SINOPSE: Uma equipe de anti-heróis é recrutada para uma missão perigosa. Yelena Belova, Bucky Barnes, Guardião Vermelho, Fantasma, Treinadora e John Walker formam o grupo de desajustados e rejeitados que, pegos numa armadilha pela diretora da CIA Valentina Allegra de Fontaine, são obrigados a embarcar num plano ofensivo que os fará confrontar seus maiores traumas e cicatrizes do passado. Prontos para agir a favor de causas duvidosas, os seis parecem ser a escolha errada para lidar contra uma ameaça sombria e poderosa.

Após a Saga do Infinito, a Marvel trouxe a Saga do Multiverso, prometendo algo ainda mais épico que a busca de Thanos pelas Joias do Infinito. O pontapé inicial foi a primeira temporada de “Loki”, apresentando “Aquele Que Permanece”, uma variante de Kang, que protegia a Linha do Tempo Sagrada, que após ser morto, liberou as várias linhas espaço-temporais para o universo principal do MCU. Após esse evento, voltaríamos a ver o Multiverso em “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” e “What If…”.

Porém, o que realmente iniciaria a Saga do Multiverso seria “Homem-Formiga e Vespa: Quantumania”, mostrando o Conselho dos Kangs ao final do filme. Mas a baixa arrecadação do filme (US$ 476 milhões para um orçamento de US$ 200 milhões), uma reação bem dividida de público e crítica (muitos gostaram, mas muitos detestaram) e os problemas envolvendo Jonathan Majors, ator que interpretava Kang, fizeram a Marvel rever toda a história.

O primeiro passo foi, dar uma pausa nos lançamentos cinematográficos que fariam parte da Saga do Multiverso. “Deadpool & Wolverine” apesar de falar de Multiverso e variantes, não faz parte, até o momento, da linha cronológica principal do MCU. A Marvel Studios só voltou à carga com sua Saga do Multiverso, com “Capitão América: Admirável Mundo Novo”, que não assisti ainda, e mais recentemente, com “Thunderbolts”.

“Thunderbolts” é uma espécie de “Esquadrão Suicida” da Marvel: anti-heróis e ex-vilões descartáveis, que aceitam missões em busca de redenção. E apesar de fazer parte da Saga do Multiverso, cuja conexão, vou explicar mais para o final, é um filme mais contido, quase um one-shot.

Os anti-heróis e ex-vilões escolhidos são de certa forma descartáveis na história do filme e de certa forma, descartáveis para o MCU. Fantasma (Hannah John-Kamen) e Treinadora (Olga Kurylenko) era antagonistas do Homem-Formiga e Viúva Negra, respectivamente, e que estando ou não nos filmes, não fazem muita diferença. Tanto é verdade, que uma morre logo no começo do longa-metragem e a outra só é lembrada em suas tentativas fracas de fazer comédia. E se o assunto é comédia, o Guardião Vermelho (David Harbour) é a tentativa fracassada de alívio cômico desse filme e não preciso dizer mais nada sobre ele.

John Walker, que tinha recebido o posto de Capitão América (Wyatt Russell) em “Falcão e Soldado Invernal”, e agora é conhecido como o Agente Americano, consegue seu espaço, principalmente quando se mostra superior, não que seja, aos demais, justamente por ter sido escolhido para substituir Steve Rogers como o Primeiro Vingador. E finalmente temos Yelena Belova, que a Marvel tenta emplacar como a nova Viúva Negra, e Bucky Barnes, que após ser o antagonista à altura do Capitão América, só foi nerfado pelo MCU.

Agora, de todos os personagens citados acima, Yelena e Bucky Barnes são os mais prejudicados e que mereciam um carinho melhor por parte da Marvel em “Thunderbolts”.

Yelena tem a seu favor, ser interpretada por Florence Pugh, que por mais talentosa que seja, não consegue entregar uma conexão entre sua personagem e o público. Uma parte dessa “rejeição” se deve ao fato dos fãs ainda se revoltarem com o destino da Viúva Negra em “Vingadores: Ultimato” e o carinho que eles têm com a personagem. Ou seja, nada de substituições. Porém, a maior culpa do fracasso de Yelena se tornar importante no MCU é do roteiro e direção de “Thunderbolts”. O maior tempo de tela é de Yelena, logo ela é a protagonista do filme, mas essa exposição, não garante a conexão com o público. Até comprei sua tristeza e falta de rumo existencial, mas faltou algo mais, que mesmo com todo esforço de Florence Pugh, não aconteceu.

