SINOPSE: Os irmãos gêmeos Fumaça e Fuligem (Michael B. Jordan) voltam à sua cidade natal com o objetivo de reconstruir a vida e apagar um passado conturbado. Esses acontecimentos, porém, voltam a atormentá-los quando uma força maligna passa a persegui-los, trazendo para a superfície medos e traumas. Esse mal busca tomar conta da cidade e de todos os cidadãos, obrigando-os a lutar para sobreviver.

Ryan Coogler e Michael B. Jordan trabalharam juntos pela primeira vez em “Creed”, derivado da franquia “Rock”, estrelada por Sylvester Stallone, que trazia a história de Adonis, interpretado por Jordan, filho do lendário campeão mundial de boxe, Apollo (Carl Weathers).

O filme que resgatou a essência dos primeiros longas-metragens de “Rock” e mesclou uma nova história à franquia, foi sucesso de público e crítica. Após isso, a parceria Coogler / Jordan, rendeu: “Creed 2”, “Creed 3” e “Pantera Negra”, todos sempre bem avaliados. Olhando essa filmografia, vemos a versatilidade do diretor e do ator em navegar por vários gêneros cinematográficos. Dessa forma, não foi uma surpresa tão grande quando anunciaram de Ryan Coogler e Michael B. Jordan estaria juntos em um filme de terror: “Pecadores”.

O filme vem recebendo ótimas críticas, tanto do pessoal especializado como do público, o que reflete na ótima arrecadação até o momento: 200 milhões mundialmente para um orçamento de (100 milhões), se tornando uma das 10 maiores bilheterias de vampiro de todos os tempos, ultrapassando “Van Helsing” “Nosferatu” de Robert Eggers, “Garotos Perdidos”, “30 Dias de Noite” (que considero o melhor longa-metragem de vampiros), a trilogia “Blade” e a franquia “Anjos da Noite”. No momento, “Pecadores” está atrás apenas de “Hotel Transylvania” e os cinco filmes da saga “Crepúsculo”.

Mas “Pecadores” merece toda esses elogios e bilheteria que vem fazendo? A resposta é sim.

Como todos os filmes de Ryan Coogler, “Pecadores” tem uma fortíssima influência da cultura negra. Aqui, somos transportados ao início da década de 1930, onde os irmãos Fumaça e Fuligem, ambos interpretados por Michael B. Jordan, retornam a sua cidade natal para abrir um clube de blues e fugir do passado turbulento e violento vivido em Chicago. Os irmãos Moore são gângsters, tendo trabalhado para Al Capone.

“Pecadores” mostra como era a vida dos negros estadunidenses na década de 1930: livres, mas oprimidos socialmente, por ainda não serem aceitos pelos demais habitantes, principalmente os brancos, e economicamente, sendo forçados e trabalhar de sol a sol e ganhar mixaria, e aqui especificamente, catando algodão e só sendo remunerados quando batiam as cotas individuais.

Com isso, ao vermos Fuligem e Fumaça, chegando à cidade onde nasceram, percebemos o contraste com os demais cidadãos negros: eles andam bem vestidos e tem muito dinheiro, fruto de suas atividades ilícitas em Chicago. Temidos e respeitados, se não tivessem seguido o caminho do crime, muito provavelmente, estariam na mesma situação que os demais.

E dentro desse retrato histórico da época, Fumaça, Fuligem e seus amigos precisam enfrentar vampiros maliciosos e perigosos, que são atraídos pela música mágica de Sammie “Pastorzinho” Moore (Miles Caton), primo dos irmãos gêmeos. Pastorzinho, é um entre outras pessoas que são dotados de um dom: suas músicas são capazes de quebrar o véu do tempo, unindo passado e futuro ao presente, mas da mesma forma que a melodia transcendental dele atrai espíritos bons, atrai demônios, aqui no caso, os abhartach.

Mas o que realmente faz de “Pecadores” um filme diferente, não é essa mescla de retrato histórico e terror, mas a trilha sonora que rege cada momento do longa-metragem. O blues, é o ritmo principal, mas ao longo da história temos outros sendo apresentados, com o ápice sendo “Pastorzinho” cantando e tocando uma música que ele fez para seu pai, e rompe todo o véu do tempo, e presenciamos a reunião de vários outros “iluminados musicais”, do passado e do futuro.

