SINOPSE: Acompanhamos “em tempo real” um turno de 15 horas no pronto-socorro superlotado do Centro Médico de Emergência de Pittsburgh, na Pensilvânia. Cada episódio revela uma hora de trabalho do Dr. Michael “Robby” Robinavitch (Noah Wyle) e de sua equipe, mostrando emergências médicas, tensões internas, desafios pessoais e o desgaste emocional de atuar na linha de frente da saúde americana.

Séries médicas sempre foram produções corriqueiras na televisão e mais recentemente nos streamings. A primeira produção de drama médica estadunidense foi “Dr. Kildare” de 1961 e a primeira série médica britânica foi “Emergency Ward 10”, em 1967.

Porém, em 1994, “ER”, conhecida no Brasil como “Plantão Médico”, revolucionou as séries médicas com sua edição rápida, com várias coisas acontecendo simultaneamente e sem gastar o tempo de exibição explicando os procedimentos técnicos detalhadamente. Esse formato, transformou “ER” em um marco para o gênero.

Em 2025, R. Scott Gemmill e John Wells, alguns dos responsáveis por “ER”, criaram e produzram ao lado de Noah Wyle, que viveu o residente John Carter em “Plantão Médico”, a série “The Pitt”.

“The Piit” vem no formato de acontecimentos em “tempo real”, com cada episódio da temporada cobrindo uma hora de um único turno de quinze horas da Emergência do fictício Pittsburgh Trauma Medical Hospital. Essa dinâmica é o grande trunfo da série da HBO.

Com um formato de “tempo real”, “The Pitt” sai do formato procedural clássico onde costumamos ver o caso médico da semana para acompanharmos situações variadas no setor de Emergência que muitas vezes se estendem por vários episódios, já que cada episódio cobre uma hora do turno do setor. Isso confere um certo realismo ao que estamos vendo, principalmente para quem utilizou ou utiliza o setor de Emergência de um hospital ou postos e UPAs.

Para mim, o que mais me chamou atenção foi “The Pitt” mostrar a emergência estadunidense e como ela parece com a nossa realidade: pessoas lotando a Emergência, a triagem sendo realizada para determinar a prioridade do atendimento e o longo período de espera de quem não é urgência.

Ao mostrar essa e outras deficiências como a quantidade adequada de enfermeiros e leitos, “The Pitt” aproxima ainda mais o espectador, seja ele um profissional da saúde ou uma pessoa que precisa recorrer à uma Emergência, pois os aproxima da realidade, mostrando um sistema sobrecarregado, subfinanciado e incapaz de acompanhar o ritmo frenético desse local. Profissionais da saúde de outros países, como no Canadá, corroboram esses aspectos, apesar das diferenças estruturais e sistêmicas.

Para conferir esse realismo, foram realizadas extensas pesquisas e consultas com especialistas médicos e até o acompanhamento da rotina in loco em hospitais. Além disso, uma equipe de 125 pessoas construiu um pronto-socorro com 25 leitos, ocupando mais de 1.900 m2 e uma sala de espera e um centro de trauma, que custaram cerca de US$ 4 milhões. Some isso ao mobiliário comprado com fabricantes de equipamentos médicos para replicar o layout real preciso dessas instalações médicas.

“The Pitt” se destaca também pelo ritmo narrativo ágil, com a equipe da Emergência sempre atendendo algum caso e com isso mantendo o espectador sempre ligado. E nesse sentido, somos apresentados a uma miscelânia de situações que vão desde queimaduras gravíssimas a insetos alojados em orifícios.

O fato de cada episódio emular uma hora do turno dessa Emergência confere dinamismo e agilidade à série, pois ao contrário de outras séries médicas onde geralmente temos o caso da semana, “The Pitt” tem várias situações acontecendo simultaneamente e como é gravada em “tempo real”, muitos casos são abordados durante vários episódios.

O grande clímax ia em “The Pitt” acontece quando um atirador dispara contra pessoas em um show e então a “correria” vira uma verdadeira operação de guerra para tratar a enxurrada de pessoas feridas e à beira da morte. Achei bem interessante essa parte, pois não me lembro de nenhuma outra série médica mostrando como os médicos, enfermeiros e demais funcionários de um hospital precisam trabalhar em uma condição tão adversa e caótica.

