Quem me conhece sabe o quanto sou fã e admirador de Stephen King. essa admiração começou quando comprei “O Pistoleiro”, primeiro volume da saga literária “A Torre Negra” e o primeiro livro que li do autor.

Vinte cinco anos depois que li “A Torre Negra”, resolvi revisitar essa saga literária de fantasia. Então, vamos livro a livro acompanhar a busca Roland Deschaim e seu ka-tet pela Torre Negra, ponto central de todo o multiverso de Stephen King.

Uma observação: estou lendo as novas edições lançadas pela editora Suma, mas não entrarei em detalhes sobre elas, pois o que me interessa compartilhar com vocês são minhas impressões sobre a obra máxima de Stephen King.

A Torre Negra: A Escolha dos Três de Stephen King

SINOPSE: Após o confronto com o Homem de Preto, Roland Deschain encontra três portas misteriosas à beira do mar, cada uma levando a um destino marcado pelas cartas: o Prisioneiro, a Dama das Sombras e o Empurrador. Para continuar sua busca pela Torre Negra, Roland precisará atravessar esses limiares. Do outro lado das portas estão Eddie Dean, um jovem viciado em heroína perseguido por gângsteres; Odetta Holmes, uma ativista dos direitos civis marcada por uma profunda cisão em sua identidade; e Jack Mort, um psicopata cuja existência é guiada pelo desejo de destruição. Três vidas radicalmente distintas, arrancadas de seus próprios mundos e forçadas a se entrelaçar ao destino do pistoleiro.

Após a confabulação com o Homem de Preto, Roland acorda e persegue que se passaram muitos anos. Sem entender como isso pode ter acontecido, ele continua sua jornada em busca da Torre Negra. Quando chega na praia, ele é atacado por lagostrosidades, criaturas predatórias que arrancam dois dedos da sua mão direita e um dedo do seu pé e o envenenando.

Entre a vida e a morte, por causa do veneno, Roland encontra a primeira porta que tem entalhada a palavra Prisioneiro, que o leva à 1987, onde ele adentra o corpo e a mente de Eddie Dean, um viciado em heroína que está tentando entrar em Nova York contrabandeando cocaína para o mafioso Enrico Balazar. Com o poder de tomar o controle de Eddie, o Pistoleiro o ajuda em várias situações, inclusive no confronto contra o Balazar. Após um intenso tiroteio, Eddie encontra seu irmão morto, e sem mais nada que o segure à sua realidade, aceita ir ao Mundo Médio com Roland.

Com Roland e Eddie agora na praia do Mundo Médio, eles encontram a segunda porta com o entalhe A Dama das Sombras. Quando o Pistoleiro a atravessa ele é transportado novamente para Nova York, mas agora na década de 1960, onde passa a ver pelos olhos de Odetta Holmes, uma negra deficiente física, ativista do movimento pelos direitos civis dos negros, mas percebe que existe uma segunda identidade: Detta Walker. Enquanto Odetta é educada e ponderada, Detta é rebelde e sádica, principalmente com as pessoas brancas. Após uma tentativa de roubo por parte de Detta, Rolanda assume o controle de seu corpo e a leva para o Mundo Médio.

Agora, além do veneno das lagostrosidades que debilita cada vez mais Roland, ele e Eddie precisam lidar com as idas e vindas de Detta, que faz de tudo para complicar a jornadas deles, além de jurar matá-los assim que tiver oportunidade. Então o Pistoleiro encontra a terceira porta com as palavras O Empurrador entalhada. Essa porta o transporta para a Nova york de 1977, mas não ao terceiro membro do ka-tet, e sim a Jack Mort, um assassino responsável pela morte de Jake Chambers, o garoto de onze anos que Roland encontra no livro anterior, pela perda das pernas de Odetta e pelo surgimento de Detta. Então, tomando o controle do corpo de Jack, Roland busca remédios e munição e em um plano arriscado, consegue colocar as duas personalidades cara a cara, fazendo com que surja uma terceira persona, amálgama de Odetta e Detta: Susanah Dean.

O livro termina com Roland e seu ka-tet incompleto: Eddie e Susanah, seguindo em busca da Torre Negra.

“A Escolha dos Três” tem mais ação, onde finalmente conseguimos ter uma noção melhor da habilidade de Roland como pistoleiro, mas também cheia de reflexões. Pensando no que ia escrever sobre esse segundo volume da Torre Negra, acabei fazendo um paralelo da narrativa de alguns personagens com a série “Lost”. Eddie é um viciado em drogas por causa do seu irmão e que poderia ter tido uma vida diferente se não fosse isso, o que me fez lembrar de Charlie. Roland e sua obsessão pela Torre Negra me lembrou um pouco John Locke e sua compulsão pela ilha misteriosa.

Além disso, os três personagens: Roland, Eddie e Susanah são pessoas “quebradas” que veem em um evento inexplicável uma possível redenção. Mas enquanto em “Lost”, os sobreviventes do acidente do Oceanic 815 não sabem disso, o ka-tet de Roland sabem que a busca pela Torre Negra é aparentemente, o que lhes sobrou.

Outro ponto interessante é que vemos um pouco mais das virtudes de Roland mas também o fato de que ele fará o que for preciso para encontrar a Torre Negra, ficando bem claro na conversa que ele tem com Eddie, onde o Pistoleiro diz que ama Susanah e ele, mas os sacrificará caso necessário para completar seu objetivo.

“A Escolha dos Três” não é o meu melhor livro dessa saga literária de fantasia, mas é possível ver que Stephen King consolida muitas coisas que apresentou no volume anterior e começa a sedimentar a jornada que o incompleto ka-tet tem pela frente, com personagens humanos, cheios de qualidades e defeitos.

Em resumo, “A Escolha dos Três” é um livro mais coeso e mais completo, como o próprio Stephen King mesmo diz no posfácio desse volume, com uma narrativa mais fluída, prendendo a atenção desde o começo.

Ficha Técnica:

Título Original: The Drawing of the Three

Título no Brasil: A Torre Negra: A Escolha dos Três

Autor: Stephen King

Tradutor: Mário Molina

Capa: Comum

Número de páginas: 408

Editora: Suma

Idioma: Português

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Publicado por Marcelo Santos

Quase biólogo, formado em Administração. Maníaco desde criança por filmes e séries. Leitor assíduo de obras de ficção, terror, fantasia e policial.

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