SINOPSE: A primeira família da Marvel: Reed Richards (Pedro Pascal), Sue Storm (Vanessa Kirby), Johnny Storm (Joseph Quinn) e Ben Grimm (Ebon Moss-Bachrach) precisarão defender a Terra de um deus espacial voraz chamado Galactus (Ralph Ineson) e seu enigmático Arauto, Surfista Prateado (Julia Garner). E se o plano de Galactus de devorar o planeta inteiro e todos nele não fosse ruim o suficiente, de repente fica muito pessoal.
Após uma fraca fase quatro e uma fase cinco sem rumo, o MCU finalmente deu o pontapé inicial da fase seis, com “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos”.
Mas “Primeiros Passos” tambem faz referência ao fato que Reed Richards, Sue Storm, Johnny Storm e Ben Grimm formaram o primeiro grupo de super-heróis criado pela Marvel, em 1961. É graças a criação do Quarteto Fantástico pelas mãos de Stan Lee e Jacky Kirby, que vemos tudo que existe hoje na Casa de Ideias.
O que mais me surpreendeu em “Quarteto Fantástico” foi a ousadia. Se você me acompanha ou é um marvete de cinema sabe que os últimos filmes de sucesso do MCU estão cheios de referências, crossovers e easter eggs de outras produções desse universo cinematográfico. O filme da Primeira Família da Marvel se passa na Terra-828, alheia a todos os eventos da Terra Principal do MCU.
Essa ideia permitiu que o filme tivesse liberdade criativa e assim contar uma história de origem, sem ser uma história de origem. Ficou confuso? É uma narrativa de origem porque é o primeiro longa-metragem do Quarteto Fantástico no MCU, mas não temos sequências mostrando o surgimento dos poderes Reed, Sue, Johnny e Ben. Essa parte é contada de forma rápida e convincente através de um documentário televisivo. Vemos o quarteto de astronautas entrando na nave espacial Excelsior e o relato do narrador sobre o acidente com raios cósmicos que lhe dão os seus dons extraordinários. Aliás, em uma sequência onde só ouvimos uma gravação, temos o terror de Reed, Sue e Johnny vendo a transformação de Ben em uma criatura de pedra.
Sem precisar ligar esse filme a qualquer outra produção do MCU, “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” é totalmente direcionado para o Quarteto Fantástico, que é inspirada diretamente pelas versões originais de 1961. Toda a ambientação retrofuturista do filme remete ao que vemos nos traços e roteiros de Stan Lee e Jacky Kirby, o que é uma bela homenagem aos criadores da Marvel como a conhecemos. Mas além disso, essa estética da década de 1960 deu um charme muito legal ao longa-metragem. E mesmo que a tecnologia do Edifício Baxter seja a base “de telas de tubo e transistores”, posso afirmar que a Terra-828 está tecnologicamente à frente da Terra-616.
Uma das coisas que me preocupavam em relação ao filme, era de não abordarem o lado sci-fi do “Quarteto Fantástico”, porque além de super-heróis, eles são exploradores do tempo e do espaço, indo do subterrâneo do nosso planeta aos confins do espaço, dando uma ou outra passadinha por outras dimensões, como a Zona Negativa.
Inclusive, em um provável segundo filme do Quarteto Fantástico, gostaria de vê-los enfrentando o Aniquilador, monarca da Zona Negativa.
Mas me preocupei atoa, pois, “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” dosa bem o lado sci-fi e lado super-heróico da Primeira Família da Marvel. Toda a parte em que Reed, Sue, Johnny e Bem resolvem levar a luta até Galactus lembra muito um filme de ficção científica, com a viagem espacial a outra galáxia, velocidade da luz, exploração de uma nave alienígena e até uma sequência envolvendo um buraco negro que lembra muito “Interestelar”.
E já que mencionamos ele, preciso dizer que Galactus está FODA DEMAIS no filme. O encontro do Quarteto Fantástico com essa entidade tem tons claros de Horror Cósmico, onde vemos um grupo de humanos, que mesmo com poderes incríveis, são insignificantes na presença de um deus, de uma força elementar viva do Universo. Como o próprio Devorador de Mundos diz: “Eu já fui pequeno como vocês”. E como o Quarteto Fantástico, a origem de Galactus é explicada de forma simples e reforça sua onipotência: ele é mais antigo que o próprio universo, vindo de antes dele e estará presente no final desse.
O visual de Galactus está muito fiel ao que vemos nos quadrinhos e reforça sua imponência. O ator Ralph Ineson empresta sua voz única e poderosa e sua postura para entregar o Devorador de Mundos que todos queriam ver. Um detalhe importante: foi utilizado quase que 100% de efeitos práticos para dar vida ao Devorador de Mundos em “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos”, do figurino às sequências em que ele anda pela cidade, mostrando o quão gigantesco ele é.
Se já falamos do visual da Terra-828 e do antagonista do filme, é preciso dizer que todos os integrantes do Quarteto Fantástico estão muito bem representados em tela. Pedro Pascal, Vanessa Kirby, Joseph Quinn e Ebon Moss-Bachrach estão muito bem caracterizados como Reed Richards, Sue e Johnny Storm e Bem Grimm. E se algumas pessoas não gostaram escalação dos atores, digo que precisou poucos minutos de filme para que tivessem a mesma sensação que eu tive: ver a Primeira Família da Marvel, pela primeira vez, de forma convincente em um live-action.
