SINOPSE: Depois de abandonar as pistas, o lendário piloto Sonny Hayes (Brad Pitt) é convencido a voltar a correr para apoiar Joshua Pearce (Damson Idris), o jovem novato da escuderia fictícia ApexGP. Disposto a todos os riscos, Sonny monta uma estratégia para fazer a equipe se tornar vitoriosa, para isso ele precisará do apoio da comissão técnica e de pessoas influentes do esporte, mostrando que a corrida vai muito além das curvas dos autódromos.

Em 2022, o diretor Joseph Kosinski, o produtor Jerry Bruckheimer e o roteirista Ehren Kruger lançaram “Top Gun: Maverick”, sequência direta de “Top Gun”, de 1986. Reciclando a atualizado a fórmula do longa-metragem original, “Top Gun: Maverick” arrecadou impressionantes US$ 1,5 bilhão (para um orçamento de US$ 170 milhões).

Vendo o sucesso de “Top Gun: Maverick”, Kosinski, Bruckheimer e Kruger levaram adiante uma ideia iniciada em 2021: a de fazer um filme sobre a classe rainha do automobilismo mundial, utilizando a mesma fórmula dos longas metragens estrelados por Tom Cruise.

Dessa forma, em parceria com a Apple Original Films, chegou esse ano “F1”, esperando que o raio da bilheteria bilionária caísse novamente.

Se estamos falando em repetir a fórmula de sucesso de “Top Gun: Maverick”, a primeira decisão foi escolher o ator a viver o protagonista. Se o filme de aviação e combate tem Tom Cruise, então a escolha não poderia ser mais óbvia de qual ator deveria protagonizar “F1”: Brad Pitt, já que nas décadas de 1980 e 1990, os dois atores disputavam e dividiam o posto de galã de Hollywood.

Já que a fórmula a ser seguida era a que foi usada em “Top Gun: Maverick”, esse filme precisava mostrar realismo nas cenas de pilotagem dos carros de Fórmula 1. E o resultado alcançado em “F1” é tão impressionante quanto ao mostrado no longa-metragem protagonizado por Tom Cruise.

Alguns fatores contribuíram para o realismo nas cenas em que vemos Sonny Hayes e Sonny Hayes pilotando seus bólidos automotivos. A primeira coisa que ajudou muito nesse ponto foi a entrada de Lewis Hamilton, como produtor e consultor do filme. A presença do heptacampeão de Fórmula 1, com toda sua experiência e vivência nesse esporte, ajudou na construção dos personagens de Brad Pitt e Damson Idris.

Outro ponto que garante o realismo de “F1” é autorização da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) para gravar durante os fins de semana de Grandes Prêmios dos Campeonatos Mundiais de 2023 e 2024 de Silverstone (Inglaterra), Spa-Francorchamps (Bélgica), Monza (Itália), Zandvoort (Holanda), Suzuka (Japão), Hermanos Rodriguez (México), Las Vegas (EUA) e Yas Marina (Emirados Árabes). Como o filme se passa durante a temporada de 2023 e foi filmado durante essa e a temporada de 2024, muitos pilotos e membros de equipes de Fórmula 1 aparecem no longa-metragem como Fernando Alonso, Charles Leclerc, Lando Norris, George Russell, Carlos Sainz Jr., Zak Brown (CEO da McLaren), Frédéric Vasseur (chefe de equipe da Ferrari), Toto Wolff (chefe de equipe, CEO e coproprietário da Mercedes), entre outros.

Um detalhe interessante: Lewis Hamilton no filme parece transmitir um certo ar de arrogância em um determinada cena quando o heptacampeão olha para Joshua Pearce. Será que essa ideia partiu do próprio heptacampeão, como se precisasse haver um “antagonista” para os pilotos da equipe ApexGP?

