SINOPSE: Em Vigrid, suas ossadas moldam montanhas, despertam monstros e alimentam uma cobiça que atravessa gerações. Entre jarls em guerra, caçadores de relíquias e mercenários lendários, três destinos avançam como lâminas no escuro. Orka quer apenas proteger a família e manter o passado enterrado. Porém, quando a violência bate à sua porta, a guerreira que ela foi retorna com fúria e nada deterá sua caçada. Varg, um ex-escravizado em fuga, encontra em um grupo de mercenários uma chance de vingança e talvez um novo lar, se for capaz de sobreviver às verdades do próprio sangue. Elvar, jovem combatente, persegue fama e feitos dignos de saga até descobrir que a glória costuma cobrar um preço alto.
A editora Trama tem se estabelecido com sucesso no gênero de fantasia, trazendo autores que tem caído no gosto dos leitores. Após o sucesso com Brandon Sanderson, que se tornou seu carro-chefe nesse gênero literário, a Traminha, como é conhecida nas redes sociais, trouxe um escritor que muitos vinham pedido: John Gwynne, com o primeiro volume da Saga Bloodsworn: “A Sombra dos Deuses”.
“A Sombra dos Deuses” é um livro de grimdark fantasy, com personagens cinzas. Orka, Varg e Elvar são movidos por motivações pessoais e apesar de parecer existir alguma virtude neles, elas são deixadas de lado em detrimento da realização dos seus desejos e objetivos.
Orka possui um passado violento que ela tenta esquecer agora que é esposa e mãe, mas a morte de seu marido e o sequestro de seu filho a forçam a voltar às batalhas sangrentas. Varg é um escravo fugitivo que procura através de um ritual descobrir o que aconteceu com sua irmã. E Elvar é uma guerreira que tenta ascender por si só, lutando e vencendo ao lado de seus colegas guerreiros, enquanto esconde suas origens.
Apesar de Orka, Varg e Elvar serem interessantes, achei eles dentro da fórmula padrão da grimdark fantasy, porém John Gwynne trouxe narrativas interessantes para eles e à medida que avançamos na leitura, meu interesse entre esses personagens foi se revezando, me passando a sensação de equilíbrio entre suas histórias.
O autor John Gwynne tenta criar alguns mistérios ao longo do livro, mas alguns foram descobertos bem antes da revelação deles, principalmente em relação à natureza violenta de Orka e Varg. A revelação de quem Elvar realmente é meio que clichê, mas que não consegui descobrir antecipadamente. A grande surpresa foi no final do livro, quando descobrimos quem realmente Orka é, mesmo desconfiando de qual grupo de guerreiros ela fez parte.
Existem duas grandes narrativas em “A Sombra dos Deuses” ou pelo menos assim me pareceu: uma luta pelo poder entre a rainha Helka e o jarl Storr pelo controle do continente de Vigrith e a outra envolvendo o sequestro de crianças que “mudarão o mundo”.
Esse mundo violento brutal foi palco de uma grande guerra entre deuses que resultou na morte da maioria deles, sendo que o restos deles podem sem vistos por Vigrith. Porém apesar de mortos, esses seres titânicos ainda influenciam e assombram sua população e suas energias divinas ainda são encontradas nos seus restos mortais.
Essa guerra gerou medo e ódio dos humanos pelos maculados, homens e mulheres que possuem sangue dos deuses, mestiços que possuem poderes e que podem ter somente dois destinos: escravidão ou morte.
“A Sombra dos Deuses” tem forte influência da cultura nórdica e viking, então vemos muitas referências à essa cultura nórdica seja mostrando o cotidiano dos habitantes de uma vila ou cidade, seja mostrando as navegações por mar aberto e nas batalhas brutais escudo a escudo. Vigrith é um mundo brutal, com promessas de guerras e a conquista de prestígio através de desafios e conflitos sangrentos. Para reforçar essa sensação, John Gwynne utiliza palavras nórdicas ao longo do livro como drakkar e brynja por exemplos e outros termos criados pelo autor que possuem suas raízes nas linguagens nórdicas.
Em meio a isso, temos criaturas, monstros e a sombra constante e perigosa dos deuses caídos. A presença desses seres, que tem forte inspiração nas culturas nórdicas, confere o aspecto fantástico do livro.
“A Sombra dos Deuses” não tem pressa e leva seu tempo para desenvolver os personagens e o enredo da história. John Gwynne equilibra bem os pratos, mostrando a vida brutal e sangrenta dos guerreiros e as relações de amizade e irmandade que somente confrontos dessa porte parecem construir, ao mesmo tempo que deuses caídos, criaturas e magias ancestrais mostram existem forças que ainda moldam o destino dos homens e de Vigrith.
O final de “A Sombra dos Deuses” deixa a promessa de confrontos que podem despedaçar novamente Vigrith com o aparente retorno dos deuses vingativos e egoístas que outrora reinavam nesse continente.
Trazendo uma história com personagens e um mundo que lembram muito a série “Vikings” e a promessa de uma pancadaria divina, é claro que vale a pena ler “A Sombra dos Deuses”.
Ficha Técnica:
Título Original: The Shadow of the Gods
Título no Brasil: A Sombra dos Deuses
Autor: John Gwynne
Tradutor: André Gordirro
Capa: Comum
Número de páginas:568
Editora: Trama
Idioma: Português
