SINOPSE: Rose da Silva (Radha Mitchell) é uma mulher atormentada, já que sua filha Sharon (Jodelle Fernand) está morrendo de uma doença fatal. Contrariando seu marido, Christopher (Sean Bean), Rose decide levá-la cidade de Silent Hill, cidade que Sharon menciona em seus sonhos. No caminho para encontrar a cidade, Sharon desaparece, o que faz com que Rose procure a menina por todos os lugares de Silent Hill. É quando Rose descobre que a aparente cidade deserta dominada por uma névoa eterna, é habitada por criaturas e pessoas atormentadas
Em 2022, chegava aos cinemas “Resident Evil”, dirigido por Paul W. S. Anderson e estrelado por Milla Jovovich. Apesar de várias mudanças em relação à história mostrada no game, o filme faturou US$ 103 milhões (para um orçamento de US$ 33 milhões). garantindo que virasse uma franquia cinematográfica.
Diante do sucesso financeiro das adaptações de “Resident Evil” nos cinemas, a Konami a autorizou a adaptação cinematográfica de uma das melhores franquias de game de terror psicológico e em 2006 estreava “Terror em Silent Hill”.
Uma das exigências da Konami era que a adaptação cinematográfica de Silent Hill fosse o mais fiel possível em relação aos games, algo que os filmes de Resident Evil não fizeram. Nesse ponto, Christophe Gans foi uma escolha certeira para a direção pois ele conhecia a história dos games. Aliás, foi o conhecimento e intimidade de Gans com Silent Hill um dos motivos para a Konami concordar com a produção do longa-metragem.
“Terror em Silent Hill” tem como base principal a narrativa “Silent Hill” e utilizando alguns elementos de “Silent Hill 2”, mas mesmo assim o diretor Christophe Gans promoveu algumas mudanças em relação aos games, como por exemplo a presença de Pyramid Head que tem relação direta com James Sunderland, protagonista do segundo jogo eletrônico, e que não aparece no filme. Muitos falam que tais alterações descaracterizaram a narrativa original e que o longa-metragem de 2006 priorizou mais a ação e horror visual que o terror psicológico dos games.
Minha opinião é que a ação existente no filme está no mesmo nível do combate apresentado no game. Quanto ao foco no horror visual acho essa reclamação infundada, pois a “Silent Hill” sempre trouxe criaturas grotescas e assustadoras, sendo um pilar da franquia dos jogos eletrônicos e que junto com o terror psicológico, transmitem suspense, apreensão, repulsa, revolta, medo e terror. E esses sentimentos, cada um a sua medida podem ser sentidos em “Terror Em Silent Hill”.
Ao final da resenha, como curiosidade, listarei as principais diferenças do filme em relação ao primeiro jogo eletrônico.
Visualmente, “Terror Em Silent Hill” é muito fiel ao material original, com cada Silent Hill apresentando suas respectivas características. No filme existem três dimensões, sendo: o Mundo Real, que mostra a cidade localizada no estado de Vírginia, abandonada e em ruínas devido ao incêndio subterrâneo nas minas de carvão; o Mundo da Névoa, que mostra o mesmo local deserto, coberta por de cinzas e névoa, com as saídas da cidade bloqueadas e habitada por alguns monstros; e o Outro Mundo, que a é uma visão infernal de Silent Hill, cuja transição é anunciada pelo som de uma sirene, fazendo a névoa sumir e jogando a cidade em uma escuridão opressora, onde ruas e pisos são substituídos por pisos gradeados sem nada por baixo, onde paredes, portas, janelas se transformam em paredes e cercas de metal enferrujados e manchados de sangue ou seções inteiras de parede compostas de carne e outros materiais orgânicos, onde objetos se transmutam em correntes, arame farpado, ganchos, ventiladores industriais, gaiolas e cadáveres em decomposição.
Três pilares ajudam a construir e sustentar a narrativa assustadora e inquietante de “Silent Hill”, sendo dois deles: os cenários e as criaturas grotescas e repulsivas que habitam as realidades alternativas da cidade que quando combinadas transformam Silent Hill em um pesadelo agoniante e terrível.
Algo que chama bastante atenção em “Terror Em Silent Hill” é a utilização de efeitos práticos em boa parte das filmagens. Dessa forma, foram construídos 107 cenários usados especificamente para dar vida a cada dimensão que aparece no filme. O CGI, além de dar aqueles retoques finais, foi utilizado para criar a névoa do Mundo da Névoa e as transições dessa cidade para o Outro Mundo
Para os monstros que habitam as dimensões de Silent Hill foram utilizados atores ou profissionais cobertos com látex e maquiagem protética. Roberto Campanella, coreógrafo do filme, interpretou Pyramid Head, utilizou próteses para ficar mais alto e emulou os movimentos que a criatura mostra nos games. Temos também o ator Michael Cota que vestiu uma espécie de “camisinha” de látex que cobria toda a parte superior do seu corpo e que juntamente com um lançador de gosma acoplado ao seu peito, recriou o Homem Sem Braço. Porém, a minha maior surpresa foi a Criança Cinza, primeiro monstro que Rose encontra na cidade e que achei que tivesse sido renderizada por computador, mas na verdade é a atriz Yvonne Ng coberta completamente por uma fantasia, com o CGI entrando depois para inserir alguns detalhes.
