SINOPSE: A animação contará a origem de Optimus Prime (Chris Hemsworth) e Megatron (Brian Tyree Henry) e mostrará como eles já foram melhores amigos, quase irmãos, com uma grande ligação e viraram inimigos jurados. O filme mostrará a origem do que viria a se tornar, mais tarde, o conflito entre Autobots e Decepticons, que mudou a história de Cybertron e até do Planeta Terra.

Buscando novas aquisições, a Hasbro licenciou os bonecos produzidos pela companhia japonesa Takara Tomy: veículos que se transformavam em robôs. Mas para lançarem nos Estados Unidos, era necessário criar uma história, assim a empresa norte-americana Marvel foi contratada, criando a história de origem onde os robôs eram descendentes do deus Primus e dividindo-os em heróis, os Autobots, e vilões, os Decepticons.

Nascia assim, em 1984, os Transformes, uma franquia que foi muito além dos brinquedos, como jogos, games, quadrinhos, séries e filmes animados e live-actions. Os robôs alienígenas vindos de Cybertrom, são um dos ícones da cultura nerd, que vem atravessando gerações, sempre com muito sucesso, trazendo novas histórias para os fãs de longa data, como eu, e conquistando novos adeptos para a franquia.

Para mim, os Transformers são uma das minhas alegrias da infância, pois tinha vários bonecos da linha de brinquedos e quadrinhos da franquia, além de ter em Optimus Prime como um dos meus primeiros grandes heróis, algo que carrego até hoje.

Mas os Transformers também foram motivos de tristeza e de me fazer gostar de histórias mais maduras, pois em 1986, era lançado “Transformers: O Filme”, primeiro longa-metragem animado da franquia, que simplesmente trazia a batalha final entre Megatron e o líder dos Autobots. Desse combate decisivo, uma tragédia: Optimus Prime morre devido aos ferimentos. E esse sacrifício de Optimus Prime me fez o colocar em pedestal, pois pela primeira vez, via um herói se sacrificando, indo além do seu limite físico e emocional, para fazer o que era certo.

Ao longo de 40 anos, tivemos séries animadas (sendo “Beat Wars” a melhor) e live-actions, a grande maioria dirigido e produzido por Michael Bay, que revitalizaram e popularizaram os Transformers nesse século. Mas a megalomania do diretor das explosões, cores hiper saturadas e slow motion quase matou a franquia nos cinemas, com histórias confusas e detalhes visuais quase impossíveis de serem notados (como o caso da transformação dos robôs).

Diante disso, a Hasbro e a Paramount, detentora dos direitos cinematográficos da franquia, resolveram rebootar tudo e criar diversas linhas narrativas, extinguindo a linha única criada com o advento dos live-actions, promovendo assim liberdade criativa e claro, maximizar os lucros com os Transformers.

Dentre essa liberdade narrativa, chegou aos cinemas em setembro de 2024, “Transformes: O Início”, longa animado que revisitou os alicerces desses robôs e traz uma nova história de origem para Optimus Prime e Megatron e a eterna rivalidade entre eles.

Existem muitas origens para Optimus Prime e Megatron, e a que me lembro é que Orion Pax era um simples escriturário de dados e Megatron, um gladiador, que insatisfeito pelo regime de castas, resolvem iniciar uma revolução. Porém, Orion Pax descobre que Megatron não tem objetivos tão altruístas, querendo substituir os atuais governantes por ele, como o imperador de Cybertrom. O resultado, já sabemos: Orion é eleito um Prime, derrotando o líder dos Decepticons e criando a rixa eterna entre eles.

Em “Transformers: O Início”, Orion Pax e Megatron são amigos que trabalham em uma fábrica de mineração de energon, que parou de fluir por Cybertrom desde o sumiço da Matriz de Liderança. Ambos fazem parte da grande população do planeta que não conseguem se transformar, sendo relegados a trabalhos como o que eles executam.

Gosto da dicotomia de pensamentos e sentimentos entre Orion Pax e Megatron, transformando-os em uma dupla que se completa. Orion Pax é sonhador e que busca algo mais para sua vida e de seu melhor amigo, sempre colocando os dois em enrascadas. Megatron é centrado e seguidor fiel das regras existente em Cybertrom, sempre criticando as atitudes de Orion, após as confusões que ambos se metem.

A personalidade de Orion Pax é algo que me surpreendeu positivamente em “Transformers: O Início”, pois vendo ele como Optimus Prime, é interessante ver a mudança em sua postura como líder dos Autobots, precisando carregar o peso da liderança e da salvação de todo um planeta contra as ameaças que surgem contra sua terra natal. Outra coisa curiosa é que, muito do seu ar sisudo, compenetrado e prático vem da dor e arrependimento pela perda de um companheiro para as trevas e um tênue vislumbre de esperança de que ele possa ser salvo.

Do outro lado temos D-16, que viria a ser Megatron, que aceitava sua vida e as regras estabelecidas da sociedade de Cybertrom, além de idolatrar Sentinel Prime, o único sobrevivente dos Primes na batalha contra os Quintessons, que vieram para conquistar o planeta e foram rechaçados pelos Primes, que se sacrificaram na guerra contra essas criaturas robóticas. Porém, tudo que D-16 acreditava cai por terra, e descobrir que foi enganado a vida toda, incendeia sua frustração, que se transforma em raiva, o transformando em Megatron, aquele que seria o temível líder dos Decepticons.

