SINOPSE: Neste último capítulo da franquia, acompanhamos a família Smurl que passam a ser aterrorizada por entidades perigosas. Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga) acabam se envolvendo e descobrem que o caso se conecta ao passado deles e a um espelho amaldiçoado que está ligado à vida de Judy (Mia Tomlinson).
Em 2013, James Wan lançava “Invocação do Mal”, filme que daria início ao Invocaverso. A franquia consiste em longas-metragens que acompanham Ed e Lorraine Warren enfrentando as forças da capirotagem. Após doze anos, chega em 2025 o quarto e último capitulo do Invocaverso: “Invocação do Mal 4: O Último Ritual”.
A filme começa em 1964, com os adolescentes Ed e Lorraine investiando um caso em um loja de antiguidades. Lá, encontram um espelho estranho, que ao ser tocado libera uma força demoníaca. Esse encontro traz consequências graves: Lorraine entra em trabalho de parto e é levada às pressas para o hospital, onde após um trabalho de parto complicado, dá à luz um natimorto, obra do tinhoso do espelho que estava espreitando tudo. Após pegar sua sua bebê morta no colo e rezar para o Pai Celestial, Lorraine é agraciada com um milagre: sua filha volta à vida.
O que achei interessante nesse começo, além de ter implicações no desenrolar do filme, é tentar criar empatia pela família Warren. Desde o primeiro longa-metragem do Invocaverso, os responsáveis tentam mostrar que por trás de todas as forças sobrenaturais enfrentadas, temos uma família unida e amorosa.
O problema é que nenhum filme conseguiu passar esses sentimentos ou o amor inabalável que Ed e Lorraine sentem um pelo outro. Sempre fico com a impressão de algo raso, forçado. Mas o início desse filme e aposentadoria prematura de Ed, devido ao que aconteceu no terceiro longa-metragem, criam um ambiente em que é mais palatável sentir os sentimentos existentes entre os integrantes da família Warren.
Aliás, o drama familiar é o ponto fraco em “Invocação do Mal 4”, como em todo Invocaverso. Alguns podem argumentar que se queremos drama, então devemos assistir um filme de drama; e até concordo em partes, porém essas situações visam humanizar os personagens e assim criar uma conexão com o espectador. Quando essa conexão é criada, nos importamos e nos preocupamos com os personagens, potencializando a sensação de medo e perigo que os filmes de terror imprimem no espectador.
Agora algo que me surpreendeu positivamente em “Invocação do Mal 4” é o terror psicológico apresentado, muito parecido com o que senti no primeiro filme do Invocaverso. A transição entre olhares assustados e cantos ou locais escuros e aparentemente sem ninguém criam a expectativa e a tensão em que assiste o filme, nos fazendo imaginar quem ou o quê está nesses locais específicos.
Realmente gostei desse tom mais psicológico em empregar terror do que uma sucessão de jump scares. Dessa forma, quando os sustos acontecem, eles são potencializados pela expectativa criada antes.
A trama de “Invocação do Mal 4” também é mais simples que a do filme anterior do Invocaverso, tanto que o plano do demônio em infestar a família Smurl fica evidente bem antes do desfecho. Aqui é necessário, dizer que o roteiro misturou o caso “real” da família Smurl com a história fictícia da família Warren criada para o longa-metragem.
Na verdade, o que senti assistindo “Invocação do Mal 4” é que os responsáveis por essa produção cinematográfica voltaram às raízes do primeiro filme, tanto no terror como na simplicidade em criar esse sentimento em quem assiste. Acredito que James Wan tenha se envolvido mais na parte criativa desse longa-metragem, já que o diretor Michael Chaves não teve tanto êxito em outros trabalhos dentro do Invocaverso e seus spin-offs. E como trata-se do capítulo final da franquia, faz total sentido que o criador dela empreste todo seu talento.
Os confrontos sobrenaturais em si estão dentro da fórmula do Invocaverso, nada muito diferente do que já vimos, mas que deve ter agradado os fãs da franquia. Mas uma cena dessas me chamou bastante a atenção que é a possessão de Judy que se apresenta como uma presença assustadora e que transmite perigo. Essa aparência demoníaca é fruto de uma maquiagem simples, mas muito bem utilizada.
O desfecho do filme envolve uma briga contra o espelho endemoniado. De tantos confrontos finais que poderiam pensar, o que foi mostrado em “Invocação do Mal 4” me pareceu bem estranho e desinteressante. Mas olhando para o histórico da franquia, está condizente com o que vimos nos longas-metragens anteriores.
Não vou entrar em aspectos técnicos como atuação, fotografia e outros, porque todos eles são utilizados para atender a história, sem nenhum grande destaque.
“Invocação do Mal 4” se tornou o filme de maior bilheteria do Invocaverso, arrecadando US$ 496 milhões ao redor do mundo. Tendo em vista que ele custou US$ 55 milhões, podemos dizer que o capítulo final dos Warren é mais um sucesso financeiro.
Apesar de anunciado com o “último ritual”, o a franquia principal continuará, isso graças a sua rentabilidade (os quatro filmes “Invocação do Mal” arrecadaram cerca de US$ 1,5 bilhão nas bilheterias para um orçamento combinado de aproximadamente US$ 150 milhões). A Warner oficializou o desenvolvimento de uma série de TV (detalhes sobre a trama ainda não foram revelados) e um filme prequel, que se concentrará nos primeiros anos dos Warren.
O primeiro filme do Invocaverso causou um impacto gigantesco no cinema de terror e iniciou uma das franquias mais lucrativas da história da Sétima Arte. Mas com o decorrer dos anos os outros longas-metragens da história principal e seus spin-offs não alcançaram o mesmo brilho. O último ritual dos Warren vividos por Vera Farmiga e Patrick Wilson fica nesse bolo, mas fecha de forma competente, entregando tudo que os fãs do Invocaverso queriam e mereciam.
Então, só posso dizer que vale a pena assistir “Invocação do Mal 4: O Último Ritual”.
Ficha Técnica:
Título Original: The Conjuring: Last Rites
Título no Brasil: Invocação do Mal 4: O Último Ritual
Gênero: Terror
Duração: 135 minutos
Diretor: Michael Chaves
Produção: James Wan, Peter Safran
Roteiro: Ian Goldberg, Richard Naing, David Leslie Johnson-McGoldrick
Elenco: Vera Farmiga, Patrick Wilson, Madison Lawlor, Orion Smith, Mia Tomlinson, Ben Hardy, Rebecca Calder, Elliot Cowan, Kíla Lord Cassidy, Beau Gadsdon, Molly Cartwright, Peter Wight, Kate Fahy, John Brotherton, Shannon Kook, Lili Taylor, Mackenzie Foy, Frances O’Connor, Madison Wolfe, Julian Hilliard, James Wan
Companhias Produtoras: New Line Cinema, Atomic Monster Productions, The Safran Company
