SINOPSE: Quando James (Jeremy Irvine) recebe uma carta misteriosa de seu amor perdido, Mary, ele é atraído para Silent Hill: uma cidade antes familiar, agora consumida pela escuridão. Enquanto a procura, James enfrenta criaturas monstruosas e desvenda uma verdade aterrorizante que o levará ao limite da sanidade.

A franquia “Silent Hill” viveu um grande hiato desde o cancelamento do game “P.T. Silent Hill e o fracasso do filme “Silent Hill: Revelação”. Porém, a Konami resolveu apostar na franquia e em 2024 chegava o remake de “Silent Hill 2”, que foi um sucesso de vendas e crítica, abrindo caminho para “Silent Hill f”, que caiu no gosto dos gamers.

Em paralelo, a Konami deu sinal verde para um terceiro filme que estreou esse ano: “Terror em Silent Hill: Regresso Para O Inferno”, que adapta “Silent Hill 2”, considerado o melhor jogo eletrônico da franquia e o melhor game de terror psicológico já feito.

Achei o título brasileiro muito grande, então para simplificar chamarei o filme de “Regresso a Silent Hill”, que é uma tradução livre do título em inglês.

Para a missão de adaptar o game mais querido da franquia Silent Hill, o escolhido foi Christophe Gans, diretor do excelente “Terror em Silent Hill”, de 2006.

“Silent Hill 2” possui uma história mais complexa e pesada e por isso imagino o tamanho do desafio de Christophe Gans e demais responsáveis tinham pela frente. Por esse motivo estava preparado para mudanças em relação à trama original, como aconteceu em “Terror em Silent Hill”.

Então quando vemos como James e Mary (Hannah Emily Anderson) se conhecem e que ela era residente de Silent Hill eu aceitei pois entendi isso como um aprofundamento desses personagens em relação à história mostrada no game. Mas ao contrário do que Christophe Gans disse em algumas entrevistas de que “Regresso a Silent Hill” seria mais fiel ao jogo eletrônico do que “Terror em Silent Hill” não é verdade.

Em relação à trama principal, “Regresso a Silent Hill” segue basicamente o que vemos em “Silent Hill 2”, com James recebendo uma carta de Mary, que faleceu fazem alguns meses, para encontrá-la em Silent Hill. Mas a maior mudança está em relação aos outros personagens que aparecem no filme: Eddie (Pearse Egan), Angela (Eve Macklin) e Laura (Evie Templeton), que ganham uma relação bem mais direta com James.

Fiquei um tempo pensando nessa mudança e acredito que essa mudança nas tramas de Eddie, Angela e Laura é porque não seria possível desenvolvê-los corretamente dentro do corte final de 106 minutos. Ou seja, com pouco mais de uma hora e meia de filme, o foco precisava ser em James.

E é aqui que “Regresso a Silent Hill” perde completamente a essência que existe no jogo eletrônico. “Silent Hill 2” transforma a cidade homônima em uma espécie de purgatório para quem reside ou adentra-a, devido a uma espécie de força ou energia que a região possui que estava adormecida e foi ativada após os eventos do primeiro “Silent Hill”.

Em “Regresso a Silent Hill”, não é explicado porque a cidade está encoberta pela névoa e cinzas, mas pode ser resultado do que houve em “Terror em Silent Hill”, uma vez que a seita que é mostrada parece ser a mesma que vimos no filme de 2006. Se for isso, então a energia sobrenatural é consequência da dor e raiva de Alessa e seu pacto por vingança.

Essa mudança é um exemplo de mudança que funcionou no filme de 2006. Agora, o problema é como a jornada pelo purgatório pessoal de James acaba perdendo sua complexidade e sua profundidade.

Os personagens secundários que ganham uma conexão bem mais pessoal com James em “Regresso a Silent Hill” são jogados no longa-metragem de qualquer forma, mais como um fanservice do que realmente para aprofundar a personalidade e o drama do protagonista.  Existe explicação para a existência de Eddie e Angela que é mostrada muito rapidamente. Maria e sua semelhança com Mary só ganham importância para quem conhece a história de “Silent Hill 2”. E Laura para mim só serviu para fazer James lembrar do nome completo da esposa, em uma péssima e conveniente resolução para tudo que o protagonista vivenciou em sua busca.

Os flashbacks mostrando James e Mary, do início do relacionamento deles até o final não tornam a jornada do protagonista por Silent Hill um desafio de redenção, mas somente a corrida de uma pessoa por um local cheio de criaturas.

