SINOPSE: Outono de 1987.Hawkins está em quarentena militar devido às fendas abertas para o Mundo Invertido, com o governo caçando Onze, que precisa se esconder. O grupo se une para encontrar e destruir Vecna, mas ele sumiu, e uma escuridão ainda mais poderosa se aproxima para uma batalha final decisiva, exigindo que todos se juntem uma última vez para salvar o mundo

No dia 15 de julho de 2016 a Netflix lançava “Stranger Things”: na cidade fictícia de Hawkins, Estados Unidos, durante a década de 1980, um menino de doze anos chamado Will Byers (Noah Schnapp) desaparece misteriosamente. Pouco depois, Eleven (Millie Bobby Brown), uma garota fugitiva com poderes telecinéticos, conhece Mike (Finn Wolfhard), Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin), amigos de Will, e os ajuda na busca, enquanto enfrenta uma criatura monstruosa, uma agência secreta do governo e se aventuram em por uma dimensão paralela.

O sucesso da “Stranger Things” foi estrondoso por parte de público e crítica: no Rotten Tomatoes a primeira temporada tem 92% de aprovação e no IMDb tem nota 8,8/10. Com esse sucesso e uma base gigantesca e sólida de fãs, a série foi sendo renovada até que os irmãos Duffer, criadores da série, resolveram encerrar a história dos eventos de Hawkins na quinta temporada, que chegou em 2025, dividida em três partes.

Essa decisão de dividir a última temporada em partes não é uma ideia nova em “Stranger Things”, já que o quarto ano teve os primeiros sete episódios disponibilizados em maio de 2022 e os dois episódios finais em julho do mesmo ano. Além disso, muitas outras séries e animes tem feito essas “quebras” nas temporadas, como uma forma de criar expectativa e aumentar a audiência.

E como a temporada final de “Stranger Things” foi dividida em três partes, vamos falar de cada volume e no final dizer o que achamos do capítulo final como um todo.

O volume um da última temporada de “Stranger Things” inicia com Robin (Maya Hawke) trabalhando em uma rádio junto com Steve (Joe Keery) e fazendo um resumão do que houve em Hawkins desde que as fendas para o Mundo Invertido se abriram, conectando a cidade a essa “dimensão”. Como foram três anos entre essa temporada e a anterior, achei essa ideia muito inteligente e prática pois em alguns minutos os realizadores da série nos lembram o que houve na temporada passada em linhas gerais e nos situam sobre o estado atual das coisas.

Vemos também como estão cada personagem: Eleven treina incansavelmente com Hopper (David Harbour), Dustin tenta manter vivo o Hellfire Club e a memória de seu amigo Eddie (Joseph Quinn), temos Lucas cuidando e nunca desistindo de acordar Max (Sadie Sink) do seu coma.

Também descobrimos que a rádio é um disfarce para o esconderijo para que Lucas e seus amigos planejem incursões ao Mundo Invertido com um objetivo: encontrar e matar Vecna (Jamie Campbell Bower).

O primeiro volume da temporada final possui um ritmo bem ágil e direto ao ponto, algo que gostei bastante. O palco para a batalha final foi montado na temporada anterior, então não há necessidade de enrolações e com a narração de Robin e as rápidas explicações de como cada personagem está, o tempo dedicados a esses quatro primeiros episódios visam mostrar os jovens tentando salvar Hawkins e o mundo. Além disso, fica evidente que nossos protagonistas estão furiosos com Vecna e que a morte dele não é somente por razões altruístas, mas por vingança também.

O exército continua sendo uma ameaça, mas desde que o Tenente Coronel Jack Sullivan (Sherman Augustus) surgiu como o “chefão”, que senti que as Forças Armadas Estadunidenses perderem a força do antagonismo. E nem mesmo a entrada de Linda Hamilton como a Dra. Kay como a nova Manda-Chuva dos fardados, conseguiu reavivar a sensação de perigo. Aliás, o exército serve como os Camisas Vermelhas de “Star Trek” ou os Stormtroopers de “Star Wars’: são a bucha de canhão para promover ação e matança enquanto o porradaria final com Vecna não acontece.

Por falar em ação, esse primeiro volume da temporada final é bastante violento e nesse ponto destaco o sequestro de Holly (Nell Fisher) pelos Demogorgons, onde os pais dela são atacados e o ataque de Vecna à base militar. Nessas duas situações temos muito sangue, muita cena envolvendo mutilação e ferimentos severos. Pode haver críticas em relação ao nível de violência mostrado, mas eu gostei até porque mostra que a batalha final contra Vecna será brutal e que como em todas as guerras, ninguém está à salvo (não é bem o caso aqui, mas tudo bem).

