SINOPSE: Após a eleição de Thaddeus Ross (Harrison Ford) como presidente dos Estados Unidos, Sam Wilson (Anthony Mackie) se encontra no meio de um incidente internacional e deve trabalhar para deter os verdadeiros cérebros por trás dele.

Após o término da Saga do Infinito, o Universo Cinematográfico Marvel, viveu um limbo, pois as fases 4 e 5 do MCU não tiveram o mesmo sucesso das fases anteriores. O hype que existia sobre cada anúncio da Marvel Studios não era mais o mesmo. A Saga do Multiverso se via ameaçada pelas incursões de filmes e séries que geravam reações ambíguas nas pessoas.

A denúncia e condenação de Jonathan Majors, que interpretaria o antagonista da Saga do Multiverso, Kang, por agressão a uma ex-namorada foi outro baque para Kevin Feige e companhia.

A solução encontrada pela Marvel Studios foi parar todos os planos traçados e mudar a trajetória de sua nova saga. As primeiras decisões foram contratar os irmãos Russo para dirigir “Vingadores: Doomsday” e “Vingadores: Guerras Secretas” e trazer de volta Robert Downey Jr. para interpretar o Doutor Destino (algo que me incomodou bastante, porém, esse assunto não é para agora).

A ideia era trazer pessoas e fórmulas que fizeram sucesso dentro do MCU, algo que vimos em “Deadpool & Wolverine”, com várias referências e crossovers com outros filmes e personagens, algo que deu muito certo em “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” e “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa“.

Outra decisão, foi fazer filmes mais contidos e mais pipocas, sem tanta preocupação com a continuidade da linha temporal do MCU. Aqui vou deixar claro que ainda existe conexões com as demais produções da Marvel Studios, mas não tão forte a ponto de interferir na criatividade da história a ser contada. Isso fica bem claro em “Thunderbolts” e “Capitão América: Admirável Mundo Novo”.

Acho que a primeira coisa que me chama atenção em “Capitão América: Admirável Mundo Novo” é que esse filme é para firmar Sam Wilson como o novo Primeiro Vingador. E posso citar dois motivos para essa minha afirmação. A primeira razão é a escolha do personagem ao invés de Bucky Barnes, o Soldado Invernal, para empunhar o escudo do Cap. Seria uma ótima história de redenção, afinal, o amigo de infância de Steve Rogers que foi declarado morto, aparece décadas depois como o mais letal assassino do mundo e um rival à altura do Primeiro Vingador, para depois ser escolhido como aquele que continuaria o legado do Capitão América. Uma prova de que as pessoas podem mudar e serem dignas de tarefas importantes independentemente do passado delas.

Mas o que se vê é um Bucky Barnes cada vez mais escanteado e relegado a participações especiais como foi em “Capitão América: Admirável Mundo Novo” e “Thunderbolts”.

O segundo motivo, é mais pessoal e acredito que muitos tem a mesma opinião, é o ator que interpreta Sam Wilson e agora o dono do escudo. Anthony Mackie é inexpressivo e sem carisma e dessa forma difícil de comprar suas lutas e seus dilemas. E esse ponto fica bem claro quando ele revela suas dúvidas e incertezas em relação ao peso que é ser o Capitão América. Com a mesma cara que ele mostra em todas as cenas, seu diálogo é insípido e somente quando Bucky Barnes, faz sua participação especial, é que o contexto da cena ganha algum contorno emocional.

E quanto a história de “Capitão América: Admirável Mundo Novo”? Pois bem, ela é simples e direta: o presidente dos Estados Unidos quer explorar a ilha Celestial para extrair adamantium e tenta firmar parceria com as demais nações do mundo. Mas algo se esgueira pelas sombras e que possui motivações de vingança contra Thunderbolt Ross.

Com essa premissa, o quarto filme do Capitão América emula de forma satisfatória o tom conspiratório e de espionagem de “Capitão América: Soldado Invernal”, o melhor filme do Primeiro Vingador e um dos melhores de MCU e faz milhares de referências a outras produções da Marvel que vieram e que estão por vir.

