SINOPSE: A conclusão de uma jornada, iniciada em Liga da Justiça: Guerra, de 2014, “Liga da Justiça Sombria: Guerra de Apokolips” lida agora com uma Terra dizimada após uma invasão do imperador de Apokolips, Darkseid, que derrota toda a Liga da Justiça após uma tentativa de ataque mal-sucedido dos maiores heróis da DC. Agora, os sobreviventes restantes da Liga da Justiça, Jovens Titãs, Esquadrão Suicida e outros heróis e vilões precisam se unir, montar uma estratégia e levar a guerra a Darkseid, em um levante final para salvar o planeta e seus habitantes. Essa é a guerra para acabar com todas as guerras, e só os vitoriosos poderão viver para aproveitar os espólios.

Desde que a Marvel iniciou seu MCU (Marvel Cinematic Universe), todos os estúdios seguiram o exemplo, Apesar de começar atrasado em relação a sua maior rival, a DC deu o pontapé inicial ao seu universo compartilhado nos cinemas com “Batman vs. Superman”. Não tinha como dar errado, afinal veríamos um filme que reuniria os maiores super-heróis dos quadrinhos: Super-Homem, Batman e Mulher-Maravilha. O resultado: fracasso de bilheteria e de crítica, que ocasionou em mudança de direção e um filme desconjuntado que sepultou a ideia da Liga da Justiça nas telonas.

Aqui faço um parênteses para dizer por que “Batman vs. Superman” (abreviado para “BvS”) não deu certo, e não tem nada a ver com o tom sombrio. Quem conhece o diretor Zach Snyder, sabe que seus longas-metragens são sombrios e violentos. Mas o maior problema de “BvS” é que o filme tem 151 minutos onde praticamente 80% dele é para desenvolver um plano elaborado e desnecessário por um Lex Luthor esquizofrênico para que o Cavaleiro das Trevas e o Homem de Aço saíssem na porrada (que correspondem a 30 minutos, com direito a uma Mulher-Maravilha fodona e um Apocalypse esquisitão) . Outro fator que jogou contra “BvS” foi o marketing que mostrou TUDO que veríamos no filme antes dele estrear. Ou seja, que expectativa você tem a respeito de uma história, se já sabe ela toda?

Mas se nos cinemas a Liga da Justiça não deu certo, vimos nascer, sob o comando de Sam Liu, um fenômeno de crítica e audiência: o universo animado compartilhado da DC. Apesar da sinopse dessa resenha falar que essa jornada começou em 2014, precisamos voltar para o ano de 2013, pois foi nessa data que Warner Bros. Animation lançou “Ponto de Ignição”. Na história, o Flash retorna no tempo para impedir o assassinato de sua mãe, mas acaba criando uma realidade onde não existe o Super-Homem e o Batman não é o que conhecemos, e o mundo está à beira da destruição. O motivo? A Mulher-Maravilha a frente da amazonas e Aquaman liderando os atlantes, estão em guerra. Ao reverter o salvamento de sua mãe, o Flash dá início a uma nova realidade que vemos no período dos quadrinhos conhecido como “Os Novos 52”. E é essa fase, que a DC e a Warner usam para criar seu DCverso animado.

Adaptando com uma alta fidelidade em relação ao material original, o DCverso animado foca na formação e nas aventuras da Liga da Justiça contra diversos inimigos, sendo o nêmesis do supergrupo, o Novo Deus Darkseid, imperador de Apokolips. Vale destacar a excelente qualidade da animação 2D e do traço desses longas-metragens, trazendo uma fluidez de movimentos que permite criar cenas de ação e combates frenéticos. Os roteiros são simples mas bem escritos, transmitindo tudo o que você precisa saber da história que está vendo. Esse tripé: animação de qualidade, ação e combates eletrizantes e roteiro bem escrito é que fazem do DCverso animado algo empolgante e merecedor de palmas.

“Liga da Justiça Sombria: A Guerra de Apokolips” adapta o arco nas HQs “Liga da Justiça. A Guerra de Darkseid” e é culminação do DCverso animado iniciado em 2014. Por isso, para entender melhor o que se passa nesse longa animado, sugiro que veja os desenhos “Liga da Justiça: Ponto de Ignição”, “Liga da Justiça: Guerra”, “Liga da Justiça: Trono de Atlantis”, “Liga da Justiça vs Jovens Titãs”, “Liga da Justiça Sombria”, “A Morte do Superman”, “Esquadrão Suicida: Acerto de Contas” e “Reino do Superman”.

“Liga da Justiça Sombria: A Guerra de Apokolips”, como alguns outras animações desse universo da DC, apresenta um tom bem sombrio e violento, mas que é bem dosado com o lado heroico das HQs. O final desse desenho e de toda a história do Dcverso é agridoce, pois as consequências da guerra contra Darkside foram catastróficas para a Liga da Justiça e para o nossos planeta. Mas mesmo diante desse cenário apocalíptico, o filme animado passa uma mensagem de esperança.

A animação continua excelente, as cenas de ação e luta estão muito fodas e o roteiro é bem escrito e criativo. Digo criativo, pois quando anunciaram o título desse desenho não entendi bem o porquê do Liga da Justiça Sombria. Mas a medida que o longa animado se desenvolvia percebi que a peça fundamental para a vitória dos super-heróis não é o Super-Homem, o Batman ou a Mulher-Maravilha, mas sim nosso feiticeiro bêbado, mulherengo e de humor ácido. É claro que estou falando de Constantine, que mais uma vez é dublado pelo ator Matt Ryan que nasceu para viver o personagem. Matt Ryan é melhor Constantine que Keanu Reeves!

Se a DC e a Warner me pedissem para direcionar o reboot do universo compartilhado de super-heróis deles no cinema, minha primeira decisão seria contratar Sam Liu para comandar a criação disso tudo. É sob sua batuta (seja como roteirista, produtor ou diretor, ou atuando nas três funções), que o DCverso animado se tornou um empreendimento de sucesso.

Desde que vi “Liga da Justiça: Ponto de Ignição” passei a dizer que as animações da DC são as melhores e se elas passassem nos cinemas com certeza lotariam as salas, pois o DCverso animado em suas devidas proporções está no mesmo nível do MCU. “Liga da Justiça Sombria: A Guerra de Apokolips” encerra com chave de ouro um arco empolgante de sucesso da Warner e da DC.

Vale muito a pena assistir “Liga da Justiça Sombria: A Guerra de Apokolips” e todas as animações do DCverso!

 

Ficha Técnica:

Título Original: Justice League Dark: Apokolips War

Título no Brasil: Liga da Justiça Sombria: A Guerra de Apokolips

Gênero: Animação, Super-Heróis

Duração: 90 minutos

Direção: Matt Peters, Christina Sotta

Produção: James Tucker

Roteiro: Mairghread Scott

Elenco: Vozes de Matt Ryan, Jerry O’Connell, Jason O’Mara, Tony Todd, Taissa Farmiga, Rosario Dawson, Shemar Moore, Christopher Gorham, Rebecca Romijn, Rainn Wilson, Roger Cross, Alec Holland, Nathan Fillion, Matt Lanter, Nyambi Nyambi, Sean Astin, Stuart Allan, Camilla Luddington, Ray Chase, Nicholas Torturro, Colleen Villard, Liam McIntyre, Jon Bernthal, Sumalee Montano, Sachie Alessio, John DiMaggio, Hynden Walch

Companhia(s) produtora(s): Warner Bros. Animation, DC Entertainment

Distribuição: Warner Home Video

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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