SINOPSE: Vamos acompanham a jornada do super-herói em tentar conciliar suas duas personas: sua herança extraterrestre como kryptoniano e sua vida humana, criado como Clark Kent (David Corenswet) na cidade de Smallville no Kansas. Agora, ele será colocado à prova através de uma série de novas aventuras épicas e diante de uma sociedade que enxerga seus valores de justiça e verdade como antiquados.
Superman é um super-herói de histórias em quadrinhos criado por Joe Shuster e Jerry Siegel na década de 1930 e que teve sua primeira aparição na revista “Action Comics #1”, em 1938. Surgia nesse momento, o maior super-herói das histórias em quadrinhos e que influencia até hoje todos os demais que vieram depois.
E é isso. Muitos podem não gostar do Superman, devido as suas convicções, achando o Batman mais legal. Mas até o Homem-Morcego sofreu influências do Último Filho de Kripton, que era mais escoteiro, só se tornando essa versão mais sombria em 1986, com a publicação de “Cavaleiro das Trevas”.
O principal super-herói da DC foi o primeiro a fazer sucesso nos cinemas, com “Superman: O Filme”, de 1978, estrelado por Christopher Reeve, que criou os pilares para futuras adaptações e até mesmo publicações editoriais.
Somente 26 anos depois, o Último filho de Kripton teria um novo filme: “Superman: O Retorno”, que é uma sequência direta do longa-metragem de 1978, que apesar de emular bem os sentimentos do personagem de “Superman: O Filme”, não caiu muito nas graças do público e alçou nosso cuecudo alienígena na zona fantasma do cinema.
Com a Marvel fazendo sucesso, alicerçando o gênero de super-heróis no cinema, e fazendo bilhões de dólares com suas produções, a Warner, detentora da DC, resolveu criar seu universo cinematográfico. Zach Snyder, que tinha feito um ótimo trabalho em “300” e “Watchmen” (independentemente dos leitores raízes chatos), foi contratado para capitanear essa empreitada. E claro, o primeiro super-herói a aparecer nas telonas tinha que ser o maior de todos. Porém, decisões erradas dos executivos da Warner, que queriam lucros instantâneos, forçaram Snyder a fazer o confuso “Batman vs. Superman” e a versão Marvel de “Liga da Justiça”, de Joss Whedon., detonaram seus super-heróis de forma que nem Darkseid conseguiria.
Inconformada por possuir a tríade sagrada dos quadrinhos: Superman, Batman e Mulher-Maravilha, e não conseguir emplacar seu universo cinematográfico como a Marvel fez, a Warner contratou James Gunn, que tinha feito para o estúdio “Esquadrão Suicida 2” (que consegue ser pior que o primeiro), para ser o Kevin Feige do DCU: novo universo cinematográfico da DC.
Então, finalmente em 2025, o DCU nasce com “Superman”, dirigido, produzido e roteirizado por James Gunn
A primeira coisa que James Gunn fez, nos minutos iniciais de “Superman” foi criar os alicerces do DCU, explicando há quanto tempo surgiram os meta-humanos na Terra, quando o Superman chegou e quando fez sua primeira aparição. Sem explicações mirabolantes, o universo cinematográfico da DC se estabeleceu, e para reforçar isso, durante o filme, vamos recebendo referências quadrinísticas. Dessa forma, Batman, Mulher-Maravilha, e outros super-heróis que não aparecem explicitamente em “Superman”, existem e não vão precisar de histórias de origens.
Essa forma simples de James Gunn estabelecer seu DCU é inteligente e o desobriga de contar histórias de origem, afinal todos sabemos como surgiu o Superman, Batman, Mulher-Maravilha, podendo assim, utilizar a duração do corte final de “Superman” para contar sua aventura.
Acredito que talvez, o DCU conte como surgiram a Mulher Gavião (Isabela Merced), Senhor Incrível (Edi Gathegi) e Guy Gardner (Nathan Fillion). Mas essa ideia não me parece tão estranha assim, pois James Gunn gosta de pegar personagens menos conhecidos e criar sua própria história, já que por serem menos conhecidos, se for um fracasso de bilheteria e crítica, está tudo bem.