Agora o que mais confere realismo ao filme é o fato de tanto Brad Pitt e Damson Idris terem dirigido durante os finais de semana de corrida, fora das sessões oficiais, um carro de Fórmula 2 modificado com um pacote aerodinâmico de Fórmula 1, construído em colaboração com a equipe Mercedes-AMG F1 e a Carlin Motorport. Junte isso aos meses de treinamento dos atores com Lewis Hamilton para pilotarem esses bólidos e o resultado é o espetáculo visual que vemos na tela.

Esse realismo da pilotagem em “F1” é captado através das câmeras utilizadas pela categoria durante as sessões, porém em alguns ângulos diferentes que ficaram muito legais. Aliás toda a fotografia do filme está muito boa, conferindo autenticidade à história contada.

Com relação à história, “F1” segue um arroz com feijão, sem nenhuma novidade. Inclusive, algumas coisas ficam bem deslocadas e desnecessárias, sendo o maior exemplo o romance entre Sonny e Kate McKenna (Kerry Condon). Essa parte existe por força de uma fórmula para esse tipo de longa-metragem, mas fica bem claro que a trama não sofreria impacto nenhum se não houvesse esse envolvimento entre os personagens.

Com relação às interpretações, a de Brad Pitt é a que se destaca, porém mais pelo protagonismo do personagem do que algo oriundo do talento do ator. Mas as atuações medianas são resultado do roteiro e da direção do filme que está focada em trazer realismo e autenticidade nas cenas envolvendo a pilotagem dos carros. Posso fazer um paralelo com os longas-metragens do Monstroverso (universo cinematográfico compartilhado focado em Kaijus como Godzilla e King Kong): queremos ver os monstros destruindo tudo e saindo na porrada e não ver os atores e atrizes envolvidos. Mas em “F1” a presença do elenco ainda tem uma função importante para o desenrolar da trama.

“F1’ segue um roteiro que já vemos em tantos filmes de ação como “Top Gun”, “Dias de Trovão” e outros, mas apesar disso fez um relativo sucesso, arrecadando US$ 631 milhões nas bilheterias mundiais (para um orçamento de US$ 200 milhões).

Porém, as críticas são divididas, principalmente por parte dos aficionados por Fórmula 1 que viram inconsistência com a realidade, sendo a maior delas o comportamento “Dick Vigarista” de Sonny Hayes para alcançar os resultados na pista, lembrando bastante o Singapuragate: a Renault mandou Nelson Piquet Jr. bater de propósito para beneficiar o companheiro de equipe, o bicampeão Fernando Alonso e ganhar a corrida.

“F1” apesar das controvérsias, traz bastante realismo para quem está assistindo, principalmente nas cenas envolvendo pilotagem. Além disso, o longa-metragem se baseou em algumas situações que realmente aconteceram no circuito da Fórmula 1, como o acidente de Sonny Hayes (uma clara inspiração na batida de Martin Donnelly no GP da Espanha de 1990), o acidente de Joshua Pearce em Monza (que lembra bastante o que ocorreu com o piloto Alex Peroni) e a rixa entre Hayes e Pearce dentro da mesma equipe (que lembra Prost x Senna e Alonso x Hamilton).

Realista na hora que importa e com uma história arroz com feijão que consegue agradar os fãs de ação, vale a pena assistir “F1”.

Ficha Técnica:

Título Original: F1

Título no Brasil: F1

Gênero: Ação

Duração: 156 minutos

Diretor: Joseph Kosinski

Produção: Jerry Bruckheimer, Joseph Kosinski, Lewis Hamilton, Brad Pitt, Dede Gardner, Jeremy Kleiner, Chad Oman

Roteiro: Ehren Kruger

Elenco: Brad Pitt, Damson Idris, Kerry Condon, Javier Bardem, Tobias Menzies, Kim Bodnia, Sarah Niles, Will Merrick, Joseph Balderrama, Abdul Salis, Callie Cooke, Samson Kayo, Simon Kunz, Liz Kingsman, Luciano Bacheta, Shea Whigham, Kyle Rankin

Companhias Produtoras: Apple Studios, Jerry Bruckheimer Films, Plan B Entertainment, Monolith Pictures, Dawn Apollo Films

Distribuição: Warner Bros. Pictures, Apple Original Films

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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