SINOPSE: Na acidentada ilha de Berk, onde vikings e dragões convivem em constante conflito, vive Soluço (Mason Thames), um jovem imaginativo e subestimado pelo pai, o Chefe Stoico (Gerard Butler). Diferente de seus conterrâneos, Soluço não possui habilidade para caçar dragões, mas busca provar seu valor. Tudo muda quando ele derruba um temido Fúria da Noite, mas, em vez de matá-lo, forma uma improvável amizade com o dragão, a quem chama de Banguela. Esse laço revela a verdadeira natureza dos dragões, desafiando séculos de tradições e crenças da sociedade viking.
Apesar de animações e live-actions baseados nessas obras não serem algo que me atraia, alguns filmes desse gênero me chamaram atenção esse ano: “Lilo & Stitch” e “Como Treinar Seu Dragão”.
O filme de 2010 foi um sucesso absoluto, tanto de bilheteria, arrecadando US$ 495 milhões (para um orçamento de US$ 165 milhões), quanto de crítica que elogiou a animação, dublagem, roteiro e trilha sonora.
“Como Treinar Seu Dragão” virou uma franquia animada com três filmes e uma bilheteria total de US$ 1,6 bilhão. Além disso, a primeira animação foi indicada ao Oscar de 2011 em duas categorias: Melhor Filme de Animação e Melhor Trilha Sonora Original, mas não venceu. Porém, ganhou várias outras premiações, incluindo dez Annie Awards, um dos mais importantes da indústria de animação.
Mencionei essas informações para que possamos entender o tamanho da responsabilidade que o live-action de 2025 tem com a crítica, em encantar um novo público e principalmente com aqueles que assistiram à animação de 2010.
Se estamos falando de um live-action baseado em uma animação, é claro que precisamos começar essa resenha sobre a fidelidade em relação ao material original. Ao contrário de outros live-actions, assisti à animação original e posso dizer que “Como Treinar Seu Dragão” impressiona.
Os personagens humanos estão idênticos ao que vi no filme de 2010, com destaque para Soluço (Mason Thales), Stoico (Gerard Butler) e Bocão (Nick Frost), que apresentam todas as características físicas, bem como as personalidades de suas partes animadas.
Além das características físicas e emocionais, os personagens humanos trazem os dramas pessoais que eles possuem, de forma até mais madura e contundente do que foi apresentada no material original. A cena em que Stoico expressa toda sua decepção por Soluço amar os dragões e não os odiar, indo contra todos os valores de seu pai, ou a solidão que Soluço sente ao ver seu pai partindo para caçar essas criaturas, sentindo que desiludiu a pessoa que mais ama na ilha, é doloroso e mostra a satisfação e a frustração das expectativas que existem entre pais e filhos.
Posso até estar exagerando, mas ao contrário de outros live-actions, como “Lilo & Stitch” por exemplo, “Como Treinar Seu Dragão” é uma história mais adulta contada através de elementos lúdicos e não o contrário.
Completando o grupo de personagens do filme, os dragões, graças ao excelente CGI empregado, não devem nada ao que vi no filme de 2010, revelando o cuidado dos responsáveis pelo longa-metragem em acessar a memória afetiva dos fãs do material original e também apresentar essas criaturas aos novos espectadores dessa história.
Uma coisa que é legal em “Como Treinar seu Dragão”, é que cada criatura tem sua peculiaridade. E essas características são explicadas por Perna-de-Peixe Ingerman (Julian Dennison) como fichas de RPG, com seus atributos mais e menos fortes.
Mas é claro que “Como Treinar Seu Dragão” é a história de amizade que surge entre Soluço e Banguela e nesse live-action, graças à interpretação de Mason Thames e do CGI empregado, essa relação ganha uma força maior da que vi na animação de 2010.
Com uma junção perfeita de CGI bem empregado e da mente do diretor Dean DeBlois, Banguela é apaixonante, trazendo à tona os sentimentos que temos por nossos pets. Em entrevista Deblois disse que Banguela fisicamente é 75% pantera-negra, um animal elegante, de olhos penetrantes e extremamente perigoso e 25% salamandra, dando o retoque reptiliano que ele precisa. Mas além disso, o diretor do live-action queria, além da aparência, que pensássemos no cachorro ou no gato que temos em casa e nos comportamentos engraçados e apaixonantes que eles demonstram no dia a dia.
Porém, o que na minha opinião se destacou foi Soluço e o trabalho de Mason Thames, que não só se transformou no protagonista, mas acrescentou camadas e carisma ao personagem da animação de 2010. A interpretação do ator encanta e cria conexões com os dramas e alegrias vividas pelo personagem, nos fazendo torcer e acreditar na jornada dele. O roteiro do live-action sofreu pequeníssimas alterações em relação à animação de 2010, então todo acréscimo emocional de Soluço em “Como Treinar Seu Dragão” é fruto do trabalho excepcional de Mason Thames.
Como toda jornada do herói, Soluço e Banguela precisam se superar após os infortúnios vividos por eles. E a superação dos protagonistas vem de forma épica com eles enfrentando a Rainha Dragão. O embate entre os protagonistas e essa criatura gigantesca emulou muito os sentimentos que senti vendo os filmes recentes de Godzilla e “Círculo de Fogo”, o que foi uma grata surpresa, pois do nada, o filme que era uma fantasia infanto-juvenil, se tornou um filme de ação com um kaiju.
Claro que não posso deixar falar do aspecto visual de “Como Treinar Seu Dragão”, que com CGI aliado a efeitos práticos, como cenários, maquiagem e figurino, dão vida à ilha onde os vikings vivem, o ninho dos dragões, e todas as demais localidades mostradas na animação de 2010, tornando esse live-action em um dos mais bonitos que já assisti.
E para quem assistiu a “Como Treinar Seu Dragão” de 2010, outro detalhe para acessar seus sentimentos por essa história: o elenco de dublagem brasileiro do live-action traz de volta alguns dos dubladores originais da animação, incluindo Gustavo Pereira como Soluço e Mauro Ramos como Stoico. Além deles, Luisa Palomanes dublará Astrid, e Paulo Mathias Jr. dará voz a Melequento. O filme também conta com a participação de Charles Emmanuel como Perna-de-Peixe e Cláudio Galvan como Bocão. Ou seja, emoção e nostalgia garantidas.
“Como Treinar Seu Dragão” além de ser um sucesso de crítica, é um sucesso comercial, arrecadando ao redor do mundo, cerca de US$ 360 milhões em duas semanas de exibição (para um orçamento de US$ 150 milhões), o que deve garantir assim como “Lilo & Stitch”, uma sequência muito em breve.
Com um visual encantador, uma narrativa emocionante e com protagonistas carismáticos e cativantes, não tem outra: vale muito a pena assistir “Como Treinar Seu Dragão”!
Ficha Técnica:
Título Original: How to Train Your Dragon
Título no Brasil: Como Treinar Seu Dragão
Gênero: Animação, Fantasia
Duração: 125 minutos
Diretor: Dean DeBlois
Produção: Dean DeBlois, Marc Platt, Adam Siegel
Roteiro: Dean DeBlois
Elenco: Mason Thames, Nico Parker, Gerard Butler, Nick Frost, Julian Dennison, Gabriel Howell, Bronwyn James, Harry Trevaldwyn, Ruth Codd, Peter Serafinowicz, Murray McArthur
Companhias Produtoras: DreamWorks Animation, Marc Platt Productions
Distribuição: Universal Pictures