Uma coisa que “Superman” faz é se conectar diretamente com as emoções que “Superman: O Filme”, que é referência para qualquer história que for ser contada nos cinemas sobre o Último Filho de Kripton, principalmente para os fãs mais antigos e raízes, que muitas vezes são influenciadores de opinião. E para provar isso, quer coisa mais evidente que a música de “Superman”, que é uma versão do tema do filme de 1978, e que ficou tão boa quanto a versão original?
Mas se você não está convencido do que disse, veja as letras e cores dos créditos ou a Fortaleza da Solidão e você verá que James Gunn sabia que inovar demais poderia criar aversão nos fãs mais nostálgicos do Superman.
Além dessa nostalgia e conexão que James Gunn quer criar com os fãs mais antigos do super-herói, outra preocupação dele é a de desvincular seu filme de qualquer conexão possível com o Superman apresentado por Zach Snyder. E algo que fez isso ficar bastante evidente, foi a decisão do Homem de Aço voltar a usar a cueca por cima do uniforme, uma das reclamações, idiotas na minha opinião, dos espectadores e críticos mais raízes. A própria música tema é um contrapeso em relação a trilha sonora criada por Hans Zimmer para “O Homem de Aço” e “Batman vs. Superman”.
Outra forma de se distanciar dos filmes de Zach Snyder é quanto a preocupação do Superman na hora do combate. Em o “Homem de Aço” a luta entre Kal-El e General Zod deixa um rastro de destruição e morte inimagináveis, pois estamos falando de dois kriptonianos se digladiando no meio de Metrópolis. Mas em “Superman”, nosso super-herói arruma tempo para salvar as pessoas que estão na rota do conflito. E para reforçar esse zelo temos a cena absurda do nosso super-herói salvando um esquilo. Bonitinho? Engraçado? Para mim, foi ridículo.
Saindo um pouco das comparações e da fuga de James Gun com o legado de Zach Snyder, vamos falar do elenco escalado para dar vida a história de “Superman”. David Corenswet foi o escolhido para viver o protagonista. O ator é esforçado e até convence em alguns momentos como o Último Filho de Kripton., mas em termos gerais ele é tão bom quanto Henry Cavill, que é um ator bem mediano.
O grande problema de viver o Superman nos cinemas, é viver sobre a sombra da grande performance de Christopher Reeve, que conseguia ser imponente quando usava o uniforme de super-herói e aparvalhado quando era Clark Kent. Dessa forma, vou dizer que a decisão de Zach Snyder e Cavill em não querer emular o que Reeve fez foi mais acertada do que James Gunn e David Corenswet fizeram, pois evidenciou que o atual detentor do posto de Superman não possui nem a presença e nem o talento para trazer às telonas o que o Reeve trouxe em 1978.
Rachel Brosnahan é a mais fraca Lois Lane de toda a filmografia do Superman. Em nenhum momento vi a repórter implacável que tanto conhecemos. Mesmo quando ela afirma suas convicções e paixão pelo jornalismo senti realmente a avidez que conheço tão bem da personagem.
Todo grande herói precisa de um vilão à altura. Lex Luthor é o maior oponente do Superman. A mente mais brilhante do mundo, de acordo com o próprio Lex, ficou com Nicholas Hoult, ator talentoso que ainda busca um grande papel. E em boa parte de “Superman”, achei que Lex Luthor era sua grande chance, pois ele traz um homem extremamente brilhante, implacável e arrogante, que até o surgimento do Homem de Aço, se considerava o ser mais importante da Terra. E que por pura inveja, tenta destruir o Superman. O problema é que do meio para o fim do filme, o caldo entorna. Mas já vamos chegar lá.
Temos também a presença da Gangue da Justiça, composta por Mulher Gavião, vivida por Isabela Merced e que tem uma presença apagada no filme, Senhor Incrível interpretado por Edi Gathegi e que entrega o que o roteiro pede e o Lanterna Verde politicamente incorreto Guy Gardner. De todos os personagens, esse último é o que melhor funciona em “Superman”, pois é terreno seguro para o que James Gunn já fez em “Guardiões da Galáxia” e “Esquadrão Suicida 2”.