O final desse primeiro volume revela que Will foi um experimento realizado por Vecna, e que agora com as doze crianças que sequestrou, poderá moldar suas mentes e finalmente mudar o nosso mundo, que segundo ele, está doente e errado.

Assim, o primeiro volume passa a sensação de que os nossos heróis falharam em deter Vecna mas revela que Will terá papel importante para o que virá.

O primeiro volume veio cheio de expectativa, a ponto de derrubar a plataforma da Netflix, e entregando o que os fãs e quem acompanha a série esperavam, mas a segunda parte da temporada final de “Stranger Things”, foi decepcionante, pelo menos para mim.

Se o primeiro volume foi marcado pelo ritmo ágil e sem enrolação, a segunda parte da temporada final se resume a uma cansativa discussão de relações e debates sobre questões que poderiam ser resolvidas rapidamente ou ficar voltando em determinadas situações somente para ganhar tempo e encher três episódios.

Um bom exemplo dessa “encheção de linguiça” é o triângulo amoroso envolvendo Nancy (Natalia Dyer), Jonathan (Charlie Heaton) e Steve, que se arrasta por três episódios transformando tudo em um novelão mexicano da pior qualidade. Inclusive o relacionamento de Nancy e Jonathan que poderia ter sido resolvido rapidamente ou de forma mais criativa, acaba em um diálogo chato pra porra com “eu não amo…”.

Outra situação que foi esticada além do limite somente para ganhar minutagem foi o dilema que o Will se impõe em relação a sua sexualidade. São diálogos entre ele e Robin, que assumiu sua atração por mulheres, um atrás do outro e muito choro, para ser resolvido no sétimo episódio. E aqui digo que o dilema da sexualidade do Will foi autoimposto, pois apesar desse e outros assuntos serem tabus e alvos de preconceito pesado na década de 1980, que é quando a série passa, todos acabam aceitando o fato de Will ser gay, sem nenhum viés. O amor entre amigos e parentes venceu como já estava bem claro que aconteceria.

Existem coisas boas nesse segundo volume como o fato da revelação de Will servir para livrá-lo de seu maior medo, que seria as pessoas que o amam o rejeitarem por ele ser gay, algo que Vecna usa contra ele, o enfraquecendo.

A descoberta do cárcere de Kali (Linnea Berthelsen) revelando que o exército veio a Hawkins para encontrar Vecna ou Eleven para produzir pessoas com poderes. Essa trama é interessante pois mostra que tudo começou com o vilão da série e que nossa heroína pode ser a alternativa para perpetuar o projeto científico iniciado pelo Dr. Brenner (Matthew Modine).

Mas a revelação mais legal é a natureza do Mundo Invertido, que tem relação com os teóricos Buracos de Minhocas. Revelação essa feita de forma conveniente e por força do roteiro por Dustin em uma sala secreta que o exército ou ninguém nunca achou nas inúmeras explorações à essa realidade.

O importante nessas revelações são que a natureza do Mundo Invertido e o fim das limitações dos poderes de Will serão essenciais na batalha contra Vecna.

Porém, todas as coisas legais mostradas nesse segundo volume acabam sendo eclipsadas por um monte de vai e volta de situações com o objetivo fracassado de criar suspense, além de discussões de situações e romances que caem em uma breguice enjoativa.

O final do volume dois da quinta temporada de “Stranger Things” termina com Vecna iniciando seu plano de mudar nosso mundo à partir do Abismo e dos nossos heróis com um plano para detê-lo de uma vez por todas.

E depois de um volume um bastante ágil e interessante e uma segunda parte cansativa, o episódio final da última temporada de “Stranger Things” finalmente chegou, com mais de duas horas de duração.

O episódio final pode ser dividido em dois momentos: a batalha final contra Vecna e o Devorador de Mentes e o pós-guerra mostrando como os sobreviventes do conflito estão.

A batalha contra Vecna se inicia em sua mente para terminar no plano físico, em mais uma tentativa de criar expectativa e tensão, com Eleven confrontando o vilão cara a cara e os demais heróis a ajudando ou tendo que lidar com a ameaça nível Kaiju que é o Devorador de Mentes. Esse confronto é bem conduzido, me lembrando um bom episódio de anime, com os principais rivais usando seus poderes ao máximo.

Além da batalha final, é revelado como Vecna ganhou seus poderes e foi corrompido pelo Devorador de Mentes. Além dessa revelação interessante foi legal ver que Vecna nunca foi vítima das circunstâncias ou manipulado, que ele estava além e qualquer redenção.

