SINOPSE: Bob Ferguson (Leonardo DiCaprio), um ex-revolucionário paranoico precisa sair da aposentadoria para resgatar sua filha, Willa (Chase Infiniti), sequestrada por Coronel Steven J. Lockjaw (Sean Penn) que ressurge após 16 anos, em meio a um cenário de polarização política e questões migratórias nos EUA.

O Oscar é o ponto alto dentre as diversas premiações da Sétima Arte, consagrando e filmes e profissionais do cinema. Dentre os premiados, existem aqueles que são consenso de público e crítica e existem aqueles que são questionáveis.

Diante disso, tento assistir filmes que estão indicados na categoria de Melhor Filme que achei interessante ou fiquei curioso devido ao hype em cima deles. “Uma Batalha Após a Outra” cai na segunda opção.

À medida que as premiações desse ano foram acontecendo, alguns filmes foram despontando e a crítica especializada foi criando o hype em cima de alguns títulos para o Oscar. Dessa forma, fiquei mais curioso do que interessado em assistir “Uma Batalha Após a Outra”. Meu interesse realmente surgiu quando descobri que o diretor Paul Thomas Anderson, dirigiu o espetacular “Sangue Negro”.

“Uma Batalha Após a Outra” possui uma forte crítica ao atual momento que os Estados Unidos vivem, com sua lei anti-imigração e a atuação do ICE. No filme, o Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira Estadunidense ganha outro nome, mas age da mesma forma como o órgão real. E na minha opinião, esse fato foi um dos motivos para o longa-metragem de Paul Thomas Anderson ter hypado tanto no meio cinematográfico, uma vez que a grande maioria das pessoas que vivem do cinema são contras as políticas de imigração atuais determinadas pelo presidente Donald Trump.

Mas essa crítica bem como todo o resto em “Uma Batalha Após a Outra” é contada de forma exagerada, transformando a história do filme em uma comédia com o pé mais na galhofa do que no humor ácido. Tirando Willa, todos os personagens principais são caricatos de alguma forma. Bob Ferguson é paranoico, meio abobalhado e pateta (ficando bem claro esse adjetivo quando ele tenta pular de um prédio para o outro e cai de uma altura de 12 metros); Perfidia Beverly Hills (Teyana Taylor), que se não bastasse o próprio nome, é uma viciada em revolução, em lutar contra o sistema e sentido muito tesão literalmente em realizar seus atos e planos; Steven J. Lockjaw que é o oficial machão da Imigração (que até rende uma piada sobre porque ele usa camisas tão apertadas), esquisito de várias formas, desde o jeito de andar até seu corte de cabelo; e claro, meu favorito, Sergio St. Carlos (Benicio del Toro) um professor de karatê totalmente zen, que nunca perde a paciência, mesmo nos momentos mais tensos.

Mas para mim o ponto alto da galhofada foi o local de encontros subterrâneos dos Aventureiros do Natal, uma sociedade secreta de supremacistas brancos, que parece ter saído de um livro do Dan Brown.

Quando lembro de “Sangue Negro”, com seu tom mais dramático e nervoso, essa galhofada em “Uma Batalha Após a Outra” me surpreendeu, mostrando a versatilidade de Paul Thomas Anderson. Outra quebra de percepção é que ao usar essa forma de humor e não algo mais mordaz, o filme se torna mais palatável.

Mas “Uma Batalha Após a Outra” não é somente essa galhofa que se vê em tela, mas um trabalho bastante autoral de Paul Thomas Anderson, tornando o filme não tão comercial. Acho que de todas as peculiaridades existentes a que mais me chamou atenção e demonstra a liberdade que o diretor teve foi a trilha sonora, que me pareceu estranha e às vezes não fez sentido com o que eu via em tela. Se o objetivo da escolha das músicas e quando seriam tocadas era causar estranheza, então foi um belo acerto, pois achei alguns momentos do longa-metragem bastante esquisito.

