SINOPSE: Izzy Jaynes é uma investigadora experiente de Buckeye City que se depara com uma carta contendo uma grave ameaça: em breve, pessoas inocentes serão assassinadas. Buscando desvendar o caso e descobrir quem está por trás disso, ela recorre à detetive e amiga Holly Gibney. Em pouco tempo, no entanto, a ameaça se torna real: uma mulher é morta de forma aleatória num parque de subúrbio, e elas têm de correr para que o assassino não execute outras pessoas. Enquanto isso, uma controversa defensora dos direitos das mulheres está em turnê pelos Estados Unidos para promover seu trabalho, mas há alguém em seu encalço que não concorda com suas ideias. Quando a perseguição começa a ficar mais perigosa, Holly Gibney é convocada para cuidar de sua segurança, mas o trabalho logo se torna um risco que ela não calculava, e a detetive se vê no centro de uma caçada assustadora.
Quem me conhece ou acompanha minhas postagens no site, sabe o quanto sou fã de Stephen King. Devo ter cerca de sessenta livros do autor que é considerado o Mestre do Terror Contemporâneo.
Mas além do terror, Stephen King têm romances e contos em outras categorias literárias como ficção científica, histórias infantis e o suspense policial, sendo esse último um gênero que o autor revisita constantemente. Aliás, seu mais recente lançamento é uma revisita a esse gênero e a sua personagem mais querida. Estou falando de “Não Pisque”.
Esse livro é a sexta aparição de Holly Gibney, personagem que surgiu em “Mr. Mercedes”. Segundo Stephen King, a personagem morreria em algum momento do primeiro volume da trilogia Bill Hodges, mas ela foi ganhando tanto apreço com autor, que virou protagonista não somente na trilogia Bill Hodges, mas em outras três histórias, uma inclusive intitulada “Holly”. E agora protagoniza “Não Pisque”.
Acho que nenhum outro personagem do escritor ganhou tantos romances e contos, nem mesmo o Homem de Preto. Somente suas cidades macabras: Castle Rock, Derry e Jerusalem’s Lot tem tanto protagonismo. E aqui falo de cidades, que para King, possuem certa “vida” e “senciência”.
Em “Mr. Mercedes”, Holly enfrenta o terrível Brady Hartsfield, um sociopata extremamente inteligente, que nas sequências da trilogia Bill Hodges, ganha certos dons paranormais. Em “Outsiser, ela enfrentará o insidioso e maligno Cuco, e em um conto do livro “Com Sangue “, enfrentará uma criatura do mesmo gênero que atende pelo nome Chet Ondowsky. Depois dessa dose de paranormalidade, Stephen King coloca Gibney para enfrentar algo mais real: um casal que a comunidade admira, com um gosto culinário canibal, em “Holly’.
Em “Não Pisque”, Holly enfrenta um assassino em série e um(a) perseguidor(a) que quer matar uma defensora extremista dos direitos femininos. Devo dizer que de todos os oponentes da personagem, esses são os mais fracos, mas tão assustadores quanto os demais, pois são indivíduos que existem fora da ficção.
O assassino em série do livro é o que mais me chama a atenção, pois não é um Hannibal ou um Kramer ou um Brady Hartsfield, mas somente uma pessoa armada com muita vontade de matar os outros.
Já o perseguidor, é uma crítica às ideologias defendidas em excesso. Kate McKay é uma ativista feminina que extrapola os limites e atiça seus opositores ao limite, uma marca registrada dela, que ela usa não só para defender suas ideias e posições, mas para faturar um bom dinheiro. Esse fato é evidenciado pela própria personagem e por Holly. Esse exagero nas atitudes de Kate acaba criando, como uma espécie de equilíbrio cósmico macabro, o perseguidor e pessoas que são contrárias às ideias de Kate.
Mas tirando os pontos acima, “Não Pisque” é uma leitura mediana, que te prende mas não empolga. E o que talvez mais tenha me causado essa sensação são os personagens, que são vendidos como demais em algum aspecto. Holly é demais em suas deduções, mas quando analisei as situações, não vi aquela genialidade, aquele “talento” dela de outros livros. Jerome e Bárbara são abençoados, verdadeiros ** virados para a Lua, onde tudo que fazem dá muito certo.
Os demais personagens atendem a necessidade da narrativa, mas além da Holly, que se destaca pela força do protagonismo, os vilões são bem desenvolvidos, mostrando suas infâncias e o trajeto de ambos até se tornarem assassinos.
O desfecho se desenhava para um verdadeiro caos, como o que acontece.em “Trocas Macabras” ou no julgamento de Terry Maitland em “Outsider”. E Stephen King até reforça isso, dizendo, com antecedência, que no dia do jogo dos Secos e Molhados seria trágico. Mas o que aconteceu, foi algo menos impactante ao que foi construído ao longo da narrativa.
Como fã de Stephen King, comprarei os livros que forem lançados, mas o que percebo é que suas novas histórias estão mais “clean”, com alguns debates atuais como o empoderamento feminino e as consequências em “Não Pisque” ou o debate entre os pró-vacina e os anti-vacina da COVID em “Holly”.
Mas na verdade, sinto falta do Estevão Reis raíz, com histórias de terror mais cruas, com criaturas assustadoras e fascinantes. Nesse ponto, “Outsiser”, lançado em 2018, foi o último livro dele que me propiciou esses sentimentos.
E pegando esse gancho, gostaria de ver Holly Gibney, que ganhará uma nova história, enfrentando outra criatura sobrenatural ou então, se for outro romance policial, um oponente do nível de Brady Hartsfield.
Em linhas gerais, o novo romance com Holly Gibney, diverte e entretém, mas não empolga. Mas mesmo assim, digo que vale a pena ler “Não Pisque”.
Ficha Técnica:
Título Original: Never Flinch
Título no Brasil: Não Pisque
Autor: Stephen King
Tradutor: Regiane Winarski
Capa: Comum
Número de páginas: 448
Editora: Suma
Idioma: Português
