SINOPSE: Após a devastadora guerra contra a RDA e a perda do seu filho mais velho, Jake Sully (Sam Worthington) e Neytiri (Zoe Saldana) devem enfrentar uma nova ameaça: o Povo das Cinzas, uma nova e agressiva tribo Na’vi, conhecida por sua violência extrema e sede de poder, liderada pelo implacável Varang (Oona Chaplin). O misterioso clã é composto por guerreiros que controlam o fogo e cuja lealdade pode desequilibrar o destino do planeta. Diante de novos esforços humanos de colonização e do recente inimigo, a família de Jake deve lutar por sua sobrevivência e pelo futuro de Pandora, caso queiram as suas vidas normais novamente.
James Cameron é um dos maiores diretores da história do cinema e como Stanley Kubrick, Steven Spielberg, Christopher Nolan, Denis Villeneuve e outros, revolucionaram a Sétima Arte.
Entre os feitos de James Cameron estão “Exterminador do Futuro 2”, “Aliens: O Resgate” e “Titanic”, que trouxeram algo inovador e/ou incrível ao cinema. Não satisfeito, em 2009 ele lançava “Avatar”, o primeiro e único longa-metragem filmado em 3D (as outras produções que se intitulam 3D, foram filmadas de modo convencional e convertidas). Essa ousadia e inovação resultou no filme de maior bilheteria da história do cinema, com impressionantes US$ 2,9 bilhões (para um orçamento de US$ 237 milhões).
Programado para ser uma pentalogia, o segundo filme da franquia só saiu treze anos depois de “Avatar”. Essa demora ocorreu, pois, James Cameron desenvolveu uma nova tecnologia para filmar cenas de captura de movimento debaixo d’água (um feito inédito até então). Mas a espera valeu a pena porque em 2022, “Avatar: O Caminho da Água” trouxe um CGI muito mais bonito e um espetáculo visual impressionante, resultando na terceira maior bilheteria de todos os tempos, com US$ 2,3 bilhões de arrecadação (para um orçamento de US$ 350 milhões).
Com quase US$ 6 bilhões de arrecadação em apenas dois filmes, a 20th Century Studios e a Disney aprovaram a produção e filmagem do terceiro longa-metragem da franquia, que chegou esse ano aos cinemas: “Avatar: Fogo e Cinzas”.
Tenho uma opinião tanto sobre “Avatar” e “Avatar: O Caminho da Água” que os filmes são lindos, um verdadeiro espetáculo visual de encher os olhos, principalmente se você estiver em uma sala de cinema de qualidade, mas acho a história dos longas-metragens bem simples e não muito originais: um arroz com feijão narrativo.
Na verdade, “Avatar: Fogo e Cinzas” narrativamente não evoluiu muito. Existem sim acréscimos à história como o surgimento de Varang (Oona Chaplin) e o Povo das Cinzas, a simbiose de Spider (Jack Champion) com a Mãe e a relação envolvendo a deusa dos Na’vi com Kiri (Sigourney Weaver), mas a trama principal me pareceu estagnada.
Essa estagnação narrativa fica bem clara na batalha final desse filme que é igual a do segundo filme, até mesmo em escala. Outros confrontos mais pessoais como o de Jake Sully (Sam Worthington) e o Coronel Miles (Stephen Lang) permanece a mesma coisa. O que quero dizer é que mesmo com acréscimos a história, o cerne principal não se altera.
Enquanto algumas coisas permaneceram iguais, outras são mal desenvolvidas como a prisão de Jake Sully e a simbiose de Spider com o planeta. Enquanto toda a situação envolvendo o cárcere do protagonista de “Avatar: Fogo e Cinzas” é superficial demais e resolvida muito rapdipamente, a nova espécie hibrida de humano e Na’vi parece sem peso: o povo azul do planeta simplesmente aceita e a ganância humana não parece convincente com relação a isso.