Outros personagens aparecem, como Elita-1 (Scarlett Johansson) e B-127 (Keegan-Michael Key), o Bumblebee, que se tornarão companheiros inseparáveis de Optimus Prime contra os Decepticons e outras ameaças de Cybertrom. Porém, duas histórias, além da de Orion Pax e Megatron me chamaram a atenção: a da Alta Guarda, liderada por Starscream (Steve Buscemi) e a de Sentinel Prime (Jon Hamm). Enquanto que no primeiro caso, percebemos que o braço direito e principal opositor à liderança de Megatron, trabalhava para os Primes, na segunda situação, temos uma subversão completa, até maior que a foi apresentada em “Transformers: O Lado Oculto da Lua”.

Aliás, essa foi coisa que mais gostei em “Transformers: O Início”, pois vendo os trailers, pensei que seria uma história cheia de piadocas a lá “Guardiões da Galáxia”. O humor está presente, principalmente na figura de B-127, mas fui completamente surpreendido por uma história bastante madura e de certa forma, trágica. Sentimentos como raiva, apatia, decepção, esperança são bem transmitidas por Megatron e Orion Pax e na relação entre eles. Ver a fúria crescendo no líder dos Decepticons, é justificada por tudo em que ele acreditava ser mentira, e esse declínio para o lado negro da força, causa incredulidade em Orion Pax, que tenta salvar o amigo de um destino sombrio.

Mas fora isso, temos questões como debate sobre classes sociais impostas na regra das castas, desvalorização de cybertronianos altamente qualificados e exílio de outros, traições e planos para manutenção do poder que fazem inveja a George R. R. Martin.]

Com tanta coisa acontecendo, “Transformers: O Início” poderia escorregar em trazer uma narrativa confusa e que pouco desenvolve tantos pontos apresentados, mas o que se vê é um filme curto, comparado aos demais filmes, animados ou live-actions, que tem o foco de mostrar a amizade em Orion Pax e D-16, que se tornarão em Optimus Prime e Megatron, e toda transformação daqueles em torno deles, sejam indivíduos ou todo o planeta.

E como isso é possível? Simples: não precisando dividir espaço com atores humanos como acontece nos live-actions, e que muitas vezes mais atrapalham que ajudam na narrativa. A mitologia dos Transformers é rica e cheia de personagens que se sustentam muito bem sozinhos sem precisar dos homo sapiens. E engana-se quem disser que é necessário atores e atrizes para humanizar a história, pois o que se vê em “Transformers: O Início” é uma narrativa bastante humana, carregada de sentimentos complexos e dilemas morais, tudo embalado em momentos de diversão, ação e brutalidade.

Como forma de atrair um novo público, já que se trata de um reboot, “Transformers: O Início”, traz um elenco de peso para dar vozes aos personagens da animação: Chris Hemsworth, Brian Tyree Henry, Scarlett Johansson, Keegan-Michael Key, Steve Buscemi, Laurence Fishburne, entre outros. Apesar dos atores e atrizes envolvidos, dos quais gosto muito, fiquei um pouco decepcionado por não ouvir a voz clássica de Peter Cullen como Optimus Prime. Mas entendo a mudança de dubladores, pois se preciso manter a franquia renovada, é preciso trazer vozes que a nova geração reconheça.

A animação e o CGI empregado em “Transformers: O Início” é muito bom, com uma ótima fluidez e beleza. Muito do orçamento desse filme deve ter sido empregado nesse quesito técnico, que juntamente com o elenco de atores e atrizes que emprestam suas vozes ao personagem, tem o objetivo de deslumbrar os espectadores.

“Transformers: O Início” encerra com o final já anunciado: Megatron se tornando um vilão implacável e que irá até as últimas consequências para se tornar o imperador de Cybertrom e Orion Pax sendo escolhido pelo Deus do planeta em Optimus Prime, portador da matriz da liderança e salvador do planeta. Inclusive, quando dizem: “Que desperte Optimus “Fodão” Prime (o fodão não fala, mas ele é foda pra carai), soltei um sonoro “Yes” e gestos empolgados.

Muitas portas estão abertas após “Transformers: O Início”, sendo que a mais conhecida é o conflito entre os Autobots e Decepticons. Mas podemos ver também, quem sabe, a guerra entre cybertronianos e os Quintessons, que seria algo bem legal e diferente de ser ver em um segundo longa animado. E quanto Unicrom, já que mencionaram Primus? Espero que deixem ele bem mais para a frente, pois o oposto de Primus, é o nêmesis dos Transformers, e seu surgimento significa a batalha final.

Poderia falar do que faz esse filme tão bom, mas vou resumir da seguinte forma: “Transformers: O Início” é o puro suco que todo nerd gosta, que trabalha muito bem muitos conceitos da mitologia da franquia, com boas doses de ação, comédia e um tom maduro surpreendente.

Dessa forma, depois de tudo isso, só posso dizer que vale muito a pena assistir “Transformers: O Início”!

Ficha Técnica:

Título Original: Transformers One

Título no Brasil: Transformers: O Início

Gênero: Animação, Ação, Ficção Científica

Duração: 104 minutos

Diretor: Josh Cooley

Produção: Lorenzo di Bonaventura, Tom DeSanto, Don Murphy, Michael Bay, Mark Vahradian, Aaron Dem

Roteiro: Eric Pearson, Andrew Barrer, Gabriel Ferrari

Elenco (Vozes): Chris Hemsworth, Brian Tyree Henry, Scarlett Johansson, Keegan-Michael Key, Steve Buscemi, Laurence Fishburne, Jon Hamm, Vanessa Liguori, Jon Bailey, Jason Konopisos-Alvarez, Evan Michael Lee, James Remar, Isaac C. Singleton Jr.

Companhias Produtoras: Paramount Animation, Hasbro Entertainment, New Republic Pictures, di Bonaventura Pictures, Bayhem Films

Distribuição: Paramount Pictures

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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