SINOPSE: Após um exaustivo processo seletivo, um grupo de Rangers, responsáveis pelas missões mais perigosas do mundo, são colocados cara a cara com uma ameaça além da imaginação deles. De forma inesperada, uma força extraterrestre complica ainda mais a vida deles.
A Netflix tem investido pesado em produções originais com a intenção de criar franquias, tendo mais fracassos que sucessos nessa empreitada, como “Rebel Moon”, “Agente Oculto”, “Esquadrão 6”, “Brigth” e “Agente Stone”. O alto investimento, atores e atrizes famosos não foram suficientes para evitar as críticas negativas ou o baixo engajamento do público.
Mas com o sucesso de “Resgate”, estrelada por Chris Hemsworth (que já tem dois filmes e está com o terceiro programado), a plataforma da Tudum segue com seus planos de criar franquias de sucesso. A bola da vez é “Máquina de Guerra”, protagonizada por Alan Ritchson.
O início de “Máquina de Guerra” se apega em um drama militar, mostrando 81, personagem de Alan Ritchson perdendo o irmão (Jai Courtney) em uma emboscada do Talibã. Dois anos após, imerso no trauma e luto, 81 precisa enfrentar um pesado treinamento para se tornar Ranger do Exército dos Estados Unidos, como forma de honrar a morte de seu irmão.
A parte da seleção dos candidatos que farão parte dos Rangers, apesar de um pouco clichê, é bem executada e insere o espectador na rotina extenuante dos treinamentos dos grupos de elite da Forças Armadas estadunidenses.
Agora, o que realmente me surpreendeu foi a intepretação Alan Ritchson, que transformou o que poderia muito bem cair em uma tentativa banal de aprofundar o soldado 81, em uma convincente demonstração de alguém que carrega um trauma relacionado ao irmão, que morreu em uma situação de combate na qual ele acredita ter falhado.
Preciso admitir que houve preconceito de minha parte, pois ver o porte físico de Alan Ritchson e seu nome sempre associado a filmes de ação, me fez duvidar de sua capacidade em fazer cenas dramáticas e emocionais. Porém, o ator com sua fisionomia e sua postura transmitiram toda tristeza e perda que o personagem tinha dentro de si e na sequência em que explica que ganhou a medalha, mas falhou em salvar o irmão, o ator entrega toda a dor que o soldado 81 carregava a ponto de me fazer engolir em seco e ficar com os olhos marejados.
“Máquina de Guerra” lembra alguns filmes como “Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles” quando vemos a parte do treinamento do soldado 81 e demais candidatos a Rangers ou na forma como a ameaça alienígena vai sendo revelada pela televisão. Uma boa sacada do diretor Patrick Hughes foi associar a chegada das máquinas alienígenas ao cometa 3l/ATLAS, que gerou várias teorias da conspiração por sua composição diferente a de outros cometas e uma movimentação atípica para esses corpos celestes.
Mas “Máquina de Guerra” foi fortemente influenciado por filmes de ação e ficção científica da década de 1980, como “O Exterminador do Futuro”, de 1984, ao mostrar o grupo do soldado 81 tendo que enfrentar uma máquina altamente avançada, imparável e imune aos armamentos convencionais. Porém, “O Predador”, de 1987, foi o que mais me veio a cabeça enquanto assistia ao longa-metragem, principalmente pela semelhança entre as narrativas: um grupo de soldados, em uma missão de rotina, acaba na mira de algo alienígena que tem como objetivo caçá-los e matá-los. Aliás, ambas as produções dos anos 1980 citadas agora foram estreladas por Arnold Schwarzenegger, que possui um porte forte como o do ator Alan Ritchson.
“Máquina de Guerra” é focado na ação e não se preocupa em desenvolver os personagens, com o protagonista sendo o que ganha uma narrativa mais profunda. Até mesmo os companheiros de pelotão do soldado 81, que possuem um bom tempo de tela, só existem para morrer em algum momento e justificar a ameaça mortal que é máquina alienígena.
Uma vantagem de “Máquina de Guerra” é que por sair direto na Netflix, não houve necessidade de atenuar a violência, algo comum em filmes que vão para o cinema, buscando uma classificação etária menor e assim aumentar o público. Dessa forma, os ferimentos e as mortes são bem gráficos, tornando a máquina alienígena em uma caçadora violenta e brutal.
Por se tratar de um filme de ação, essas sequências são até simples, mas atendem a necessidade do filme. A única sequência de ação que achei elaborada e empolgante é quando a máquina alienígena persegue o soldado 81 e o que sobrou de seu pelotão dentro de um veículo blindado em alta velocidade.
Por falar em simplicidade, achei a aparência da máquina alienígena segue essa linha. Mas para ser justo, uma arma robótica assassina vinda do espaço não precisa de um design arrojado.
O final de “Máquina de Guerra” deixa o futuro aberto para uma continuação, o que parece se encaixar no projeto da Netflix de criar franquias de ação. Apesar não ter sido divulgado, o filme parece ser uma produção de médio orçamento (algo entre US$ 60 milhões a US$ 100 milhões), o que pode fazer a Netflix aprovar um segundo filme, mesmo com uma recepção morna por parte do público (com 73% de aprovação no Rotten Tomatoes e nota 6,4/10 no IMDb).
Com uma trama básica e até clichê em alguns momentos, o filme faz boas referências a filmes clássicos como “O Predador”. Se você procura um filme de ação divertido, ideal para quem passar um tempo na frente da tv, então vale a pena assistir “Máquina de Guerra”.
Ficha Técnica:
Título Original: War Machine
Título no Brasil: Máquina de Guerra
Gênero: Ação, Ficção Científica
Duração: 109 minutos
Diretor: Patrick Hughes
Produção: Todd Lieberman, Alex Young, Patrick Hughes
Roteiro: Patrick Hughes, James Beaufort
Elenco: Alan Ritchson, Dennis Quaid, Stephan James, Jai Courtney, Esai Morales, Keiynan Lonsdale, Daniel Webber, Blake Richardson, Jack Patten, Jacob Hohua, Alex King, Joshua Diaz, James Beaufort, Justin Wang, Matt Testro, Heather Burridge, Victory Ndukwe, Jake Ryan, Christopher Kirby, Joey Vieira, Ditch Davey, Patrick Hughes
Companhias Produtoras: Roadshow Films, Netflix
Distribuição: Netflix