Algo que me chamou atenção é que apesar de alguns nomes serem mais badalados que outros, não há um pesar para algum ator ou atriz, como poderia acontecer com Pedro Pascal, que está em alta, ou Vanessa Kirby. O diretor Matt Shakman e os roteiristas conseguiram equilibrar a importância e a representatividade de cada personagem em tela, de forma que suas histórias são interessantes na mesma medida.
Até mesmo a Surfista Prateada, que gerou muita reclamação dos raizentos da Marvel, que queriam ver Norrin Radd e não Shalla-Bal, convence. A escolha da atriz Julia Garner se mostrou acertada, pois ela entrega todas as nuances que a personalidade e a história da arauta de Galactustem.
E por falar em drama, “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” entrega uma excelente narrativa familiar cheia de conflitos e amor. No início do filme, somos apresentados à um grupo familiar unido e amoroso, com dilemas como o nascimento do filho de Reed e Sue e a preocupação deles se a criança será normal ou não, Johnny tentado provar que pode contribuir com o grupo além de sua capacidade de manipular fogo e Ben Grimm que tenta levar uma vida normal, mas que precisa se aceitar como uma criatura de pedra, uma Coisa. Tudo muda com o anúncio da chegada de Galactus, criando conflitos entre o Quarteto Fantástico e a população que agora duvida que eles possam salvá-los e os dilemas entre os próprios integrantes que podem ruir essa unidade familiar.
O trecho final de “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” mostra o confronto entre a Primeira Família da Marvel e Galactus em uma sequência incrível e empolgante. Não vou falar mais nada sobre essa parte para não estragar a experiência de ninguém, mas ela é fantástica.
Para não falar que gostei de tudo, a única coisa que me incomodou um pouco foi a nave do Galactus, não o interior que ficou muito legal, mas o lado de fora que poderia se parecer mais com o que via nos quadrinhos. E fiquei com a impressão que o CGI do Tocha Humana parecia estranhos em alguns momentos.
A cena pós-crédito mostra o principal vilão do Quarteto Fantástico olhando para Franklin Richards, que deve ter um papel importantíssimo em “Vingadores: DoomsDay” e ‘Vingadores: Guerras Secretas”. E por que estou dizendo isso? Porque o filho de Reed e Sue Storm é um Mutante Nível Ômega, talvez o mais poderoso mutante da Marvel, considerado pelos Celestiais como um Modelador Universal, graças aos seus poderes de manipular a própria realidade ao ponto de modificar nosso universo ou criar um com um simples pensamento. E para quem leu “Guerras Secretas” de 2015, vai entender o que estou dizendo.
O Quarteto Fantástico deve ter um novo filme, não só pelas declarações de Kevin Feige que a próxima fase do MCU, após “Vingadores: Guerras Secretas”, serão capitaneadas por eles e pelos X-Men, mas porque faturou US$ 218 milhões em seu final de semana de estreia ao redor do mundo. O longa-metragem deve caminhar para o tão sonhado bilhão de dólares que a Marvel Studios e o Mickey estão com saudades.
O diretor Matt Shakman deve aparecer em outros trabalhos da Marvel Studios, e mesmo sabendo que Jake Schreier, de “Thunderbolts” é quem vai dirigir o filme dos X-Men do MCU, eu escolheria Shakman, pois ele conseguiria trazer as nuances e dilemas que o grupo de mutantes de Charles Xavier possui, como preconceito, aceitação, família e ação, tudo de forma equilibrada.
Enfim, admito que estava bem nervoso e ansioso para assistir ao primeiro filme da fase seis do MCU, pois minhas expectativas eram altíssimas em relação a ele e meu medo de Kevin Feige e Cia entregarem algo ruim passava pela minha cabeça. Porém, como Reed Richards, Sue Storm, Johnny Storm e Ben Grimm, esse longa-metragem é FANTÁSTICO!
Então, meu veredicto é um só: vale muito, mais muito, muito a penas assistir “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos”!
Ficha Técnica:
Título Original: The Fantastic Four: First Steps
Título no Brasil: Quarteto Fantástico: Primeiros Passos
Gênero: Super-Herói
Duração: 114 minutos
Diretor: Matt Shakman
Produção: Kevin Feige
Roteiro: Josh Friedman, Eric Pearson, Jeff Kaplan, Ian Springer
Elenco: Pedro Pascal, Vanessa Kirby, Ebon Moss-Bachrach, Joseph Quinn, Julia Garner, Natasha Lyonne, Paul Walter Hauser, Ralph Ineson, Sarah Niles, Mark Gatiss, Natasha Lyonne, Paul Walter Hauser, Matthew Wood, Ada Scott, Alex Hyde-White, Rebecca Staab, Jay Underwood e Michael Bailey Smith, Robert Downey Jr.
Companhias Produtoras: Marvel Studios
Distribuição: Walt Disney Studios Motion Pictures