A ilha Celestial é referência a “Eternos” e trata do deus espacial que iria nascer do centro da Terra e que foi petrificado graças a suas próprias criações. Essa citação foi muito legal, pois “Eternos” é um dos melhores filmes da Marvel Studios e um dos mais inventivos em termos narrativos, além do fato que uma estátua de vários quilômetros de altura em pleno oceano não ser mencionado em nenhuma produção do MCU era esquisito demais.

Outra referência mais direta é o próprio Thunderbolt Ross, general do exército estadunidense e principal adversário do Hulk nos quadrinhos e no filme “O Incrível Hulk”. Além disso, a presença de Samuel Stern consolida a ligação direta com o longa-metragem de 2008 do Gigante Esmeralda.

Aliás, gostei bastante dessas conexões com “Eternos” e “Incrível Hulk”, pois ambas as produções são muito contestadas por fãs do MCU e pela própria Marvel Studios, que fazia pouca questão de mencioná-las e conectá-las a sua linha temporal cinematográfica. Ao fazer essas referências diretas, Kevin Feige coloca dois dos melhores longas-metragens da Marvel no radar novamente e cria expectativas de que possamos ver os Eternos e os Celestiais em uma nova aventura ou um filme solo do Hulk esmagando geral (como aconteceu na luta contra o Abominável).

A conexão com o que está por vir no MCU é a existência do adamantium, que é extraído de um corpo petrificado de Celestial. Além da explicação simples e convincente que a Marvel Studios deu, coloca mais um elemento para o surgimento dos X-Men, que devem aparecer após “Vingadores: Guerras Secretas”, no universo cinematográfico da Marvel.

Falando um pouco da ação de “Capitão América: Admirável Mundo Novo”, as sequências estão bem coreografadas e divertidas. Percebe-se a influência de “Capitão América: Soldado Invernal”, mas sem aquela carga dramática e pesada, tornando esse longa-metragem em filme pipoca dos anos 1980 e 1990 nesse ponto.

Para dar aquele talento final nessa fórmula, os responsáveis pelo quarto filme do Capitão América escalam Harrison Ford, que pode ser considerado um Eterno do cinema, para viver Thunderbolt Ross. A contratação do ator ocorreu devido a morte de William Hurt. E mesmo com todo o carinho que tenho pelo nosso Indiana Jones, ele não conseguiu transmitir a imponência e a implacabilidade que William Hurt deu ao personagem.

E por falar em escalações de atores e atrizes, a Marvel Studios continua com a tradição de contratar grandes nomes para fazer papéis menores e que devem sumir na linha temporal do MCU. A bola da vez: Giancarlo Esposito.

Tinha muitas dúvidas em assistir ao quarto filme do Capitão América, muito por causa de quem assumiu o manto do Primeiro Vingador, pois não gosto da escolha do Sam Wilson do MCU para ser o Primeiro Vingador. O outro motivo é porque achei que a Marvel Studios tinha revelado todo o plot do filme antes dele estrear. Mas assistindo ao longa-metragem, percebi que muita coisa ficou escondida, como o adamantium e os Celestiais e até mesmo o grande vilão da história e que não é Thunderbolt Ross.

Admito que mordi minha língua achando que veria algo bem nhééééé, mas misturando todas essas referências e conexões, uma trama simples que simula outras histórias de sucesso do MCU e boas sequências de ação. Logo, preciso dizer que vale a pena assistir “Capitão América: Admirável Mundo Novo”!

Ficha Técnica:

Título Original: Captain America: Brave New World

Título no Brasil: Capitão América: Admirável Mundo Novo

Gênero: Super-Herói

Duração: 118 minutos

Diretor: Julius Onah

Produção: Kevin Feige, Nate Moore

Roteiro: Rob Edwards, Malcolm Spellman, Dalan Musson, Julius Onah, Peter Glanz

Elenco: Anthony Mackie, Danny Ramirez, Shira Haas, Carl Lumbly, Xosha Roquemore, Giancarlo Esposito, Liv Tyler, Tim Blake Nelson, Harrison Ford, Sebastian Stan, Jóhannes Haukur Jóhannesson, Takehiro Hira

Companhias Produtoras: Marvel Studios

Distribuição: Walt Disney Studios Motion Pictures

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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