SINOPSE: Dezessete crianças de uma mesma classe fogem de suas casas às 2:17 da madrugada e desaparecem misteriosamente. Sem nenhum sinal de arrombamento ou sequestro, a cidade inteira demanda respostas sobre o que pode ter acontecido naquela noite. Quem ou o que poderá estar por trás deste estranho mistério? Enquanto os pais lutam para entender o que aconteceu, as autoridades buscam por informações pela pequena cidade.
“Noites Brutais” virou sucesso graças ao boca a boca das pessoas que foram assistindo o filme. Com algumas ressalvas ao final, o longa-metragem merece os elogios e as boas críticas recebidas, e acabou colocando em evidência Zach Creegger. O diretor e roteirista teve seu mais novo filme lançado esse mês: “A Hora do Mal”, que teve seus direitos disputados por quase todos os estúdios de Hollywood.
Mas essa disputa acirrada entre os estúdios, vencida pela Warner Bros. Pictures, realmente foi justificada?
“A Hora do Mal” é dividido em partes, onde cada uma aborda um personagem envolvido no desaparecimento das crianças. Esses capítulos se conectam, acrescentando uma nova peça para revelar o que aconteceu às 2:17 da manhã.
O interessante é que esses capítulos servem não somente para contar sobre o desaparecimento misterioso das crianças, mas também serve para desenvolver os personagens que dão título a cada parte apresentada. Dessa forma, vamos criando conexões com eles, fazendo nos envolver mais com a trama principal do filme.
Para dar força a esse fator mais pessoal, a escalação do elenco para “A Hora do Mal” foi bastante acertada. Julia Garner, Josh Broli, Alden Ehrenreich, Benedict Wong, entre outros emprestam todo seu talento para dar a verossimilhança necessária a cada um dos personagens apresentados.
E entre tantos nomes conhecidos, o destaque fica por conta de Cary Christopher, que interpreta Alex Lilly, único aluno da turma de Justine (Julia Garner) que não sumiu. Com tão pouca idade, o ator mirim entrega toda a complexidade e nuance de uma criança atormentada por esse evento insólito. Destaque também para Amy Madigan no papel de Gladys, uma senhora no mínimo curiosa e que parece estar envolvida no desaparecimento das crianças.
Mas apesar dos dramas pessoais dos personagens, não se engane, “A Hora do Mal” entrega uma ótima história de terror psicológico. O início do filme já nos joga dentro de uma história recheada de mistério e tensão, com a narração de uma criança relatando que, às 2:17 hr, as crianças acordam, levantam-se, abrem a porta e saem correndo para a escuridão, para nunca mais voltarem.
A partir desse ponto, vamos vendo uma série de acontecimentos bizarros. As próprias crianças correndo noite à dentro, com os braços abertos já se mostra uma situação adversa. Temos também pessoas andando de forma esquisita ou atacando incansavelmente outros personagens, com os olhos esbugalhados. E claro, que tinha que citar sobre a cena do garfo. Todas essas situações têm o objetivo de causar estranheza e aumentar mistério e o clima insólito em torno do sumiço das crianças. E esse objetivo é alcançado com muito sucesso.
Algumas coisas em “A Hora do Mal” só fui entender após assisti-lo. O próprio título original do filme só ficou claro para mim após uma certa fala de Archer (Josh Brolin) e a forma como as crianças desaparecidas e algumas outras pessoas se comportavam.
Porém, o grande mistério que é o porquê do desaparecimento das crianças, precisei pesquisar para achar a explicação. E quando descobri o motivo e fiz a associação com o que causou essa situação insólita, fez total sentido.
O final do filme é tenso e até tira boas risadas em quem está assistindo de tão absurdo o que acontece. Mas o objetivo é mostrar o controle que essa força insidiosa tem sobre suas vítimas. E apesar de alguns furos de roteiro, que o próprio Zach Cregger disse existir, “A Hora do Mal” amarra muito bem todas as pontas e mistérios, explicando inclusive a fala existente na narração do começo: de que as crianças nunca mais voltaram.
Com uma avaliação positiva de 7,9/10 no IMDb e uma ótima recepção de público e crítica, “A Hora do Mal” vem fazendo bonito nas bilheterias: US$ 70 milhões em seu final de estreia (para um orçamento de US$ 38 milhões). Isso deve dar sinal verde para que Zach Cregger produza uma prequel contando a história de Gladys, após dirigir o novo longa-metragem baseado em “Resident Evil”.
“A Hora do Mal” é contado através de várias linhas narrativas, mas sua história é simples de ser acompanhada (a imagem acima é o melhor exemplo disso), prendendo sua atenção através do bizarro e do insólito, além de criar a tensão necessária para nos deixar na expectativa. Todos esses elementos, associados a um trabalho mais que competente de direção, roteiro, fotografia e atuação, o tornam um ótimo filme de terror.
Então, depois de tudo isso, é claro que só posso dizer que vale muito a pena assistir “A Hora do Mal”!
Ficha Técnica:
Título Original: Weapons
Título no Brasil: A Hora do Mal
Gênero: Terror
Duração: 129 minutos
Diretor: Zach Cregger
Produção: Zach Cregger, Roy Lee, Miri Yoon, J. D. Lifshitz
Roteiro: Zach Cregger
Elenco: Josh Brolin, Julia Garner, Alden Ehrenreich, Austin Abrams, Cary Christopher, Benedict Wong, Amy Madigan, Toby Huss, Sara Paxton, Justin Long, June Diane Raphael, Whitmer Thomas, Callie Schuttera, Clayton Farris, Luke Speakman, Scarlett Sher
Scarlett Sher
Companhias Produtoras: New Line Cinema, Subconscious, Vertigo Entertainment, BoulderLight Pictures
Distribuição: Warner Bros. Pictures
