SINOPSE: Robert Langdon, respeitado professor de Simbologia, vai a Praga para assistir a uma palestra revolucionária de Katherine Solomon, uma proeminente cientista com quem ele recentemente iniciou um relacionamento. Katherine está prestes a publicar um livro explosivo que contém descobertas espantosas sobre a natureza da consciência humana e que ameaça desestabilizar séculos de crença estabelecida. Quando um assassinato brutal transforma a viagem em caos e Katherine desaparece junto com o manuscrito de seu livro, Langdon se vê na mira de uma poderosa organização e perseguido por um adversário assustador saído da mitologia mais antiga de Praga. À medida que a trama se estende até Londres e Nova York, Langdon tenta desesperadamente encontrar Katherine e desvendar o que está acontecendo.
Quem acompanha o Cinemaníacos e me conhece sabe que meu “vício” por leitura começou após ler “O Código Da Vinci”, do escritor estadunidense Dan Brow.
O primeiro livro publicado do escritor foi “Fortaleza Digital”, em 1998. Esse e seus dois outros romances: “Ponto de Impacto” e “Anjos e Demônios” fizeram pouco sucesso quando lançados, vendendo menos de 10 mil cópias em cada uma de suas primeiras edições.
O sucesso literário chegou em 2003, quando Dan Brown lançou “O Código Da Vinci”, chegando ao topo da lista dos mais vendidos do New York Times durante a primeira semana de lançamento e se tornou um dos livros mais populares de todos os tempos, com mais de 80 milhões de cópias vendidas. O sucesso do seu quarto romance ajudou a impulsionar as vendas dos seus livros anteriores. Em 2004, “Fortaleza Digital”, “Ponto de Impacto”, “Anjos e Demônios” e “O Código Da Vinci” estavam na lista de mais vendidos do New York Times.
Em 2009, Dan Brow lançou “O Símbolo Perdido” e de acordo com a editora, vendeu mais de um milhão de edições de capa dura e e-book em seu primeiro dia. Em 2013, “Inferno” chegava nas livrarias e lojas especializadas, ficando na lista de mais vendidos do NewYork Times nas primeiras onze semanas após seu lançamento, vendendo mais d e1,4 milhão de cópias apenas nos Estados Unidos. Em 2017, chegava o sétimo romance do escritor: “Origem”, que recebeu críticas mistas, mas foi bem-sucedido comercialmente, com uma primeira tiragem de duas milhões de unidades.
Resumindo toda essa introdução: Dan Brown é considerado um dos maiores escritores de thrillers do mundo, com cerca de 250 milhões de livros vendidos em pelo menos 42 idiomas.
Após um hiato de oito anos, chegou em setembro de 2025, o oitavo romance de Dan Brown, o sexto protagonizado pelo simbologista Robert Langdon: “O Segredo Final”. Com todo esse currículo, o novo livro do escritor veio cercado de expectativas.
Mas será que “O Segredo Final” honra o legado de Dan Brown e das aventuras de Robert Langdon?
Acho que o que mais me chamou a atenção em “O Segredo Final” é a falta de ritmo que você encontra na maioria dos livros de Dan Brown. Lembro que era viciante e quase impossível para de ler “O Código Da Vinci” ou “Anjos e Demônios”, ou até mesmo “O Símbolo Perdido”, que acho bem ruinzinho. As situações complicadas e de perigo, as explicações interessantes sobre determinado tema e os ganchos muito bem construídos ao final de cada capítulo nos instigavam a ler mais e mais para saber o que ia acontecer em seguida. Além disso, Dan Brown algumas vezes potencializava esses gatilhos intercalando personagens, então quando algo realmente importante estava acontecendo com Robert Langdon, o autor contava ou voltava na história de outro personagem igualmente interessante, só para quando chegava em algum clímax, voltar ao nosso simbologista.
Essas técnicas ou “truques” nos faziam devorar os livros do escritor. Lembro que li “O Código Da Vinci” e “Anjos e Demônios” em um ou dois dias, só parando para cumprir obrigações como faculdade, por exemplo.