Os monstros mostrados em “Regresso a Silent Hill” também parecem ter sofrido um downgrade em relação ao que Christophe Gans trouxeram em “Terror em Silent Hill”. O diretor deu declarações que novamente utilizou efeitos práticos para dar vida às criaturas de “Silent Hill 2”, mas o resultado final foi decepcionante Essas criaturas repulsivas e hediondas são a materialização que a cidade cria dos traumas e culpas das psiques das pessoas e sem isso, “Regresso a Silent Hill” perde também a capacidade de assustar e causar desconforto no espectador.

Aliás, algumas mudanças em relação ao jogo eletrônico ou a falta de aprofundamento de algumas histórias prejudicam ainda algumas criaturas mostradas, como por exemplo o Pyramid Head, que no game quando revelada a sua relação com James, tornam o personagem em algo repulsivo que faz com que os monstros fujam dele. No filme, vemos a conexão entre James e Pyramid Head, mas novamente é algo sem desenvolvimento nenhum e jogado no longa-metragem para agradar os fãs. 

E o que dizer de Eddie e Angela? No game, Eddie se sente à vontade em uma cidade povoada por monstros, o que explica muito sobre ele e Angela com seus traumas profundos materializa a criatura mais repulsiva de todas, devido ao que ela representa. No filme, esses personagens são tão mau aproveitados que a ausência deles mudaria muito pouco a trama de “Regresso a Silent Hill”.

Tecnicamente, “Regresso a Silent Hill” possui um roteiro fraco e raso, muito devido as mudanças em relação à história original. Todas as tramas secundárias de “Silent Hill 2” foram alteradas completamente e não servem de suporte para a narrativa principal, que não tem peso e complexidade que um terror psicológico precisa.

Os atores e atrizes parecem estar no automático com atuações que parecem se resumir a repetir suas falas. Em um filme de terror isso as vezes nem faz diferença, mas por ser uma história de terror psicológico o engajamento do elenco e o carisma que eles precisam transmitir é essencial. E de todos, Jeremy Irvine, que vive James, é o pior, não transmitindo nada.

Para completar a parte visual não me agradou, com efeitos práticos que não transmitiram o terror e a repulsa que as criaturas transmitem e um CGI ruim, com péssimas transições e composições de imagem que parecem as que víamos em “Chaves” e “Chapolim”.

Christophe Gans disse que quer adaptar novas histórias de Silent Hill, mas a péssima recepção do público pode fazer a Konami pausar futuros projetos cinematográficos. Financeiramente, a franquia número um de jogos de terror psicológico pode demorar para voltar às telonas: orçado em US$ 23 milhões, até o momento faturou míseros US$ 3,2 milhões nos EUA, com sua maior arrecadação na China: US$ 9,5 milhões.

Em 2006, “Terror em Silent Hill” mesmo com as alterações em relação ao material original, acabou sendo considerada uma das melhores adaptações cinematográficas já feitas. Em 2012, “Silent Hill: Revelação” foi um fracasso e jogou uma pá de cal para os planos de longo prazo nos cinemas. Esse ano, com o melhor jogo eletrônico da franquia Silent Hill e o retorno do diretor que fez o longa-metragem de 2006, as expectativas em cima de “Regresso a Silent Hill” eram as melhores possíveis. Porém o resultado final é decepcionante.

Fraco tecnicamente e raso narrativamente e dessa forma preciso dizer com tristeza, pois queria que meu veredicto fosse outro, que não vale a pena assistir “Regresso a Silent Hill”.

Ficha Técnica:

Título Original: Return to Silent Hill

Título no Brasil: Terror Em Silent Hill: Regresso Para O Inferno

Gênero: Terror Psicológico

Duração: 106 minutos

Diretor: Christophe Gans

Produção: Victor Hadida, Molly Hassel, David M. Wulf

Roteiro: Christophe Gans, Sandra Vo-Anh, Will Schneider

Elenco: Jeremy Irvine, Hannah Emily Anderson, Robert Strange, Evie Templeton, Pearse Egan, Eve Macklin, Emily Carding, Martine Richards, Howard Saddler, Matteo Pasquini, Melissa Graham, Lara Duru, Karya Duru

Companhias Produtoras: Davis Films, Electric Shadow, Supernix, WIP

Distribuição: Paris Filmes

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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