Howard Phillips Lovecraft (20/08/1890 – 15/03/1937) foi um escritor americano de ficção estranha, terror, fantasia e ficção científica. Suas obras, independentemente de suas convicções sociais e políticas, influenciaram dezenas de escritores durante sua vida e principalmente após sua morte.

H.P. Lovecraft durante vida nunca foi considerado um grande escritor e nunca foi capaz de se sustentar através de suas obras. Somente após sua morte o autor veio a ser considerado um nome muito importante quando se trata de ficção sobrenatural e terror. Sua obra influenciou e influencia diversas outras mídias. Seu trabalho originou o subgênero da ficção de terror conhecido como Terror Lovecraftiano, também chamado de Horror Cósmico.

Segundo a Wikipedia, os temas centrais e a atmosfera do Horror Cósmico foram apresentados pelo próprio Lovecraft em “Supernatural Horror in Literature”, que são:

  • Medo e admiração que sentimos quando confrontados com fenômenos além de nossa compreensão, cujo âmbito se estende além do campo estreito dos assuntos humanos e se vangloria de uma significância cósmica.
  • Contemplação do lugar da humanidade no vasto e desconfortável universo revelado pela ciência moderna em que o terror brota da descoberta de uma verdade terrível”.
  • Fusão naturalista de terror e ficção científica em que as presunções sobre a natureza da realidade são desconstruídas.
  • Progresso tecnológico e social que facilitou a repressão calculada da natureza horripilante do cosmos como uma reação ao seu terrível essencial.
  • Protagonistas impotentes diante de poderes incompreensíveis e inescapáveis, reduzindo o ser humano de uma posição privilegiada à insignificância e incompetência.
  • Preocupação com texturas viscerais, substâncias semi-gelatinosas proteicas e lodo, em oposição a outros elementos de horror, como sangue, ossos ou cadáveres.

Para evidenciar essa insignificância do ser humano perante a grandeza do universo, Lovecraft criou criaturas colossais ou dotadas de poderes além e qualquer escala conhecida devido a nossa incapacidade de sequer imaginar tais criaturas. O ser humano, com suas faculdades limitadas, nunca poderá compreendê-las por completo e os que se depararam com tais revelações serão levados à loucura.

Diante disso, podemos dizer que existem dois grupos dessas criaturas: os Grandes Antigos e os Deuses Exteriores.

Os Grandes Antigos são seres cósmicos ancestrais, poderosos e incompreensíveis, que precedem a existência da Terra. Originários do espaço ou de outras dimensões, eles foram os primeiros a governar o planeta. Possuem poder imenso, tecnologias e conhecimentos esotéricos que os fazem parecer deuses, capazes de influenciar a vida e a realidade e apesar de terem conhecimento, são indiferentes à humanidade.

Os Deuses Exteriores são divindades cósmicas que regem o universo conhecido. Geralmente, não possuem um propósito além de serem o que são. Mas apesar dessa indiferença, exercem grande influência sobre a realidade.

Os Deuses Exteriores são as entidades mais poderosas nas obras de H.P. Lovecraft e são para os Grandes Antigos o que estes são para a humanidade.

Diante disso, o Cinemaníacos selecionou dentro do vasto acervo de seres criados por Lovecraft, alguns dos Grandes Antigos e Deuses Exteriores que entendemos terem uma relevância maior dentro do Horror Cósmico.

As artes a seguir e que acompanha as breves descrições desses seres, foram geradas por IA e pela imaginação fértil desse que vos escreve.

Dagon

Dagon é um Grande Antigo, que serve a entidades maiores. Ele é frequentemente referido como “Pai Dagon” e junto com “Mãe Hydra”, é cultuado na cidade amaldiçoada de Innsmouth.

Sua aparência mais aceita é de uma criatura monstruosa e colossal, um híbrido horrendo e blasfemo de características aquáticas, que lembram vagamente um humano, como braços por exemplo, embora muitas vezes esse apêndices sejam descritos como tentáculos.