Agora um acréscimo muito bem-vindo e interessante é Varang e o Povo das Cinzas. Assim como o Povo da Água é baseado nas tribos havaianas, essa nova etnia me lembrou bastante os maias de “Apocalypto”, mas principalmente a tribo Huron mostrada no filme “O Último dos Moicanos”. O que me remeteu a essa tribo em particular foi tanto a pintura corporal desses Na’vi quanto a violência demonstrada, principalmente no corte do queue, a trança neural que eles usam para se conectar com a flora e a fauna do planeta, que lembra muito o escalpelamento praticado por tribos indígenas guerreiras.
A semelhança do Povo das Cinzas com as civilizações mesoamericanas, principalmente os maias e astecas, fica por conta de dominação por meio do combate brutal e implacável contra outras nações, etnias e espécies. Agora o que realmente impressiona é Varang.
A líder do Povo das Cinzas é implacável e sedenta por poder, querendo dominar os outros povos por meio da força e violência e as fazer acreditar na sua total falta de crença em Eywa. E aqui eu realmente vi algo novo e legal na franquia de James Cameron pois Varang, devido a uma tragédia e a “ausência” de ajuda divina, é o total oposto dos demais Na’vi apresentados até agora em relação à fé na deusa de Pandora.
Essa divergência de crença seria muito legal de ver, mas o que acontece em “Avatar: Fogos e Cinzas” é Varang se tornando amante do coronel Miles e tanto ela como seu povo se tornando subalternos dos humanos na batalha contra Jake Sully e os demais Na’vi.
Mas ainda sim, Varang passa uma aura de vilã que até agora a franquia “Avatar” não tinha trazido. Mesmo o coronel Miles não demonstrou tamanha vilania até agora como a líder do Povo das Cinzas.
Agora com relação à parte visual, o filme continua sendo só elogios. “Avatar: Fogo e Cinzas” é muito bonito e James Cameron utiliza muito bem a paleta de cores. Quando estamos no bioma de Pandora, tudo é colorido e brilhante. Já quando mostra a cidade e locações humanas as cores são mais sóbrias e o ambiente se torna mais escuro.
Mas preciso ser sincero que após três filmes longos, torço para que os dois longas-metragens que faltam mostrem outros biomas como o do Povo das Cinzas, pois existe uma saturação em mostrar sempre a mesma coisa e bater na mesma trama central.
“Avatar: Fogo e Cinzas” ultrapassou recentemente a marca dos US$ 500 milhões na bilheteria mundial. Porém, com um orçamento de US$ 400 milhões mais o custo com publicidade, o terceiro filme da franquia de James Cameron precisa fazer muito mais para se tornar um filme rentável. O próprio diretor disse que “Avatar: Fogo e Cinzas” precisa arrecadar mais de US$ 1 bilhão para se tornar lucrativo.
Acredito que a Disney e 20th Century Studios devam dar sinal verde para James Cameron produzir um “Avatar 4”, mas devido ao histórico dos dois filmes anteriores da franquia, os estúdios esperam superar os US$ 2 bilhões de arrecadação. Minha opinião é que será bem difícil que “Avatar: Fogo e Cinzas” alcance essa marca.
Esse terceiro filme da franquia é lindo visualmente, mas inferior a “Avatar: O Caminho da Água”, mesmo apresentando uma vilã tão boa. Minha impressão é que não existe evolução narrativa e nem técnica. Porém, mesmo apresentando essa fadiga na fórmula criada por James Cameron, ainda vale a pena assistir “Avatar: Fogo e Cinzas”.
Ficha Técnica:
Título Original: Avatar: Fire and Ash
Título no Brasil: Avatar: Fogo e Cinzas
Gênero: Aventura, Ficção Científica
Duração: 197 minutos
Diretor: James Cameron
Produção: James Cameron, Jon Landau
Roteiro: James Cameron, Rick Jaffa, Amanda Silver
Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldaña, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Kate Winslet, Oona Chaplin, Cliff Curtis, Joel David Moore, CCH Pounder, Edie Falco, Brendan Cowell, Jemaine Clement, Giovanni Ribisi, David Thewlis, Britain Dalton, Jack Champion, Trinity Jo-Li Bliss, Jamie Flatters, Bailey Bass, Filip Geljo, Duane Evans Jr., Matt Gerald, Dileep Rao
Companhias Produtoras: Lightstorm Entertainment
Distribuição: 20th Century Studios