Agora o maior crime é com Bucky Barnes (Sebastian Stan). O personagem que, por mais que digam o contrário, era secundário em sua própria série, em “Thunderbolts” é quase uma participação especial. E o próprio roteiro confirma que nerfou ele, ao transformá-lo em um senador estadunidense, que não leva o menor jeito para a vida política, e com frases como: “eu era bom em espionar os outros”. Nesse longa-metragem em específico, ele é a sombra de Yelena, que já não brilha tanto, e dessa forma, meio que apaga o Soldado Invernal, que poderia ser aproveitado de uma forma melhor, e abrir uma vertente de tramas de espionagem no MCU, algo que “Invasão Secreta” fracassou.

Mas mesmo depois de tudo que escrevi até agora, “Thunderbolts” não é um filme ruim. Pelo contrário, se você colocar de lado algumas coisas e o humor fraco, o longa-metragem é enxuto, direto e divertido.

Como disse, “Thunderbolts” é quase um one-shot, uma história curta que aparece nos quadrinhos, que pode ou não fazer conexão com a trama principal, e que servia para completar a quantidade de páginas da edição. Os Thunderbolts são reunidos de forma no mínimo inusitada e acabam se deparando com o projeto Sentinela, um programa chefiado por Valentina Allegra de Fontaine (Julia Louis-Dreyfus), uma cópia barata de Amanda Waller, para criar super seres que trabalhariam para ela. Porém, Yelena Belova, Bucky Barnes, Guardião Vermelho, Fantasma, Treinadora e John Walker se deparam com uma ameaça, cujo poder, é igual ou superior a todos os Vingadores originais juntos.

E é isso, “Thunderbolts” não enrola em tramas e subterfúgios complicados, seguindo uma linha direta de anti-heróis e ex-vilões em crise que não sabem trabalhar juntos, que ao encontrarem uma ameaça que pode destruir o planeta, se unem e alcançam a redenção.

O destaque fica por conta do Sentinela. Bob (Lewis Pullman), que gera uma interminável sequência de piadinhas sem graça com seu nome, se voluntariou para um experimento com uma versão do soro do super soldado, que lhe concedeu o poder equivalente a de um milhão de sóis explodindo. Essa quase onipotência até que é bem evidenciada em uma ótima sequência de combate entre ele e os Thunderbolts, que lembrou em alguns momentos a sequência em que a Liga da Justiça enfrenta um recém ressuscitado Superman.

Mas o que mais gostei foi quando Bob, libera inconscientemente, o Vazio, uma persona de imenso poder que quer apagar as pessoas. A forma como ele apaga as pessoas, foi inspirada nas “sombras de Hiroshima”: as vítimas da bomba atômica foram pulverizadas pela força da explosão, fazendo que seus corpos fossem carbonizados instantaneamente, e acabassem grudadas a superfície próxima (algumas pessoas dizem que a energia liberada pela bomba foi tanta, que o que se vê nesses locais, é a própria sombra das pessoas).

Ao final do filme, os Thunderbolts passam a ser chamados de Novos Vingadores, e entram em rota de colisão com Sam Wilson (Anthony Mackie) e a conexão com a Saga do Multiverso acontece, em uma cena pós-crédito, com o vislumbre de uma nave espacial de um certo grupo Fantástico.

E é isso. Se você quer diversão, sem buscar a tão aguardada megalomania que a Marvel já fez tão bem e vem prometendo nessa nova fase cinematográfica, então vale a pena assistir “Thunderbolts”.

Ficha Técnica:

Título Original: Thunderbolts

Título no Brasil: Thunderbolts

Gênero: Super-Herói

Duração: 126 minutos

Diretor: Jake Schreier

Produção: Kevin Feige

Roteiro: Eric Pearson, Joanna Calo

Elenco: Florence Pugh, Sebastian Stan, Wyatt Russell, Olga Kurylenko, Lewis Pullman, Geraldine Viswanathan, Chris Bauer, Wendell Pierce, David Harbour, Hannah John-Kamen, Julia Louis-Dreyfus

Companhias Produtoras: Marvel Studios

Distribuição: Walt Disney Studios Motion Pictures

Please follow and like us:

Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *