perdidos para sempre do lado de fora da Torre Negra. “Mas eles serão seus outra vez”, diz a voz da Torre.

O Último Pistoleiro pergunta o que isso significa, mas não recebe nenhuma resposta.

Mas a resposta veio quando ele gira a maçaneta e a porta se abre, pois quando viu o que tinha do outro lado compreendeu de imediato.

Roland foi golpeado pelo sol do deserto que era a apoteose de todos os desertos e se perguntou quantas vezes subira aqueles degraus, para ser rejeitado novamente pela Torre Negra, sendo jogado de volta àquele momento no deserto de Mohaine. Quantas vezes não viajou nesse círculo fechado? Quantas vezes não passaria por lá?

“Ah não! Por favor, de novo não! Tenha piedade! Tenha misericórdia!”, grita o Roland. Mas as mãos da Torre Negra, as mão de Gan, as mãos do Ka, são indiferentes e não conhecem misericórdia.

Senti o cheiro do deserto, o gosto dele, a sua brancura ofuscante, a ausência de água. Ao longe, o contorno enevoado das montanhas e ao alcance das mãos, a erva do diabo que traz doces sonhos.

“Mas não para você, Pistoleiro. Nunca para você. E a cada vez esquece a última vez. Para você, cada vez é a primeira vez.”, sussurra pela última vez a Torre Negra.

Roland usa toda sua força para recuar, mas o Ka é mais forte, o fazendo atravessar a porta, aquela que sempre procurou, aquela que sempre encontrava. Então, a porta se fecha suavemente atrás dele.

Roland para um instante, cambaleante, quase perdendo os sentidos. É o calor do deserto, ele acha. Mas por um momento teve a impressão de estar em outro lugar, talvez na própria Torre Negra. Mas isso é impossível, pois a Torre Negra está a milhares de quilômetros de distância.

A sensação de ter subido milhares de degraus, passado por muitas salas vai sumindo. Roland tem certeza que alcançará a Torre Negra e deve ser por isso que teve essa visão.

“E dessa vez quando chegar lá seja diferente.”, Roland sussurra. Ele se pergunta de onde veio esse pensamento. Até porque o Pistoleiro sabe que ele é o que nunca muda. Todos lhe disseram isso, até seu amigo de infância, Cuthbert Allgood, que morreu na batalha de Jericó. 

Roland pega suas tralhas, confere seus revólveres e passa a mão na sua trombeta, a Trombeta do Eld. A mesma trombeta que ele passou para seu amigo e parou por tempo suficiente para pegá-la.

“Esse é seu sigul, Roland. A promessa de que as coisas podem ser diferentes. Se você resistir. Se for verdadeiro.”, Esse sussurro vem da própria trombeta. Ou seria o Ka?

Rolando balança a cabeça e retoma sua jornada, pois em algum lugar à frente está a Torre Negra. E cada passo dado, mais perto Ela ficaria.

Porém, mais perto estava o Homem de Preto e Roland o alcançaria. O Pistoleriro encosta mais uma vez na trombeta e segue sua viagem.

O Homem de Preto fugia pela deserto e o Pistoleiro ia atrás..

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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