SINOPSE: Gawain (Dev Patel) embarca em uma missão ousada para enfrentar o Cavaleiro Verde, um ser misterioso que apareceu em Camelot com um desafio enigmático. Arriscando sua cabeça, ele encontra fantasmas, gigantes, ladrões e enganadores em uma aventura épica.

Quando procuramos filmes “fora da caixa”, que fogem do senso comum, podemos apostar nas produções do A24. A filmografia do estúdio possui vários ótimos títulos: “ A Bruxa”, “Hereditário”, “Midsommar”, “O Farol”, “Ex_Machina”, “Joia Bruta”, High Life”, entre outros.

Anunciando para estrear nos cinemas em 2021, “A Lenda do Cavaleiro Verde” se tornou um dos filmes que mais gostaria de ter visto ano passado. Mas pelo menos onde moro, o filme não teve espaço nas telonas e acabei assistindo pela Amazon Prime Video.

Iniciei essa resenha falando de filmes que fogem do senso comum, pois “A Lenda do Cavaleiro Verde” é uma dessas produções, principalmente na parte visual. A história de Gawain nos é apresentada como se estivéssemos em uma espécie de sonho, com texturas, fotografia e iluminação direcionadas para enfatizar essa sensação de ilusão lúdica. Essa parte visual se assemelha muito ao que vi em “Maria e João: O Conto das Bruxas” (que por incrível que pareça, não foi produzido pelo A24.

O filme cria uma sensação de suspensão, com um ritmo narrativo próprio que é difícil de explicar. A falta de controle do protagonista que é compartilhada para quem assiste “A Lenda do Cavaleiro Verde” reforça esse tom de estarmos vendo um sonho.

Por falar em falta de controle, a jornada de protagonista é tramada por sua mãe Morgana (Sarita Choudhury), irmã do rei Arthur (Sean Harris). Gawain é um lorde playboy, que passas as noites bebendo e farreando e que nutre um amor proibido por Essel (Alicia Vikander). Para quem conhece um pouco das lendas arturianas, sabe que Morgana é uma bruxa e que ambiciona roubar o trono de seu irmão. Em “A Lenda do Cavaleiro Verde”, ela convoca através de um feitiço o Cavaleiro Verde (Ralph Ineson), que se apresenta perante a Távola Redonda e lança um desafio: qualquer um que o golpeá-lo será presenteado com um poderoso machado, porém, em um ano, essa pessoa deverá reencontrá-lo para sofrer o mesmo golpe.

Diante desse desafio, os “valentes” cavaleiros de Camelot se acovardam e Gawain, sedento por se tornar um membro da Távola Redonda, aceita o desafio. À partir daqui o filme mostra o dilema de Gawain em manter sua honra uma vez que não é nenhum corajoso herói. E em sua jornada misteriosa e mágica, suas dúvidas só aumentam pois ele se depara com situações com as quais não está acostumado: a traição e o roubo de suas coisa pelo Scavenger (Barry Keoghan), o encontro com uma criatura etérea (Erin Kellyman) que tanta convencê-lo de que correr é a melhor solução ou quando tem sua honra testada pelas investidas da Lady (Alicia Vikander).

A jornada do herói de Gawain é um pouco clichê, mas a forma como ela é contada, como se fosse um sonho, a torna em algo diferente. Além disso, nosso protagonista, ao contrário de outros mocinhos que em algum momento (geralmente no final do segundo terço do filme) assumem sua responsabilidade, passa o filme inteiro com medo e com dúvidas.

“A Lenda do Cavaleiro Verde” tem um final parecido com o de “A Última Tentação de Cristo”. As dúvidas e os medos de Gawain chegam ao ponto de ebulição quando ele finalmente se encontra com a criatura. Então vemos o que aconteceria com nosso protagonista se ele não cumprisse sua parte no acordo

Vale destacar além da textura e da parte visual, o elenco de “A Lenda do Cavaleiro Verde” que tem nomes como Dev Patel, Alicia Vikander, Joel Edgerton, Sarita Choudhury e Sean Harris. Mas entre tantos atores e atrizes ótimos vou destacar dois. O primeiro é Barry Keoghan, que você vai lembrar por ter interpretado Druig em “Eternos”. Apesar de não ter um tempo maior de tela no filme, o ator mais uma vez rouba a cena ao dar vida ao dúbio e traiçoeiro Scavanger.

E o segundo nome que destaco não tem seu rosto mostrado: Ralph Ineson que interpreta o Cavaleiro Verde. Juntamente com a excelente maquiagem empregada, a interpretação do ator traz toda a imponência e mistério que a criatura feérica possui.

Como todo filme “fora da caixa”, “A Lenda do Cavaleiro Verde” pode não agradar a todas as pessoas, principalmente àquelas que gostam de algo mais comum, cotidiano. Então, justamente a narrativa mais lenta e a textura que nos arremete à sensação de suspensão, de estarmos em um sonho, pode incomodar bastante. Eu mesmo, em alguns momentos do filme, fiquei aborrecido com essa forma de contar a jornada de Gawain.

Então, para terminar essa resenha, digo que se você teve algum problema com “Maria e João: O Conto das Bruxas”, esse filme não é para você. “A Lenda do Cavaleiro Verde” tem sua própria textura e que foge do senso comum de outros longas-metragens que adaptam contos de fadas ou lendas.

E justamente por essa textura única, que nos arremete a uma sensação de estarmos em suspensão, de sermos espectadores passivos do sonho de Gawain, é que vale a pena assistir “A Lenda do Cavaleiro Verde”.

Ficha Técnica:

Título Original: The Green Knight

Título no Brasil: A Lenda do Cavaleiro Verde

Gênero: Fantasia

Duração: 125 minutos

Diretor: David Lowery

Produção: Toby Halbrooks, James M. Johnston, David Lowery, Tim Headington, Theresa Steele Page

Roteiro: David Lowery

Elenco: Dev Patel, Alicia Vikander, Joel Edgerton, Sarita Choudhury, Sean Harris, Ralph Ineson, Barry Keoghan, Erin Kellyman, Kate Dickie, Emmet O’Brien

Companhias Produtoras: A24, Ley Line Entertainment, Sailor Bear, Bron Creative, Wild Atlantic Pictures

Transmissão: Amazon Prime Video

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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