SINOPSE: Após ser capturado por Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), um guerreiro das estradas chamado Max (Tom Hardy) se vê no meio de uma guerra mortal, iniciada pela Imperatriz Furiosa (Charlize Theron) na tentativa se salvar um grupo de garotas. Também tentanto fugir, Max aceita ajudar Furiosa em sua luta contra Joe e se vê dividido entre mais uma vez seguir sozinho seu caminho ou ficar com o grupo.

Alguns filmes por sua relevância definiriam os rumos do cinema. Em 1984, “O Exterminador do Futuro” de James Cameron, trazia uma fórmula que foi por muito tempo, a forma predominante de se contar o embate entre homens e máquinas. Em 1979, “Alien: O Oitavo Passageiro” de Ridley Scott criava o gênero de ficção científica com elementos de terror, com um roteiro que foi e é copiado até hoje.

No mesmo ano de 1979, George Miller, um cineasta australiano em início de carreira, iria ditar os rumos de se contar histórias que se passam em mundos pós-apocalípticos com “Mad Max”. O sucesso do filme foi imediato e com um faturamento de US$ 100 milhões para um orçamento de US$ 400 mil, a Warner comprou os direitos e lançava em 1981, o icônico “Mad Max 2” (até hoje o longa-metragem mais amado da franquia) e o questionável “Mad Max: Além da Cúpula do Trovão” em 1985.

Após o terceiro filme, foram necessários longos 30 anos para voltarmos a esse incrível, veloz e louco mundo de Max Rockatansky. Mas essa espera valeu a pena, pois vou definir “Mad Max: Estrada da Fúria” utilizando uma fala do diretor Steven Soderbergh: “Eu Não me atreveria a filmar algo assim, pois não seria capaz.”, ou a do cineasta Robert Rodriguez: “Como diabos você filmou isso!?”

A lista de elogios para “Mad Max: Estrada da Fúria” é gigante e passa por vários aspectos técnicos do filme. Então antes de falar dos pontos positivos, preciso falar de algo que gerou algumas críticas negativas e até revolta por parte de alguns espectadores puristas: a ausência de Mel Gibson. Quando George Miller concebeu sua nova história no final da década de 1990, Mel Gibson ainda estava envolvido no projeto, mas em 2003, quando houve a primeira tentativa de produzir o quarto longa-metragem, a presença do ator australiano deixou de ser uma opção, uma vez que estava produzindo e dirigindo seu próprio projeto cinematográfico (A Paixão de Cristo) e se via envolto em problemas com alcoolismo e violência doméstica (que resultou no seu divórcio). E apesar de sentida a ausência, deixo minha opinião para aqueles que falam que “Mad Max: Estrada da Fúria” é ruim por não ter Mel Gibson de volta ao papel de Max Rockatansky: é seu direito não gostar do filme, mas acho sua opinião simplista demais. Traduzindo de forma mais clara: Você é um purista que tem um objeto fálico em seu orifício anal (para não ser claro demais, hehehehehehehe).

Com Mel Gibson fora do projeto, vários atores foram ventilados para o papel de Max Rockatansky: Sam Worthington, Eric Bana, Liam Fountain, Jeremy Renner. Depois de muitos rumores, o escolhido foi Tom Hardy. O que causou um certo estranhamento no começo do filme (afinal, eu também estou acostumado a ver Mel Gibson como Max Doidão), acaba se tornando irrelevante diante da grandiosidade do filme. Tom Hardy não tem o carisma necessário para esse papel, mas compensa com seu talento inegável, pois transmite de forma convincente toda a loucura que o personagem tem dentro de si. O momento em que Max com seus trejeitos e principalmente com seus olhares de maluco está tentando salvar a vida da Furiosa e acaba dizendo seu nome é sensacional.

