SINOPSE: Quando Luke Ellis (Joe Freeman), um gênio de 12 anos, é sequestrado, ele acorda no Instituto, uma instalação cheia de crianças que chegaram lá da mesma maneira que ele e que possuem habilidades incomuns. Em uma cidade próxima, o assombrado ex-policial Tim Jamieson (Ben Barnes) veio em busca de começar uma nova vida, mas a paz e a tranquilidade não irão durar, uma vez que sua história e a de Luke estão destinadas a colidir.
Em 2025 vamos ter nada mais, nada menos, que seis adaptações de obras de Stephen King. Nos cinemas já tivemos “O Macaco” e vão estrear: “A Vida de Chuck” (04/09/2025), “A Longa Marcha” (11/09/2025) e “O Sobrevivente” (06/11/2025). Já na televisão e no streaming teremos “IT: Bem-Vindos a Derry” (previsão para 10/2025) e “O Instituto”, série que adapta o livro homônimo de Stephen King.
E como toda adaptação de uma obra do Mestre do Terror Contemporâneo, não costuma haver meio termo: ou ela é boa ou ela é ruim. Sendo assim, “O Instituto”, disponível na MGM+, fica de qual lado?
Primeiro devo dizer que lembro de algumas coisas do livro que serve de material base para a série, mas que dentro da vasta bibliografia de Stephen King, e principalmente de suas obras mais recentes, “O Instituto” é um bom livro, com um texto enxuto e que lembra bastante os velhos tempos do escritor.
A série da MGM+ segue os pontos principais do livro, dentro do que me lembro, mostrando uma organização que sequestra crianças dotadas de TC (telecinese) e TP (telepatia), que são submetidas a exames e experimentos para potencializar esses poderes e fazerem parte do “zumbido”, que tem como objetivo “proteger” o mundo.
“O Instituto” apresenta muito bem alguns personagens, bem como da trama principal. No núcleo infantil e adolescente que corresponde às crianças e jovens dotadas de TC e TP, o destaque, é claro, fica por conta de Luke Ellis. O protagonista tem um bom desenvolvimento narrativo, mostrando seu QI elevado, ao fazer uma prova e terminando em poucos minutos, sua ânsia de frequentar uma universidade fora da cidade onde mora, sua breve inteiração com os pais sobre esse e outros assuntos. Depois, ao ser sequestrado e levado para o Instituto, vemos sua mente analítica trabalhando e descobrindo os pormenores do local e da missão de “salvar o mundo” que ela conduz.
Dessa forma, é claro que o roteiro favorece o protagonista, lhe dando esse destaque na trama, porém o ator Joe Freeman tem seus méritos, não na totalidade da sua atuação, em apresentar um personagem com poderes que não entende e uma imaginação bem acima da média, precisando lidar com uma situação totalmente insólita e fora dos padrões normais.
Outro destaque desse grupo é Avery Dixon, um poderoso TP positivo, ou seja, uma criança de apenas 10 anos que possui completo controle de suas enormes habilidades de telepatia. Com sua capacidade de ler e conectar mentes, Avery é o fiel da balança para as crianças e adolescentes dotadas de poderes virarem o jogo contra seus captores. O ator Viggo Hanvelt, dá um show de interpretação, com alguns deslizes, mas credito essas falhas a sua idade e à sua condução em cena.
Porém, tirando Luke e Avery, os demais integrantes desse grupo infanto-juvenil com habilidades extra-sensoriais são coadjuvantes, e o roteiro e a direção da série não se preocupa em criar conexões desses personagens conosco. Suas motivações e dramas, quando exibidos, vem e vão com peso zero para a trama. Um exemplo é Nick (Fionn Laird) que possui alguns traumas, que o fazem sentir raiva e uma dor emocional muito grandes, mas que nunca são explorados durante os episódios e só foi mencionado para justificar sua rebeldia contra o sistema existente no Instituto. Sua existência na série, aliás, é somente instigar Luke a usar sua inteligência acima da média para elaborar um plano de fuga.
O outro protagonista da série, é o total inverso de Luke, quando medimos o interesse em acompanhar sua história. Tim Jamieson (Ben Barnes) é um ex-policial condecorado que viaja pelos Estados Unidos e acaba em uma cidadezinha no Maine, onde aceita o trabalho de vigia noturno e tenta se recuperar de um evento traumático quando ele integrava a força policial.
O problema é que tudo no personagem de Ben Barnes parece cansado: sua história, sua forma de agir e tudo e todos que fazem parte dos eu núcleo narrativo. E mesmo escalando Ben Barnes (Principe Caspian dos filmes das “Crônicas de Nárnia”, Billy Russo e Darkling das séries da Netflix: “Justiceiro” e “Sombras e Ossos”) salva o personagem de uma existência pífia e que só existe na série, porque existe no livro escrito por Stephen King.
Aliás o maior pecado da série em relação ao livro são que os personagens, em quase sua totalidade são esquecíveis, algo que Stephen King em suas obras são o total oposto: carismáticos e empáticos.
E nesse desastre anunciado, o maior percado de “O Instituto” é o ator Julian Richings, que ficou conhecido por ser a Morte em “Supernatural”, que não consegue trazer o brilho para o vilão que vive nessa série. Mas isso, eu culpo a direção e o roteiro fraco em não dar importância para características tão importantes em dar vida à personagens cativantes, que, de novo, Stephen King faz tão bem. Abaixo deixo o vídeo dele interpretando o Ceifador do Universo na série dos irmãos Winchester para você comparar com seu papel nessa produção.
Até pouco mais de sua metade, “O Instituto” ainda consegue prender nossa atenção com as revelações envolvendo o Instituto e o desenvolvimento de alguns personagens. O problema é que quando todas as peças estão posicionadas no tabuleiro, a série simplesmente acelera e entrega um final fraco e nada empolgante, cheio de falhas de continuidade e furos no roteiro, que de tão bizarros, parecem uma produção trash.
Uma das cosias que lembro no livro, é que o confronto final das crianças dotadas de poderes, sejam elas conscientes ou “vegetais” contra o Instituto é empolgante, brutal e assustadora, que nos faz lembrar o Stephen King raiz. Na série, você pode esquecer tudo isso.
Por algum motivo, que para mim é a curiosidade e hype que toda adaptação de uma obra de Stephen King gera, “O Instituto” é a série mais assistida no MGM+ e por isso foi renovada para uma segunda temporada. O final da produção parece ter sido pensado nisso já, com algumas situações que não me lembro existir no livro.
No fim, a adaptação produzida pela MGM+, possui uma trama fraca e personagens esquecíveis, o total oposto do que lembro de ter visto ao ler o livro. E dessa forma, só posso dizer que não vale a pena assistir a primeira temporada de “O Instituto”.
Ficha Técnica:
Título Original: The Institute
Título no Brasil: O Instituto
Gênero: Ficção Cientítica, Terror
Temporadas: 1ª
Episódios: 8
Criadores: Jack Bender
Produtores: Jack Bender, Benjamin Cavell, Gary Barber, Sam Sheridan, Shane Elrod, Ed Redlich, Stephen King
Diretores: Jack Bender, Brad Turner, Jeff Renfroe
Roteiro: Benjamin Cavell, Ed Redlich, Sam Sheridan, Sophie Owens-Bender, Eric Dickinson
Elenco: Ben Barnes, Joe Freeman, Simone Miller, Fionn Laird, Hannah Galway, Julian Richings, Robert Joy, Martin Roach, Mary-Louise Parker
Companhias Produtoras: Spyglass Media Group, Sashajo Productions, Nomadicfilm, MGM+ Studios
Transmissão: MGM+