E justamente aonde queria chegar. “Superman” é divertido até a sua metade, com uma aventura leve e descomplicada, lutas bem coreografadas e empolgantes, uma narrativa bem encaixada que por mais que tenha absurdos com o salvamento do esquilo, faz sentido para o que James Gunn quer transmitir. O problema é justamente quando ele quer “galaxizar” o filme, que para mim foi como “suicidar” tudo que foi mostrado até o meio do segundo ato do longa-metragem.
De repente, da metade do filme para a frente, o que vi foi “Superman” versão “Guardiões da Galáxia”, apresentando o humor já característico de James Gunn, onde o ponto de virada é quando o Senhor Incrível invade uma base da Lex Corp e senta a porrada em todo mundo que lembra bastante o começo de “Guardiões da Galáxia 2”, com uma música tocando através das esferas T. E até aí, eu estava: “Legal, tá valendo essa referência.”
O problema é que desse ponto em diante, a coisa degringola para piadocas que entram em situações que não fazem sentido nenhum. Quer um exemplo? Quando Lex Luthor recupera a gravação inteira dos pais de Kal-El e revelam o motivo para enviá-lo à Terra. O momento é pesado pois derruba tudo que Superman acreditava sobre seus pais biológicos. E quando Superman resolve se consolar com Lois Lane em um diálogo emocionante, o que temos ao fundo: a Gangue da Justiça lutando contra um ser de outra dimensão.
Poderia ficar falando de outras situações, mas vou resumir que da metade do filme para frente vi um Superman meio apatetado e um Lex Luthor chiliquento.
Mas conversando com minha esposa sobre o filme após o término do filme, ela disse uma coisa que faz todo o sentido: essa “galaxização” do Superman é a forma do DCU atrair novos espectadores e os marvetes do MCU, que acham que “Guardiões da Galáxia”, “Thor: Ragnarok” e “Dead Pool” são ótimos filmes de super-heróis. Eles são bons sim, mas dentro do contexto a que se propõe.
Mas, essa forma de contar histórias de super-heróis é o que atrai o público atual e gera o tão buscado bilhão de dólares nas bilheterias. E vou te dizer que pelo hype que o longa-metragem tinha antes da estreia e por essa “James Gunnização” dos super-heróis, “Superman” vai chegar e ultrapassar fácil esse objetivo financeiro.
Até a metade do longa-metragem fui surpreendido com uma aventura de super-heróis a la Sessão da Tarde que estava me divertindo muito. Mas sempre achei que “Superman” seria algo muito parecido com o que James Gunn fez na Marvel e na DC. E que vi depois da meiuca do filme, confirmou minhas expectativas.
Acho que o DCU encabeçado por James Gunn será no tom apresentado por “Superman” o que me gera um misto de curiosidade, por saber se ele ousará em algum momento, e resignação, pois sua fórmula super-heróica é justamente o que Warner quer e finalmente faturar muito dinheiro com sua Sagrada Trindade da DC.
Como nos quadrinhos, existem várias versões Superman, de acordo com a proposta narrativa e agora é a vez de vermos a de James Gunn. Porém, essa versão do Homem de Aço em “Superman” não é a que ativa meus sentimentos nerds.
O primeiro passo do DCU nos cinemas é divertido e até nostálgico com as referências do filme de 1978, mas que trabalha certas fórmulas estabelecidas que em outra história cairia muito bem, como um filme próprio da Gangue da Justiça. Como passatempo, digo que vale a pena assistir “Suoperman”.
Ficha Técnica:
Título Original: Superman
Título no Brasil: Superman
Gênero: Super-Herói
Duração: 129 minutos
Diretor: James Gunn
Produção: Peter Safran, James Gunn
Roteiro: James Gunn
Elenco: David Corenswet, Rachel Brosnahan, Nicholas Hoult, Nathan Fillion, Isabela Merced, Edi Gathegi, Anthony Carrigan, María Gabriela de Faría, Sara Sampaio, Skyler Gisondo, Wendell Pierce, Alan Tudyk, Pruitt Taylor Vince, Frank Grillo, Terence Rosemore, Beck Bennett, Mikaela Hoover, Christopher MacDonald, Milly Alcock, Bradley Cooper, Angela Sarafyan
Companhias Produtoras: DC Studios, Troll Court Entertainment, The Safran Company
Distribuição: Warner Bros. Pictures