O trabalho de maquiagem e coreografia é absurdo em “Terror em Silent Hill”, mas o comprometimento dos atores e atrizes que deram vida às criaturas é algo que precisa ser destacado e parabenizado. E se você ainda não está convencido disso, então o que dizer da cena das Enfermeiras, onde os responsáveis pelo filme contrataram 20 dançarinas para realiar a sequência em questão.
Como disse, três pilares sustentam “Terror em Silent Hill”, dos quais falei dos cenários e dos monstros, sendo a parte sonora o terceiro fato. A trilha sonora é composta Akira Yamaoka, que produziu as músicas dos quatro primeiros games e as trouxe para “Terror Em Silent Hill”, mantendo as melodias intactas pois queria preservar a sensação de estarmos em um mundo de sonhos e pesadelos. Além disso, Yamaoka se envolveu no design de som do filme, por isso a semelhança incrível entre o longa-metragem e os jogos eletrônicos.
O elenco principal trouxe o comprometimento com a história apresentada, o que conferiu certa empatia com os personagens. Nomes hoje conhecidos como Sean Bean, Radha Mitchell e Laurie Holden, fazem um trabalho competente e entregam o que precisam, mas o destaque fica por conta de Jodelle Ferland que interpreta dois papéis: Sharon e uma versão sombria de Alessa quando criança, e que parece muito à vontade no papel, conferindo uma malignidade e malícia fáceis de sentir.
Com relação a narrativa, as mudanças em relação ao primeiro jogo eletrônico não afetam em nada o objetivo de trazer uma história inquietante e assustadora, sendo a maternidade o tema central, mas abordando também as consequências da cegueira, da decepção, da dor e da raiva vindas do fanatismo.
“Terror em Silent Hill” traz uma história de terror que explora temas complexos através da jornada dos personagens pelo purgatório que a cidade se transformou, honrando o legado presente nos jogos eletrônicos, mesmo com as alterações feitas pelos seus realizadores.
Dessa forma, vale muito a pena assistir “Terror Em Silent Hill”, uma das melhores adaptações cinematográficas de um jogo eletrônico!
Curiosidades: Diferenças entre “Silent Hill” e “Terror Em Silent Hill”
- No game é Harry Mason quem procura sua filha Cheryl, enquanto que no filme temos Rose Da Silva tentando achar Sharon. Aliás outra mudança são os nomes dos personagens. Em “Terror Em Silent Hill”, Harry vira Christopher, Jodie em Rose e Cheryl passa a ser Sharon.
- Em “Silent Hill” a mãe adotiva de Cheryl, Jodie morreu vítima de uma doença quatro antes dos eventos do game. Dessa forma, Rose foi uma criação dos realizadores do filme que queriam que o tema principal fosse a maternidade.
- No game, Dahlia Gillespie é sacerdotisa da Ordem e sacrifica sua filha Alessa ao fogo em uma tentativa de provocar o nascimento de Samael, o deus dessa seita. No filme, Dahlia faz parte de uma seita, mas sua filha é considerada bruxa e morta.
- Enquanto que em “Silent Hill” a seita conhecida como A Ordem visa trazer à vida seu deus: Samael, em “Terror Em Silent Hill” essa seita parece não tem relação com isso.
- No game, Alessa precisava estar inteira espiritualmente para que Samael nascesse, então ela divide sua alma em duas para impedir que o deus da Ordem viesse ao mundo, dando origem a Cheryl, o bebê que Harry e sua esposa adotaram e que foi encontrado na estrada perto de Silent Hill. No filme, Alessa divide sua alma para preservar seu lado bom, enquanto que sua parte que foi torturada e cheia de dor e ódio permanecesse em SIlent Hill.
- Em “Silent Hill”, Alessa é torturada e queimada para trazer à vida Samael, porém não é algo que ela faça por escolha própria. Já em “Terror Em Silent Hill”, ela faz um pacto com Aquele Que Possui Muitos Nomes, para se vingar de todos da cidade.
- No game, Alessa é escolhida como barriga de aluguel para gerar e trazer ao mundo Samael por causa de suas habilidades sobrenaturais, o que fazia as pessoas pensarem que ela bruxa. No filme, apesar de acharem que Alessa era bruxa, ela não demosntra nenhuma poder.
- Em “Silent Hill” são os poderes de Alessa que ativam a energia que fica na região de Silent Hill e fragmenta a cidade na Dimensão da Névoa e no Outro Mundo. No filme, esses poderes são dados por Aquele Que Possui Muitos Nomes.
Ficha Técnica:
Título Original: Silent Hill
Título no Brasil: Terror Em Silent Hill
Gênero: Terror Psicológico
Duração: 125 minutos
Diretor: Christophe Gans
Produção: Samuel Hadida, Don Carmody
Roteiro: Roger Avary
Elenco: Radha Mitchell, Sean Bean, Laurie Holden, Deborah Kara Unger, Kim Coates, Tanya Allen, Alice Krige, Jodelle Ferland, Eve Crawford, Nicky Guadagni, Chris Britton, Roberto Campanella, Emily Lineham, Lorry Ayes, Michael Cota, Emily Lineham, Yvonne Ng
Companhias Produtoras: Davis Films, Silent Hill DCP Inc., Konami
Distribuição: Paris Filmes
