SINOPSE: O papa, um reformista com antipatia pela pompa do cargo, acaba de morrer. Dias depois, os cardeais do mundo todo se reúnem para eleger seu sucessor. São todos homens santos, mas têm rivalidades, ambições e fraquezas, e, nas próximas setenta e duas horas, um deles se tornará a figura espiritual mais poderosa da Terra. A tarefa não se mostrará nada simples, pois entre os elegíveis e os grupos que se formam em torno deles há diferenças inconciliáveis: globalistas e isolacionistas, os que clamam pelo primeiro papa negro, religiosos com fortes opiniões sobre o papel das mulheres e do casamento gay, as correntes conservadoras e os reformistas, os que rejeitam a riqueza e os que abraçam o luxo. E, para completar, surge a notícia de que o falecido papa elegeu em segredo um cardeal até então desconhecido de todos.

“Conclave” foi um dos filmes favoritos a levar o Oscar de Melhor Filme de 2025. Esse fato e o material promocional me fizeram querer ler o livro que foi usado como base para o longa-metragem. Além disso, admito que thrillers envolvendo o Vaticano e a Igreja me atraem muito, desde que li “Anjos e Demônios” de Dan Brown.

Porém, ao contrário do ritmo frenético que Dan Brown emprega em “Anjos e Demônios”, Robert Harris cadencia sua narrativa. E faz todo sentido esse ritmo mais lento de “Conclave”, afinal o processo de eleição de um novo papa possui toda uma série de procedimentos e rituais que são executados no seu tempo.

Esse ritmo mais lento de “Conclave” permite que a trama se desenrole de forma natural e envolvente. Após a morte do papa, começa uma corrida envolvendo os vários prefereti para conseguir os votos de dois terços dos cardeais votantes e assumir o Anel do Pescador. Porém, o que era somente um jogo político, ganha ares de um plano conspiratório com objetivos obscuros.

Essa é a grande sacada do livro escrito por Robert Harris, uma conspiração que hora ou outra parece ser liderada por um cardeal diferente. Inicialmente achamos que as cordas estão sendo mexidas pelo suspeito óbvio: o cardeal ultraconservador Tedesco. Mas ao longo das páginas, a desconfiança sobre quem comanda essa tramoia muda de personagem, indo do cardeal Adeyemi e cardeal Tremblay, chegando até mesmo a criar dúvidas das boas intenções do cardeal Lawrence e do recém-chegado cardeal Benitez.

Você não leu errado, o protagonista do livro virou um dos suspeitos para mim, pois quando confrontados por seus pares, após algumas atitudes, me colocaram a pulga atrás da orelha: será que o cardeal Lawrence realmente não quer ser papa, ou isso é somente uma cortina de fumaça para esconder seu verdadeiro objetivo?

Até mesmo o amável e ingênuo cardeal Benitez virou suspeito enquanto lia as páginas. Aliás, ele foi meu principal suspeito até o final da leitura de “Conclave”, pois sua aparição repentina no Conclave e o desconhecimento de que ele era cardeal por parte do Colégio Cardinalício era muito estranha. E à medida que os prefereti vão sendo descartados de serem eleitos papa e Benitez vai ganhando força nas votações, me fizeram duvidar mais ainda de sua postura.

Porém, “Conclave” se mostrou um livro com reviravoltas bem interessantes e colocadas no momento certo, e assim ativar nossa curiosidade pela narrativa: quando começamos a ficar entediados com o ritmo da trama, algo acontece e nossa atenção é fisgada novamente e nossa mente volta às teorias de quem é o arquiteto dessa conspiração.

E com relação às reviravoltas e revelações de “Conclave”, nenhuma foi feita com más intenções. Parece estranho falar isso, mas enquanto lia essas partes percebi que tanto o conspirador quanto as pessoas impactadas por seus planos, não agiram por maldade.

A revelação de quem é o verdadeiro conspirador do conclave é bem interessante e admito que foi uma surpresa, devido às motivações dessa pessoa.

Além do thriller, Robert Harris traz com riqueza de detalhes tudo que envolve o conclave, desde a troca de roupas dos cardeais e sua reclusão, até as orações e etapas existentes durante a votação do novo papa. Acredito que esse fator deve ter ajudado muito para adaptar o livro para o cinema.

O final de “Conclave” é no mínimo polêmico, quando penso nas pessoas mais conservadoras em relação à Igreja e de certa forma concretiza os planos do conspirador. Pois ao analisar após o término da leitura, o arquiteto de tudo o que acontece nessa votação, tinha a intenção de colocar a melhor pessoa, segundo ela, no posto mais alto do Vaticano.

Para quem gosta de thrillers mais acelerados, pode estranhar e até desgostar da leitura, mas faça um esforço, pois “Conclave” tem uma narrativa bem coesa e inteligente.

Por esses motivos, digo que vale a pena ler “Conclave”!

Ficha Técnica:

Título Original: Conclave

Título no Brasil: Conclave

Autor: Robert Harris

Tradutor: Braulio Tavares

Capa: Comum

Número de páginas: 272

Editora: Alfaguara

Idioma: Português

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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