“Uma Batalha Após a Outra” algumas vezes me lembrou muito os filmes de Quentin Tarantino, seja pelas músicas escolhidas para as situações apresentadas, seja pelas forma que alguns momentos foram apresentados. Se não soubéssemos quem era o diretor, com certeza pensaríamos que se tratava de alguma produção do diretor de “Kill Bill” e “Bastardos Inglórios”. Aliás, pensando agora, “Uma Batalha Após a Outra” me traz a memória “Era Uma Vez… Hollywood”.

O roteiro e a interpretação do elenco de “Uma Batalha Após a Outra” são os grandes pilares que sustentam o filme e me fizeram ficar atento à história bem mediana. Bob Ferguson me lembrou bastante Rick Dalton de “Era Uma Vez Em… Hollywood”, e essa semelhança é culpa de Leonardo DiCaprio, que parece já ter seu próprio personagem bobão e atrapalhado. Sean Penn foi indiciado merecidamente ao Oscar desse ano na categoria de Melhor Ator Coadjuvante, pois muito do caricato Steven J. Lockjaw é fruto da sua excelente atuação, entregando todos os cacoetes do personagem, inclusive seu modo de andar.

Porém, foi de Benicio del Toro de quem mais gostei no filme, pois Sergio St. Carlos é muito engraçado em seu modo “totalmente zen e nada vai me tirar dele, por isso pense nas ondas do mar e respire”. O ator porto-riquenho tem uma atuação sutil como o personagem precisa ter, mas sua forma de andar, seu jeito tranquilão e principalmente, a cara de paisagem que ele mantém 100% do tempo é muito divertido e por mais caricato que seja, você acaba comprando essa caricatura muito bem feita.

“Uma Batalha Após a Outra” possui um ótimo trabalho de fotografia e principalmente da utilização das câmeras. Filmada com câmeras VistaVision, o filme traz ótimas cenas, principalmente as que mostram planos mais abertos e locais ao ar livre. Paul Thomas Anderson usa os ângulos muito bem para captar as cenas, com algumas me chamando bastante atenção, como a já muito bem falada sequência de perseguição de carro na rodovia sinuosa. Seja em um plano aberto, ou vista do alto ou do ponto de vista dos para-choques dos veículos, essa cena, que me lembrou bastante George Miller e seus “Mad Max”, é incrivelmente bem filmada, prendendo minha atenção e ganhando minha admiração.

“Uma Batalha Após a Outra” não foi um sucesso financeiro nos cinemas, pois para um orçamento que ficou entre US$ 130 milhões e US$ 175 milhões (sem os custos promocionais), arrecadou pouco mais de US$ 200 milhões nas bilheterias mundiais. Porém em um ano que a Warner faturou muito bem como “Minecraft”, “Invocação do Mal 4”, “A Hora do Mal” e “Pecadores”, o filme autoral de Paul Thomas Anderson não deve ter causado dor de cabeça ao estúdio, ainda mais que foi indicado a 13 categorias, entre elas: Melhor Direção e Melhor Filme, onde é franco-favorito.

Um filme bastante autoral do diretor e que não se leva a sério, mesmo em relação às críticas que faz. Surpreendente pois fui com uma ideia pré-formada na cabeça e acabei assistindo a uma galhofa bem divertida. E dessa forma, digo que vale a pena assistir “Uma Batalha Após a Outra”.

Ficha Técnica:

Título Original: One Battle After Another

Título no Brasil: Uma Batalha Após a Outra

Gênero: Ação, Comédia

Duração: 162 minutos

Diretor: Paul Thomas Anderson

Produção: Paul Thomas Anderson, Sara Murphy, Adam Somner

Roteiro: Paul Thomas Anderson

Elenco: Leonardo DiCaprio, Sean Penn, Benicio del Toro, Regina Hall, Teyana Taylor, Chase Infiniti, Wood Harris, Alana Haim, Paul Grimstad, Shayna McHayle, Tony Goldwyn, John Hoogenakker, Starletta DuPois, Eric Schweig, D. W. Moffett, Kevin Tighe, Jim Downey, James Raterman, Dijon Duenas, Dan Chariton, Jon Beavers, Tisha Sloan, Jena Malone

Companhias Produtoras: Ghoulardi Film Company

Distribuição: Warner Bros. Pictures

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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