Se Max Rockatansky não era o personagem que gostaríamos de ver, só podemos elogiar a outra protagonista de “Mad Max: Estrada da Fúria”, que atende pelo nome de Furiosa, que juntamente com Ellen Ripley, são os símbolos máximos do cinema que representam toda a importância e força das mulheres no mundo. Charlize Theron interpreta o papel da sua carreira ao trazer uma personagem forte, determinada, inteligente e implacável nas cenas de ação; mas capaz de nos emocionar nos momentos de forte carga emocional. Furiosa é uma personagem tão bem construída, que conquistou com unanimidade homens e mulheres de todas as idades, etnias e orientações sexuais. Max Doidão é o cara que está no título, mas o filme é da Furiosa.

Mas algo que chama atenção em “Mad Max: Estrada da Fúria” é que quase tudo que vemos na telona é de verdade. Para isso, 90% dos efeitos vistos no filme são efeitos práticos: dublês, maquiagem, cenários e veículos; sendo o CGI usado com moderação, para melhorar a paisagem das locações, remover indícios de dublê e para amenizar a mão esquerda de Charlize Theron, que no filme é um braço protético. Então o que você vê é verdadeiro: pessoas reais pulando de veículos construídos unicamente para o filme, dirigidos à altas velocidades (a velocidade média calculada foi 60 km/h). O resultado são 120 minutos de pura insanidade e empolgação.

 

Ah sim, quer falar de insanidade, então toma: há um veículo que tem um guitarrista tocando loucamente enquanto o caos acontece ao redor (o ator Sean Hape estava preso por diversas correntes de segurança, incluindo a guitarra, que junto com o instrumento capaz de cuspir fogo pesava 60 quilos). Insano sim, mas massa demais!

Um novo “Mad Max” só não aconteceu ainda por conta de uma disputa judicial entre George Miller e a Warner (o cineasta alega que o estúdio não pagou um bônus de US$ 7 milhões para a sua empresa que deriva de um bônus por manter o orçamento abaixo dos US$ 150 milhões), pois o longa-metragem é um sucesso absoluto entre cineastas e profissionais do cinema, crítica especializada e público; além de ser altamente premiado, levando 6 Oscars em 2015 (Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som, Melhor Direção de Arte, Melhor Maquiagem e Penteados, Melhor Figurino, Melhor Edição. E foi pouco, porque deveria ter ganho nas demais categorias que foi indicado (Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Fotografia, Melhores Efeitos Visuais), além de ganhar Melhor Atriz (categoria que Charlize Theron nem foi indicada)).

 “Mad Max: Estrada da Fúria” proporciona até hoje, um espetáculo audiovisual inesquecível e único em todos os meus anos indo ao cinema (e são muitos já), se consagrando como o melhor filme de 2015 e um dos melhores e mais relevantes do século XXI!

P.S.: além de mim, 99,99% das pessoas que assistiram  “Mad Max: Estrada da Fúria”, o consideram um dos melhores e mais relevantes filmes do século XXI.

 

Ficha Técnica:

Título Original: Mad Max: Fury Road

Título no Brasil: Mad Max: Estrada da Fúria

Gênero: Ação, Ficção Científica

Duração:120 minutos

Direção: George Miller

Produção: George Miller, Doug Mitchell, P. J. Voeten

Roteiro: George Miller, Brendan McCarthy, Nico Lathouris

Elenco: Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult, Hugh Keays-Byrne, Rosie Huntington-Whiteley, Riley Keough, Zoë Kravitz, Abbey Lee, Courtney Eaton, Josh Helman, Nathan Jones, John Howard, Richard Carter, Angus Sampson, iOTA, Megan Gale, Melissa Jaffer, Melita Jurisic, Gillian Jones, Joy Smithers, Antoinette Kellerman, Christina Koch, Quentin Kenihan, Jon Iles

Companhia(s) produtora(s): Kennedy Miller Mitchell, Village Roadshow Pictures

Distribuição: Warner Bros. Pictures

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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