Dizer que “O Segredo Final” não tem esses artifícios seria mentira, mas eles não criaram aquele impulso avassalador para querer devorar esse livro. Os gatilhos que encerram os capítulos são fracos e as transições insípidas e muito curtas, não instigando e nem criando expectativa suficiente. Admito que levei uma semana inteira para ler esse romance de Dan Brown.
Muitos podem dizer que estou citando somente “O Código Da Vinci” e “Anjos e Demônios” porque abordavam temas mais polêmicos, mas como disse, “O Símbolo Perdido” também é polêmico (dizem por aí que a maçonaria ficou bastante incomodada com o livro) e até mesmo “Inferno”, que aborda um tema bem diferente das obras citadas nesse parágrafo, são obras que nos instigam a devorá-las.
Para mim, o grande atrativo na escrita de Dan Brown sempre foi esse ritmo narrativo que ele conseguia empregar em seus romances, mas que não é o caso em “O Segredo Final”, se assemelhando bastante com “Origem”. Essa associação me surgiu, porque quase não lembro o que li no sétimo livro do escritor, enquanto que obras anteriores me trazem à memória situações descritas nas páginas e sentimentos muito vividos.
O que quero dizer, é que lembro muito do li em “O Segredo Final”, mas por ser uma leitura recente. Porém, como o romance não me causou o impacto de outras obras de Dan Brown, muito provavelmente essas memórias cairão no limbo.
Outro problema em relação é o protagonismo apagado de Robert Langdon. O simbologista não consegue convencer como a pessoa que resolverá os problemas colocados à sua frente. Fiquei com a impressão de que os enigmas e mistérios apresentados ao professor Langdon casavam convenientemente com seus conhecimentos sobre símbolos e arte. Mas aqui, é mais implicância minha mesmo, pois nesse livro específico, tudo era resolvido de forma bastante simples.
Mas o protagonismo fraco de Robert Langdon advém também dos inimigos bem fracos, que por mais que sejam vendidos como integrantes de uma organização secreta poderosa ou associados a forças místicas, não representam perigo real. Nem mesmo o Golem, é tão assustador e perigoso assim.
Outro aspecto comum nos romances de Dan Brown, principalmente nas aventuras protagonizadas por Robert Langdon, são os antagonistas estranhos: um padre albino, um hashashin gigantesco, um homem musculoso tatuado com símbolos arcanos e até uma policial musculosa. Em “O Segredo Final” essa figura misteriosa é O Golem, uma pessoa que “invoca” os poderes da criatura mítica da cidade de Praga. Porém, como disse no parágrafo anterior, ele não invoca o sentimento de perigo como os personagens citados anteriormente.
Mas apesar dessa ausência de perigo, O Golem é o personagem mais interessante do romance, com vários plot twists que vão descontruindo nossas preconcepções criadas à respeito dele. E aqui, vejo o estilo e talento que Dan Brown possui em surpreender o leitor, inclusive com a revelação final sobre a “criatura” que é algo completamente inesperado. E sabe o que é pior, o escritor deixa pistas escancaradas desde o começo e ao mesmo tempo escondidas aos nossos olhos.
Minha opinião é que Dan Brown tem talento para trazer um livro realmente instigante, mas talvez seja hora de dar umas férias a Robert Langdon e ir por outros caminhos como ele fez tão bem em “Ponto de Impacto”.
Se você nunca leu nada do autor, aconselho a começar pelos seus primeiros livros, e se quiser iniciar com Robert Langdon então comece com “Anjos e Demónios” e o “Código Da Vinci” e você terá a experiência que a escrita de Dan Brown é capaz de proporcionar e que nenhum outro escritor traz.
Se você é fã e já leu os outros livros do autor, então é obrigação sua ler “O Segredo Final”, mas saiba que esse romance é bem inferior aos outros romances dele, estando talvez no mesmo nível de “Origem”.
