SINOPSE: Vamos acompanhar as façanhas de Sor Duncan, o Alto (Peter Claffey) e de seu jovem escudeiro, Egg (Dexter Sol Ansell), séculos antes dos eventos de “Game of Thrones”. Sua jornada os levará a uma competição na qual encontrarão vários membros da dinastia Targaryen.
A HBO é mais que um canal de televisão ou uma plataforma de streaming, mas um selo de qualidade, com uma lista imensa de produções originais que estão entre as melhores já feitas, sendo uma delas “Game of Thrones”.
Apesar de não considerar “Game of Thrones” a melhor série da HBO, é inegável que a produção baseada nos livros George R. R. Martin foi a que causou uma verdadeira revolução cultural. A cada novo episódio, as pessoas paravam tudo para assistir a guerra pelo Trono de Ferro e a ameaça dos Caminhantes Brancos aos Sete Reinos. Barzinhos e outros estabelecimentos exibiam os episódios da série em pleno domingo à noite. E dessa forma, produzir séries de fantasia passou a ser bem-vistas do ponto de vista de audiência e financeiro, com cada canal de tv e plataforma de streaming buscando a sua “Game of Thrones”.
E mesmo com o final conturbado e polêmico de “Game of Thrones”, a HBO via nas histórias do mundo criado por George R. R. Martin uma mina de ouro que poderia ser explorada. Dessa forma, em 2022 chegava “House of the Dragon” e esse ano estreou “O Cavaleiro dos Sete Reinos”.
Duas coisas diferenciam “O Cavaleiro dos Sete Reinos” das outras séries baseadas no mundo das Crônicas de Gelo e Fogo: a escala e o tom.
“Game of Thrones” foi crescendo a cada nova temporada, chegando a gastar US$ 90 milhões para produzir a temporada final. “House of the Dragon” por contar a guerra entre os Targaryen já nasceu grande e devido ao uso de CGI para criar os dragões teve um custo aproximado de US$ 200 milhões por temporada. Esses valores se refletiram na grandiosidade que vimos nas telas.
“O Cavaleiro dos Sete Reinos” tem uma escala bem menor quando comparada a suas séries-irmãs. A série basicamente utiliza duas locações somente: uma onde se passa o torneio e outra para mostrar Porto Real e somente no episódio que narra a infância de Duncan. Porém, mesmo com uma locação menor e cenários menores, existe um cuidado muito grande em recriar na tela o local do torneio existente nas páginas do livro, de forma que é muito fácil nos imaginarmos sermos parte dele, vivendo as aventuras de Duncan e Egg.
Como toda série ambientada no mundo das “Crônicas de gelo e Fogo”, o cuidado com os detalhes é gigantesco, como a coroa de Sor Lyonel que possui os chifres do veado, animal que estampa o brasão da família Baratheon. Mas o que mais me impressionou nesse ponto foram as armaduras dos cavaleiros que possuem características das casas e das pessoas que as usam. Aliás, acho que de todas as produções da HBO baseadas nas obras de George R. R. Martin, essa é que mais personalizou essas vestimenta de batalha. E posso dizer que essas armaduras estão entre as mais bonitas dentre todas as produções que já assisti e que tem esse elemento.
Mas a maior diferença de “O Cavaleiro dos Sete Reinos” para as outras séries que se passam dentro dos Sete Reinos, é tom. Enquanto “Game of Thrones” e “House of the Dragon” são soturnas, dramáticas e possuem um quê de tragédia anunciada, a produção de Duncan e Egg possui um tom mais leve, heroico e bem-humorado.
Os trailers já mostravam essa mudança de tom e admito que fiquei bastante reticente em assistir a série, pois fiquei com a impressão de ser um “Game of Thrones” misturado com “Guardiões da Galáxia”. Mas o humor existente em “O Cavaleiro dos Sete Reinos” é engraçado na medida certa, sem ser galhofa, encaixando perfeitamente com a narrativa. Presente em quase toda a narrativa, é na relação entre Duncan e Egg que ele se faz mais presente, gerando os momentos mais divertidos.
Outra coisa que diferencia “O Cavaleiro dos Sete Reinos” das outras séries passadas nesse mundo é que existe a jornada do herói sendo contada. A busca de Duncan em se tornar Sor Duncan, O Alto, possui em tom heroico, com seus desafios, mas sem ser sombria e trágica que vemos em Jon Snow, por exemplo. E de novo, o que poderia me desagradar se mostrou outro ponto positivo.
Acho que se faz necessária uma explicação, pois não tenho problema nenhum com o tom utilizado em “Game of Thrones”, pois faz total sentido já que aqui estamos vendo uma história trágica e brutal por poder e sobrevivência. Até mesmo em “House of the Dragon” a narrativa ser mais sombria é compreensível e dentro da proposta.
E por falar em “House of the Dragon”, as conexões que “O Cavaleiro dos Sete Reinos” faz funcionam melhor com “Game of Thrones”. Um dos motivos é a proximidade temporal, já que a história de Duncan e Egg se passa 100 anos antes de Daenerys, Jon Snow e Cia., mas achei as referências entre as histórias mais orgânicas.
O que quero dizer é que referências como quem Egg é e sua relação com os Targaryens mostrados em “Game of Thrones”; a apresentação do Baelor Quebralanças, que seria um rei maior que Aegon, o Conquistador; e até mesmo quando recordamos do nome de Sor Duncan, o Alto, no livro de registro da Guarda Real, são empolgantes e atiçam nossa curiosidade e memória. Já em “House of the Dragon”, as referências não me parecerem tão empolgantes, além da “canção do gelo e do fogo”, conexão que não existe nos livros e explica o motivo dos Targaryen fugirem da Valíria e tomarem o poder dos Sete Reinos.
Acho que aqui novamente cabe um explicação, pois “House of the Dragon” é baseado no livro “Fogo & Sangue”, que é mais um apanhado de registros e muitos nomes, o que torna mais difícil ficar lembrando. Já “O Cavaleiro dos Sete Reinos” é baseado em alguns contos como “O Cavaleiro Andante”, “A Espada Juramentada” e “O Cavaleiro Misterioso”, que não li, mas acredito possuir uma narrativa mais coesa e com menos nomes, facilitando a memória e as conexões.
A narrativa de “O Cavaleiro dos Sete Reinos” possui três momentos distintos: o começo mais humorado, o momento épico e heroico e o final dramático e esperançoso; todos eles bem desenvolvidos na medida certa e com a transição entre esses momentos acontecendo de forma natural e sem rupturas e dessa forma, mantendo nossa atenção constante.
Os personagens de “O Cavaleiro dos Sete Reinos” são todos, sem exceção, carismáticos, criando conexões com o espectadores, nos fazendo gostar deles ou odiá-los. Duncan e Egg são as estrelas do show e a dinâmica deles é incrível. A amizade que surge entre esses personagens é algo muito gostoso e divertido de ver, parecendo dois irmãos brigando, encrencando e cuidando um do outro. Peter Clafey e Dexter Sol Ansell estão muito bem interpretando Duncan e Egg, respectivamente.
Vou destacar mais dois personagens dentre todos os demais que são apresentados, que são Baelor Targaryen (Bertie Carvel) e Sor Lyonel Baratheon. O Quebralanças Targaryen seria o maior rei depois de Aegon, O Conquistador, e fica bem fácil ver toda essa imponência, sabedoria e honradez na série. E Lyonel é um lorde boêmio, mas possui todo uma humanidade que permite ver o quão valorosos são as pessoas sem títulos, como Duncan.
“O Cavaleiro dos Sete Reinos” possui os episódios 4 e 5 entre os mais bem avaliados desse universo criado por George R. R. Martin, com notas que chegam a 9,9/10 no IMDb. E concordo plenamente com essa avaliação pois a junção dos dois trazem um duelo entre cavaleiros épico, violento, emocionante e heroico.
“O Cavaleiro dos Sete Reinos” promete ainda mais aventuras com esse toque bem-humorado e heroico, porque com a ótima avaliação e com uma média de 24 milhões espectadores por episódio, a renovação para uma segunda temporada é garantida.
Com uma narrativa heroica e humorada, mas que soube trazer momentos épicos e emocionantes, fomos apresentados a personagens cativantes e carismáticos. Curta em tempo total de exibição, mas grandiosa na sua capacidade de entreter, vale muito a pena assistir a primeira temporada de “O Cavaleiro dos Sete Reinos”!
Ficha Técnica:
Título Original: A Knight of the Seven Kingdoms
Título no Brasil: O Cavaleiro dos Sete Reinos
Gênero: Fantasia, Drama
Temporada: 1ª
Episódios: 6
Criadores: Ira Parker, George R. R. Martin
Produtores: Ira Parker, George R.R. Martin, Sarah Bradshaw, Ryan Condal, Owen Harris, Vince Gerardis, Lisa Byrne
Diretores: Owen Harris, Sarah Adina Smith
Roteiros: Ira Parker, Aziza Barnes, Hiram Martinez, Annie Julia Wyman, Ti Mikkel
Elenco: Peter Claffey, Dexter Sol Ansell, Daniel Ings, Shaun Thomas, Tanzyn Crawford, Danny Webb, Henry Ashton, Daniel Monks, Tom Vaughan-Lawlor, Carla Harrison-Hodge, Rowan Robinson, Edward Ashley, Danny Collins, Ross Anderson, Bertie Carvel, Sam Spruell, Finn Bennett, Youssef Kerkour, Steve Wall, Paul Hunter, Cara Harris, Oscar Morgan, Wade Briggs, Bill Ward, Russell Simpson, William Houston, Chloe Lea, Edward Davis
Companhias Produtoras: Friendly Wolf Pictures, GRRM
Transmissão: HBO, HBO Max
