SINOPSE: Ellison (Ethan Hawke) é um escritor de true crimes, desesperado para repetir o sucesso de seu primeiro livro e se muda com a família para uma casa onde uma família foi brutalmente assassinada. No sótão da nova moradia ele descobre antigos rolos de filme, que trazem imagens de pessoas sendo mortas. Intrigado com o que elas representam e com um estranho símbolo presente nas imagens, ele e sua família logo passam a correr sério risco de morte.

Em 2005, Scott Derrickson entrava para o hall dos grandes nomes do cinema de terror com “O Exorcismo de Emily Rose”. Depois, em 2005, o diretor, roteirista e produtor se arriscou na ficção científica, dirigindo “O Dia Em Que A Terra Parou”,que dividiu opiniões e foi um fracasso nas bilheterias.

Dessa forma, em 2012, Scott Derrickson retornou ao terror e juntamente com Jason Blum, trazia seu filme mais perturbador e assustador: “A Entidade”.

No início do filme temos a família Oswalt se mudando para a casa do assassinato que é mostrado já na primeira sequência do longa-metragem. Mas isso é só o cartão de visitas do que está por vir, pois “A Entidade” é um filme agourento em sua completude.

Tudo nesse filme foi pensado para deixar o espectador desconfortável, a começar pela iluminação da casa para onde os Oswalt se mudam, um local de sombras e pouca claridade durante o dia e cheio de cantos escuros e a quase ausente de luz durante à noite, passando a sensação de que o local acomoda algo estranho e insidioso.

A própria casa possui uma estrutura opressora e claustrofóbica, com seus pisos e papéis de parede escuros e estranhos e aposentos e corredores estreitos. Associe isso à pouca iluminação utilizada em “A Entidade” e temos o palco perfeito para uma casa assombrada e infestada por uma força maligna de tempos imemoriais.

E para reforçar essa sensação de mau agouro perpetuo, temos a trilha sonora e os efeitos sonoros de “A Entidade”, que perturbam e incomodam a quem está assistindo, com uma das músicas, que é a coisa mais bizarra de todo o filme, que parece estar sendo tocada em um toca-discos antigo e ao contrário, com vários sons ao fundo.

Com o palco desses preparado, os demais elementos de terror são potencializados. Os filmes encontrados e assistidos por Elison mostram famílias felizes em atividades recreativa e depois cortam para o assassinato brutal dessas pessoas, de forma seca e crua. A filmagem em Super 8 (formato de filme de 8mm muito popular nas décadas de 1960 e 1970), com imagens granuladas dão um toque especial e mostra que tais atos vis acontecem há muito tempo. Os piores assassinatos são a da família queimando viva dentro de um carro e das pessoas sendo mortas por um cortador de grama, onde Scott Derrickson traz o maior e melhor jump scare do longa-metragem.

As filmagens possuem um papel importante no elemento sobrenatural de “A Entidade, já que são fundamentais para a perpetuação da lenda de Bagul ou Bughuul, uma divindade pagã babilônica, que por sua vez, tem relação com o desaparecimento das crianças desaparecidas em cada um dos assassinatos brutais mostrados nas fitas.

Elison então se vê em uma encruzilhada, pois por um lado tem uma história que pode lhe devolver o sucesso, mas quanto mais se aprofunda nos assassinatos e no mistério das crianças desaparecidas, mais ele e sua família são afetados pela força sobrenatural que existe por trás disso tudo.

Os elementos sobrenaturais funcionam muito bem. E reassistindo, me surpreendi com a pouca quantidade de jump scares existente no filme, com o terror psicológico predominando. Porém, uma única coisa não funciona, que é justamente são as aparições de Bagul. Entendo que “A Entidade” é um longa-metragem de baixo orçamento, mas a maquiagem e o figurino do deus pagão babilônico parecem ter saído de um campeonato de cospobre.

O final de “A Entidade” é condizente com tudo que é mostrado ao longo do filme e qualquer outro desfecho seria bem anticlímax.

“A Entidade” foi um sucesso financeiro, arrecadando US$ 87,7 milhões nas bilheterias para um orçamento de US$ 3 milhões. E com isso, é claro que tivemos uma continuação. Mas “A Entidade 2” é tão inferior em relação ao primeiro filme que não faz falta nenhuma.

“A Entidade” está na segunda colocação dos filmes mais assustadores do mundo, segundo o Ciência do Medo, que é um ranking realizado pelo portal Broadband Choices. Para isso, eles reúnem 250 pessoas e captam o batimento cardíaco por minuto (BPM) delas durante a exibição de uma seleta lista de filmes de terror. “A Entidade” rendeu um jump scare de 130 BPM e frequência média de 86 batimentos por minutos no estudo.

“A Entidade” teve críticas e opiniões bastante divididas, com muitos dizendo que o filme é um requentado de clichês e outros elogiando o clima sombrio e perturbador e a ótima condução narrativa. Eu sou do segundo grupo.

Pelo clima sombrio e perturbador constante, que transformam esse filme em uma história agourenta do começo ao fim, digo que vale muito a pena assistir “A Entidade”!

Ficha Técnica:

Título Original: Sinister

Título no Brasil: A Entidade

Gênero: Terror

Duração: 110 minutos

Diretor: Scott Derrickson

Produção: Jason Blum, Brian Kavanaugh-Jones

Roteiro: Scott Derrickson, C. Robert Cargill

Elenco: Ethan Hawke, Juliet Rylance, Fred Thompson, James Ransone, Michael Hall D’Addario, Clare Foley, Vincent D’Onofrio, Nicholas King, Victoria Leigh, Danielle Kotch, Cameron Ocasio, Ethan Haberfield, Blake Mizrahi

Companhias Produtoras: Blumhouse Productions, Automatik, Alliance Films, IM Global

Distribuição: Paris Filmes

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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