Mas se a “correria” é um dos fatores que cativam o espectador, os personagens apresentados possuem carisma suficiente para conquistar a atenção de quem está assistindo a série. Gostei de todos sem exceção, mas eu destaco dois. Dr. Michael Robinavitvh e a enfermeira-chefe Dana Evans.

Dr. Michael Robinavicth ou Robby, como é chamado pelos demais funcionários do hospital, é protagonista da série. Antes de assistir a série, achei que o personagem seria algo entre um Dr. House e um arrogante pau n c*, uma vez que ele é o chefe dos residentes e responsável pelo turno. Mas o que “The Pitt’ mostra é um médico extremamente rígido cobrando que os demais residentes façam seu melhor, mas também humano pois não deixa de se preocupar com eles. Dr. Robby além de cuidar de tudo isso ainda precisa lidar com o trauma da morte de seu mentor, vítima da Covid. O ator Noah Wyle está à vontade no papel e consegue entregar todas as nuances e complexidade que o Dr. Robby possui. Porém, apesar de gostar do trabalho do ator na série, não acho que seja merecedor dos prêmios que recebeu.

Agora Katherine LaNasa é o maior destaque de “The Pitt”, pois interpretou com maestria a enfermeira-chefe Dana Evans, mostrando quem realmente manda na Emergência. A personagem traz a realidade desses profissionais da saúde e o protagonismo que eles possuem ao lado dos médicos. Aliás, a série faz justiça ao dar o protagonismo em relação aos enfermeiros, que em outras séries médicas ou possuem papel secundário ou mal aparecem.

“The Pitt” tem conquistado diversos prêmios, inclusive a categoria mais importante que é a de Melhor Série de Drama. E depois de assistir a primeira temporada entendo os motivos que fazem a série receber tais premiações.

Além de trazer com o máximo de realismo possível a rotina do setor de Emergência, a série possui um ritmo ágil e contagiante que faz que entremos naquele pensamento de “só mais um episódio” e quando vemos assistimos a primeira temporada toda de uma vez. Os personagens são carismáticos e cada um possui sua carga dramática pessoal que são exploradas sem exageros, mostrando que eles precisam colocar de lado suas vidas particulares por causa de seu trabalho.

Pretendo assistir a segunda temporada assim que todos os episódios estiverem disponíveis na HBO Max, que promete um evento tão caótico quanto um tiroteio em um show: atender as pessoas durante o 04 de Julho sem os sistemas, ou seja, sem acesso à computadores e equipamentos tecnológicos.

Como disse no começo da resenha, vi essa série médica, que não é um gênero que me atrai muito em produções desse tipo, para ver se ela é tudo isso mesmo. E depois de assistir a primeira temporada de uma só vez, posso dizer que vale muito a pena assistir “The Pitt”, porque ela é tudo isso sim, merecendo os prêmios que tem ganhado e as críticas positivas que tem recebido.

Ficha Técnica:

Título Original: The Pitt

Título no Brasil: The Pitt

Gênero: Drama Médico

Temporadas:

Episódios: 15

Criadores: R. Scott Gemmill

Produção: John Wells, Noah Wyle

Direção: John Wells, Amanda Marsalis, Damian Marcano, John Cameron, Silver Tree, Quyen Tran

Roteiro: R. Scott Gemmill, Joe Sachs, Noah Wyle, Simran Baidwan, Cynthia Adarkwa, Valerie Chu, Elyssa Gershman

Elenco: Noah Wyle, Tracy Ifeachor, Patrick Ball, Katherine LaNasa, Supriya Ganesh, Fiona Dourif, Taylor Dearden, Isa Briones, Gerran Howell, Shabana Azeez, Sepideh Moafi, Shawn Hatosy, Amielynn Abellera, Jalen Thomas Brooks, Brandon Mendez Homer, Kristin Villanueva, Joanna Going, Deepti Gupta, Michael Hyatt, Jackson Kelly, Krystel V. McNeil, Alexandra Metz, Drew Powell, Arun Storrs, Brandon Keener, Ashley Romans, Samantha Sloyan, Mika Abdalla, Abby Ryder Fortson, Marguerite Moreau, Tracy Vilar as Lupe Perez, Shu Lan Tuan, Courtney Grosbeck, Shani Atias, Robert Heaps, Ayesha Harris, Ken Kirby, Tedra Milla

Companhias Produtoras: John Wells Productions, R. Scott Gemmill Productions, Warner Bros. Television

Transmissão: HBO, HBO Max

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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