Temos também a redenção de Will, que desde a primeira temporada foi fantoche de Vecna, usando seus poderes contra seu próprio criador e revelando que ele sim era a peça que faltava para vencer o antagonista da série, pois sem sua ajuda, Eleven não venceria Vecna, que se mostrava mais poderoso que ela.

Durante a batalha final existem alguns furos no roteiro sendo o mais gritante fica pela ausência total dos demogorgons e outras criaturas residentes do Abismo. Se essas criaturas fazem parte da Mente Coletiva, por que elas não vieram em auxílio de seus líderes quando estavam sendo atacados? A justificativa dos irmãos Duffer é de que o Abismo é um local vasto, e por isso não existiam esses seres perto. Desculpa aí, mas essa não colou.

A arrogância de Vecna também pode ser considerada um furo narrativo. Sendo um vilão que vem arquitetando desde a primeira temporada e até entes dos eventos dela, sua mente analítica deveria ter pensado que Eleven e Cia viriam ao Abismo tentar pará-lo e dessa forma, ter pensado em contramedidas . Mas o que não se vê são justamente essas contingências contra seu planejamento meticuloso e de longa data. Ou seja, nessa hora, Vecna teve um apagão, emburreceu ou simplesmente se achou fodão demais.

Outra coisa que me incomodou foi que se a batalha contra Vecna foi empolgante, o confronto contra o Devorador de Mentes, que tinha o tamanho do Godzilla, foi bem pífio. O ser que controla todo o Abismo merecia mais respeito e dar mais trabalho a Nancy e os outros que ficaram para detê-lo.

A segunda metade do episódio final serve como uma despedida dos personagens que estão conosco desde 2016. Carregada de emoção, vemos algumas pessoas lidando com o “luto” por perderem uma grande amiga. Aqui paro um pouquinho para dizer que é um tanto broxante ver que em um conflito do nível apresentado, somente uma pessoa “morrer” e por auto sacrifício.

A segunda metade do episódio final de “Stranger Things” mostra que as coisas seguem adiante e que pessoas que amamos não estarão mais tão presentes na nossa vida, mas não serão esquecidas se elas realmente são importantes. Dor, perda, alegria e amizade são alguns dos sentimentos que vemos nesses minutos finais.

E ao terminar com Finn, Dustin, Lucas, Will e Max onde tudo começou lá na primeira temporada, vemos que a amizade sempre foi o fio condutor que ligava esses personagens, em uma mensagem de que se temos pessoas que amamos ao nosso lado, nada é impossível, e que mesmo que a vida siga adiante, essas pessoas nunca deixarão de fazer parte de nós.

Bom, preciso encerrar essa resenha dizendo que se não fosse pela aquela embarrigada que é o volume 2, a temporada final de “Stranger Things” tinha tudo para torna-la a melhor série de 2025, com uma história cheia de ação e emoção, renovando as conexões com personagens que acompanhamos fazem quase dez anos.

Mas os fãs de “Stranger Things” e quem acompanha a série desde o começo não ficarão órfãos dessa história, já que é quase certeza que teremos um spin-off ou uma espécie de prequel que abordará os eventos que levaram o Vecna a matar o homem na mina abandonada e o conteúdo que ele tinha dentro da maleta, afinal “Stranger Things” é uma mina de ouro como “TWD” e “GoT”.

Empolgante e recheada de emoções em quase sua totalidade, a narrativa entrega tudo que é necessário que queríamos ver e por isso que digo, que apesar do péssimo volume 2, vale a pena assistir a quinta e última temporada de “Stranger Things”.

Ficha Técnica:

Título Original: Stranger Things

Título no Brasil: Stranger Things

Gênero: Terror, Ficção Científica, Drama

Temporada:

Episódios: 8

Criadores: Matt Duffer, Ross Duffer

Produtores: Matt Duffer, Ross Duffer, Shaw Levy

Diretores: Matt Duffer, Ross Duffer, Frank Darabont, Shawn Levy

Roteiro: Matt Duffer, Ross Duffer, Caitlin Schneiderhan, Paul Dichter, Curtis Gwinn, Kate Trefry

Elenco: Winona Ryder, David Harbour, Finn Wolfhard, Millie Bobby Brown, Gaten Matarazzo, Caleb McLaughlin, Noah Schnapp, Sadie Sink, Natalia Dyer, Charlie Heaton, Joe Keery, Maya Hawke, Priah Ferguson, Brett Gelman, Cara Buono, Jamie Campbell Bower. Linda Hamilton, Nell Fisher

Companhias Produtoras: Netflix

Transmissão: Netflix

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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