Ouso dizer, que “Pecadores” é quase um musical de terror. E quem me conhece sabe que é um dos gêneros cinematográficos que menos gosto. Porém, o filme de Ryan Coogler, regado a muito blues, ritmo que gosto muito de ouvir, embala essa narrativa, com as músicas colocadas nos momentos certos, engrandecendo a parte visual do longa-metragem.

“Pecadores” lembra bastante “Um Drink no Inferno”, com sua introdução mais longa, desenvolvendo bem o ambiente e os personagens onde a batalha sobrenatural vai acontecer. E esses primeiro e segundo terços do filme são tão bem desenvolvidos, que posso dizer que o terror é a parte menos legal do filme.

Porém, quando digo que o terror é a parte menos legal do filme, não pense que é ruim. Pelo contrário, Ryan Coogler navega com segurança por elementos básicos como tensão, jump scares e violência regada com bastante sangue. Os vampiros são maliciosos e me lembraram felinos, rodeando sua presa, brincando com ela, aguardando momento certo para mostrar sua superioridade e atacar.

Com efeitos simples, Ryan Coogler traz vampiros com rostos normais, mas olhos brilhando na escuridão, sorrisos grandes demais e vislumbres de dentes afiados. Remmick (Jack O’Connell), é o vampiro alfa, que oferece com sua mordida, união e força para lutar contra as forças opressoras. E por que ele faz isso? Porque Remmick é irlandês, de um tempo onde sua cultura e religião foi obliterada pela Igreja Católica.

Destaco duas cenas de Remmick, o abhartach: a primeira é a que ele reza junto com Pastorzinho e explica porque isso não adianta contra ele; e a segunda e mais incrível é a dele cantando e dançando junto com outros vampiros à luz de uma fogueira.Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Ut elit tellus, luctus nec ullamcorper mattis, pulvinar dapibus leo.

Falando um pouco das atuações, todos os atores e atrizes estão ótimos, sendo até difícil destacar alguém dentro desse elenco tão incrível. Se for para falar de alguém em específico, seria de Michael B. Jordan que dá vida aos irmãos gêmeos. Suas interpretações conseguem trazer personalidade diferentes para Fumaça e Fuligem: um é mais gente fina e extrovertido e o outro mais sisudo e pragmático.

“Pecadores” vem rendendo bons frutos seja na crítica, seja nas bilheterias, o que já vem criando especulações sobre uma possível sequência ou spin-offs, sendo o mais comentado uma história de origem de Fuligem e Fumaça, da infância à vida de gângsters em Chicago.

Se eu pudesse decidir qual história contar do universo de “Pecadores”, eu escolheria a dos índios que estavam caçando Remmick, porque sejam eles quem forem, pelo pouco que foi mostrado, ficou bem claro que os vampiros os temem. E não é qualquer medinho, é pavor.

Enfim, o novo filme de Ryan Coogler tem uma mistura muito boa de retrato histórico e terror, regados a muito blues, fazendo do longa-metragem quase um musical. Empolgante e divertido, só posso dizer depois de tudo isso que vale muito a pena assistir “Pecadores”, a ponto de estar cotado a melhor filme de 2025, ao lado de “Nosfaratu”.

Ficha Técnica:

Título Original: Sinners

Título no Brasil: Pecadores

Gênero: Terror

Duração: 138 minutos

Diretor: Ryan Coogler

Produção: Zinzi Coogler, Sev Ohanian, Ryan Coogler

Roteiro: Ryan Coogler

Elenco: Michael B. Jordan, Hailee Steinfeld, Miles Caton, Jack O’Connell, Wunmi Mosaku, Jayme Lawson, Omar Miller, Delroy Lindo, Buddy Guy, Li Jun Li, Yao, Lola Kirke, Peter Dreimanis, David Maldonado, Saul Williams, Helena Hu, Andrene Ward-Hammond, Nathaniel Arcand, Tenaj L. Jackson

Companhias Produtoras: Proximity Media, Warner Bros. Pictures

Distribuição: Warner Bros. Picture

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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