Quem me conhece sabe o quanto sou fã e admirador de Stephen King. essa admiração começou quando comprei “O Pistoleiro”, primeiro volume da saga literária “A Torre Negra” e o primeiro livro que li do autor.

Vinte cinco anos depois que li “A Torre Negra”, resolvi revisitar essa saga literária de fantasia. Então, vamos livro a livro acompanhar a busca Roland Deschaim e seu ka-tet pela Torre Negra, ponto central de todo o multiverso de Stephen King.

Uma observação: estou lendo as novas edições lançadas pela editora Suma, mas não entrarei em detalhes sobre elas, pois o que me interessa compartilhar com vocês são minhas impressões sobre a obra máxima de Stephen King.

A Torre Negra: As Terras Devastadas de Stephen King

SINOPSE: Pela primeira vez em décadas, Roland Deschain não caminha sozinho e já não é o único pistoleiro. Ao lado de Eddie e Susannah, ele atravessa as terras arruinadas do Mundo Médio, assumindo o papel de líder e mentor em um cenário cada vez mais hostil. Mas, mesmo com o ka-tet formado, algo está terrivelmente errado. Desde que impediu a morte de Jake Chambers, Roland vive atormentado por memórias contraditórias, como se duas realidades disputassem espaço em sua mente. A fragmentação de sua consciência ameaça não apenas sua sanidade, mas também o sucesso da missão rumo à Torre Negra. Enquanto isso, em outro mundo, Jake enfrenta um dilema impossível: lembrar-se de uma vida que ficou no passado e buscar uma porta que o conduza ao destino que insiste em chamá-lo.

Quando li pela primeira vez, achei “As Terras Devastadas” e o último livro, os melhores de “A Torre Negra”. Por isso, a expectativa que eu tinha antes de iniciar a releitura do terceiro volume dessa série literária era muito grande.

Meses se passaram desde os eventos na praia envolvendo as portas. O ka-tet do Pistoleiro busca um caminho para chegar à Torre Negra, quando encontram Shardik, um urso de dezoito metros de altura completamente louco e doente. Ele ataca Dean, e Susannah a pedido de Roland é encarregada de atirar em uma espécie de antena parabólica na cabeça da criatura e assim matá-la.

Após esse embate, Roland explica que Shardik é um dos guardiões de um dos Feixes que sustentam a Torre Negra. O Pistoleiro diz que eram doze guardiões e que cada um cuidava de uma ponta dos seis Feixes existentes. Nessa confabulação, sabemos um pouco mais sobre os Anciãos (Old Ones), os guardiões, os Feixes e sua relação com a Torre Negra.

Nesse ponto, surgiu uma dúvida, pois os Anciãos criaram os guardiões e o par do urso Shardik é uma certa tartaruga. Mas em outras obras de Stephen é dito que essa tartaruga é um ser ancestral, que vomitou nosso universo e o sustenta em suas costas. O que me faz pensar: quem eram os Anciãos? E se realmente criaram um ser como Maturin, qual a extensão do conhecimento e poder deles?

Tendo encontrado Shardik, Roland decide encontrar sua toca e assim seguir de lá em linha reta, pelo Feixe até a Torre Negra. Chegando ao local onde o guardião-urso vivia e protegia, eles percebem que existe uma espécie de abertura e que de lá emana algo malévolo. Como descobrimos, os Anciãos em sua arrogância fizeram um grande mal ao Mundo Médio, logo essas aberturas devem ser portais para outros mundos, muito provavelmente para o Todash, por isso a sensação ruim que o ka-tet de Roland sente.

“As Terras Devastadas” também revelam que a expressão “o mundo seguiu adiante”, usada por Roland, é algo que afetou e continua afetando o tempo e o espaço no Mundo Médio. Esse fato fica evidente quando Roland disse que fazem 30 anos em busca da Torre Negra.

Duas coisas me marcaram na minha primeira leitura de “As Terras Devastadas”, sendo a primeira o problema que Roland e Jake enfrentam. Quando Jack Mort é impedido de cometer mais um crime, ele cria uma linha do tempo alternativa para os dois personagens.

O problema desse evento é que tanto Roland quanto Jake passam a ter memórias dessas duas vidas em um único corpo, em um único cérebro. Agora, sabendo que as duas linhas tempo-espaciais são reais, eles precisam achar uma solução rápida antes que enlouqueçam e tenha suas mentes e suas almas despedaçadas.

A forma de Stephen King abordar esse assunto: de que cada uma das infinitas decisões existente geram infinitas realidades, foi bastante criativa, pois geralmente vemos intermináveis versões da mesma pessoa em intermináveis realidades. Mas o autor preferiu colocar diferentes Roland e Jake em um mesmo corpo, gerando um problema, pois se as duas vidas são reais, como o cérebro pode processá-las sem desintegrar a sanidade?

O problema é que essa parte foi um pouco decepcionante, mas por minha própria culpa. Na minha memória achei que essa confusão na mente de Roland e Jake era mais bem explorado, mas relendo o livro novamente percebi que esse problema não é tão problemático. O que quero dizer é que achava que a divisão da mente dos personagens causasse mais transtornos, mas uma solução paliativa ameniza isso.

Ou será que na minha mente tenho memórias de uma realidade em que li uma versão de “As Terras Devastadas” onde esse evento tempo-espacial é desenvolvido de forma diferente?

A segunda coisa que me marcou na leitura do terceiro volume de “A Torre Negra” é Blane, uma inteligência artificial existente em Lud, a última cidade do Mundo Médio. Enlouquecida pelo passar do tempo, ela opera um trem, que é seu corpo físico e que pode ajudar Roland é seu ka-tet a atravessarem em segurança a região que dá nome ao livro.

O livro termina com o início de um duelo diferente entre o ka-tet de Roland e Blane.

Depois de ler esse livro percebi que os dois primeiros volumes de “A Torre Negra” servem como uma introdução ou um prefácio bastante longo, pois é em “As Terras Devastadas” que Stephen King finalmente entra de cabeça no Mundo Médio, iniciando toda a mitologia do Mundo Médio. Além disso, é uma história onde bastante coisa acontece e lançaria eventos que irão repercutir na jornada desse ka-tet, com o fato de Jake simplesmente saber de coisas, quase como uma clarividência e o confronto sexual travado por Susannah com um demônio.

“As Terras Devastadascontinua sendo meu livro preferido dessa série literária por mostrar um Stephen King afiado do ponto de vista criativo e que estava disposto a tornar a busca pela Torre Negra em algo épico, misturando magia, ciência e terror. Esse volume da série literária escancara que o Mundo Médio tem muitos mistérios a serem revelados, seja de agora ou seja de antes do mundo seguir adiante; seja de forma explícita ou seja nas entrelinhas, gerando especulações e teorias.

Ficha Técnica:

Título Original: The Waste Lands

Título no Brasil: A Torre Negra: As Terras Devastadas

Autor: Stephen King

Tradutor: Alda Porto

Capa: Comum

Número de páginas: 504

Editora: Suma

Idioma: Português

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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