Dagon aparece nos contos “A Sombra sobre Innsmouth” e “Dagon”.

Cthulhu

Dos Grandes Antigos é o mais poderoso, reinando sobre todos os demais, inclusive Dagon. Enquanto dorme na cidade submersa de R’lyeh, localizada no Pacífico Sul, projeta sua influência telepática no inconsciente coletivo da humanidade, causando ansiedade e terror indefinidos. Ele aguarda o momento em que “as estrelas estarão certas” para despertar e retomar seu domínio sobre a Terra.

Cthullu costuma ser descrito com uma cabeça que lembra um polvo, cheia de tentáculos, enquanto seu corpo de estrutura vagamente antropomórfica é coberto por escamas, tendo também garras e asas. A mera visão dele (ou até mesmo sonhar com ele) é suficiente para levar as pessoas à loucura. Ele está fora das leis da física e da biologia conhecidas, e seu conhecimento e poder são tão vastos que destrói a sanidade da mente humana.

Sua primeira aparição acontece no conto “O Chamado de Cthulhu”.

Hastur

Hastur, o Inonimável, é um Grande Antigo que vive na cidade mítica e decadente de Carcosa, que existe em um plano de realidade diferente, possivelmente no sistema estelar das Híades, perto do Lago Hali. Ela é eternamente envolta em névoa e escuridão, com seus famosos sóis gêmeos pairando no céu.

Hastur não era originalmente uma criação de Lovecraft, e sim de Ambrose Bierce, depois muito explorado por Robert W. Chambers. Era comum no círculo de Lovecraft que histórias fossem criadas no mesmo universo, sendo os próprios Mitos de Cthulhu estabelecidos dessa forma.

Dessa forma, Lovecraft que era um grande admirador da obra de Chambers, incorporou Carcosa, o Rei de Amarelo, Hastur e o Lago Hali a suas próprias obras.

A descrição de Hastur é ambígua e muitas vezes é percebida através de seus avatares sendo a do rei de Amarelo a mais comum: humanoide, usando um manto amarelo pesado, esfarrapado e decadente, com um capuz que cobre toda a cabeça. Sob o capuz, diz-se que ele usa uma máscara pálida, branca e sem expressão. Muitas descrições sugerem que ele flutua ou se move de forma não natural.

Nos contos de Lovecraft, Hastur é mencionado em “Sussurros na Escuridão”.

Shub-Niggurath

Shub-Niggurath é um Deus Exterior e uma das mais importantes e aterradoras entidades do panteão de H. P. Lovecraft. Também conhecida como A Cabra Negra da Floresta com Mil Filhotes, é essencialmente a força da vida incontrolável e do crescimento caótico do universo.

Sua aparência é vaga e incompreensível, mas costuma ser descrita como uma massa disforme, colossal e escura que se contorce, da qual emergem e se retraem tentáculos negros e viscosos, bocas pingando lodo, órgãos grotescos e pequenas pernas contorcidas de cabra.

Shub-Niggurath é apresentada em “O Último Teste”.

Nyarlathotep

Nyarlathotep é o oposto dos outros Deuses Exteriores, pois não vive exilado nos confins do universo e sim livre e muitas vezes, andando pelo nosso planeta. Ao contrário da maioria dos Deuses Exteriores, que são forças cósmicas sem mente, Nyarlathotep tem inteligência, malícia e uma personalidade ativa.

Nyarlathotep age como o mensageiro e executor dos Deuses Exteriores, principalmente de Azathoth, servindo como a “alma” ou “coração” do Deus Idiota Cego. Seu principal passatempo é manipular a humanidade, semear a discórdia, estabelecer cultos para seus mestres e o mais importante, levar as pessoas à loucura de forma sádica e calculada.

