
SINOPSE: Acompanhando os acontecimentos verídicos que inspiraram a história da franquia, “O Grito: Origens” lança um olhar cru sobre a sucessão de horrores que atinge todos os que entram em contato com a maldição existente na casa. A série é centrada no investigador paranormal Odajima (Yoshiyoshi Arakawa) e na estrela da televisão Haruka Honjo (Yuina Kuroshima), que é assombrada pelos sons perturbadores de passos em seu apartamento no meio da noite. Logo, os dois então se veem atraídos pela icônica casa amaldiçoada.
“Ju-On” é uma das franquias do J-Horror mais rentáveis e queridas do Japão. Desde sua criação em 1998, por Takashi Shimizu e Rumiko Takahashi, com o lançamento do curta-metragens “Katasumi e 4444444444” (curta mostrado dentro do telefilme “Gakkô no kaidan Gque”), já temos 9 filmes japoneses (entre eles o crossover com a franquia de sucesso “Ringu” (“O Chamado”): “Sadako vs. Kayako”), 4 longas-metragens estadunidenses, vários quadrinhos e até uma jogo para videogame.
Agora em 2020, chega “O Grito: Origens”, série coproduzida pela NBC Universal Entertainment Japan e pela Netflix. Com seis episódios, a produção seriada explora os acontecimentos verídicos que inspiraram “Ju-On”. Quanto a veracidade dos fatos, é difícil dizer, mas um produção cinematográfica ou televisiva trazer a alcunha “baseado em fatos reais”, é um grande chamariz. Mas como o folclore japonês é recheado de entidades malignas e atormentadas (como onryō e yūrei) e locais amaldiçoados; não seria surpresa que a série seja realmente baseada em alguma história que permeia a comunidade nipônica.
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“O Grito: Origens” trabalha muito com o fator psicológico para aterrorizar os espectadores, característica marcante do J-Horror. Não há jump scares (o que será uma decepção para os aficionados desse artifício de terror), pois o objetivo da história não é o susto momentâneo, mas sim criar e manter o clima tenso e apreensivo durante toda a série. Nesse ponto, a série não desliza e cumpre o que promete ao trazer uma ambientação opressiva, efeitos sonoros para criar passos e outros elementos fantasmagóricos e às aparições do espírito vingativo de forma desfocada ou filmadas em ângulos que reforcem a sensação de estar sendo observado.
Algo que me chamou bastante a atenção é a forma de abordar a história em “Ju-On: Origens”. Nos longas-metragens, as pessoas que entram em contato com o local são vítimas da perseguição implacável de Kayako. Na série existe um onryō, mas é a própria casa o vetor de toda a tragédia que ocorre aos visitantes e moradores que desconhecem ou ignoram a maldição do local. “Ju-On: Origens” cria uma aura de malignidade e blasfêmia para essa residência que enlouquece e permeia esses desavisados com uma verdadeira urucubaca, onde o resultado é sempre o mesmo: desgraça e morte. Para reforçar essa aura ímpia da casa, a série sempre mostra o noticiário policial onde muitos crimes mostrados logo associamos aos personagens que aparecem em “Ju-On: Origens”, mas outros parecem não ter relação nenhuma. Essas reportagens mostradas na TV e no rádio me passou a sensação que a casa amaldiçoada é a responsável por muito mais do que está no quadro principal da trama.
Além do terror psicológico, “Ju-On: Origens” utiliza do gore para causar impacto e aversão nos espectadores, mas no episódio onde temos o assassinato de uma mulher grávida, a série escorrega feio, pois mesmo que o gore não precise de tanto investimento, os efeitos especiais pareceram bem amadores. Existem outras cenas e sequências baseadas nesse subgênero do terror, porém essa em específico destoou completamente do contexto. Nesse momento me pareceu estar assistindo outra história.
“O Grito: Origens” termina com algumas questões sem respostas: o que aconteceu com o filho do espírito da mulher que foi encarcerada na casa e estuprada? Por que algumas pessoas parecem não sofrer com a aura maligna da residência? Qual o destino de Haruka Honjo ao final da série? Acredito que do ponto de vista orçamentário (é visível que o investimento para a produzir não foi alto), uma renovação possa acontecer. Se não custou caro, basta que tenhamos uma boa audiência para que tenhamos uma segunda temporada, e assim termos as respostas para essas e outras perguntas.
Espero que essa nova forma de consumir “Ju-On” tenha agradado aos fãs e pessoas que gostem do J-Horror, pois assim podemos ver não só a continuação de “Ju-On: Origens” como outras franquias de sucesso como “Ringu”.
Dito tudo isso, declaro que vale muito a pena ver “Ju-On: Origens”
Clique aqui para saber mais sobre “O Grito” (2002)
Clique aqui para saber mais sobre “O Grito” (2020)
Ficha Técnica:
Título Original: Ju-On: Origins
Título no Brasil: O Grito: Origens
Gênero: Terror Psicológico, Mistério
Temporada: 1ª
Número de episódios: 6
Produção: Takashige Ichise, Mikihiko Hirata, Toshinori Yamaguchi, Kazutaka Sakamoto
Elenco: Yoshiyoshi Arakawa, Yuina Kuroshima, Ririka, Koki Osamura, Seiko Iwaido, Kai Inowaki, Ryushin Tei, Yuya Matsuura, Kaho Tsuchimura, Takemi Fujii, Ryota Matsushima, Haruka Kubo, Shinsuke Kato, Nana Yanagisawa, Atom Shukugawa, Yura Anno, Tokio Emoto, Nobuko Sendo, Kana Kurashina
Companhia(s) produtora(s): NBCUniversal Entertainment Japan, Netflix
Transmissão: Netflix