Nyarlathotep é um ser que pode assumir milhares de formas, adaptando-se para enganar e aterrorizar suas vítimas. Entre os avatares mais conhecidos estão o Homem Negro, o Grande Faraó e a Esfinge. Mas sua forma não-humana é frequentemente descrita como uma massa negra, viscosa e tentacular, muitas vezes emitindo sons guturais e rastejando. Dessa forma, Nyarlathotep também é conhecido como o Caos Rastejante.

Sua aparição mais emblemática é no conto “Nyarlathotep”.

Yog-Sothoth

O Deus Exterior que é a personificação do espaço-tempo. Nos contos de Lovecraft, ele está preso fora do universo, sendo uma criatura onisciente que vê e sabe de tudo, existindo ao mesmo tempo no passado, presente e futuro. Além dessa onisciência, é uma das poucas entidades cósmicas desse panteão que se relaciona com a humanidade, inclusive para criar descendência.

Sendo a totalidade do conhecimento, Yog-Sothoth possui alguns títulos como o Tudo-em-Um e Um-em-Tudo, o Guardião da Porta, a Chave e o Próprio Portal, o Horror Além do Tempo.

Sua aparência é uma das mais perturbadoras e menos sólidas de todo o panteão dos Deuses Exteriores, sendo descrito como um vasto aglomerado de esferas ou bolhas iridescentes e translúcidas, que se fundem e se separam em uma dança cósmica perpétua. Seu tamanho é colossal, maior que nosso planeta.

Yog-Sothoth é apresentado no livro O Caso de Charles Dexter Ward

Azathoth

Azathoth é a entidade mais poderosa e fundamental de todos os Deuses Exteriores, sendo a própria fonte do universo. Uma das teorias mais assustadoras sobre essa entidade é que o nosso universo e tudo que existe nele, é apenas um fragmento de seu sonho inconsciente. Se Azathoth acordasse de seu sono eterno e caótico, a totalidade da realidade desapareceria instantaneamente, pois deixaria de ser sonhada.

Azatoth dorme no centro do universo, onde é embalado por uma corte de Deuses Exteriores Menores que tocam continuamente flautas e tambores de forma monótona e insana, e assim impedindo que ele acorde e apague tudo.

Azatoth possui títulos como o Caos Nuclear e Deus Cego e Idiota, pois apesar de ser a fonte de toda a criação, ele é sem mente, cego, inconsciente e totalmente alheio ao universo que ele irradia.

A falta de definição clara decorre do fato de que cada um vê Azathoth de maneira diferente, além de a entidade estar em constante mutação. Uma descrição diz que o Sultão Demônio é uma massa amorfa, borbulhante e disforme de caos e energia que se contorce e se agita no centro do universo.

Azatoth é mencionado em “À Procura de Kadath”.

Yog-K’thaa

Yog-K’thaa a personificação do Vazio Estelar e da Escuridão Primordial, cuja própria existência é a fronteira entre a criação e o nada. O terror é não a criatura em si, mas o vazio incompreensível que ela representa e governa.

Senhor entre os espaços, Yog-K’thaa não é um Deus Exterior, pois vive fora do universo sonhado por Azathoth. Na realidade, ele vive fora de qualquer universo conhecido ou imaginado.

Sua descrição aproximada é de uma entidade cósmica titânica e amorfa, feita de trevas retorcidas. Seu corpo se eleva do vazio, manipulando o espaço, segurando ou emergindo de um buraco negro central ou vácuo pulsante, que são as aberturas para o Vazio.

Yog-K’thaa emana uma aura de vácuo, silêncio e poder primordial e essa é sua primeira aparição, pois à partir de imagens encontradas na internet e meu conhecimento, fiz um fanservice a Lovecraft e ao Horror Cósmico que tanto gosto.

Então reverenciem e enlouqueçam diante daquele que sustenta todos os universos, inclusive o sonhado por Azathoth. Esse é Yog-K’thaa: o Vácuo Que Sonha, o Centro do Vazio.

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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